domingo, 29 de abril de 2012


João 10,11-18.
Naquele tempo, disse Jesus: «Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.



Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas. 

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»




Comentário ao Evangelho do dia feito por : Basílio de Seleuceia - Oratio 26

«Eu sou o bom pastor; conheço as Minhas ovelhas e as Minhas ovelhas conhecem-Me»

Olhemos para o nosso pastor: Cristo. [...] Ele alegra-Se com as Suas ovelhas que estão perto de Si e vai à procura das que se perderam. Não Lhe fazem medo as montanhas nem as florestas; 
percorre as ravinas para chegar até à ovelha perdida. Mesmo que a encontre em mau estado, não Se encoleriza mas, tocado pela compaixão, põe-na aos ombros e, com a Sua própria fadiga, cura a ovelha fatigada (cf. Lc 15,4ss).

É com razão que Cristo proclama: Eu Sou o Bom Pastor, «procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente (Ez 34,16). Eu vi o rebanho dos homens acabrunhado pela doença; vi os meus cordeiros irem para onde moram os demónios; vi o Meu rebanho despedaçado pelos lobos. Vi tudo isto e não foi do alto. Foi por isso que tomei a mão dissecada pelo mal como se tivesse sido mordida por um lobo; libertei aqueles que a febre tinha aprisionado; ensinei a ver aquele que tinha os olhos fechados desde o seio da sua mãe; retirei Lázaro do túmulo onde jazia já há quatro dias (Mc 3,5; 1,31; Jo 9; 11). «Porque Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas».

Os profetas conheceram este pastor visto que, bem antes da Sua Paixão, já Ele anunciava o que estaria para vir: «Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). Como uma ovelha, o pastor expôs a sua garganta pelas suas ovelhas. [...] Pela Sua morte, remediou a morte; pelo Seu túmulo, esvaziou os túmulos. [...] 



Os túmulos estão tristes e a prisão está fechada enquanto o pastor, descido da cruz, não vem trazer às Suas ovelhas encarceradas a alegre notícia da libertação. Vemo-Lo nos infernos, onde dá a ordem de libertação (1Pe 3,19); vemo-Lo chamar de novo as Suas ovelhas, chamá-las como as chamou da morada dos mortos para a vida. «O bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas.» É assim que Ele Se propõe ganhar a afeição das Suas ovelhas e aquelas que sabem ouvir a Sua voz amam a Cristo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012


 S. João 6,44-51.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia.

Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram.

Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.


Comentário ao Evangelho do dia feito por :


Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, Doutora da Igreja
Caminho de Perfeição, cap. 33-34 (Obras completas, Edições Carmelo, 2000)
«Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá»
Vendo o bom Jesus a necessidade, buscou um meio admirável por onde nos mostrou o máximo de amor que nos tem, e em Seu nome e no de Seus irmãos fez esta petição: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje» (Mt 6,11). [...] Era mister vermos o Seu [amor] para despertarmos, e isto não uma vez, mas cada dia; por isso Se deve ter determinado a ficar connosco. [...]

Tenho reparado que só nesta petição duplica as palavras, porque diz primeiro e pede que Lhe deis este pão de cada dia, e torna a dizer: «dai-no-lo hoje, Senhor». Põe-Se diante de Seu Pai, como a dizer-Lhe: já que uma vez no-Lo deu para que morresse por nós, já que é «nosso», não no-Lo torne a tirar, mas O deixe servir cada dia, até se acabar o mundo. [...] O Ele ser nosso cada dia é porque O possuímos aqui na terra e O possuiremos também no céu, se nos aproveitarmos bem da Sua companhia. [...]


O dizer «hoje» me parece que é para um dia, isto é, enquanto durar o mundo, e não mais. E é bem verdade que é um só dia! [...] E assim Lhe diz Seu Filho que, pois não é mais que um dia, Lho deixe passar em servidão; e que Sua Majestade já no-Lo deu e enviou ao mundo só por Sua vontade, que Ele quer agora por Sua própria vontade não nos desamparar, mas ficar-Se aqui connosco para maior glória de Seus amigos e pena de Seus inimigos. 


Que agora novamente não pede mais que «hoje» ao dar-nos este Pão sacratíssimo; Sua Majestade no-Lo deu para sempre, como já disse, este mantimento e maná da humanidade, que O achamos como queremos; e, a não ser por nossa culpa, não morreremos de fome, pois de todos os modos e maneiras que a alma quiser comer, achará no Santíssimo Sacramento sabor e consolação.




terça-feira, 24 de abril de 2012


São Nersès  Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho único do Pai, §§ 150-161
«É Meu Pai que vos dá o verdadeiro pão vindo do céu»
Para os Hebreus, abriste o mar em dois, bem visível (Ex 14);
E, para mim, trevas profundas.
Nessa altura, engoliste o Faraó; 
Agora, o príncipe deste mundo, autor da morte (Jo 12,31; 8,44).


Para eles, foste uma nuvem protectora durante o dia
E de noite, uma coluna de fogo (cf. Ex 13,21).
Para mim, a luz é o conhecimento do Teu Filho, o Verbo,
E a minha protecção é o Espírito Santo.


Nesse tempo, deste o maná perecível,
E os que o comeram estão mortos;
Hoje, é o Teu corpo celeste
Que dá a vida aos que O comem.


Eles beberam a água que jorrou do rochedo (Ex 17),
E eu bebi o sangue do Teu lado, meu rochedo (Jo 16,34; Sl 18,3).
Eles viram suspensa a serpente de bronze (Nm 21,9),
E eu vi-Te na cruz, a Ti que és a vida.


A eles, deste-lhes a lei de Moisés,
Escrita em tábuas de pedra;
E a mim, a sabedoria do Teu Espírito,
O Teu divino Evangelho.


É por isso que será exigido de mim,
Para o bem, muito mais do que será exigido deles. [...]
Mas Tu, que Te tornaste o seu expiador,
Oh meu Senhor, cheio de piedade, Filho único do Pai. [...]


Não me impeças, como à maior parte deles,
De entrar na Tua Terra Prometida,
Mas, com os dois que nela entraram (Dt 1,36; 31,3),
Introduz-me na Tua pátria celeste.

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Evangelho segundo S. João 6,22-29.
Depois de Jesus ter saciado os cinco mil homens, os seus discípulos viram-n'O a caminhar sobre as águas. No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do lago reparou que ali não estivera mais do que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos, mas que estes tinham partido sozinhos.

Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades até ao lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus.
Ao encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste cá?»


Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes.


Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo.»
Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?»
Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.»






domingo, 22 de abril de 2012




Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja. Sermão 238
«Porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?»

Esta passagem do Evangelho [...] mostra-nos, verdadeiramente, Quem é Cristo e, verdadeiramente, quem é a Igreja [...], para que compreendamos bem que Esposa o Divino Esposo escolheu e Quem é o Esposo desta santa Esposa. [...] Nesta página podemos ler a sua certidão de casamento. [...]

Aprendestes que Cristo era o Verbo, a Palavra de Deus, unida a uma alma humana e a um corpo humano. [...] Aqui, os discípulos julgaram ver um espírito; não acreditavam que o Senhor tivesse um corpo verdadeiro. Mas, como o Senhor conhecia o perigo de tais pensamentos, apressou-Se a arrancá-los dos seus corações [...]: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? Vede as Minhas mãos e os Meus pés: sou Eu mesmo. 

Tocai-Me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» E tu, a esses mesmos pensamentos loucos, contrapõe, com firmeza, a regra da fé que recebeste. [...] Cristo é verdadeiramente o Verbo, o Filho único, igual ao Pai, unido a uma alma verdadeiramente humana e a um corpo livre de todo o pecado. Foi esse corpo que morreu, esse corpo que ressuscitou, esse corpo que foi pregado na cruz, esse corpo que foi deposto no túmulo, esse corpo que está sentado nos céus. 

Nosso Senhor queria persuadir os discípulos de que Aquilo que viam era verdadeiramente osso e carne. [...] Porque me quis Ele convencer desta verdade? Porque sabia até que ponto me é benéfico acreditar e quanto tenho a perder se não acreditar. Acreditai, pois, vós também: Ele é o Esposo!

Escutemos agora o que se diz a respeito da Esposa [...]: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar de entre os mortos ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em Seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém.» Eis a Esposa [...]: A Igreja espalhou-se por toda a terra e tomou no seu seio todos os povos. [...] Os Apóstolos viram a Cristo e acreditaram na Igreja que não viram. Nós, no entanto, vemos a Igreja; acreditemos, portanto, em Jesus Cristo, que não vemos: ligando-nos, assim, ao que vemos, chegaremos Àquele que ainda não vemos.



Evangelho segundo S. Lucas 24,35-4


Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?

Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.»

Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?»
Deram-lhe um bocado de peixe assado;e, tomando-o, comeu diante deles.

Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.»

Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas.

sábado, 21 de abril de 2012

Santa Teresa-Benedita da Cruz [Édith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia: paráfrase ao Salmo 45

«O barco chegou imediatamente à terra para onde iam»
Quando as tempestades rebentam
Tu és, Senhor, a nossa força.
Louvar-Te-emos, Deus de fortaleza,
Nosso constante refúgio.
Aguentamos firme junto de Ti,
Em Ti pondo toda a nossa confiança,
Seja a terra abalada,
Esteja o mar encapelando.


Podem as ondas altear e reventar
Podem as montanhas mover-se;
A alegria iluminar-nos-á,
A Cidade de Deus dá-Te graças,
Tens nela a Tua morada,
Preservas a sua santa paz.
E um poderoso rio protege
A sublime morada de Deus.


Agitam-se os povos, em loucura,
Desmorona-se o poder das nações,
Eis que Ele eleva a voz,
A terra ruge, estremecendo,
Mas o Senhor está connosco,
Deus, Senhor dos Exércitos,
Tu és para nós luz e salvação,
Nada temeremos.


Vinde todos, vinde contemplar
Os prodígios do Seu poder:
Todas as guerras se dissipam,
A corda do arco afrouxa.
Lançai no braseiro de fogo
O escudo e a arma de guerra.
Deus, o Senhor dos Exércitos,
Está connosco e socorre-nos na tribulação.


S. João 6,16-21


Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram até ao lago
e, subindo para um barco, foram atravessando o lago em direção a Cafarnaum.
Já tinha escurecido e Jesus ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se.

Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus que se aproximava do barco, caminhando sobre o lago, e tiveram medo.
Mas Ele disse-lhes: «Sou Eu, não tenhais medo!»

Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Senhor da sensibilidade...


Aqui me tens, Senhor. Como o menino dos pães e dos peixes. Confio em Ti e tudo Te ofereço com o pouco que tenho, pois tudo é pertença Tua.
No meio da multidão faminta, eu também tenho fome. Fome da Tua Palavra, do teu amor, da tua bondade.

Um pequeno cesto, mas grande na simplicidade e capaz de conter tanta generosidade! Ofereceu tudo quanto tinha! Traz-me à memória a Tua afirmação: “ quem não for como as crianças, não entrará no Reino dos Céus…”

É mesmo assim? Nem sabes como tem de ser longa a minha peregrinação! Nem calculas a quantidade de sacrifício que necessito de fazer, para ser realmente como as crianças: simples, humilde e livre de preconceitos e de todo o tipo de cadeias que me estrangulam e roubam a vida…

Deixa-me ao menos oferecer-Te este momento de encontro contigo, mesmo que seja breve. Quero oferecer-te as minhas preces, o meu trabalho oculto, os pães da minha vida por inteiro, de forma a que se partam e sejam distribuídos pelos irmãos.

Desejo ser como esse menino do Evangelho, quero confiar, quero experimentar a ternura do poder oferecer-te o nada da minha vida. Ajuda-me a não procurar ocasiões extraordinárias para te entregar o que tenho e o que sou, mas seja o oculto e o silêncio a dar-te o melhor que tenho sem barulhos nem palmas nem glórias.

Sei que para Ti não existe pobreza, pois Tu és riqueza infinita e tudo podes fazer quando há disposição interior e o coração bate mais forte por Ti, o amor eterno e supremo que me faz viver confiante, atenta e disponível para Te levar de alma e coração aos que ainda clamam pelo Pão da Tua Palavra e do Teu Mistério de Amor…

S. João 6,1-15


Naquele tempo, Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes.

Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos.
Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus.


Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?»

Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Filipe respondeu-lhe:
«Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.»
Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro:
«Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?»

Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.» Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil.


Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram.


Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca».

quinta-feira, 19 de abril de 2012


«Aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida»

Deus dá-nos as Suas graças segundo as necessidades que temos. Deus é uma fonte à qual todos vão buscar água segundo as suas necessidades. 


Como uma pessoa que precisa de seis baldes e traz seis; de três, três; um pássaro que não precise mais do que um golo e é isso que toma; ou um peregrino que sacia a sede com uma mão cheia de água. Acontece-nos o mesmo em relação a Deus.
Devemos sentir uma profunda emoção quando nos fidelizamos à leitura de um capítulo do Novo Testamento e produzimos os correspondentes actos: de adoração, adorando a palavra de Deus e a Sua verdade; entrando nos sentimentos com os quais Nosso Senhor os pronunciou e aceitando essas verdades; decidindo praticar essas mesmas verdades. [...] Devemos sobretudo evitar ler por uma questão de estudo, dizendo: «Esta passagem vai servir-me para esta ou aquela prédica», mas ler apenas para nosso desenvolvimento.

Não nos devemos sentir desencorajados se, depois de o ler várias vezes, um mês, dois meses, seis meses, não nos sentimos tocados. Acontece que um dia veremos uma pequena luz, noutro dia uma maior, e uma maior ainda quando tivermos necessidade dela. Uma só palavra é capaz de nos converter; basta uma.

S. João 3,31-36




Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida.
O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão.
Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.

terça-feira, 10 de abril de 2012

S. João 20,11.18

Naquele tempo, Maria Madalena estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés.
Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.»
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele.

E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.»
Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» que quer dizer: «Mestre!»
Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.'»
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.






segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mateus 28,8-15



Naquele tempo, Maria Madalena, e a outra Maria, que tinham ido ao túmulo do Senhor afastaram-se a toda a pressa, cheias de temor e de grande alegria, e correram a dar a notícia aos discípulos.
Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes: «Salve!» Elas aproximaram-se, estreitaram-lhe os pés e prostraram-se diante dele.
Jesus disse-lhes: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão.»
Enquanto elas iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos sumos-sacerdotes tudo o que tinha acontecido!
Eles reuniram-se com os anciãos; e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados, recomendando-lhes: «Dizei isto: 'De noite, enquanto dormíamos, os seus discípulos vieram e roubaram-no.’
E, se o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que vos deixe tranquilos.» Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje.



Correram à pressa... 
Deixaram tudo e correram à pressa para o sepulcro para derramar sobre o corpo de Jesus bálsamo.... Mas ficam surpreendidas, a pedra está rolada e ninguém está lá dentro.
Preparam-se para levar a notícia aos discípulos... Mas são surpreendidas por alguém... 
Jesus aproxima-se...
Relato maravilhoso este o do Evangelista Mateus! Jesus aparece, saúda-as! Jesus está vivo, está connosco!
As mulheres adoram Jesus, beijam-lhe os pés, recebem a mais bela missão: anunciar Jesus Vivo e Ressuscitado!
Esta é a primeira catequese feita a partir da entrega de Jesus por nós. É uma iluminação à nossa Fé e é a partir da Fé que entendemos todo este percurso, que é dinâmico e de uma beleza extraordinária.
Jesus está presente...
na nossa vida, caminha connosco, saúda-nos e convida-nos para o feliz anúncio da Boa Notícia. Ele comunica-nos a Sua força, dando-nos o Seu Espírito.
É uma nova presença de Cristo entre nós, é o envio para  uma nova e ardorosa  Evangelização!


Senhor, confiaste-me uma missão. Resta-me descobrir que está vivo em mim, para que possa afirmar que a Páscoa é todos os dias e que Tu Te fazes presente nos acontecimentos da vida da Igreja e da humanidade.
Sou portadora do perfume da Fé e sou enviada à Galileia de hoje, anunciando a Tua vitória sobre a morte..





domingo, 1 de abril de 2012

Senhor da Unção...

SENHOR DA UNÇÃO

Eram poucos os dias que faltavam para festa da Páscoa. Estavas na Tua querida Betânia, onde moram alguns dos teus melhores amigos. Sentado à mesa, és surpreendido por uma mulher com um frasco de perfume de nardo puro... 

Rompe o frasco e derrama sobre a Tua cabeça esse unguento que deixa espantados todos os convidados. Tu, respondes que não fiquem indignados, que ela antecipou a unção do Teu corpo para a sepultura...
Rompe os frascos do meu egoísmo que não deixam exalar o perfume do Teu amor, nem me deixam oferecer-Te a a riqueza dos gestos de gratuidade para contigo.
Está preparado o complot à Tua volta, eu também estou no grupo dos que daqui a pouco depois da Tua aclamação, Te vou entregar.
Mas o gesto dessa mulher desconcerta-me inquieta-me. Faz-me questionar interiormente, sabendo os motivos da minha mesquinhez, da ingratidão em reconhecer o Teu amor.
O amor é gratuito, é simplesmente o que é!

A mulher, ao dar o seu perfume mais precioso, sai da sala com um coração renovado, capaz de acolher  o dom da vida. Saiu com um coração grande, justo, verdadeiro, capaz de servir sem esperar recompensa. Maravilhoso! Ela saiu dessa sala, uma criatura nova.
Chamo-lhe Madalena, um modelo a seguir. O amor a Cristo leva-a a ofertar-lhe o mais nobre e rico presente. Ela perdeu -Te pelo pecado, mas voltou a encontrar-Te e nesse encontro Ungiu a Tua cabeça e os Teus pés...
Aceita o meu unguento para que posa encontrar-me contigo e renovar a minha vida , desapegando-me do pecado. Deixa-me respirar o odor da santidade que me propões viver... Deixa-me ajoelhar diante de Ti e no reconhecimento do meu nada, possa transformar-me num ser novo, perdoado e amado por Ti.
O meu coração precisa de rasgar-se em amor, mas há fechos e correntes mais fortes que a minha pobre humanidade e me encarceram até à morte... Não me deixam ver a Tua luz, não me deixam respirar o perfume do Teu amor.
Que gestos tenho de priorizar na minha vida? São tantos que nem sei por onde começar....
Mas vou juntar-me à multidão dos que Te aclamam, como o Rei.. Dos que depois Te entregam... Dos que decidem a Tua morte...

Como são banais os meus pensamentos! Não percebo mesmo nada! A Tua entrega é por amor, por fidelidade incondicional à Vontade do Pai e ao projeto que Ele traçou para Ti, o Seu Filho bem Amado.
A Tua vida é símbolo de uma aliança de amor , selada com o sangue do Cordeiro sem mancha, que no silêncio é levado ao matadouro... Sem palavras... Sem justificações... 
A Tua vida entregue é para mim sinal de Esperança eterna, é sinal de uma liberdade sem correntes, porque o amor ultrapassa tudo e todas as barreiras... O amor deposita a Sua vida por mim na Cruz...
É verdade! Tu realmente és o Filho de Deus, és Aquele que és, és a Verdade suprema, és o gérmen da Vida, és a Luz que brilha nas trevas da minha escuridão....
Quando a tentação bater à minha porta e assaltar os meus pensamentos, não esqueças de me mostrar a Cruz, como sinal de Esperança, de Fé e de amor....

quinta-feira, 1 de março de 2012

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João... 2º Domingo da Quaresma


SENHOR DA VIDA E DO AMOR...

Disseste-me Senhor, que orar é abrir o coração à Tua presença amorosa! Orar é entender os Teus sinais, perceber a dimensão do Teu Reino, é numa palavra: reconhecer a Tua Omnipotência e o nosso nada.... É procurar-te nos muitos sinais que vais apresentando aos que te amam.

Hoje, Senhor da Vida, o Teu sinal foi de prova, com sabor amargo, esse fel que se experimenta nos dissabores do tempo e que aos poucos transformas na doçura que tens preparada para nós.
São tantas as vezes em que procuro sinais capazes de ser interpretados à luz da minha razão, mas não pode ser assim. Tudo tem de ser iluminado pela Luz e pela Sabedoria do teu Espírito.
Hoje, o sinal do Teu amor para comigo chamou-se morte desta vida terrena, onde superabundaram as lágrimas, mas que aos poucos a resposta ao porquê, vai-se aclarando e a Fé vai ficando mais fortalecida e a escuridão vai-se dissipando, para dar de novo lugar à Luz...
Como é difícil adequar a minha vontade, à Tua vontade!  
A minha vida à Tua Vida! 
O meu pensar ao teu pensar!

É precisamente na obscuridade da vida que Te manifestas, é aí que resides, é aí que mostras os mais belos sinais da Tua beleza inconfundível!
Que sinal foi o Teu, quando passaste na vida dos que amamos neste mundo e viviam só para o Teu serviço? Aí estás Tu! Aí devo reconhecer-Te mesmo com o coração a sangrar, aí fico sem palavras e parece que a Tua Luz, por instantes se apagou da minha lâmpada!

Como criança mimada ao colo da Mãe, assim me encontro reclamando resposta aos porquês e esperando a tão ansiosa carícia do Teu amor! 
Nada pode ser como desejo, mas só um único desejo deve florescer do meu tão angustiado pensamento: O que Tu queres, seja feito... Satisfaça-se apenas a Tua Vontade e não a minha! 
Foste um semeador generoso, foste semeando aos poucos e depois na hora certa vieste colher o fruto de quem procurou viver só para Ti, servindo com simplicidade, com alegria, com humildade e sobriedade. O fruto da sua entrega é ofertado no altar do sacrifício e Tu vais aceitá-Lo com a maior das alegrias e com um amor que não tem medida, é Infinito!

Com a serenidade da oferta que faço da irmã que escondeste da minha visão humana, tudo o mais Te entrego, sem pedir nada em troca.
Que o deserto da vida que nos prova até à última gota de sangue, nos traga de volta a frescura da tua Vida, a Tua água fecundante e transparente, para continuar a entoar o mais belo hino de Vitória da Vida sobre a morte, porque Tu vives em nós e o presente que levaste para junto de Ti, continua vivo no meu coração.

Obrigada pela sinal da Tua generosidade e amor para comigo ao deixares que tivesse experimentado a Tua doçura na vida da irmã Casimira.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

SENHOR DO DESERTO...

Senhor do Deserto,
Durante quarenta dias foste posto à prova no deserto!
prova-me Senhor, neste tempo da vida que me dás para viver com mais profundidade o amor à Tua Palavra, ao Próximo e a Ti de uma forma especial.
Não deixes que satanás me tente, deixando escapar das minhas mãos e do coração a Tua presença.
Que o ministério que me confias, seja vivido na maior simplicidade e humildade...
Que saiba lavar sempre os pés aos irmãos em atitude de serviço...
Que viva com esplendor a gozo a aliança selada conTigo...
Afasta de mim os fantasmas interiores que tornam o meu caminho impossível.
Senhor, dá-me o dom de viver conscientemente esta Quaresma que me impulsiona para uma maior vivência da minha Fé, do meu amor e da minha entrega...
Guia-me, conduz-me e o deserto da vida será o paraíso...
Faz-me viver contigo e brote em mim o desejo ardente de viver a Tua Palavra,
de me deixar empapar por ela, para que seja ela o motor de arranque para prosseguir a subida ao monte
onde Te escutarei, onde contemplarei o teu Rosto, onde serei tentada, onde sentirei a Tua força para resistir ao mal e procurar sempre e em todas as coisas o bem...
Contigo refaço o meu caminho de encontro...
Contigo aprendo a viver a caridade...
Contigo descubro abeleza da justiça e da verdade...
Contigo saboreio a doçura do amor...
Contigo avanço na descoberta sábia de amar e servir com o coração...
Rasga o meu coração, faz-me de novo, atrai-me para Ti, brote nas veias do meu coração o sangue da paz, do perdão, do acolhimento, da reconciliação, da comunhão e da liberdade...
Que eu escute a Tua Palavra, que eu a acolha, que viva com liberdade a minha Obediência e cumpra em cada situação a Tua mensagem que me salva, renova e ampara..

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PALAVRA E PARTILHA...

Em tempo de graça, Deus concede-nos o espaço próprio para o encontro com Ele.
Descobrindo a Sua Vontade e os caminhos novos para uma exigência nova de seguimento...
Caminhamos, subimos o Tabor e no deserto, aí o encontramos e refizemos a nossa vida com Ele. Treze junioras em caminhada... Juntas com a Ir. Glória reviraram as pregas da Bíblia e toca de descobrir as maravilhas da riqueza da Palavra que se fez Carne e veio Habitar entre nós...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

TODOS TE PROCURAM

No Domingo passado  o Teu convite para a oração, para a missão e serviço, continuam a ser para mim a chave de uma vida plena e cheia de sentido. O equilíbrio vital para a missão é a Oração que me dá acesso à Morada segura com o Mestre e me impele para o anúncio do Reino. 
Uma misteriosa combinação de movimento, nunca dentro sem estar fora e nunca fora sem estar dentro. O Evangelho propaga-se através do movimento, criatividade e clareza de vida.
Senhor, a Tua presença me anima e é capaz de curar as minhas muitas feridas e expulsar os muitos demónios que existem dentro da minha pequenez.
Toma a minha mão, faz-me reviver da minha debilidade, acompanha todos os que Te procuram e dá-me momentos fortes de presença e encontro Contigo.

O ritmo da purificação continua ao longo da semana com as tuas imensas curas. Fazes um convite sério a quem te segue, de não ser hipócrita, nem viver de tradições. Convidas, sim, a viver a Lei do Teu amor e a inovação e gratidão no Teu serviço.
Basta tocar-Te e serei curada. Como tem de ser grande a minha Fé! Mas ... Há falhas e grandes dificuldades... Há impurezas... Há exterioridade...Há um coração habitado por estranhos... Preciso de travar constantemente o meu combate espiritual, para viver de acordo com a Tua norma de vida e nada mais...

E que tal, essa de obedecer sempre à Vontade do Pai? nem sei que dizer. Mas aceito que é mesmo isso que preciso: descobrir a cada momento a Tua vontade salvadora e amar cada vez a Obediência sem limites, sem obstáculos, sem questões, sem dúvidas, mas apenas com muito AMOR.
Permite-me Senhor interpretar a Tua Palavra, saborear a mensagem, perceber a Tua missão, converter-me por inteiro a Ti. Tu és a Palavra em quem acredito, Tu és a saliva que abre os meus olhos, Tu és o toque de magia que me salva e faz viver de novo! Tu estás comigo ao longo das minhas horas, multiplicas o Teu Corpo para não desfalecer de fome, Tu estás sempre comigo, Tu acolhes-me com amor e docilidade.

Obrigada pela Tua Palavra ao longo desta semana, pelas chamadas fortes de atenção à forma como vivo o Teu seguimento, a descobrir que preciso dos Teus remédios para me curar, a perceber que só Tu me podes restituir a vida.

Hoje, começo de novo mais uma semana descobrindo-Te compassivo e misericordioso, aquele a quem repito: Se quiseres podes curar-me...
A Tua resposta vai fortalecer a minha caminhada, pois terei sempre presente a Tua Palavra: "Quero! fica limpa".
Que o Teu toque cure as feridas do meu coração. Queres que toque também as feridas dos meus irmãos? Então faça-se apenas o que queres em mim e nada mais preciso para ser feliz.

Mensagem do Papa Bento XVI da Quaresma - 2012


«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras»
(Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da » (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

1ª Carta aos Coríntios 9,16-19.22-23.


Irmãos: Anunciar o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!
Se o fizesse por iniciativa própria, mereceria recompensa; mas, não sendo de maneira espontânea, é um encargo que me está confiado.
Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.
De facto, embora livre em relação a todos, fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número.
Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo.
E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Cristo Nossa Luz, consagra-nos para o Seu serviço
A Igreja celebra o dia do Consagrado.
Em Benguela teve um particular sabor, pois no Vale do Cavaco, as Servas Franciscanas Reparadoras, viveram um dia diferente, tendo como motivo de uma celebração revestida com muita dignidade e brilho, a comunidade de Santo António, onde fez a sua primeira profissão a Noviça Lídia Sinalã, chegada da sua formação feita em Moçambique.
Porque motivo não se fazia em casa e não na Igreja Paroquial? Lá se acatou a Obediência, fazendo uma celebração mais simples, embora com muitos convidados à mistura. Dos amigos da Congregação ninguém soube, pois então teríamos que abrir mão de muita coisa e não dava.
O Espírito do Senhor, foi transformando os corações e as palavras são poucas para tanto empenho da parte de todas para que tudo estivesse à altura de uma celebração da Congregação, que afinal já foi jubilar!
O coro das irmãs, aspirantes e seminaristas dos pobres Servos, orientados pela Ir. Laurinda Ngueve, tornaram harmoniosa a nossa celebração.
Presidiu a ela o nosso amigo da primeira hora, D. Óscar Lino Braga, Bispo emérito de Benguela, que estreava um lindo paramento vindo de Portugal para estas ocasiões. Este já de estola preparada para concelebrar, fica a saber que D. Eugénio não podia vir, pois estava doente. Não é que na noite anterior a irmã Maria dos Anjos lhe telefona e ele ao saber da presença de D. Eugénio na celebração, afirmou que o lugar dele não lhe retirava a alegria de estar connosco nesse dia em que também ele celebrava 37 anos de episcopado. Mas D. Eugénio ficou doente, sem voz e não pode estar, enviou o seu Vigário Geral. Eram dez os sacerdotes presentes e uma dezena de irmãs vindas de outras Congregações a saber: FMM, Doroteias, Santíssimo Salvador e Filhas da Virgem das Dores. Estavam os Pobres Servos e também os Saletinos.
Consciente, com alegria, serenidade e disponibilidade na entrega, assim se mostrou a jovem Lídia que emitia os seus votos de: Pobreza, Castidade e Obediência, na Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras.
A liturgia do dia era bem própria para a entrega da vida ao Senhor, tendo-O como modelo de entrega, de serviço e realização da Vontade do Pai. Ele a Luz verdadeira que veio ao Mundo para iluminar a nossa vida.
Na homilia, o Prelado, fez uma referência muito forte à vivência dos Votos e mencionou a importância da Obediência como o cerne para podermos viver em pobreza e castidade. Uma obediência por amor e de livre vontade. Quando fazemos a vontade de Deus, deixamos que Ele nos consagre, nada temos a temer. O nosso caminhar tem de ter a marca das Bem- Aventuranças e o amor nunca se questiona, daí que o compromisso assumido em Igreja e em comunidade também não se põe em dúvida, aceita-se, ama-se e vive-se.
Os pais da Lídia, até este momento numa linha de separação conjugal, estavam felizes, mesmo não concordando muito com esta decisão, pois ela remou sempre contra a vontade dos pais e avançou. Na sua ida para Moçambique sempre pensaram que tinha ido fazer estudos, só que nem imaginavam que estudos eram.
O Senhor prega assim umas partidas também à família e depois tudo se vai aceitando, mas com muita calma e sem pressas, nem imposições.
Graças a Deus e às irmãs, foi-nos apresentado um almoço de festa com muito requinte. Não deixando de ter de se pedir à comunidade do Lobito as toalhas brancas e outras coisas necessárias, tudo se tinha em casa. Aos poucos vai-se tendo um bocadinho de tudo. A louça, as toalhas, os talheres, travessas, copos e mais algumas alfaias de mesa, já vieram de Portugal, vamo-nos ajudando desta forma, sendo solidárias nas pequenas coisas.
O bolo foi confeccionado nas Monjas do Mosteiro da Mãe de Deus, aqui muito nossas vizinhas. Estava bom, bem como outras sobremesas bem frescas e apetitosas confeccionadas em casa e vindas de pessoas amigas.
Todos comeram e ficaram saciados. A alegria estava presente no rosto de cada uma das vinte e seis irmãs presentes, nos sacerdotes e familiares da irmã. Mas também se fazia sentir o cansaço físico das que ficaram toda a noite a pé para que tudo estivesse em ordem.
Por todas as irmãs que neste dia celebram a sua entrega ao Senhor, entoei uma prece apenas no íntimo do coração. Por aquelas que continuam a manter viva a sua lâmpada, sendo luz para o mundo, dou graças ao Deus da Luz. Pelas que foram testemunhas desta Luz, Cristo, resta-nos a gratidão. Às que caminhamos nesta Igreja peregrina, basta-nos alimentar a Fé em Jesus Cristo Palavra e Pão. Os caminhos da fidelidade, são os nossos caminhos, Cristo Luz do Mundo ilumine a nossa vida e nos torne fortes, firmes e fiéis ao Carisma que abraçamos.
TEDEUM LAUDAMUS, pelo dom da vocação Eucarística e Franciscana
A todas um abraço de Paz e Bem, do outro lado do Atlântico, com  o calor de cada Serva Franciscana
Ir. Glória