terça-feira, 2 de outubro de 2012


É possível evangelizar nas redes sociais da internet

Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações 2013

Por José Antonio Varela Vidal
– Os comunicadores digitais católicos, ou dito de outra forma, “os evangelizadores da Rede”, receberam o apoio do santo Padre Bento XVI pelos seus grandes esforços em entender a linguagem dos meios de hoje – com poucas horas de descanso e não poucas incompreensões -, de modo que a mensagem de Cristo permaneça em vigor nas redes sociais da internet.
Esta boa notícia chegou a cada dispositivo móvel ou fixo que estivesse na rede, quando na sexta-feira foi publicado o tema da 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, com a qual o Papa orientará a Igreja Universal sobre este importante campo, denominado por ele mesmo “um continente digital”. É que a questão escolhida não podia ser mais oportuna e clara: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços para a evangelização".
De acordo com a nota de apresentação do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o tema se enquadra muito bem no contexto do Ano da Fé, dado que o “modo de humanizar e vitalizar um mundo digital impõe hoje uma atitude mais definida: já não se trata de usar a internet como “meio” de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem moderno também se expressa no ambiente digital”.
Em particular, acrescenta o comunicado, "é necessário considerar o desenvolvimento e a grande popularidade das redes sociais, que permitiram o crescimento de um estilo dialógico e interativo na comunicação e nos relacionamentos."

Vivemos bem a liturgia somente se permanecemos em atitude de oração


Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira


Apresentamos a catequese de Bento XVI durante Audiência Geral desta quarta-feira(26) dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
Nestes meses fizemos um caminho à luz da Palavra de Deus, para aprender a rezar de modo sempre mais autêntico, olhando para algumas grandes figuras do Antigo Testamento, dos Salmos, das Cartas de São Paulo e do Apocalipse, mas sobretudo, olhando para a experiência única e fundamental de Jesus, no seu relacionamento com o Pai celeste. Na verdade, somente em Cristo o homem se torna capaz de unir-se a Deus com a profundidade e a intimidade de um filho no confronto de um pai que o ama, somente Nele podemos nos voltar com toda a verdade a Deus chamando-O afetuosamente “Abbá, Pai”. Como os Apóstolos, também nós repetimos nestas semanas e repetimos a Jesus hoje: “Senhor, ensinai-nos a rezar” (Lc 11,1).

Além disso, para aprender a viver ainda mais intensamente a relação pessoal com Deus, aprendemos a invocar o Espírito Santo, primeiro dom do Ressuscitado aos que crêem, porque é Ele que “vem em auxílio à nossa fraqueza: nós não sabemos como rezar de modo conveniente” (Rm 8,26), diz São Paulo, e nós sabemos como ele tem razão.

Nove perguntas sobre o Ano da Fé


No próximo dia 11 de outubro começará o Ano da Fé, convocado por Bento XVI. Mas de que se trata? O que deseja o Santo Padre? O que se pode fazer? A 10 dias do início, respostas às perguntas que surgem.
1. O que é o Ano da Fé?
O Ano da Fé "é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).

2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de outubro de 2012 e terminará a 24 de novembro de 2013.


3. Por que nessas datas? 
Em 11 de outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de novembro, será a solenidade de Cristo Rei.


4. Por que é que o Papa convocou este ano?"
Enquanto que no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas". Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo". O objetivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo".

A qualidade do evangelizador depende da união com Deus

Cardeal Ouellet conversa com jornalistas na assembleia plenária dos bispos europeus


"A qualidade do evangelizador depende da qualidade da sua união com Deus", afirmou o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, no terceiro dia da assembleia plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que aconteceuem St. Gallen, na Suíça, de 27 a30 de setembro.
Da conferência de imprensa deste sábado, 29 de setembro, na qual ZENIT esteve presente, oferecemos a seguir um resumo, ressaltando o intercâmbio entre o cardeal e os jornalistas.
Na sua homilia, o senhor falou de uma Europa afetada por uma crise da esperança. Qual é o papel que este continente pode desempenhar para recuperar os valores, não só no contexto europeu, mas mundial? A Europa ainda tem um papel a desempenhar? Qual é?
Cardeal Ouellet: A Europa é portadora da civilização cristã, é a matriz dela. A Europa sempre terá a responsabilidade de continuar testemunhando as raízes da sua identidade, como continente configurado pelo dom de Cristo e da Igreja. E, neste sentido, a presença da Igreja, o seu esforço neste momento, é ajudar os países europeus a não perderem a consciência da missão universal da Europa como portadora dessa mensagem do Evangelho e da sabedoria que esta mensagem trouxe sobre a dignidade da pessoa, sobre os direitos humanos. Eu acho que a Europa tem uma missão e uma consciência que precisa ser mantida. Por isso, a Igreja procura ajudar também os políticos e aqueles que tomam as decisões econômicas para o futuro. Ajudar na perspectiva de fé, para apoiar o esforço em prol do bem comum e da missão universal da Europa.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Ano da Fé. Entre a narrativa e a poesia

O Ano da Fé. Entre a narrativa e a poesia

O que é a Fé?

O que é a Fé?

Ano da Fé contra o «absurdo» da existência

Ano da Fé contra o «absurdo» da existência

A crise que atinge a Europa: é uma crise espiritual e moral


64° Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana


 O Santo Padre Bento XVI fala aos participantes da 64° Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana.
Venerados e queridos irmãos,
É um momento de graça este vosso encontro anual em Assembleia, no qual vivem uma profunda experiência de confronto, de partilha e de discernimento para o caminho comum, animado pelo Espírito do Senhor Ressuscitado; é um momento de graça que manifesta a natureza da Igreja.
Agradeço o Cardeal Angelo Bagnasco pelas cordiais palavras com as quais me acolheu, fazendo-se interprete dos vossos sentimentos: ao senhor, eminência, dirijo os melhores votos para um novo mandato como presidente da Conferência Episcopal Italiana
O afeto colegiato que vos anima nutre sempre mais a vossa colaboração a serviço da comunhão eclesial e do bem comum da nação italiana, na interlocução frutuosa com as suas instituições civis. Neste novo quinquênio, prossigam juntos com o renovação eclesial que nos foi confiado no Concílio Vaticano II; que o 50º aniversário de seu início, que celebraremos no outono [no hemisfério norte], seja motivo pra aprofundar os textos, condição para uma recepção dinâmica e fiel.

Os nove decretos conciliares do Concílio Vaticano II


História e resumo dos decretos


Nove são os decretos conciliares que o Concílio Vaticano II produziu. Mons. Vitaliano Mattioli explica para os nossos leitores de ZENIT o objetivo de cada um desses documentos.
Para ler os dois artigos anteriores sobre a História do Concílio clique aqui.

Mons. Vitaliano Mattioli*
Os deveres pastorais dos Bispos: Christus Dominus, 28 de outubro de 1965
Este decreto explica primeiramente as aplicações práticas da colegialidade do Episcopado (participação de todos os bispos na responsabilidade da Igreja universal). Fala explicitamente de um problema de fundamental importância, ou seja, o Exercício do poder do Colégio Episcopal. No n. 4 esclarece assim: “Os Bispos, em virtude da sua consagração sacramental e pela comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio, são constituídos membros do corpo episcopal. A ordem dos Bispos, porém, que sucede ao colégio dos Apóstolos no magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo apostólico continua perpetuamente, é também, juntamente com o Romano Pontífice, sua cabeça, e nunca sem a cabeça, sujeito do supremo e pleno poder sobre toda a Igreja, poder este que não pode ser exercido sem o consentimento do Romano Pontífice. Este poder é exercido solenemente no Concílio Ecumênico”. Em seguida analisa as relações do bispo com a Igreja particular. Por fim, o Decreto fala da atividade das Conferências Episcopais.

Quatro Constituições Conciliares (Parte II)


Mons. Vitaliano explica as quatro Constituições do Concílio Vaticano II


 Publicamos a seguir a segunda parte do artigo que Mons. Vitaliano escreveu na sexta-feira, sobre as quatro Constituições do Vaticano II. Para ler a primeira parte clique aqui (http://www.zenit.org/article-31359?l=portuguese)
Constituição Dogmática sobre a Revelação: Dei Verbum, 18 de Novembro de 1965.
Documento de fundamental importância para a compreensão da Palavra de Deus e da relação com o Magistério da Igreja. Deus tem falado aos homens. O Cristo, Palavra (Verbo) de Deus, por quem todas as coisas foram criadas, é a plenitude da Revelação. A Constituição mostra como na Sagrada Escritura se encontra a Palavra de Deus fixada por escrito sob a inspiração do Espírito Santo, enquanto que a Palavra de Deus, confiada por Cristo aos Apóstolos, é transmitida pela Tradição integralmente aos sucessores dos apóstolos. A Hierarquia tem a tarefa de interpretar autenticamente a Palavra de Deus. 

Quatro constituições conciliares (Parte I)


Mons. Vitaliano explica as quatro Constituições do Concílio Vaticano II


- O Papa Bento XVI na Missa celebrada em Frascati (Itália) no dia 15 de julho de 2012 durante a homilia se expressou assim: “Os Documentos do Concílio contém uma riqueza enorme para a formação da nossa consciência”.
Com certeza o Concílio foi uma grande graça para a Igreja, mas ao longo destes 50 anos desde a sua abertura, nem sempre se ouviram vozes de acordo sobre a sua interpretação e atuação. Mais de uma vez o Vaticano foi apresentado como uma linha de demarcação entre o pré e o pós-Concílio, ou seja numa linha de descontinuidade. Nada podia estar mais errado. Por isso Bento XVI poucos meses depois da sua eleição pontifícia considerou oportuno chamar a atenção sobre a correta interpretação com que se deve ler este Concílio. Aproveitou a ocasião de cumprimentos de Natal apresentando-lhes o Sagrado Colégio dos Cardeais, no dia 22 de dezembro de 2005.

domingo, 23 de setembro de 2012



MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2012

«Chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade» (Carta ap. Porta fidei, 6)

Queridos irmãos e irmãs!
Neste ano, a celebração do Dia Mundial das Missões reveste-se dum significado muito particular. A ocorrência do cinquentenário do inicío do Concílio Vaticano II, a abertura do Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos cujo tema é a nova evangelização concorrem para reafirmar a vontade da Igreja se empenhar, com maior coragem e ardor, na missio ad gentes, para que o Evangelho chegue até aos últimos confins da terra.
Com a participação dos Bispos católicos vindos de todos os cantos da terra, o Concílio Ecuménico Vaticano II constituiu um sinal luminoso da universalidade da Igreja pelo número tão elevado de Padres conciliares que nele se congregou, pela primeira vez, provenientes da Ásia, da África, da América Latina e da Oceânia. Tratava-se de Bispos missionários e Bispos autóctones, Pastores de comunidades disseminadas entre populações não-cristãs, que trouxeram para a Assembleia conciliar a imagem duma Igreja presente em todos os continentes e se fizeram intérpretes das complexas realidades do então chamado «Terceiro Mundo». Enriquecidos com a experiência própria de Pastores de Igrejas jovens e em vias de formação, apaixonados pela difusão do Reino de Deus, eles contribuíram de maneira relevante para se reafirmar a necessidade e a urgência da evangelização ad gentes e, consequentemente, colocar no centro da eclesiologia a natureza missionária da Igreja.

sábado, 22 de setembro de 2012


O Frio que veio de dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para poderem receber socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles o sabiam, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo:
- "Aquele negro! Jamais darei a minha lenha para aquecer um negro." E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspeto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou:
- "Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?"
O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensinava. Seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou a sua lenha com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Ele pensou:
- "Esta neve pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos meus gravetos."
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou.
Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipa de Socorro disse:
- "O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro."

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ano da Fé: Bento XVI diz que a Igreja Católica deve recuperar «o entusiasmo de comunicar» o Evangelho

Ano da Fé: Bento XVI diz que a Igreja Católica deve recuperar «o entusiasmo de comunicar» o Evangelho

O mundo de hoje precisa de sinais claros e fortes de diálogo e cooperação


As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira



Caros irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de voltar brevemente, com o pensamento e com o coração, aos extraordinários dias da viagem apostólica que fiz ao Líbano. Uma viagem que eu realmente queria, apesar das circunstâncias difíceis, considerando que um pai deve estar sempre próximo aos seus filhos quando encontram graves problemas. Fui movido pelo desejo verdadeiro de anunciar a paz que o Senhor ressuscitado deixou aos seus discípulos com as palavras: “Vos dou a minha paz - سَلامي أُعطيكُم » (João 14,27). Esta minha Viagem tinha como propósito principal a assinatura e entrega da Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente aos representantes da Comunidades católicas do Oriente Médio, assim como a outras Igrejas e Comunidades eclesiais e também aos Chefes muçulmanos.

Não se pode estar, de fato, a serviço dos homens, sem ser primeiro servo de Deus
Bento XVI recebe em audiência os prelados participantes da conferência organizada pela Congregação para os Bispos e as Igrejas Orientais
 O Ano da Fé, o 50º aniversário de abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II , a 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova evangelização, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica são ocasiões” para reforçar a fé”.
Estas foram palavras do papa Bento XVI durante a audiência com os Bispos de recente nomeação, participantes do congresso promovido pela Congregação para os Bispos e as Igrejas Orientais. “O reunir-se em Roma, no início de vosso serviço episcopal -destacou o Papa- , é um momento propício para fazer uma experiência concreta da comunicação e da comunhão entre vós, e, no encontro com o Sucessor de Pedro, alimentar o senso de responsabilidade por toda a Igreja”.
O Santo Padre convidou os bispos a “promover e sustentar “um compromisso mais determinado da Igreja a favor da nova evangelização para redescobrir a alegria no crer e reencontrar o entusiasmo do comunicar a fé” (Lett. ap. Porta fidei, 7).
O convite é aquele de “favorecer e alimentar a comunhão e a colaboração entre todas as realidades de suas dioceses”. A evangelização, de fato, explicou Bento XVI “não é trabalho de alguns especialistas, mas de todo o Povo de Deus, sob orientação dos Pastores”, por isso, “cada fiel com a comunidade eclesial, deve sentir-se responsável pelo anúncio e pelo testemunho do Evangelho”.
A Nova Evangelização é, definitivamente, um produto do Concílio Vaticano II, tanto é verdade que o beato João XXIII, em seu discurso no encerramento do 1° período do Concilio, via como um “novo Pentecostes que iria florescer a Igreja na sua riqueza interior e no seu estender-se maternalmente a todos os campos da atividade humana”.

domingo, 16 de setembro de 2012

Líbano: Papa deixa mensagem de tolerância e pluralismo para a paz no Médio Oriente

Líbano: Papa deixa mensagem de tolerância e pluralismo para a paz no Médio Oriente

"Uma guia para avançar nos caminhos multiformes e complexos por onde Cristo vos precede"

Discurso de Bento XVI No ato da entrega da Exortação Apostólica Post-Sinodal Ecclesia in Medio Oriente


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) - No ato da entrega da Exortação Apostólica Post-Sinodal ‘Ecclesia in Medio Oriente’, aos Patriarcas católicos do Oriente Médio, aos Presidentes das Conferências Episcopais da Turquia e do Irã, e a uma representação de fiéis, Bento XVI pronunciou o seguinte discurso:

Suas Beatitudes, Senhores Cardeais,
Amados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs em Cristo!

A celebração litúrgica que vivemos permitiu-nos dar graças ao Senhor pelo dom da Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, que teve lugar em Outubro de 2010 sobre o tema: «A Igreja Católica no Médio Oriente, comunhão e testemunho. "A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma" (Act 4, 32)». Quero agradecer a todos os Padres sinodais pela sua contribuição. A minha gratidão vai também para o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, D. Eterović, pelo trabalho realizado e pelas palavras que me dirigiu em vosso nome.

"A vocação da Igreja e do cristão é servir"

Homilia de Bento XVI durante missa no City Center Waterfront de Beirtute


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) – Às 10:00 da manhã de hoje, XXIV Domingo do Tempo Comum, o Papa presidiu à celebração da Santa Missa por ocasião da publicação da Pós-sinodal Ecclesia no Oriente Médio da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos.
Após a proclamação do Santo Evangelho, Bento XVI pronunciou a seguinte homilia:
Amados irmãos e irmãs!
«Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 1, 3). Bendito seja Ele neste dia em que tenho a alegria de me encontrar convosco aqui, no Líbano, para entregar aos Bispos da região a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente. Agradeço cordialmente a Sua Beatitude Béchara Boutros Raï as amáveis palavras de boas-vindas. Saúdo os outros Patriarcas e os Bispos das Igrejas orientais, os Bispos latinos das regiões vizinhas bem como os Cardeais e os Bispos vindos doutros países. Com grande afecto, saúdo a todos vós, queridos irmãos e irmãs do Líbano e também dos países de toda esta amada região do Médio Oriente, que viestes celebrar, com o sucessor de Pedro, Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado. Dirijo também a minha deferente saudação ao Presidente da República e às Autoridades libanesas, aos Responsáveis e aos membros das outras tradições religiosas que quiseram estar aqui nesta manhã.

"Oxalá os homens compreendam que são todos irmãos!"

Palavras de Bento XVI ao recitar o Angelus durante Viagem Apostólica ao Líbano


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) - Antes de recitar a tradicional oração mariana do Angelus durante Viagem Apostólico ao Líbano, Bento XVI pronunciou as seguinte palavras:
Amados irmãos e irmãs!
Voltemo-nos agora para Maria, Nossa Senhora do Líbano, ao redor da qual se encontram os cristãos e os muçulmanos. Peçamos-Lhe que interceda junto do seu divino Filho por vós e, de modo particular, pelos habitantes da Síria e dos países vizinhos, implorando o dom da paz. Vós conheceis bem a tragédia dos conflitos e da violência, que gera tantos sofrimentos. Infelizmente, o fragor das armas continua a fazer-se ouvir, assim como o grito das viúvas e dos órfãos. 

"A liberdade religiosa tem uma dimensão social e política indispensável para a paz"

Encontro de Bento XVI com as autoridades políticas e religiosas libanesas no Palácio Presidencial de Baadba

BEIRUTE, sábado, 15 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - No segundo dia da sua visita pastoral no Líbano, o Papa Bento XVI passou a maior parte da manhã no Palácio Presidencial de Baadba, onde se reuniu com as principais autoridades políticas e religiosas do país.
Em primeiro lugar, em dois momentos diferentes, na Sala dos Embaixadores do Palácio Presidencial, o Santo Padre conversou com o presidente da República Libanesa, Michel Sleiman, e com o primeiro-ministro Nabih Berri, na presença dos seus respectivos familiares. Cada um dos encontros terminou com o ritual da troca de presentes e com a entrega de uma cópia da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Medio Oriente.
Bento XVI teve outros colóquios com os líderes das Comunidades muçulmanas Sunita, Xiita, Drusa e Alawita, na presença do Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, do Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Béchara Boutros Raï, do Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, e do Núncio Apostólico no Líbano, Mons. Gabriele Giordano Caccia.
Terminado os encontros privados, o Santo Padre e a delegação de autoridades libanesas foram ao Jardim do Palácio Presidencial, onde houve o simbólico plantio de um cedro do Líbano, para depois irem para o Salão “25 de maio” onde, depois da introdução do presidente Sleiman, Bento XVI pronunciou o próprio discurso.

"Jovens libaneses, vós sois a esperança e o futuro do vosso país

Durante a reunião em Bkerké, Bento XVI exorta os jovens libaneses a não desanimarem diante dos desafios do presente, combatendo as tentações e mantendo sólidas a fraternidade e a confiança em Deus

BKERKÉ, sábado, 15 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - "Salami ō-tīkum! – Dou-vos a minha paz!”. Com as palavras de Cristo do Evangelho de João (Jo 14, 27) Bento XVI saudou os jovens do Líbano e do Oriente Médio reunidos na praça que está na frente do Patriarcado Maronita de Bkerké.
Depois de ter encontrado, nesta manhã, as Autoridades políticas, religiosas e do mundo da cultura no Palácio Presidencial de Baadba, o Papa quis concluir o segundo dia da sua viagem no País dos Cedros encontrando quem desde sempre “ocupa um lugar privilegiado no seu coração”: os jovens.
O evento, que contou com a presença de vários milhares de religiosos e seminaristas, realizou-se em forma de Celebração da Palavra e foi introduzido pela saudação do Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Sua Beatitude Béchara Boutros Raï, O.M.M. Imediatamente depois dois jovens deram o próprio testemunho.
"Queridos amigos, vocês vivem hoje nesta parte do mundo que viu o nascimento de Jesus e o desenvolvimento do cristianismo", começou o Santo Padre, depois de ter agradecido pela acolhida recebida. Esta é “uma grande honra”, continuou, além de que “um apelo à fidelidade, ao amor pela vossa terra e por acima de tudo a serem testemunhas e mensageiros da alegria de Cristo”.
Citando o exemplo dos numerosos Santos e Beatos do País, que mesmo vivendo “períodos difíceis”, mantiveram a fé como “fonte da sua coragem e do seu testemunho”, o Papa convidou as novas gerações a não desanimarem diante dos “muitos e sérios desafios” que eles têm que enfrentar “num mundo em contínuo movimento”.

O Senhor conceda ao Oriente Médio servidores da paz e da reconciliação

Bento XVI celebra missa para meio milhão de fiéis em Beirute

BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org)- Durante a celebração Eucarística desta manhã no City Center Waterfront de Beirute, Bento XVI renovou seu apelo de paz aos líderes do Líbano e de todo o Oriente Médio.
Chegando ao local da celebração, o Santo Padre recebeu do prefeito de Beirute a Chave da Cidade. A missa contou com a presença de 300 bispos e cerca de meio milhão de peregrinos e fiéis provenientes do Líbano e de países vizinhos.
A celebração foi introduzida com a saudação do patriarca de Antioquia dos Maronitas, sua beatitude Bechara Boutros Raï, O.M.M, presidente da A.P.E.C.L e da Assembléia dos Patriarcas católicos do Oriente Médio.
Ao agradecer a presença de Bento XVI, Boutros Raï saudou a sua visita pastoral como um "sinal de paz, uma paz que aspira nosso mundo em geral e o Oriente Médio, em particular."
A viagem do Papa e a assinatura da Exortação apostólica ‘Ecclesia in Médio Oriente’, afirma a presença formal da Cátedra de São Pedro nesta região do mundo, que consagrará uma presença cristã de dois mil anos", acrescentou o Patriarca .

Médio Oriente: Papa reforça apelo pela paz na Síria

Médio Oriente: Papa reforça apelo pela paz na Síria

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Prestar Atenção

"E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe
dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia" (Atos 8:6).

Um homem estava caminhando por uma calçada, em Nova Iorque,
ao lado de um amigo. Ônibus e caminhões passavam a todo
instante, fazendo grande barulho, taxis estavam buzinando, o
som de um martelo era ouvido ao longe. De repente, ele parou
e disse: "Você ouve o grilo?" Seu amigo virou-se para ele,
surpreso. O homem, entretanto, dirigindo-se a um vaso de
plantas, próximo, separou as folhas e encontrou o pequeno
grilo em um dos galhos. Continuando a caminhada, seu amigo
perguntou: "Como pôde você ouvir o grilo com tanto barulho
ao redor?" "Porque eu estava prestando atenção", respondeu o
homem. "Deixe-me demonstrar". Tendo dito isto, ele pegou
algumas moedas no bolso e deixou-as cair na calçada. O som
das moedas caindo e rolando fez todas as cabeças que
passavam no quarteirão se virarem. "Veja", ele disse,
"depende de -- em que você está prestando atenção."

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


A cruz é para os cristãos a árvore da vida, o tálamo, o trono, o altar da nova e eterna aliança. Uma vez que Cristo, novo Adão, adormecido na Cruz, deu à luz o admirável sacramento da Igreja, a cruz se torna o sinal do senhorio de Cristo sobre aqueles que são configurados no Batismo com Ele na morte e na glória. Na Patrística, é o sinal do Filho do Homem que aparecerá no final dos tempos. O amor todo se manifesta na Cruz.
Santa Teresa d’Ávila disse em seus colóquios de amor com Cristo: “a cruz é vida e conforto, o único caminho para o céu”. Assim, a Cruz, antes de ser sinal de tortura e de sofrimento, é sinal de misericórdia, esperança, abrigo, reflexão, inspiração, perdão, paixão, amor, paz e vitória sobre o sofrimento e a dor.
Jesus Cristo se ofereceu livremente à Paixão da Cruz e abriu o sentido e o destino de nossa vida. Com Ele temos na Cruz os braços abertos e o coração aberto a serviço do Pai. Nele conseguimos ver e sentir a esperança, a eternidade.
A Cruz é uma história de amor, o sentido maior do esvaziamento (Kenosis) do Filho, onde Ele demonstra que Seu amor não tem limites, e que mesmo o medo da morte não poderia manchar o seu compromisso maior: fazer a vontade do Pai.
A Sua morte foi, sim, o início de Sua glorificação, pois o próprio Pai O exaltou. O que se exalta não é a cruz/sofrimento. O que se exalta é o amor incondicional de um Deus que partilhou a nossa condição humana e comprometeu-se com a realização do Reino até o fim. Na Cruz, Cristo, hoje Ressuscitado, deu a vida por nós. Por isso “nossa glória é a Cruz onde nos salvou Jesus”.
Temos que exaltar o Cristo que, tendo amado os seus, amou-os até o fim (Jo 13,1). E exaltar a Deus que deu Seu filho unigênito para que todos tenham vida em Seu nome (Jo 3, 16 e Gn 22, 2).
O próprio Deus quis tornar-se um de nós, até mesmo no sofrimento e na tristeza de alma. Um Deus que nos envolve com Seu amor extremado, infinito, demonstrado não em grandes mistérios, mas em verdade e em vida.
Cada vez que fazemos o sinal da cruz invocando a Santíssima Trindade recordamos desse mistério. Por isso trazemos a cruzem nossas Igrejas, casas, locais de trabalho, conosco – acreditamosem um Deusque deu a vida por nós e tornou a cruz um sinal de salvação. O cristão sabe, pela cruz, que a nossa limitação nunca será capaz, nunca será suficiente para contemplarmos toda essa imensidade de amor. Mas, nela, na Cruz, podemos experimentar esse amor. E a única chave de compreensão de nossa existência é certamente pelo amor. Só o amor explica a nossa vida, e nos solicita para a vida. Assim celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz, ou a festa da Exaltação do Supremo Amor.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Líbano: Que cenário vai encontrar o Papa

Líbano: Que cenário vai encontrar o Papa

A aparente onipotência do Maligno colide com a verdadeira onipotência de Deus


A catequese de Bento XVI na Audiência Geral desta quarta-feira


Caros irmãos e irmãs,
Quarta-feira passada falei sobre a oração na primeira parte do Apocalipse, hoje passamos para a segunda parte do livro, enquanto na primeira parte, a oração é orientada para o interior da vida eclesial, a atenção da segunda parte é voltada ao mundo inteiro; a Igreja, de fato, caminha na história, é sua parte segundo o projeto de Deus. A assembleia que, escutando a mensagem de João apresentada pelo narrador, redescobriu a própria missão de colaborar com o desenvolvimento do Reino de Deus como “sacerdotes de Deus e de Cristo” (Ap 20,6; cfr 1,5; 5,10), e se abre ao mundo dos homens. E aqui emergem dois modos de viver em uma relação dialética entre eles: o primeiro podemos definir como o “sistema de Cristo”, ao qual a assembleia é feliz de pertencer, e o segundo é o “sistema terrestre anti-Reino e anti-aliança posto em prática pela influência do Maligno”, o qual, enganando o homem, quer implantar um mundo oposto àquele desejado por Cristo e por Deus (cfr Pontifícia Comissão Bíblica, Bíblia e Moral, raízes do agir cristão, 70). A Assembleia deve então saber ler de forma profunda a história que está vivendo, aprendendo a discernir com a fé os acontecimentos para colaborar, com sua ação, para o desenvolvimento do Reino de Deus. E esta obra de leitura e de discernimento, como também de ação, está ligado à oração.
Primeiro, após o apelo insistente de Cristo que, na primeira parte do Apocalipse, sete vezes disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à Igreja” (cfr Ap 2,7.11.17.29; 3,6.13.22), a assembleia é convidada a subir ao céu para assistir à realidade com os olhos de Deus; e aqui encontramos três símbolos, pontos de referência para a leitura da história: o trono de Deus, o Cordeiro e o livro (cfr Ap 4,1 – 5,14).
O primeiro símbolo é o trono, sobre o qual está sentado um personagem que João não descreve, porque supera qualquer representação humana; pode somente sugerir o sentido de beleza e alegria que se prova encontrando-se diante dele. Este personagem misterioso é Deus, Deus onipotente que não permaneceu fechado no seu Céu, mas se fez próximo ao homem, entrando em aliança com ele; Deus que faz sentir na história, de modo misterioso mas real, a sua voz simbolizada por relâmpagos e trovões. Há vários elementos que aparecem ao redor do trono de Deus, como os vinte e quatro anciãos e quatro seres viventes, que constantemente louvam o único Senhor da história.
Primeiro símbolo, o trono. Segundo símbolo é o livro, que contém o plano de Deus sobre os acontecimentos e sobre os homens; é fechado hermeticamente por sete selos e ninguém é capaz de lê-lo. Diante dessa incapacidade do homem de analisar o projeto de Deus, João sente uma tristeza profunda que o leva às lágrimas. Mas há um remédio para a perda do homem diante do mistério da história: alguém é capaz de abrir o livro e de iluminá-lo.
E aqui aparece o terceiro símbolo: Cristo, o Cordeiro imolado no Sacrifício da Cruz, mas que está em pé, sinal da Ressurreição. É o próprio Cordeiro, o Cristo morto e ressuscitado, que progressivamente abre os selos e revela o plano de Deus, o sentido profundo da história.

sábado, 8 de setembro de 2012


O ano da fé: um dom para criar o espaço da verdade e da liberdade

Entrevista com monsenhor Waclaw Depo, Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, sobre as perspectivas para o ano proclamado pelo Santo Padre


Por Pe. Mariusz Frukacz
CZESTOCHOWA, quinta-feira, 6 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos aqui a entrevista com o Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, S.E. mons. Waclaw Depo, Presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polonesa, sobre quais serão os pontos e os dons que o Ano da Fé, proclamado pelo Papa, trará para toda a humanidade.
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ZENIT: Excelência, o que significa o Ano da Fé para a Igreja e para cada fiel?
Mons. Depo: O Ano da Fé é um dom para a Igreja e para todos os fiéis. Um dom com o qual cada pessoa pode renovar o seu relacionamento com Cristo, assim como o evento por meio do qual os fiéis podem encontrar de novo o seu lugar na Igreja. Podemos dizer que o Ano da Fé será realizado com a adesão de cada pessoa e de cada família a Cristo. Nisto têm grande importância os movimentos católicos em nossas paróquias, cujos membros são as primeiras testemunhas de Cristo na igreja local.
ZENIT: O que entendemos por Nova Evangelização?
Mons. Depo: A Nova Evangelização, como nos ensina Bento XVI, é o dom do Espírito Santo. Penso que ela seja também um dever nosso e não um fardo difícil, mas a cooperação na obra da salvação. A Nova Evangelização também significa uma nova adesão a Cristo, um novo compromisso pessoal da mente e do coração. Toda pessoa recebe o Espírito de Deus para discernir a própria vida e, ao mesmo tempo, obter o desejo de unir-se a Jesus, de falar sobre Ele e testemunhá-lo com a própria vida.
Não estou me referindo apenas às pessoas que já pertencem à Igreja, mas também a todos aqueles que estão à procura de Cristo e da Igreja. O ponto é criar o espaço para a verdade e a liberdade, a liberdade de escolha para todos aqueles que hoje estão distantes da Igreja ou olham-na de modo muito crítico. Tenho certeza de que eles também são abraçados pelo amor de nosso Redentor.
O Credo deve ser a oração diária de um cristão. Todos os dias também temos que perceber em Quem acreditamos: não somente nos artigos de fé, mas em Alguém que é e se revela em cada artigo de fé.
ZENIT: Como presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polaca, o que vossa Excelência acha do papel dos meios de comunicação na Nova Evangelização?
Mons. Depo: Eu acho que a tarefa dos meios de comunicação é muito importante, mas também muito difícil. Em nossos tempos estamos diante de uma luta dramática pela verdade. Juntos, a Igreja e os meios de comunicação - não apenas os católicos - devem assumir as próprias responsabilidades na pregação da verdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

MÊS DA BÍBLIA...



QUANTO MAIS E MELHOR REZARMOS, MAIS NOS TORNAREMOS SEMELHANTES A ELE

As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, após as férias, retomamos as audiências no Vaticano, continuando a "escola de oração" que estamos vivendo juntos nas catequeses de quarta-feira.
Hoje gostaria de falar sobre a oração no livro de Apocalipse que, como vocês sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza. Nos coloca em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida "no dia do Senhor" (Apocalipse 1:10), que é, de fato, o pano de fundo no qual se desenvolve o texto.
Um leitor apresenta à assembléia a mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia são, por assim dizer, os dois protagonistas no desenvolvimento do livro. Para eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras da profecia" (1,3). Através do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que se desenvolve em uma variedade de formas até a sua conclusão. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa.

A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) tem, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo - único caso no Novo Testamento - que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: "Graça e paz "(1,4). O leitor destaca a origem dessa saudação: vem da Trindade, do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, juntos envolvidos no levar adiante o projeto de criação e de salvação para a humanidade. A assembléia escuta, e quando escuta nomear Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria e responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: "Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém" (1,5b-6). A assembléia, envolvida pelo amor de Cristo, se sente libertada da escravidão do pecado e proclama o "Reino" de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que através do batismo foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de louvor olhando de novo diretamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece Nele "a glória e o poder" para salvar a humanidade. O "Amém" final conclui o hino de louvor a Cristo. Já estes primeiros quatro versos contêm uma riqueza de evidências para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar a Deus que fala. Submersos com tantas palavras, estamos pouco acostumados a ouvir, sobretudo a colocar-nos com disposição interior e exterior em silêncio para estar atentos ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes somente de pedidos, deve ser antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

REPARAR AMANDO...


Toda a vida de Jesus, todos os seus actos, todos os seus mistérios, todas as suas palavras e todas as suas atitudes, foram actos de amor, pois Ele é o Amor encarnado. Esse amor toma um sentido mais redentor, mais expiatório, mais reparador na oferta da Cruz, no dom da vida em amor ao Pai e aos homens. Unidos a Jesus podemos e devemos continuar a reparar amando e a amar reparando. Neste sentido toda a nossa vida deve ser reparadora, desde os momentos de oração, de adoração a Jesus Eucaristia, até aos momentos de trabalho e de serviço aos outros, passando por todas as maneiras de cooperar na obra redentora.
Reparar é amar Jesus presente na Eucaristia, oferecendo-se com ele, fazendo-Lhe companhia no sacrário, louvando e glorificando a sua presença em Corpo e em Sangue, Alma e Divindade. Se a Eucaristia é o sacramento do amor, por excelência, temos no diálogo com Ele, um modo precioso de reparar. Temos na oferta com Ele na Eucaristia, como a gota de água no vinho, uma maneira eficaz de colaborar na redenção, sendo oferenda permanente, sendo “hóstias vivas” oferecidas para que o mundo seja salvo.

Reparar é amar Jesus presente em cada homem e em cada mulher, em cada membro sofredor do seu Corpo Místico, onde Ele está presente. Sempre que amamos alguém, com amor evangélico, estamos a reparar, estamos a fazer bem a um cristo vivo, doente, preso, sofredor, injustiçado, só, idoso, desamparado, etc. Estes actos de amor cooperam na redenção, são modos concretos de reparar as chagas do Corpo Místico, onde Jesus continua a sofrer.

Reparar é amar, é trabalhar por amor quer na nossa profissão ou missão, quer no nosso apostolado, quer nas diversas actividades do nosso agir, por mais simples que nos pareçam. Se as fazemos por amor e com amor, estamos a reparar, estamos a cooperar na redenção, estamos a ajudar a construir e a dilatar o reino, estamos, com o nosso trabalho, a ser instrumentos do amor reparador no mundo.

Reparar é amar, é sofrer com amor e por amor, unido a Jesus Vítima, a Jesus Crucificado e, com Ele, oferecer as dores e os sofrimentos para redenção do mundo, para que a graça do sangue do Redentor lave o coração e a vida de todos os homens. Não perder nenhuma ocasião de oferecer as dores, quaisquer que sejam, vindas de fora ou motivadas por nós em espírito de penitência, para que a graça de Jesus Crucificado continue a agir no mundo, salvando e convertendo.

Reparar é amar, é rezar pelo mundo sofredor, é ter no coração e na vida o mundo inteiro para o oferecer a Jesus, e com Jesus ao Pai, é ser apóstolo através da oração universal, da oração que pede a misericórdia, da oração que pede por todos, que coloca todos no Coração de Deus, esquecendo-nos mais de nós, sendo menos egoístas na súplica, tendo um coração mais universal, rezando pelos que não rezam, pelos que não sabem rezar, pelos que não podem rezar.

Reparar é amar, e quem ama quer fazê-Lo mais conhecido, mais amado, mais louvado, mais servido, mais glorificado, e, por isso, se lança em vivência apostólica, com ânsias de amor, para que Jesus e o Pai, pela acção do Espírito sejam mais conhecidos, para que os pecadores se convertam, para que os ateus ou agnósticos descubram a Verdade, para que os tíbios e indiferentes encontrem caminhos de mais amor, mais generosidade.

Reparar é amar, é fazer com que haja menos pecados no mundo, é fazer com que haja menos blasfémias, menos sacrilégios, menos crimes, menos injustiças, menos famílias destruídas pela infidelidade, menos órfãos abandonados, menos idosos desamparados, menos guerra e menos violência, menos atentados à dignidade do amor casto, do pudor, do corpo como santuário de Deus.
Unidos a Jesus Cristo, participando da sua vida pelo baptismo, somos com Ele sacerdotes e vítimas, mediadores e redentores. A nossa participação n’Ele, a vivência duma existência cristã que nos mergulha em Jesus, torna-nos solidários com Ele. E n’Ele e com Ele entramos em comunhão com o Pai. Se o pecado é negação do amor, traição ao amor divino, se o pecado é rebeldia e desobediência, só amando ao jeito de Jesus e unidos a Ele, podemos desempenhar dum modo digno a nossa “obrigação”, nascida da nossa vocação cristã, de reparar amando, de amar reparando. E como só o amor salva e liberta, só o amor redime, só o amor converte, quanto mais amarmos, com o amor de Jesus, tanto mais a nossa existência será reparadora.

O SACRÁRIO



JESUS NO SACRÁRIO

O 50º Congresso Eucarístico realizado na Irlanda, voltou a chamar a atenção do mundo católico para a presença de Jesus no sacrário, para o culto da Eucaristia fora da Celebração, para os tempos de Adoração, para o valor das procissões eucarísticas, para a celebração das 40 Horas, para a Eucaristia como centro e cume de toda a vida cristã.
Jesus tem sede de nós, da nossa oração, da nossa presença, da nossa amizade, do nosso tempo, do nosso coração em cada sacrário. Precisamos de aumentar, um pouco por todo o lado, a culto a Jesus Eucaristia, o tempo que passamos conversando com Ele, as visitas, mesmo que sejam só espirituais, ao Deus Amor, presente em cada sacrário.
Temos que “matar a sede de Jesus”, pois seu Coração está ressequido por falta de amor, de reparação, de companhia. O convite feito à Beata Alexandrina é feito a cada um de nós: ir espiritualmente junto dos sacrários onde Jesus está mais só, menos acompanhado, com menos amor à sua volta. Ir reparar pecados e pedir graças, ir louvar e agradecer. Já o Papa Beato João Paulo II, em 24.03.80, na carta Mistério e Culto da Eucaristia, por ocasião da Quinta-Feira Santa, escreveu: «A Igreja e o mundo tem necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste sacramento de amor. Não nos mostremos avaros do nosso tempo para ir encontrar-nos com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta a reparar as grandes culpas e crimes do mundo. Que nunca cesse a nossa adoração» (nº3). E na encíclica “A Eucaristia, Vida da Igreja”(nº 25) (17.04.03) O Beato João Paulo II afirmou: «O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. 
A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa – presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão e do vinho – resulta da celebração da Eucaristia e destina-se à comunhão sacramental e espiritual. Compete aos pastores, inclusive pelo testemunho pessoal, estimular o culto eucarístico, de modo particular as exposições do Santíssimo Sacramento e também as visitas de adoração a Cristo presente sob as espécies eucarísticas. É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predilecto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito de seu coração. Se actualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela “arte de oração”, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?»[...] «A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós» [...] «Permanecer diante da Eucaristia fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça».

domingo, 2 de setembro de 2012


Setembro: mês da Bíblia

Estamos em mais um dos meses temáticos. Além dos temas dos textos bíblicos e os próprios da liturgia, a Igreja no Brasil nos sugere um assunto que perpassa todo o mês para a nossa reflexão.
Em setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. Esse mês temático foi criado em 1971 e ele foi escolhido porque no último domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia, devido à proximidade da festa de São Jerônimo, patrono dos estudos Bíblicos, no dia 30.
A cada ano um livro bíblico é aprofundado em nossas comunidades, seja pelas reuniões de grupos, seja pelas publicações, ou ainda pelas celebrações. Nesse ano, o tema deste mês é “discípulos missionários a partir do Evangelho de Marcos”. A escolha desse evangelista ocorre devido ao ano “B” da liturgia dominical, que contempla a leitura desse texto. Jà está previsto para os próximos anos seguir o mesmo tema à luz do evangelho do domingo: Lucas, Mateus e depois, em 2015, João.
Graças aos apóstolos, mais próximas testemunhas que viveram com Jesus Cristo, chegam até nós a Boa-Notícia da Salvação proclamada pelo Filho de Deus. Assim se expressa São Pedro: "Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna?" (Jo 6, 68).

Fé na Palavra, que é viva! O Verbo é o prório Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz.
O que a Palavra de Deus me diz, ainda hoje, aqui e agora? Deus fala, ainda hoje, e as palavras são dirigidas a todas as pessoas. Este é o grande mistério da Palavra de Deus. Para cada um dirige pessoalmente a sua voz.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

 Azeitonas Espremidas

"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o
bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados
segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).


"Eu me regozijo em saber que... Não existe azeite sem
espremer as azeitonas, Nem vinho sem espremer as uvas, Nem
fragrância sem esmagar as flores e nem uma alegria real sem aflições."



É a vitória sobre as angústias, sofrimentos e aflições que
produz os maiores momentos de alegria. É a luta contra as
dúvidas e incertezas que nos conduz à verdadeira esperança e
fé. É a capacidade de ficar firme diante do ódio e das
perseguições que valoriza as nossas atitudes de amor. É
quando somos pequenos que realmente nos tornamos grandes. É
quando nos apresentamos com humildade diante de Deus que
somos exaltados.

Os discípulos enfrentaram, com pavor, a tempestade no Mar da
Galileia para entender que na presença do Senhor há paz e
bonança. Pedro tremeu diante dos que prenderam a Jesus,
negou-o mais de uma vez, para poder ouvir o galo cantar e,
finalmente, converter-se verdadeiramente. O apóstolo Paulo
foi preso e, da prisão, escreveu Epístolas que hoje fazem
parte das Escrituras Sagradas. O nosso Senhor foi rejeitado,
foi traído, foi crucificado, e, por causa de tudo isso,
ganhou para nós a vitória completa... para sempre.

Não gostamos de sofrimentos; não gostamos de passar por
deceções; não gostamos de esperar a bênção que parece
demorar demais... Mas, Deus tem seus planos, têm seu tempo
determinado, tem Sua maneira própria de agir. Sabemos que
tudo que Ele faz ou permite acontecer, é para o nosso bem,
para o nosso prazer, para a nossa edificação. Ele é nosso
melhor Amigo, é nosso companheiro de todas as horas, é o
Senhor de nossas vidas.

Se nos sentimos como azeitonas espremidas, confiemos em Deus
e a nossa vitória logo chegará.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Evangelho segundo S. Mateus 24,42-51.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.

Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa.
Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.»
«Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo?

Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado.
Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens.
Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: 'O meu senhor está a demorar’,
e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios,
o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece;
vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.»
 CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 29 de agosto de 2012 – Reproduzimos a seguir as palavras do Santo Padre na catequese desta manhã.

Caros irmãos e irmãs,
Nesta última quarta-feira de agosto, celebramos a memória litúrgica do martírio de São João Batista, o precursor de Jesus. No calendário romano, ele é o único santo de quem se recorda o nascimento, em 24 de junho, e também a morte, ocorrida por meio do martírio.
É uma memória que remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, na Samaria, onde, já em meados do século IV, era venerada a sua cabeça. O culto se espalhou para Jerusalém, para as Igrejas do Oriente e para Roma, com o título de Decapitação de São João Batista.
O Martirológio Romano faz referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada, na ocasião, até a igreja de São Silvestre em Campo Marzio, Roma.
Essas pequenas referências históricas nos ajudam a entender o quanto é antiga e profunda a veneração de João Batista. Os evangelhos destacam muito bem o seu papel em relação a Jesus. Em particular, São Lucas narra o seu nascimento, a vida no deserto, a pregação, e São Marcos nos fala da sua morte trágica, no evangelho de hoje.

João Batista inicia a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o claro convite que ele faz às pessoas que se reúnem para ouvi-lo é o de prepararem o caminho para acolher o Senhor, para endireitar as tortuosas estradas da vida através de uma mudança radical do coração (cf. Lc 3, 4).
O Batista não se limita, porém, a pregar a penitência e a conversão. Reconhecendo Jesus como o "Cordeiro de Deus" que veio tirar o pecado do mundo (Jo 1, 29), ele tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, afastando-se para que Cristo cresça e seja ouvido e seguido. O Batista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem retroceder, cumprindo até o fim a sua missão.
São Beda, monge do século IX, assim o diz nas suas Homilias: São João, por Cristo, deu a vida, embora não tenha sido obrigado a negar a Cristo, mas apenas a calar a verdade. E ele não calou a verdade e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente por amor da verdade, ele não se comprometeu com os seus próprios interesses e não teve medo de bradar palavras fortes àqueles que tinham se perdido da estrada de Deus.
Vemos agora esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Perguntemos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão reta, tão coerente, desgastada tão completamente por Deus para preparar o caminho para Jesus?
A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom de Deus por muito tempo invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1:13); um grande dom, humanamente inesperável, porque ambos eram avançados em anos e Isabel era estéril (cf. Lc 1:7); mas nada é impossível para Deus (cf. Lucas 1:36).

O anúncio deste nascimento ocorre no próprio lugar da oração, no templo de Jerusalém, e justamente quando cabe a Zacarias o grande privilégio de adentrar no lugar mais sagrado do templo para queimar incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). O nascimento de João Batista é marcado pela oração: o cântico de louvor, de alegria e de ação de graças, que Zacarias eleva ao Senhor e que recitamos todas as manhãs nas laudes, o Benedictus, exalta a ação de Deus na história e mostra profeticamente a missão do seu filho João: preceder o Filho de Deus feito carne a fim de preparar os seus caminhos (cf. Lc 1,67-79).
Toda a existência do Precursor de Jesus é alimentada por um relacionamento com Deus, especialmente no tempo transcorrido no deserto (cf. Lc 1,80). As regiões desertas são o lugar da tentação, mas também o lugar onde o homem sente a própria pobreza, pela falta de apoios e de seguranças materiais. Ali ele entende que o único ponto de referência sólido é o próprio Deus. João Batista não é, porém, apenas homem de oração e de contato constante com Deus, mas também um guia para esta relação. O evangelista Lucas, transcrevendo a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos, o pai-nosso, observa que o pedido é feito pelos discípulos com estas palavras: "Senhor, ensina-nos a orar, assim como João ensinou aos seus discípulos" (cf. Lc 11, 1).

Queridos irmãos e irmãs, o martírio de São João Batista recorda a todos nós, cristãos de hoje, que não podemos comprometer o amor de Cristo, a sua Palavra, a Verdade. A Verdade é a Verdade, não tolera compromissos com interesses particulares. A vida cristã exige, por assim dizer, o "martírio" da fidelidade diária ao evangelho, que é a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e direcione o nosso pensamento e as nossas ações.
Mas isto só pode acontecer em nossa vida se for sólido o nosso relacionamento com Deus. A oração não é um desperdício de tempo, não é roubar espaço de outras atividades, nem mesmo das atividades apostólicas. É exatamente o contrário: somente se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante, confiante, o próprio Deus nos dará a força e a capacidade para vivermos felizes e em paz, para superarmos as dificuldades e testemunhá-lo com coragem.
São João Batista interceda por nós, para que possamos manter sempre a primazia de Deus na nossa vida. Obrigado.

terça-feira, 28 de agosto de 2012


"A fé não é um projeto, mas encontrar a Cristo como pessoa viva"


No Ângelus de hoje, Bento XVI exortou os fiéis a não pararem nas preocupações materiais cotidianas, mas aceitarem os planos de Deus e melhorarem o relacionamento com Ele.

***
Queridos irmãos e irmãs,
Na Liturgia da Palavra deste domingo continua a leitura do capítulo 6º do Evangelho de João. Estamos na sinagoga de Cafarnaum, onde Jesus está dando o seu famoso discurso depois da multiplicação dos pães. As pessoas tentaram fazê-lo rei, mas Jesus havia se retirou, primeiro sobre o monte com Deus, com o Pai, e depois em Cafarnaum.
Não vendo-o, começaram a buscá-lo, subiram em barcas para chegar à outra margem do lago e finalmente o encontraram. Mas Jesus sabia bem o motivo de tanto entusiasmo ao segui-lo e também o diz com clareza: vós “me procurais não porque vistes sinais [porque o vosso coração ficou impressionado], mas porque comestes dos pães e ficastes satisfeitos” (v. 26).
Jesus quer ajudar as pessoas a ir além da satisfação imediata das próprias necessidades materiais, também importantes. Quer abrir-lhes um horizonte de existência que não é simplesmente aquele das preocupações cotidianas do comer, do vestir, da carreira. Jesus fala de uma comida que não perece, que é importante buscar e acolher. Ele afirma: "Trabalhem não pela comida que não dura, mas pela comida que permanece para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará” (v. 27).

A multidão não entende, acredita que Jesus pede a observância dos preceitos para poder obter a continuação desse milagre, e pergunta: "O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28). A resposta de Jesus é clara: "Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou" (v. 29). O centro da existência, o que dá sentido e firme esperança no caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo. Também nós perguntamos: "O que devemos fazer para herdar a vida eterna?". E Jesus disse: "acredite em mim."
A fé é a coisa fundamental. Não se trata aqui de seguir uma idéia, um projeto, mas de encontrar a Jesus como uma Pessoa viva, de deixar-se envolver totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não parar no horizonte puramente humano e a abrir-se para o horizonte de Deus, para o horizonte da fé. Ele exige uma única obra: acolher o plano de Deus, ou seja, “crer naquele que ele enviou” (v. 29).
Moisés tinha dado a Israel o maná, o pão do céu, com o qual o próprio Deus tinha alimentado o seu povo. Jesus não dá qualquer coisa, dá a Si mesmo: é Ele o "verdadeiro pão que desceu do céu", Ele, a Palavra Viva do Pai; no encontro com Ele encontramos o Deus vivo.

"O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28) pergunta a multidão, pronta para agir, para que o milagre do pão continue. Mas a Jesus, verdadeiro pão da vida, que satisfaz a nossa fome de sentido, de verdade, não é possível "ganhar" com o trabalho humano; só vem a nós como um dom de Deus, como obra de Deus, que deve ser pedida e acolhida.
Queridos amigos, nos dias carregados de preocupações e de problemas, mas também naqueles de descanso e relaxamento, o Senhor nos convida a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos pelo pão material e restaurar as forças, ainda mais fundamental é fazer crescer a relação com Ele, reforçar a nossa fé naquele que é o “pão da vida”, que enche o nosso desejo de verdade e de amor.

A importância das atitudes externas em nossas orações

Palavras de Bento XVI 

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje a Igreja celebra a memória de São Domingos de Gusmão, Sacerdote e Fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos. Numa catequese anterior eu já descrevi esta figura ilustre e a contribuição fundamental que ele trouxe à renovação da Igreja de seu tempo. Hoje, gostaria de destacar um aspecto essencial de sua espiritualidade: a vida de oração. São Domingos era um homem de oração. Apaixonado por Deus, não teve outra aspiração que a salvação das almas, especialmente daquelas que caíram na rede das heresias de seu tempo; imitador de Cristo, encarnou radicalmente os três conselhos evangélicos, unindo à proclamação da Palavra o testemunho de uma vida pobre; sob a inspiração do Espírito Santo, progrediu na via da perfeição cristã. Em todos os momentos, a oração era a força que o renovava e tornava sempre mais fecunda sua obra apostólica.

O Beato Jordão da Saxônia, morto em 1237, seu sucessor como líder da Ordem, escreve: “Durante o dia ninguém se mostrava mais sociável que ele... e por outro lado, à noite, ninguém era mais assíduo que ele na oração. O dia dedicava ao próximo, mas a noite era para Deus” (P.Filippi, São Domingos visto por seus contemporâneos, Bologna 1982, pág. 133). Em São Domingospodemos ver um exemplo de integração harmoniosa entre a contemplação dos mistérios divinos e a atividade apostólica. Segundo alguns testemunhos de pessoas mais próximas, “ele falava sempre com Deus ou de Deus”. Tal observação indica sua profunda comunhão com o Senhor e, ao mesmo tempo, o constante empenho de conduzir os outros a essa comunhão com Deus. Não deixou escritos sobre sua oração, mas a tradição dominicana recolheu e transmitiu sua experiência viva em uma obra intitulada: As nove maneiras de rezar de São Domingos. Este livro foi composto entre 1260 e 1288 por um frade dominicano; isso nos ajuda a entender algo da vida interior do Santo e nos ajuda também, com todas as diferenças, a aprender algo sobre como rezar.
São portanto nove as maneiras de rezar segundo São Domingos e cada uma delas, que realizava sempre diante de Jesus Crucificado, expressa uma atitude corporal e espiritual que, intimamente compenetrados, favorecem o recolhimento e o fervor. Os primeiros sete modos seguem uma linha ascendente, como passos de um caminho, rumo à comunhão com Deus, com a Trindade: São Domingos reza em pé, inclinado para exprimir humildade, deitado no chão para pedir perdão por seus pecados, de joelhos em penitencia para participar dos sofrimentos do Senhor, com os braços abertos olhando para o crucifixo para contemplar o Amor Supremo e olhando para o céu, sentindo-se atraído ao mundo de Deus. Portanto são três formas: em pé, ajoelhado, deitado no chão, mas Sempre com o olhar voltado para o Senhor Crucificado. Os dois últimos aspectos, no entanto, que gostaria de deter-me brevemente, correspondem a duas práticas de piedade geralmente vividas pelo santo. Antes de tudo, a meditação pessoal, onde a oração adquire uma dimensão ainda mais íntima, fervorosa e tranquilizante. 

No final da recitação da Liturgia das Horas e após a celebração da Missa, São Domingos prolongava a conversa com Deus, sem colocar-se um limite de tempo. Sentado calmamente, recolhia-se numa atitude de escuta, lendo um livro ou olhando para o crucifixo. Vivia tão intensamente estes momentos de relacionamento com Deus que exteriormente era possível compreender suas reações de alegria ou de prantos. Assim, assimilou em si mesmo, meditando, a realidade da fé. Testemunhas dizem que, às vezes, entrava em uma espécie de êxtase, com o rosto transfigurado, mas logo retomava suas atividades diárias, humildemente revigorado pela força que vem do Alto. Depois, a oração durante as viagens de um convento ao outro, recitava as Laudes, ao meio-dia, as Vésperas com os colegas e, atravessando os vales ou colinas, contemplava a beleza da criação. De seu coração jorrava um hino de louvor e agradecimento a Deus por tantos dons, especialmente a maior maravilha: a redenção realizada por Cristo.

Caros amigos, São Domingos lembra-nos que, na origem do testemunho de fé, que todo cristão deve dar em família, no trabalho, na vida social, e até mesmo em momentos de relaxamento, está a oração, o contato pessoal com Deus; somente este relacionamento real com Deus nos dá força para viver intensamente cada acontecimento, especialmente os momentos mais sofridos. Este santo nos lembra também a importância das atitudes externas em nossas orações. O ajoelhar-se, o permanecer em pé diante do Senhor, fixar o olhar no crucifixo, o parar e se recolher em silêncio, não são atitudes secundárias, mas nos ajudam a nos colocar interiormente, toda a pessoa, em relação com Deus. 

Quero recordar mais uma vez, para a nossa vida espiritual, a necessidade de encontrar diariamente momentos de oração com tranquilidade. 

Um génio da humanidade e um grande santo
O cardeal arcebispo de Milão celebrará a eucaristia na Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, de Pavia, túmulo de Santo Agostinho, no dia 28 de agosto, memória litúrgica do santo.

Agostinho está enterrado em Pavia desde o século VIII: descansa na basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, aos pés da arca de mármore erguida no século XIV pelo prior agostiniano Bonifacio Bottigella, que mais tarde se tornou bispo de Lodi. A Arca de Santo Agostinho, assim chamada em honra do santo, traz o ano de 1362 gravado em letras góticas, festejando agora, portanto, os seus 650 anos de construção. Em 28 de agosto, memória litúrgica do santo, diante do seu túmulo, a eucaristia será celebrada às 9 horas pelo bispo de Pavia, dom Giovanni Giudici, às 11 pelo prior geral da Ordem de Santo Agostinho, pe. Robert F. Prevost, e às 18h30 pelo cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão.
ZENIT pediu que o cardeal Scola fizesse uma breve reflexão sobre a figura de Santo Agostinho e agradece a ele pela entrevista concedida.

Eminência, o arcebispo de Milão vai celebrar a eucaristia no túmulo de Santo Agostinho. Renova-se o vínculo singularíssimo na fé cristã entre Ambrósio e Agostinho, que, além de pastores do povo de Deus, são mestres de cultura e de espiritualidade para o Ocidente. Estamos a poucos meses do XVII centenário do Édito de Milão: o que Ambrósio e Agostinho ainda podem dizer a este respeito?
Cardeal Scola: Ambrósio e Agostinho viveram as décadas difíceis da transição entre o velho, representado pelo Império Romano esgotado e em declínio inexorável, e o novo, que se anunciava no horizonte, mas que ainda não revelava com nitidez os seus contornos. Eles estavam imersos numa sociedade em muitos aspectos semelhante à nossa, abalada por mudanças contínuas e radicais, sob a pressão dos povos estrangeiros e da depressão econômica, devida às guerras e às carestias.

Nessas condições, mesmo na profunda diversidade de história e temperamentos, Ambrósio e Agostinho foram indomáveis ​​anunciadores do Cristo para cada homem, na certeza humilde de que a proposta cristã, se aceita livremente, é um recurso valioso para a construção do bem comum.
Eles foram firmes defensores da verdade, apesar do risco e das dificuldades que isso implica, sabendo que a fé não mortifica a razão, mas a completa; e que a moral cristã aperfeiçoa a moral natural, sem contradizê-la, e promove a sua prática. Usando termos do debate contemporâneo, podemos defini-los como dois paladinos da dimensão pública da fé e de um conceito saudável de lacidade.
O Santo Padre, na carta apostólica Porta Fidei, que apresenta o Ano da Fé, cita Santo Agostinho ao dizer que "os crentes se fortalecem crendo". No Ano da Fé, qual pode ser, na sua opinião, a lição da vida humana e espiritual de Santo Agostinho?
Cardeal Scola: Numa das audiências gerais dedicadas a Santo Agostinho, Bento XVI retomou a expressão "velho mundo", e disse: "Se o mundo envelhece, Cristo é eternamente jovem. Daí o convite de Agostinho: Não se recusem a rejuvenescer com Cristo, mesmo no velho mundo. Ele diz: Não tenhas medo; a tua mocidade se renova como a da águia" (cf. Sermão 81,8; Bento XVI, audiência geral de 16 de janeiro de 2008). Agostinho é um poderoso testemunho da contemporaneidade de Cristo para cada homem e da profunda conveniência da fé para a vida.

O que significa a perenidade do pensamento e da história humana de Santo Agostinho?
Cardeal Scola: É o inquietum cor, do qual ele mesmo nos fala no incipit das Confissões. A busca incansável, que fascina os homens de todos os tempos, é especialmente valiosa para nós, que hoje estamos imersos, e muitas vezes perdidos, nas complicações deste início do terceiro milênio. Uma busca que não para na dimensão horizontal, mas que se expande para a dimensão vertical.
O próprio Agostinho descreve isto, quando, numa passagem dos solilóquios, afirma: "Eis que eu orei a Deus. O que, pois, queres saber? Todas essas coisas que pergunteiem oração. Resume-asem poucas palavras. Desejo conhecer a Deus e a alma. E nada mais? Nada mais” (Agostinho, Solilóquios I, 2,7).
Eminência, quem é Santo Agostinho para o senhor?
Cardeal Scola: Um gênio da humanidade e um grande santo, um homem plenamente realizado. Eu fico impressionado, a este respeito, com uma afirmação de Maritain que repito muito aos jovens, muitas vezes tão obcecados com o problema do sucesso e da auto-realização: "Não há personalidade realmente perfeita a não ser nos santos. Mas como? Os santos, acaso, se propunham a desenvolver a própria personalidade? Não. Eles a encontraram sem procurá-la, por procuravam a Deus somente" (J. Maritain).