sábado, 8 de setembro de 2012


O ano da fé: um dom para criar o espaço da verdade e da liberdade

Entrevista com monsenhor Waclaw Depo, Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, sobre as perspectivas para o ano proclamado pelo Santo Padre


Por Pe. Mariusz Frukacz
CZESTOCHOWA, quinta-feira, 6 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos aqui a entrevista com o Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, S.E. mons. Waclaw Depo, Presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polonesa, sobre quais serão os pontos e os dons que o Ano da Fé, proclamado pelo Papa, trará para toda a humanidade.
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ZENIT: Excelência, o que significa o Ano da Fé para a Igreja e para cada fiel?
Mons. Depo: O Ano da Fé é um dom para a Igreja e para todos os fiéis. Um dom com o qual cada pessoa pode renovar o seu relacionamento com Cristo, assim como o evento por meio do qual os fiéis podem encontrar de novo o seu lugar na Igreja. Podemos dizer que o Ano da Fé será realizado com a adesão de cada pessoa e de cada família a Cristo. Nisto têm grande importância os movimentos católicos em nossas paróquias, cujos membros são as primeiras testemunhas de Cristo na igreja local.
ZENIT: O que entendemos por Nova Evangelização?
Mons. Depo: A Nova Evangelização, como nos ensina Bento XVI, é o dom do Espírito Santo. Penso que ela seja também um dever nosso e não um fardo difícil, mas a cooperação na obra da salvação. A Nova Evangelização também significa uma nova adesão a Cristo, um novo compromisso pessoal da mente e do coração. Toda pessoa recebe o Espírito de Deus para discernir a própria vida e, ao mesmo tempo, obter o desejo de unir-se a Jesus, de falar sobre Ele e testemunhá-lo com a própria vida.
Não estou me referindo apenas às pessoas que já pertencem à Igreja, mas também a todos aqueles que estão à procura de Cristo e da Igreja. O ponto é criar o espaço para a verdade e a liberdade, a liberdade de escolha para todos aqueles que hoje estão distantes da Igreja ou olham-na de modo muito crítico. Tenho certeza de que eles também são abraçados pelo amor de nosso Redentor.
O Credo deve ser a oração diária de um cristão. Todos os dias também temos que perceber em Quem acreditamos: não somente nos artigos de fé, mas em Alguém que é e se revela em cada artigo de fé.
ZENIT: Como presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polaca, o que vossa Excelência acha do papel dos meios de comunicação na Nova Evangelização?
Mons. Depo: Eu acho que a tarefa dos meios de comunicação é muito importante, mas também muito difícil. Em nossos tempos estamos diante de uma luta dramática pela verdade. Juntos, a Igreja e os meios de comunicação - não apenas os católicos - devem assumir as próprias responsabilidades na pregação da verdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

MÊS DA BÍBLIA...



QUANTO MAIS E MELHOR REZARMOS, MAIS NOS TORNAREMOS SEMELHANTES A ELE

As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, após as férias, retomamos as audiências no Vaticano, continuando a "escola de oração" que estamos vivendo juntos nas catequeses de quarta-feira.
Hoje gostaria de falar sobre a oração no livro de Apocalipse que, como vocês sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza. Nos coloca em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida "no dia do Senhor" (Apocalipse 1:10), que é, de fato, o pano de fundo no qual se desenvolve o texto.
Um leitor apresenta à assembléia a mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia são, por assim dizer, os dois protagonistas no desenvolvimento do livro. Para eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras da profecia" (1,3). Através do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que se desenvolve em uma variedade de formas até a sua conclusão. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa.

A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) tem, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo - único caso no Novo Testamento - que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: "Graça e paz "(1,4). O leitor destaca a origem dessa saudação: vem da Trindade, do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, juntos envolvidos no levar adiante o projeto de criação e de salvação para a humanidade. A assembléia escuta, e quando escuta nomear Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria e responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: "Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém" (1,5b-6). A assembléia, envolvida pelo amor de Cristo, se sente libertada da escravidão do pecado e proclama o "Reino" de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que através do batismo foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de louvor olhando de novo diretamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece Nele "a glória e o poder" para salvar a humanidade. O "Amém" final conclui o hino de louvor a Cristo. Já estes primeiros quatro versos contêm uma riqueza de evidências para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar a Deus que fala. Submersos com tantas palavras, estamos pouco acostumados a ouvir, sobretudo a colocar-nos com disposição interior e exterior em silêncio para estar atentos ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes somente de pedidos, deve ser antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

REPARAR AMANDO...


Toda a vida de Jesus, todos os seus actos, todos os seus mistérios, todas as suas palavras e todas as suas atitudes, foram actos de amor, pois Ele é o Amor encarnado. Esse amor toma um sentido mais redentor, mais expiatório, mais reparador na oferta da Cruz, no dom da vida em amor ao Pai e aos homens. Unidos a Jesus podemos e devemos continuar a reparar amando e a amar reparando. Neste sentido toda a nossa vida deve ser reparadora, desde os momentos de oração, de adoração a Jesus Eucaristia, até aos momentos de trabalho e de serviço aos outros, passando por todas as maneiras de cooperar na obra redentora.
Reparar é amar Jesus presente na Eucaristia, oferecendo-se com ele, fazendo-Lhe companhia no sacrário, louvando e glorificando a sua presença em Corpo e em Sangue, Alma e Divindade. Se a Eucaristia é o sacramento do amor, por excelência, temos no diálogo com Ele, um modo precioso de reparar. Temos na oferta com Ele na Eucaristia, como a gota de água no vinho, uma maneira eficaz de colaborar na redenção, sendo oferenda permanente, sendo “hóstias vivas” oferecidas para que o mundo seja salvo.

Reparar é amar Jesus presente em cada homem e em cada mulher, em cada membro sofredor do seu Corpo Místico, onde Ele está presente. Sempre que amamos alguém, com amor evangélico, estamos a reparar, estamos a fazer bem a um cristo vivo, doente, preso, sofredor, injustiçado, só, idoso, desamparado, etc. Estes actos de amor cooperam na redenção, são modos concretos de reparar as chagas do Corpo Místico, onde Jesus continua a sofrer.

Reparar é amar, é trabalhar por amor quer na nossa profissão ou missão, quer no nosso apostolado, quer nas diversas actividades do nosso agir, por mais simples que nos pareçam. Se as fazemos por amor e com amor, estamos a reparar, estamos a cooperar na redenção, estamos a ajudar a construir e a dilatar o reino, estamos, com o nosso trabalho, a ser instrumentos do amor reparador no mundo.

Reparar é amar, é sofrer com amor e por amor, unido a Jesus Vítima, a Jesus Crucificado e, com Ele, oferecer as dores e os sofrimentos para redenção do mundo, para que a graça do sangue do Redentor lave o coração e a vida de todos os homens. Não perder nenhuma ocasião de oferecer as dores, quaisquer que sejam, vindas de fora ou motivadas por nós em espírito de penitência, para que a graça de Jesus Crucificado continue a agir no mundo, salvando e convertendo.

Reparar é amar, é rezar pelo mundo sofredor, é ter no coração e na vida o mundo inteiro para o oferecer a Jesus, e com Jesus ao Pai, é ser apóstolo através da oração universal, da oração que pede a misericórdia, da oração que pede por todos, que coloca todos no Coração de Deus, esquecendo-nos mais de nós, sendo menos egoístas na súplica, tendo um coração mais universal, rezando pelos que não rezam, pelos que não sabem rezar, pelos que não podem rezar.

Reparar é amar, e quem ama quer fazê-Lo mais conhecido, mais amado, mais louvado, mais servido, mais glorificado, e, por isso, se lança em vivência apostólica, com ânsias de amor, para que Jesus e o Pai, pela acção do Espírito sejam mais conhecidos, para que os pecadores se convertam, para que os ateus ou agnósticos descubram a Verdade, para que os tíbios e indiferentes encontrem caminhos de mais amor, mais generosidade.

Reparar é amar, é fazer com que haja menos pecados no mundo, é fazer com que haja menos blasfémias, menos sacrilégios, menos crimes, menos injustiças, menos famílias destruídas pela infidelidade, menos órfãos abandonados, menos idosos desamparados, menos guerra e menos violência, menos atentados à dignidade do amor casto, do pudor, do corpo como santuário de Deus.
Unidos a Jesus Cristo, participando da sua vida pelo baptismo, somos com Ele sacerdotes e vítimas, mediadores e redentores. A nossa participação n’Ele, a vivência duma existência cristã que nos mergulha em Jesus, torna-nos solidários com Ele. E n’Ele e com Ele entramos em comunhão com o Pai. Se o pecado é negação do amor, traição ao amor divino, se o pecado é rebeldia e desobediência, só amando ao jeito de Jesus e unidos a Ele, podemos desempenhar dum modo digno a nossa “obrigação”, nascida da nossa vocação cristã, de reparar amando, de amar reparando. E como só o amor salva e liberta, só o amor redime, só o amor converte, quanto mais amarmos, com o amor de Jesus, tanto mais a nossa existência será reparadora.

O SACRÁRIO



JESUS NO SACRÁRIO

O 50º Congresso Eucarístico realizado na Irlanda, voltou a chamar a atenção do mundo católico para a presença de Jesus no sacrário, para o culto da Eucaristia fora da Celebração, para os tempos de Adoração, para o valor das procissões eucarísticas, para a celebração das 40 Horas, para a Eucaristia como centro e cume de toda a vida cristã.
Jesus tem sede de nós, da nossa oração, da nossa presença, da nossa amizade, do nosso tempo, do nosso coração em cada sacrário. Precisamos de aumentar, um pouco por todo o lado, a culto a Jesus Eucaristia, o tempo que passamos conversando com Ele, as visitas, mesmo que sejam só espirituais, ao Deus Amor, presente em cada sacrário.
Temos que “matar a sede de Jesus”, pois seu Coração está ressequido por falta de amor, de reparação, de companhia. O convite feito à Beata Alexandrina é feito a cada um de nós: ir espiritualmente junto dos sacrários onde Jesus está mais só, menos acompanhado, com menos amor à sua volta. Ir reparar pecados e pedir graças, ir louvar e agradecer. Já o Papa Beato João Paulo II, em 24.03.80, na carta Mistério e Culto da Eucaristia, por ocasião da Quinta-Feira Santa, escreveu: «A Igreja e o mundo tem necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste sacramento de amor. Não nos mostremos avaros do nosso tempo para ir encontrar-nos com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta a reparar as grandes culpas e crimes do mundo. Que nunca cesse a nossa adoração» (nº3). E na encíclica “A Eucaristia, Vida da Igreja”(nº 25) (17.04.03) O Beato João Paulo II afirmou: «O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. 
A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa – presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão e do vinho – resulta da celebração da Eucaristia e destina-se à comunhão sacramental e espiritual. Compete aos pastores, inclusive pelo testemunho pessoal, estimular o culto eucarístico, de modo particular as exposições do Santíssimo Sacramento e também as visitas de adoração a Cristo presente sob as espécies eucarísticas. É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predilecto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito de seu coração. Se actualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela “arte de oração”, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?»[...] «A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós» [...] «Permanecer diante da Eucaristia fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça».

domingo, 2 de setembro de 2012


Setembro: mês da Bíblia

Estamos em mais um dos meses temáticos. Além dos temas dos textos bíblicos e os próprios da liturgia, a Igreja no Brasil nos sugere um assunto que perpassa todo o mês para a nossa reflexão.
Em setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. Esse mês temático foi criado em 1971 e ele foi escolhido porque no último domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia, devido à proximidade da festa de São Jerônimo, patrono dos estudos Bíblicos, no dia 30.
A cada ano um livro bíblico é aprofundado em nossas comunidades, seja pelas reuniões de grupos, seja pelas publicações, ou ainda pelas celebrações. Nesse ano, o tema deste mês é “discípulos missionários a partir do Evangelho de Marcos”. A escolha desse evangelista ocorre devido ao ano “B” da liturgia dominical, que contempla a leitura desse texto. Jà está previsto para os próximos anos seguir o mesmo tema à luz do evangelho do domingo: Lucas, Mateus e depois, em 2015, João.
Graças aos apóstolos, mais próximas testemunhas que viveram com Jesus Cristo, chegam até nós a Boa-Notícia da Salvação proclamada pelo Filho de Deus. Assim se expressa São Pedro: "Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna?" (Jo 6, 68).

Fé na Palavra, que é viva! O Verbo é o prório Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz.
O que a Palavra de Deus me diz, ainda hoje, aqui e agora? Deus fala, ainda hoje, e as palavras são dirigidas a todas as pessoas. Este é o grande mistério da Palavra de Deus. Para cada um dirige pessoalmente a sua voz.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

 Azeitonas Espremidas

"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o
bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados
segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).


"Eu me regozijo em saber que... Não existe azeite sem
espremer as azeitonas, Nem vinho sem espremer as uvas, Nem
fragrância sem esmagar as flores e nem uma alegria real sem aflições."



É a vitória sobre as angústias, sofrimentos e aflições que
produz os maiores momentos de alegria. É a luta contra as
dúvidas e incertezas que nos conduz à verdadeira esperança e
fé. É a capacidade de ficar firme diante do ódio e das
perseguições que valoriza as nossas atitudes de amor. É
quando somos pequenos que realmente nos tornamos grandes. É
quando nos apresentamos com humildade diante de Deus que
somos exaltados.

Os discípulos enfrentaram, com pavor, a tempestade no Mar da
Galileia para entender que na presença do Senhor há paz e
bonança. Pedro tremeu diante dos que prenderam a Jesus,
negou-o mais de uma vez, para poder ouvir o galo cantar e,
finalmente, converter-se verdadeiramente. O apóstolo Paulo
foi preso e, da prisão, escreveu Epístolas que hoje fazem
parte das Escrituras Sagradas. O nosso Senhor foi rejeitado,
foi traído, foi crucificado, e, por causa de tudo isso,
ganhou para nós a vitória completa... para sempre.

Não gostamos de sofrimentos; não gostamos de passar por
deceções; não gostamos de esperar a bênção que parece
demorar demais... Mas, Deus tem seus planos, têm seu tempo
determinado, tem Sua maneira própria de agir. Sabemos que
tudo que Ele faz ou permite acontecer, é para o nosso bem,
para o nosso prazer, para a nossa edificação. Ele é nosso
melhor Amigo, é nosso companheiro de todas as horas, é o
Senhor de nossas vidas.

Se nos sentimos como azeitonas espremidas, confiemos em Deus
e a nossa vitória logo chegará.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Evangelho segundo S. Mateus 24,42-51.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.

Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa.
Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.»
«Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo?

Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado.
Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens.
Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: 'O meu senhor está a demorar’,
e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios,
o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece;
vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.»
 CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 29 de agosto de 2012 – Reproduzimos a seguir as palavras do Santo Padre na catequese desta manhã.

Caros irmãos e irmãs,
Nesta última quarta-feira de agosto, celebramos a memória litúrgica do martírio de São João Batista, o precursor de Jesus. No calendário romano, ele é o único santo de quem se recorda o nascimento, em 24 de junho, e também a morte, ocorrida por meio do martírio.
É uma memória que remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, na Samaria, onde, já em meados do século IV, era venerada a sua cabeça. O culto se espalhou para Jerusalém, para as Igrejas do Oriente e para Roma, com o título de Decapitação de São João Batista.
O Martirológio Romano faz referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada, na ocasião, até a igreja de São Silvestre em Campo Marzio, Roma.
Essas pequenas referências históricas nos ajudam a entender o quanto é antiga e profunda a veneração de João Batista. Os evangelhos destacam muito bem o seu papel em relação a Jesus. Em particular, São Lucas narra o seu nascimento, a vida no deserto, a pregação, e São Marcos nos fala da sua morte trágica, no evangelho de hoje.

João Batista inicia a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o claro convite que ele faz às pessoas que se reúnem para ouvi-lo é o de prepararem o caminho para acolher o Senhor, para endireitar as tortuosas estradas da vida através de uma mudança radical do coração (cf. Lc 3, 4).
O Batista não se limita, porém, a pregar a penitência e a conversão. Reconhecendo Jesus como o "Cordeiro de Deus" que veio tirar o pecado do mundo (Jo 1, 29), ele tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, afastando-se para que Cristo cresça e seja ouvido e seguido. O Batista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem retroceder, cumprindo até o fim a sua missão.
São Beda, monge do século IX, assim o diz nas suas Homilias: São João, por Cristo, deu a vida, embora não tenha sido obrigado a negar a Cristo, mas apenas a calar a verdade. E ele não calou a verdade e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente por amor da verdade, ele não se comprometeu com os seus próprios interesses e não teve medo de bradar palavras fortes àqueles que tinham se perdido da estrada de Deus.
Vemos agora esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Perguntemos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão reta, tão coerente, desgastada tão completamente por Deus para preparar o caminho para Jesus?
A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom de Deus por muito tempo invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1:13); um grande dom, humanamente inesperável, porque ambos eram avançados em anos e Isabel era estéril (cf. Lc 1:7); mas nada é impossível para Deus (cf. Lucas 1:36).

O anúncio deste nascimento ocorre no próprio lugar da oração, no templo de Jerusalém, e justamente quando cabe a Zacarias o grande privilégio de adentrar no lugar mais sagrado do templo para queimar incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). O nascimento de João Batista é marcado pela oração: o cântico de louvor, de alegria e de ação de graças, que Zacarias eleva ao Senhor e que recitamos todas as manhãs nas laudes, o Benedictus, exalta a ação de Deus na história e mostra profeticamente a missão do seu filho João: preceder o Filho de Deus feito carne a fim de preparar os seus caminhos (cf. Lc 1,67-79).
Toda a existência do Precursor de Jesus é alimentada por um relacionamento com Deus, especialmente no tempo transcorrido no deserto (cf. Lc 1,80). As regiões desertas são o lugar da tentação, mas também o lugar onde o homem sente a própria pobreza, pela falta de apoios e de seguranças materiais. Ali ele entende que o único ponto de referência sólido é o próprio Deus. João Batista não é, porém, apenas homem de oração e de contato constante com Deus, mas também um guia para esta relação. O evangelista Lucas, transcrevendo a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos, o pai-nosso, observa que o pedido é feito pelos discípulos com estas palavras: "Senhor, ensina-nos a orar, assim como João ensinou aos seus discípulos" (cf. Lc 11, 1).

Queridos irmãos e irmãs, o martírio de São João Batista recorda a todos nós, cristãos de hoje, que não podemos comprometer o amor de Cristo, a sua Palavra, a Verdade. A Verdade é a Verdade, não tolera compromissos com interesses particulares. A vida cristã exige, por assim dizer, o "martírio" da fidelidade diária ao evangelho, que é a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e direcione o nosso pensamento e as nossas ações.
Mas isto só pode acontecer em nossa vida se for sólido o nosso relacionamento com Deus. A oração não é um desperdício de tempo, não é roubar espaço de outras atividades, nem mesmo das atividades apostólicas. É exatamente o contrário: somente se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante, confiante, o próprio Deus nos dará a força e a capacidade para vivermos felizes e em paz, para superarmos as dificuldades e testemunhá-lo com coragem.
São João Batista interceda por nós, para que possamos manter sempre a primazia de Deus na nossa vida. Obrigado.

terça-feira, 28 de agosto de 2012


"A fé não é um projeto, mas encontrar a Cristo como pessoa viva"


No Ângelus de hoje, Bento XVI exortou os fiéis a não pararem nas preocupações materiais cotidianas, mas aceitarem os planos de Deus e melhorarem o relacionamento com Ele.

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Queridos irmãos e irmãs,
Na Liturgia da Palavra deste domingo continua a leitura do capítulo 6º do Evangelho de João. Estamos na sinagoga de Cafarnaum, onde Jesus está dando o seu famoso discurso depois da multiplicação dos pães. As pessoas tentaram fazê-lo rei, mas Jesus havia se retirou, primeiro sobre o monte com Deus, com o Pai, e depois em Cafarnaum.
Não vendo-o, começaram a buscá-lo, subiram em barcas para chegar à outra margem do lago e finalmente o encontraram. Mas Jesus sabia bem o motivo de tanto entusiasmo ao segui-lo e também o diz com clareza: vós “me procurais não porque vistes sinais [porque o vosso coração ficou impressionado], mas porque comestes dos pães e ficastes satisfeitos” (v. 26).
Jesus quer ajudar as pessoas a ir além da satisfação imediata das próprias necessidades materiais, também importantes. Quer abrir-lhes um horizonte de existência que não é simplesmente aquele das preocupações cotidianas do comer, do vestir, da carreira. Jesus fala de uma comida que não perece, que é importante buscar e acolher. Ele afirma: "Trabalhem não pela comida que não dura, mas pela comida que permanece para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará” (v. 27).

A multidão não entende, acredita que Jesus pede a observância dos preceitos para poder obter a continuação desse milagre, e pergunta: "O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28). A resposta de Jesus é clara: "Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou" (v. 29). O centro da existência, o que dá sentido e firme esperança no caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo. Também nós perguntamos: "O que devemos fazer para herdar a vida eterna?". E Jesus disse: "acredite em mim."
A fé é a coisa fundamental. Não se trata aqui de seguir uma idéia, um projeto, mas de encontrar a Jesus como uma Pessoa viva, de deixar-se envolver totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não parar no horizonte puramente humano e a abrir-se para o horizonte de Deus, para o horizonte da fé. Ele exige uma única obra: acolher o plano de Deus, ou seja, “crer naquele que ele enviou” (v. 29).
Moisés tinha dado a Israel o maná, o pão do céu, com o qual o próprio Deus tinha alimentado o seu povo. Jesus não dá qualquer coisa, dá a Si mesmo: é Ele o "verdadeiro pão que desceu do céu", Ele, a Palavra Viva do Pai; no encontro com Ele encontramos o Deus vivo.

"O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28) pergunta a multidão, pronta para agir, para que o milagre do pão continue. Mas a Jesus, verdadeiro pão da vida, que satisfaz a nossa fome de sentido, de verdade, não é possível "ganhar" com o trabalho humano; só vem a nós como um dom de Deus, como obra de Deus, que deve ser pedida e acolhida.
Queridos amigos, nos dias carregados de preocupações e de problemas, mas também naqueles de descanso e relaxamento, o Senhor nos convida a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos pelo pão material e restaurar as forças, ainda mais fundamental é fazer crescer a relação com Ele, reforçar a nossa fé naquele que é o “pão da vida”, que enche o nosso desejo de verdade e de amor.

A importância das atitudes externas em nossas orações

Palavras de Bento XVI 

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje a Igreja celebra a memória de São Domingos de Gusmão, Sacerdote e Fundador da Ordem dos Pregadores, chamados Dominicanos. Numa catequese anterior eu já descrevi esta figura ilustre e a contribuição fundamental que ele trouxe à renovação da Igreja de seu tempo. Hoje, gostaria de destacar um aspecto essencial de sua espiritualidade: a vida de oração. São Domingos era um homem de oração. Apaixonado por Deus, não teve outra aspiração que a salvação das almas, especialmente daquelas que caíram na rede das heresias de seu tempo; imitador de Cristo, encarnou radicalmente os três conselhos evangélicos, unindo à proclamação da Palavra o testemunho de uma vida pobre; sob a inspiração do Espírito Santo, progrediu na via da perfeição cristã. Em todos os momentos, a oração era a força que o renovava e tornava sempre mais fecunda sua obra apostólica.

O Beato Jordão da Saxônia, morto em 1237, seu sucessor como líder da Ordem, escreve: “Durante o dia ninguém se mostrava mais sociável que ele... e por outro lado, à noite, ninguém era mais assíduo que ele na oração. O dia dedicava ao próximo, mas a noite era para Deus” (P.Filippi, São Domingos visto por seus contemporâneos, Bologna 1982, pág. 133). Em São Domingospodemos ver um exemplo de integração harmoniosa entre a contemplação dos mistérios divinos e a atividade apostólica. Segundo alguns testemunhos de pessoas mais próximas, “ele falava sempre com Deus ou de Deus”. Tal observação indica sua profunda comunhão com o Senhor e, ao mesmo tempo, o constante empenho de conduzir os outros a essa comunhão com Deus. Não deixou escritos sobre sua oração, mas a tradição dominicana recolheu e transmitiu sua experiência viva em uma obra intitulada: As nove maneiras de rezar de São Domingos. Este livro foi composto entre 1260 e 1288 por um frade dominicano; isso nos ajuda a entender algo da vida interior do Santo e nos ajuda também, com todas as diferenças, a aprender algo sobre como rezar.
São portanto nove as maneiras de rezar segundo São Domingos e cada uma delas, que realizava sempre diante de Jesus Crucificado, expressa uma atitude corporal e espiritual que, intimamente compenetrados, favorecem o recolhimento e o fervor. Os primeiros sete modos seguem uma linha ascendente, como passos de um caminho, rumo à comunhão com Deus, com a Trindade: São Domingos reza em pé, inclinado para exprimir humildade, deitado no chão para pedir perdão por seus pecados, de joelhos em penitencia para participar dos sofrimentos do Senhor, com os braços abertos olhando para o crucifixo para contemplar o Amor Supremo e olhando para o céu, sentindo-se atraído ao mundo de Deus. Portanto são três formas: em pé, ajoelhado, deitado no chão, mas Sempre com o olhar voltado para o Senhor Crucificado. Os dois últimos aspectos, no entanto, que gostaria de deter-me brevemente, correspondem a duas práticas de piedade geralmente vividas pelo santo. Antes de tudo, a meditação pessoal, onde a oração adquire uma dimensão ainda mais íntima, fervorosa e tranquilizante. 

No final da recitação da Liturgia das Horas e após a celebração da Missa, São Domingos prolongava a conversa com Deus, sem colocar-se um limite de tempo. Sentado calmamente, recolhia-se numa atitude de escuta, lendo um livro ou olhando para o crucifixo. Vivia tão intensamente estes momentos de relacionamento com Deus que exteriormente era possível compreender suas reações de alegria ou de prantos. Assim, assimilou em si mesmo, meditando, a realidade da fé. Testemunhas dizem que, às vezes, entrava em uma espécie de êxtase, com o rosto transfigurado, mas logo retomava suas atividades diárias, humildemente revigorado pela força que vem do Alto. Depois, a oração durante as viagens de um convento ao outro, recitava as Laudes, ao meio-dia, as Vésperas com os colegas e, atravessando os vales ou colinas, contemplava a beleza da criação. De seu coração jorrava um hino de louvor e agradecimento a Deus por tantos dons, especialmente a maior maravilha: a redenção realizada por Cristo.

Caros amigos, São Domingos lembra-nos que, na origem do testemunho de fé, que todo cristão deve dar em família, no trabalho, na vida social, e até mesmo em momentos de relaxamento, está a oração, o contato pessoal com Deus; somente este relacionamento real com Deus nos dá força para viver intensamente cada acontecimento, especialmente os momentos mais sofridos. Este santo nos lembra também a importância das atitudes externas em nossas orações. O ajoelhar-se, o permanecer em pé diante do Senhor, fixar o olhar no crucifixo, o parar e se recolher em silêncio, não são atitudes secundárias, mas nos ajudam a nos colocar interiormente, toda a pessoa, em relação com Deus. 

Quero recordar mais uma vez, para a nossa vida espiritual, a necessidade de encontrar diariamente momentos de oração com tranquilidade. 

Um génio da humanidade e um grande santo
O cardeal arcebispo de Milão celebrará a eucaristia na Basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, de Pavia, túmulo de Santo Agostinho, no dia 28 de agosto, memória litúrgica do santo.

Agostinho está enterrado em Pavia desde o século VIII: descansa na basílica de São Pedro in Ciel d'Oro, aos pés da arca de mármore erguida no século XIV pelo prior agostiniano Bonifacio Bottigella, que mais tarde se tornou bispo de Lodi. A Arca de Santo Agostinho, assim chamada em honra do santo, traz o ano de 1362 gravado em letras góticas, festejando agora, portanto, os seus 650 anos de construção. Em 28 de agosto, memória litúrgica do santo, diante do seu túmulo, a eucaristia será celebrada às 9 horas pelo bispo de Pavia, dom Giovanni Giudici, às 11 pelo prior geral da Ordem de Santo Agostinho, pe. Robert F. Prevost, e às 18h30 pelo cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão.
ZENIT pediu que o cardeal Scola fizesse uma breve reflexão sobre a figura de Santo Agostinho e agradece a ele pela entrevista concedida.

Eminência, o arcebispo de Milão vai celebrar a eucaristia no túmulo de Santo Agostinho. Renova-se o vínculo singularíssimo na fé cristã entre Ambrósio e Agostinho, que, além de pastores do povo de Deus, são mestres de cultura e de espiritualidade para o Ocidente. Estamos a poucos meses do XVII centenário do Édito de Milão: o que Ambrósio e Agostinho ainda podem dizer a este respeito?
Cardeal Scola: Ambrósio e Agostinho viveram as décadas difíceis da transição entre o velho, representado pelo Império Romano esgotado e em declínio inexorável, e o novo, que se anunciava no horizonte, mas que ainda não revelava com nitidez os seus contornos. Eles estavam imersos numa sociedade em muitos aspectos semelhante à nossa, abalada por mudanças contínuas e radicais, sob a pressão dos povos estrangeiros e da depressão econômica, devida às guerras e às carestias.

Nessas condições, mesmo na profunda diversidade de história e temperamentos, Ambrósio e Agostinho foram indomáveis ​​anunciadores do Cristo para cada homem, na certeza humilde de que a proposta cristã, se aceita livremente, é um recurso valioso para a construção do bem comum.
Eles foram firmes defensores da verdade, apesar do risco e das dificuldades que isso implica, sabendo que a fé não mortifica a razão, mas a completa; e que a moral cristã aperfeiçoa a moral natural, sem contradizê-la, e promove a sua prática. Usando termos do debate contemporâneo, podemos defini-los como dois paladinos da dimensão pública da fé e de um conceito saudável de lacidade.
O Santo Padre, na carta apostólica Porta Fidei, que apresenta o Ano da Fé, cita Santo Agostinho ao dizer que "os crentes se fortalecem crendo". No Ano da Fé, qual pode ser, na sua opinião, a lição da vida humana e espiritual de Santo Agostinho?
Cardeal Scola: Numa das audiências gerais dedicadas a Santo Agostinho, Bento XVI retomou a expressão "velho mundo", e disse: "Se o mundo envelhece, Cristo é eternamente jovem. Daí o convite de Agostinho: Não se recusem a rejuvenescer com Cristo, mesmo no velho mundo. Ele diz: Não tenhas medo; a tua mocidade se renova como a da águia" (cf. Sermão 81,8; Bento XVI, audiência geral de 16 de janeiro de 2008). Agostinho é um poderoso testemunho da contemporaneidade de Cristo para cada homem e da profunda conveniência da fé para a vida.

O que significa a perenidade do pensamento e da história humana de Santo Agostinho?
Cardeal Scola: É o inquietum cor, do qual ele mesmo nos fala no incipit das Confissões. A busca incansável, que fascina os homens de todos os tempos, é especialmente valiosa para nós, que hoje estamos imersos, e muitas vezes perdidos, nas complicações deste início do terceiro milênio. Uma busca que não para na dimensão horizontal, mas que se expande para a dimensão vertical.
O próprio Agostinho descreve isto, quando, numa passagem dos solilóquios, afirma: "Eis que eu orei a Deus. O que, pois, queres saber? Todas essas coisas que pergunteiem oração. Resume-asem poucas palavras. Desejo conhecer a Deus e a alma. E nada mais? Nada mais” (Agostinho, Solilóquios I, 2,7).
Eminência, quem é Santo Agostinho para o senhor?
Cardeal Scola: Um gênio da humanidade e um grande santo, um homem plenamente realizado. Eu fico impressionado, a este respeito, com uma afirmação de Maritain que repito muito aos jovens, muitas vezes tão obcecados com o problema do sucesso e da auto-realização: "Não há personalidade realmente perfeita a não ser nos santos. Mas como? Os santos, acaso, se propunham a desenvolver a própria personalidade? Não. Eles a encontraram sem procurá-la, por procuravam a Deus somente" (J. Maritain).

terça-feira, 14 de agosto de 2012


Hoje, damos graças ao Senhor pelo dom da Congregação à Igreja na celebração dos seus 62 anos de aprovação canónica como Congregação de direito diocesano.
Damos graças a Deus pelo dom de cada irmã que dela faz parte atuante e com as suas vidas fazem crescer o Carisma recebido dos Fundadores.

Foi nesta terra de Pereira que brotou o nosso Carisma. Foi sua inspiradora uma ilustre filha desta terra: Alzira da Conceição Sobrinho que com D. Maria Augusta deram a vida pela “Santa Causa”.

Neste contexto eclesial, viemos a Pereira para agradecer ao Senhor o dom do Sacerdócio do Sr. Padre Alfredo Teixeira, nosso pai espiritual. São sessenta anos de entrega ao Senhor no anúncio do Evangelho e na celebração dos Mistérios de Cristo.
A ir. Ana Isabel, dos Açores, da ilha de S. Miguel, depois de um tempo de experiência na Congregação, vai fazer a sua entrega definitiva ao Senhor através da profissão perpétua dos conselhos evangélicos. Acolhemo-la na nossa família e com ela queremos viver a alegria da entrega vivendo com fidelidade e generosidade o seu sim, que hoje é para sempre.




terça-feira, 7 de agosto de 2012

Evangelho segundo S. Mateus 14,22-36.
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões.

Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só.
O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo.
No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»
Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.»
«Vem» disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus.

Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!»
Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
E, quando entraram no barco, o vento amainou.
Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»
Após a travessia, pisaram terra em Genesaré.
Ao reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-lhe todos os doentes,
suplicando-lhe que, ao menos, os deixasse tocar na orla do seu manto. E todos aqueles que a tocaram, ficaram curados.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Tema: Trânsito de Santa Clara

( ... ) Juntou-se nova fraqueza a seus membros sagrados, gastos pela velha doença, indicando sua próxima chamada para o Senhor e preparando-lhe o caminho da salvação eterna.

O senhor Inocêncio IV, de santa memória, foi logo visitar a serva de Cristo com os cardeais e não teve dúvida de honrar com a presença papal a morte daquela, cuja vida provara estar acima das mulheres de nosso tempo. Entrou no Mosteiro, foi ao leito, chegou a mão à boca da doente para que a beijasse. Ela a tomou agradecida e pediu com maior reverência para beijar o pé do Apostólico. Cortês, o senhor subiu reverentemente a um banquinho para ajeitar o pé que ela, reverentemente inclinada, cobriu de beijos por cima e por baixo.
Depois, pediu com rosto angelical ao Sumo Pontífice a remissão de todos os pecados. Ele exclamou: "Oxalá precisasse eu de tão pouco perdão!”. E lhe deu plena absolvição e a graça de uma ampla bênção.

Quando todos saíram, como tinha recebido nesse dia a hóstia sagrada das mãos do ministro provincial, de olhos levantados para o céu e de mãos juntas para o Senhor, disse às Irmãs, entre lágrimas: "Filhinhas minhas, louvem ao Senhor, porque hoje Cristo dignou-se fazer-me tão grande benefício que céu e terra não bastariam para pagar. Hoje, prosseguiu, recebi o Altíssimo e mereci ver o seu Vigário”. A virgem muito santa, voltando-se para si mesma, diz baixinho a sua alma: "Vá segura, que você tem uma boa escolta para o caminho. Vá, diz, porque aquele que a criou também a santificou; e guardando-a sempre como uma mãe guarda o filho, amou-a com terno amor. E bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes!” 
Uma das Irmãs perguntou com quem estava falando, e ela respondeu: "Falo com a minha alma bendita". Já não estava longe o seu glorioso séqüito, pois, virando-se para uma das filhas, disse: "Você está vendo, minha filha, o Rei da Glória que eu estou vendo?".

A mão do Senhor pousou também sobre outra que, entre lágrimas, teve esta feliz visão com os olhos do corpo. Transpassada pelo dardo da profunda dor, voltou o olhar para a porta do quarto e viu entrar uma porção de virgens vestidas de branco, todas com grinaldas de ouro na cabeça. Entre elas, caminhava uma mais preclara que as outras, de cuja coroa, que em seu remate tinha uma espécie de turíbulo com janelinhas, irradiava tanto esplendor que mudava a própria noite em dia luminoso dentro de casa. Ela foi até a cama em que estava a esposa de seu Filho e, inclinando-se com todo amor sobre ela, deu-lhe um terníssimo abraço. As virgens trouxeram um pálio de maravilhosa beleza e, estendendo-o todas à porfia, deixaram o corpo de Clara coberto e o tálamo adornado. 

Tema: A fuga de Santa Clara

Aproximava-se a solenidade de Ramos, quando a jovem, de fervoroso coração, foi ter com o homem de Deus, Francisco de Assis, para saber e como devia fazer para mudar de vida. Ordeno-lhe o pai Francisco, que no dia da festa, bem vestida e elegante fosse receber a palma no meio da multidão e que, de noite, deixando o acampamento trocasse as alegrias mundanas pelo luto da Paixão do Senhor.

Quando chegou o Domingo, a jovem fez o que Francisco pediu. Aconteceu um oportuno presságio: os outros se apressaram a pegar os ramos, mas Clara ficou parada em seu lugar por recato, e o Pontífice desceu os degraus, aproximou-se dela e lhe colocou a palma nas mãos. De noite, dispondo-se a cumprir a ordem do santo, empreendeu a ansiada fuga em discreta companhia.

Não querendo sair pela porta habitual, com as próprias mãos abriu outra obstruída por pesados troncos e pedras, com uma força que lhe pareceu extraordinária.

E assim abandonando o lar, a cidade e os familiares, correu a Santa Maria da Porciúncula, onde os frades, que diante do altar de Deus faziam uma santa vigília, receberam com tochas a virgem Clara ( ... ) Com os cabelos cortados pela mão dos frades, abandonou seus ornatos variados.

Mal a notícia chegou a seus familiares, e eles, com o coração dilacerado, reprovaram a ação e os projetos da moça. Juntaram-se e correram ao lugar para tentar conseguir o impossível. ( ... ) Mas ela segurou as toalhas do altar e mostrou a cabeça tonsurada, garantindo que jamais poderiam afastá-la do serviço de Cristo. 
Fontes Clarianas. Fontes históricas. Legenda Santa Clara 7-8. Pág. 34-35


Rumo ao Ano da Fé: uma nova porta para o concílio

Biblista dom Carlo Ghidelli começa a escrever no Mensageiro de Santo António


Um grande nome passa a enriquecer ainda mais as páginas do Mensageiro de Santo António, revista difusa em mais de 160 países e publicada em sete idiomas: é dom Carlo Ghidelli, arcebispo emérito de Lanciano-Ortona, reconhecido biblista e autor de numerosas publicações sobre as Sagradas Escrituras.
Dom Ghidelli ajudará os leitores da revista a caminharem conscientemente “Rumo ao Ano da Fé”: este é o título da nova sessão assinada por ele, que começa a ser publicada em 11 de outubro. A data coincide com o cinquentenário da abertura do concílio Vaticano II.
O prelado comentará, com sua reconhecida profundidade, a carta escrita por Bento XVI em forma de motu proprio intitulada Porta fidei.

A Porta fidei indica muito claramente o significado e o propósito do Ano da Fé, em que seremos chamados não só a renovar o nosso ato de fé, mas também a demonstrar a fé que professamos na vida que vivemos.
O arcebispo emérito de Lanciano-Ortona enfatiza neste mês uma passagem do texto da carta apostólica de Bento XVI: "Considerei que lançar o Ano da Fé no quinquagésimo aniversário de abertura do concílio Vaticano II pode ser uma propícia oportunidade para entender que os textos legados pelos padres conciliares, nas palavras do beato João Paulo II, ‘não perdem seu valor nem seu brilho’".
“Referindo-se assim aos documentos do concílio, o papa João Paulo II pretendia manifestar e expressar uma convicção pessoal, tendo sido ele próprio padre conciliar e colaborado na elaboração da Gaudium et Spes: a convicção de que nada nem ninguém”, destaca dom Ghidelli, “jamais poderá tirar do concílio o mérito de ter colocado a Igreja em estado sólido de renovação, de acordo com o projeto do papa João XXIII”.

A atualidade dos documentos conciliares pode ser percebida principalmente por aqueles que, através da leitura dos diários do concílio, acompanharam o desenvolvimento das discussões, entre os quais Joseph Ratzinger, então teólogo do arcebispo de Munique.
“O concílio”, diz dom Ghidelli, “foi acima de tudo uma graça, porque levou a Igreja a refletir sobre si mesma e sobre o seu ministério; porque a libertou de tudo o que lhe pesava em excesso; porque a colocou em nova relação com a pessoa de Cristo Senhor e com a Santíssima Trindade; porque a pôs em nova relação com o mundo; porque a renovou na sua consciência missionária”.

“No concílio”, escreve o papa referindo-se a João Paulo II, “encontramos uma bússola segura para nos orientar no século que começa”. “Ela serve principalmente para o capitão do navio: é dele que se espera a indicação autorizada e paterna sobre como navegar nas circunstâncias históricas contemporâneas. Se o concílio foi denifido como uma bússola, devemos considerá-lo assim não apenas em relação ao passado, mas também em relação ao presente e ao futuro da Igreja. Isto é óbvio, mas não menos importante”.
E conclui: “Se tivermos a coragem de seguir as instruções do concílio e torná-las nossas, veremos o reavivamento da Igreja de Cristo como o papa João XXIII augurou

"A fé não é um projeto, mas encontrar a Cristo como pessoa viva"

No Ângelus de hoje, Bento XVI exortou os fiéis a não pararem nas preocupações materiais cotidianas, mas aceitarem os planos de Deus e melhorarem o relacionamento com Ele.

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Queridos irmãos e irmãs,
Na Liturgia da Palavra deste domingo continua a leitura do capítulo 6º do Evangelho de João. Estamos na sinagoga de Cafarnaum, onde Jesus está dando o seu famoso discurso depois da multiplicação dos pães. As pessoas tentaram fazê-lo rei, mas Jesus havia se retirou, primeiro sobre o monte com Deus, com o Pai, e depois em Cafarnaum.
Não vendo-o, começaram a buscá-lo, subiram em barcas para chegar à outra margem do lago e finalmente o encontraram. Mas Jesus sabia bem o motivo de tanto entusiasmo ao segui-lo e também o diz com clareza: vós “me procurais não porque vistes sinais [porque o vosso coração ficou impressionado], mas porque comestes dos pães e ficastes satisfeitos” (v. 26)
.
Jesus quer ajudar as pessoas a ir além da satisfação imediata das próprias necessidades materiais, também importantes. Quer abrir-lhes um horizonte de existência que não é simplesmente aquele das preocupações cotidianas do comer, do vestir, da carreira. Jesus fala de uma comida que não perece, que é importante buscar e acolher. Ele afirma: "Trabalhem não pela comida que não dura, mas pela comida que permanece para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará” (v. 27).
A multidão não entende, acredita que Jesus pede a observância dos preceitos para poder obter a continuação desse milagre, e pergunta: "O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28). A resposta de Jesus é clara: "Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou" (v. 29). O centro da existência, o que dá sentido e firme esperança no caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo. Também nós perguntamos: "O que devemos fazer para herdar a vida eterna?". E Jesus disse: "acredite em mim."

A fé é a coisa fundamental. Não se trata aqui de seguir uma idéia, um projeto, mas de encontrar a Jesus como uma Pessoa viva, de deixar-se envolver totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não parar no horizonte puramente humano e a abrir-se para o horizonte de Deus, para o horizonte da fé. Ele exige uma única obra: acolher o plano de Deus, ou seja, “crer naquele que ele enviou” (v. 29).
Moisés tinha dado a Israel o maná, o pão do céu, com o qual o próprio Deus tinha alimentado o seu povo. Jesus não dá qualquer coisa, dá a Si mesmo: é Ele o "verdadeiro pão que desceu do céu", Ele, a Palavra Viva do Pai; no encontro com Ele encontramos o Deus vivo.
"O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?" (V. 28) pergunta a multidão, pronta para agir, para que o milagre do pão continue. Mas a Jesus, verdadeiro pão da vida, que satisfaz a nossa fome de sentido, de verdade, não é possível "ganhar" com o trabalho humano; só vem a nós como um dom de Deus, como obra de Deus, que deve ser pedida e acolhida.

Queridos amigos, nos dias carregados de preocupações e de problemas, mas também naqueles de descanso e relaxamento, o Senhor nos convida a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos pelo pão material e restaurar as forças, ainda mais fundamental é fazer crescer a relação com Ele, reforçar a nossa fé naquele que é o “pão da vida”, que enche o nosso desejo de verdade e de amor. A Virgem Maria, no dia em que lembramos a dedicação da Basília de Santa Maria Maior, em Roma, nos sustente no nosso caminho de fé.