sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


A cruz é para os cristãos a árvore da vida, o tálamo, o trono, o altar da nova e eterna aliança. Uma vez que Cristo, novo Adão, adormecido na Cruz, deu à luz o admirável sacramento da Igreja, a cruz se torna o sinal do senhorio de Cristo sobre aqueles que são configurados no Batismo com Ele na morte e na glória. Na Patrística, é o sinal do Filho do Homem que aparecerá no final dos tempos. O amor todo se manifesta na Cruz.
Santa Teresa d’Ávila disse em seus colóquios de amor com Cristo: “a cruz é vida e conforto, o único caminho para o céu”. Assim, a Cruz, antes de ser sinal de tortura e de sofrimento, é sinal de misericórdia, esperança, abrigo, reflexão, inspiração, perdão, paixão, amor, paz e vitória sobre o sofrimento e a dor.
Jesus Cristo se ofereceu livremente à Paixão da Cruz e abriu o sentido e o destino de nossa vida. Com Ele temos na Cruz os braços abertos e o coração aberto a serviço do Pai. Nele conseguimos ver e sentir a esperança, a eternidade.
A Cruz é uma história de amor, o sentido maior do esvaziamento (Kenosis) do Filho, onde Ele demonstra que Seu amor não tem limites, e que mesmo o medo da morte não poderia manchar o seu compromisso maior: fazer a vontade do Pai.
A Sua morte foi, sim, o início de Sua glorificação, pois o próprio Pai O exaltou. O que se exalta não é a cruz/sofrimento. O que se exalta é o amor incondicional de um Deus que partilhou a nossa condição humana e comprometeu-se com a realização do Reino até o fim. Na Cruz, Cristo, hoje Ressuscitado, deu a vida por nós. Por isso “nossa glória é a Cruz onde nos salvou Jesus”.
Temos que exaltar o Cristo que, tendo amado os seus, amou-os até o fim (Jo 13,1). E exaltar a Deus que deu Seu filho unigênito para que todos tenham vida em Seu nome (Jo 3, 16 e Gn 22, 2).
O próprio Deus quis tornar-se um de nós, até mesmo no sofrimento e na tristeza de alma. Um Deus que nos envolve com Seu amor extremado, infinito, demonstrado não em grandes mistérios, mas em verdade e em vida.
Cada vez que fazemos o sinal da cruz invocando a Santíssima Trindade recordamos desse mistério. Por isso trazemos a cruzem nossas Igrejas, casas, locais de trabalho, conosco – acreditamosem um Deusque deu a vida por nós e tornou a cruz um sinal de salvação. O cristão sabe, pela cruz, que a nossa limitação nunca será capaz, nunca será suficiente para contemplarmos toda essa imensidade de amor. Mas, nela, na Cruz, podemos experimentar esse amor. E a única chave de compreensão de nossa existência é certamente pelo amor. Só o amor explica a nossa vida, e nos solicita para a vida. Assim celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz, ou a festa da Exaltação do Supremo Amor.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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