sábado, 18 de maio de 2013


Pedro era um pecador, mas não um corrupto
Francisco na sua homilia na Santa Marta convida a deixar 
que Jesus nos encontre
CIDADE DO VATICANO, 17 de Maio de 2013 
 Ser pecadores não é o problema central, o problema é não deixar-se transformar no amor do encontro com Cristo, porque Pedro era um pecador, mas não um corrupto, pecadores sim, todos: corruptos, não. Este foi o tema central da homilia da missa diária do Papa Francisco na capela da sua residência em Santa Marta, transmitida pela Rádio Vaticano.
No evangelho do dia Jesus ressuscitado pergunta três vezes a Pedro se o ama. “É um diálogo de amor entre o Senhor e seu discípulo” indica Francisco e lembra dos encontros que Pedro teve com Jesus. Começando com o ‘Segue-me” ao ‘Te chamarás Cefas, Pedra’, ao ‘Afásta-te de mim, Satanás”, “humilhação que Pedro aceita”, diz o Papa.

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Se incomodamos, sigamos adiante!
Homilia do Papa Francisco na casa Santa Marta
CIDADE DO VATICANO, 16 de Maio de 2013
A Igreja tem tanta necessidade do fervor apostólico que nos impulsiona para a frente no anúncio de Jesus". É o que destacou, esta manhã, o Papa Francisco na Missa na casa Santa Marta. O Papa também pediu para tomar cuidado com o ser "cristãos superficiais” sem a coragem também de "incomodar as coisas muito tranquilas". Na missa, concelebrada com o cardeal Peter Turkson e mons. Mario Toso, presidente e secretário de "Justiça e Paz", participou um
grupo de funcionários do departamento e da Rádio Vaticana.
Toda a vida de Paulo foi "uma batalha campal", uma "vida com muitas provas". Papa Franscisco centrou a sua homilia no Apóstolo dos gentios, que, segundo ele, passa a sua vida de “perseguição em perseguição”, mas não se desanima. O destino de Paulo, destacou, “é um destino com muitas cruzes, mas segue adiante; ele olha para o Senhor e segue adiante”:
“Paulo incomoda: é um homem que com a sua pregação, com o seu trabalho, com a sua atitude incomoda, porque precisamente anuncia Jesus Cristo e o anúncio de Jesus Cristo às nossas comodidades, tantas vezes às nossas estruturas cômodas – também cristãs, não? - Incomoda. O Senhor sempre quer que sigamos adiante, mais adiante, mais adiante... Que nós não nos refugiemos numa vida tranquila ou nas estruturas caducas, coisas assim, não? O Senhor ... E Paulo, anunciando o Senhor, incomodava. Mas ele seguia adiante, porque ele tinha em si aquela atitude tão cristã que é o zelo apostólico. Tinha precisamente o fervor apostólico. Não era um homem de convenção. Não! A verdade: avante! O anúncio de Jesus Cristo: avante!”

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Sacerdotes "pastores" a serviço do rebanho e não "lobos vorazes" tentados pelo dinheiro e pela vaidade
Missa na Casa Santa Marta: papa pede orações por bispos e padres, para não sucumbirem às tentações e para orientarem o ministério ao crescimento do povo de Deus


Quando um bispo ou um padre trilha a estrada da vaidade, ele entra no espírito de carreirismo e faz muito mal à Igreja. Faz um papel ridículo, se gaba, gosta de aparecer, todo-poderoso... E as pessoas não gostam disso".
Muito mais que mero catecismo! As palavras do papa Francisco, hoje, na missa celebrada na Casa Santa Marta, são duras e abordam uma das doenças que mais maltratam quem está dentro ou fora da Igreja: o padre que não se comporta como padre, mas cede à tentação do dinheiro e da vaidade. A homilia do pontífice, pronunciada diante de alguns funcionários da Rádio Vaticano, não pretende ser uma condenação, mas um apelo amoroso para que padres e bispos fiquem sempre a serviço do povo de Deus e para que o povo ore por eles.
As palavras do papa se inspiram na passagem que ele descreve como uma das "mais belas páginas do Novo Testamento", a dos Atos dos Apóstolos em que Paulo exorta os "anciãos" da Igreja de Éfeso a serem pastores atentos aos "lobos vorazes", e, assim, a velar por si mesmos e pelo rebanho (At 20,28-30).
É uma recomendação, essa do apóstolo, "cheia de ternura, de amor pastoral", destacou o papa, enfatizando "uma relação de proteção e de amor entre Deus e o pastor e entre o pastor e o povo". Porque, explicou o pontífice, "no fim das contas, um bispo não é bispo para si mesmo, mas para o povo. E um padre não é padre para si mesmo, é padre para o povo: para servi-lo, para fazê-lo crescer, para pastorear o povo, o seu rebanho, não é mesmo? Para defendê-lo dos lobos".
"É bonito pensar assim", exclamou o papa Francisco, acrescentando: "Nessa estrada, quando o bispo age assim, temos um belo relacionamento com o povo [...] E quando o sacerdote tem esse belo relacionamento com o povo, temos o amor entre eles, um amor verdadeiro, e a Igreja se torna unida".

Cristãos guiados pela verdade
inspirada pelo Espírito Santo

Catequese do Papa Francisco durante a Audiência Geral 


Publicamos a seguir a catequese realizada esta manhã pelo Papa Francisco durante a tradicional Audiência Geral da quarta-feira, tida na Praça de São Pedro.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
hoje gostaria de refletir sobre a ação que o Espírito Santo realiza ao guiar a Igreja e cada um de nós à Verdade. Jesus mesmo diz aos discípulos: o Espírito Santo "vos guiará à toda a verdade" (Jo 16, 13), sendo ele mesmo "o Espírito de Verdade" (cf. Jo 14, 17; 15, 26; 16, 13).
Vivemos em uma época na qual as pessoas são céticas em relação à verdade. Bento XVI tem falado muitas vezes do relativismo, da tendência a acreditar que não há nada de definitivo e pensar que a verdade seja dada pelo consentimento ou por aquilo que nós queremos. Surge a pergunta: existe realmente “a” verdade? O que é “a” verdade? Podemos conhecê-la? Podemos encontrá-la? Aqui me vem à mente a pergunta do Procurador romano Pôncio Pilatos quando Jesus lhe revelou o sentido profundo da sua missão: "O que é a verdade?" (Jo 18,37.38). Pilatos não consegue compreender que “a” Verdade está diante dele, não consegue ver em Jesus o rosto da verdade, que é o rosto de Deus. No entanto, Jesus é justamente isso: a Verdade, que, na plenitude dos tempos, “se fez carne” (Jo 1,1.14), veio em meio a nós para que a conhecêssemos. A verdade não é compreendida como uma coisa, a verdade é encontrada. Não é uma possessão, é um encontro com uma Pessoa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013



O Espírito Santo é quem nos faz fugir da
 vaidade de achar-nos o prêmio 
Nobel da Santidade
Homilia do Papa Francisco na Casa Santa Marta


Na primeira leitura da liturgia de hoje São Paulo se surpreendeu ao encontrar alguns discípulos que lhe disseram “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!”. Assim como no passado, ainda hoje “O Espírito Santo é um pouco o desconhecido da nossa fé”, disse o Papa Francisco na homilia dessa manhã na Casa Santa Marta.
“Hoje, muitos cristãos não sabem quem seja o Espírito Santo, como seja o Espírito Santo. E algumas vezes se escuta: ‘Mas, eu me viro bem com o Pai e com o Filho, porque rezo o Pai Nosso ao Pai, comungo com o Filho, mas com o Espírito Santo não sei o que fazer...’ Ou te dizem: ‘O Espírito Santo é a pomba, que nos dá sete presentes’. Mas assim o Espírito Santo está sempre no final e não encontra um bom lugar na nossa vida”.
Porém, o Espírito Santo é um “Deus ativo em nós” que “acorda a nossa memória”. O mesmo Jesus nos disse que o Espírito que o Pai enviará em seu nome “vos lembrará tudo o que vos disse”. Para um cristão, ficar sem memória é algo perigoso:
“Um cristão sem memória não é um verdadeiro cristão: é um homem ou uma mulher que, prisioneiros da conjuntura, do momento; não tem história. Tem, mas não sabe como interpretar a história. E é justo o Espírito que lhe ensina como ter a história. A memória da história ... quando na Carta aos Hebreus o autor diz: ‘Lembrai-vos dos vossos Pais na Fé’ – memória; ‘lembrai-vos dos primeiros dias da vossa fé, como fostes corajosos’ – memória. Memória da nossa vida, da nossa história, memória do momento que tivemos a graça de encontrar-nos com Jesus; memória de tudo o que Jesus nos disse”.

O egoísta é um traidor

Advertência do Papa Francisco durante a missa 
celebrada na capela da Casa Santa Marta
Precisamos de um “coração aberto”, que seja capaz de amar, afirmou o Papa Francisco na homilia da missa celebrada esta manhã na capela da Casa Santa Marta. O Papa advertiu para a atitude de egoísmo que, como aconteceu com Judas, leva ao isolamento da própria consciência e, por fim, à traição.
A Missa foi concelebrada pelo Arcebispo de Medellín, Dom Ricardo Antonio Tobón Restrepo, participaram funcionários dos Museus Vaticanos e alunos do Pontifício Colégio Português, conforme informa a Rádio Vaticana.
Se verdadeiramente queremos seguir Jesus, devemos “viver a vida como dom “que se “dá aos outros” e “não um dom para se conservar” - destacou. Papa Francisco prosseguiu falando do contraste entre o caminho do amor e o do egoísmo.

terça-feira, 14 de maio de 2013


Vem aí a Solenidade do Espírito

Atos 19, 1-8; João 16, 29-33


Estamos na semana que nos prepara para a solenidade do Espírito Santo. Na leitura dos Atos proposta em nossa liturgia de hoje diz-se que Paulo encontrou  discípulos que, ao abraçarem a fé, não haviam recebido o Espírito  Santo, mas simplesmente recebido o  batismo de João. Depois de batizá-los no Senhor Jesus, “Paulo impôs-lhes as mãos e sobre eles desceu o Espírito Santo. Começaram, então, a falar em línguas e a profetizar”.
Aprofundando o tema:
● “O Senhor prometera de nos enviar o Paráclito (o Espírito Santo) que nos “adapta a  Deus”. Com efeito, a farinha seca não pode sem água se transformar em massa, da mesma forma, nós, não podemos nos tornar um com Jesus sem que a água venha do céu. A terra árida, se não recebe a água, não frutifica; da mesma forma que somos lenha seca não teríamos produzido o fruto da vida sem a água livremente concedida do alto.  Nossos corpos receberam pela água do batismo a unidade que nos torna incorruptíveis:  nossas almas receberam o Espírito Santo” (Sto. Irineu de Lião).

A oração «faz-nos sair de nós», lembra papa

«A oração dirigida ao Pai em nome de Jesus faz-nos sair de nós mesmos», afirmou o papa este sábado no Vaticano, a propósito de uma passagem bíblica sobre a Ascensão, solenidade que os católicos em Portugal assinalam este domingo.
Na missa a que presidiu na Casa de Santa Marta, onde reside, Francisco sublinhou que Cristo entra no «santuário do céu», deixando aberta a «porta», que é ele mesmo, a todos os que se lhe dirigem, refere a página da Rádio Vaticano.
Cristo, salientou o papa, apela continuamente à «confiança na sua paixão», na «sua vitória sobre a morte» e nas «suas chagas», resultantes da crucificação.
«Onde está a escola onde se ensina a conhecer as chagas de Jesus, estas chagas sacerdotais, de intercessão? Trata-se de um outro êxodo de nós mesmos para as chagas dos nossos irmãos: dos nossos irmãos e das nossas irmãs carenciadas», apontou.
Rezar implica atenção aos outros, vincou: «Se não conseguimos sair de nós mesmos em direção ao irmão que precisa, o doente, o ignorante, o pobre, o maltratado, se não conseguimos sair de nós mesmos para essas chagas, nunca aprenderemos a liberdade que nos leva à outra saída de nós mesmos, para as chagas de Jesus».
«São duas as saídas de nós mesmos: uma para as chagas de Jesus, a outra para as chagas dos nossos irmãos e irmãs. E esta é a estrada que Jesus quer na nossa oração», disse Francisco.

Papa Francisco diz que «vida cómoda» faz mal e sublinha que pobres são «a carne de Cristo»

O papa afirmou este domingo que a «vida cómoda» e o «aburguesamento do coração» são nocivos porque paralisam o agir humano e frisou que «os pobres, os abandonados, os doentes» e «os marginalizados» constituem «a carne de Cristo».
As palavras de Francisco foram proferidas no Vaticano, na missa em que canonizou (declarou santos) as religiosas Laura Montoya e María Guadalupe García Zavala, bem como os mártires de Otranto, atual Itália, 813 fiéis decapitados por Otomanos em 1480 ao recusaram renegar a fé.
A homilia salientou o exemplo da mexicana Guadalupe Zavala: «[Amar] não é fechar-se em si mesmo, nos próprios problemas, nas próprias ideias, nos próprios interesses, nesse pequeno mundo que nos faz tanto mal, mas sair e ir ao encontro de quem tem necessidade de atenção, compreensão e ajuda, levando-lhe a calorosa proximidade do amor de Deus através de gestos concretos de delicadeza e afeto sincero».
Por seu lado a colombiana Laura Montoya ensina os fiéis a «vencer a indiferença e o individualismo que corrói as comunidades cristãs», assim como a «acolher todos sem preconceitos» e «discriminação», propondo-lhes o que é «mais valioso» no cristianismo, que não são as «obras» ou «organizações», mas «Cristo e o seu Evangelho».
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A confiança em Deus, frisou o papa, amplia os horizontes da existência: «[É a fé] que nos faz ver mais além dos limites no nosso olhar humano, mais além da vida terrena».
«Conservemos a fé que recebemos e que é o nosso verdadeiro tesouro, renovemos a nossa fidelidade ao Senhor, inclusivamente no meio dos obstáculos e incompreensões. Deus não deixará que nos faltem as forças nem a serenidade», afirmou.
Ao evocar os mártires de Otranto, o papa rezou pelos cristãos sujeitos à violência, «agora e em tantas partes do mundo», dando-lhes forças para serem «fiéis» e «responder ao mal com o bem».
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Quase a terminar a intervenção, Francisco pediu aos católicos para se questionarem sobre a sua fidelidade a Cristo: «Sou capaz de fazer ver a minha fé com respeito, mas também com valentia? Estou atento aos outros? Dou-me conta de quem está necessitado? Vejo os outros como irmãos e irmãs que devo amar?».


Papa aconselha humildade a quem se julga merecedor do «Prémio Nobel da Santidade» e diz que um cristão sem «memória» é «idólatra»

O papa destacou esta segunda-feira o papel da «memória» na vida cristã, ligando a recordação de Deus ao Espírito Santo, que a Igreja Católica evoca de maneira particular no próximo domingo de Pentecostes.
«A memória também faz bem quando alguém sente um pouco de vaidade e se julga um pouco um Prémio Nobel da Santidade: “[Diz Deus]: Recorda-te de onde te fui buscar: dos confins do rebanho”», disse Francisco na missa a que presidiu no Vaticano, refere o portal de notícias da Santa Sé.
A consciência de Deus na vida do crente é essencial para ele se compreender quem é e de quem depende: «A memória é uma graça grande, e quando um cristão não tem memória – é duro, isto, mas é a verdade – não é cristão: é idólatra».

domingo, 12 de maio de 2013



"A Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo no meio de nós"

Catequese do Papa Francisco na Audiência Geral de hoje

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No Credo, nós encontramos a afirmação de que Jesus "subiu ao céu, sentou à direita do Pai". A vida terrena de Jesus culmina com o evento da Ascensão, que é quando Ele passa deste mundo ao Pai, e é levantado à sua direita. Qual é o significado deste evento? Quais são as consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.
Começamos a partir do momento em que Jesus decide embarcar na sua última peregrinação a Jerusalém. São Lucas nota: “Quando se completaram os dias de sua assunção, ele tomou resolutamente o caminho de Jerusalém” (Lc 9, 51). Enquanto "sobe" para a Cidade Santa, onde cumprir-se-á o seu “êxito” desta vida, Jesus já vê a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva à glória do Pai passa por meio da Cruz, por meio da obediência ao plano divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação na Cruz significa e anuncia a elevação da Ascensão ao céu” (n. 662). Também nós temos que ter claro, na nossa vida cristã, que entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à sua vontade, também quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus concretamente acontece no Monte das Oliveiras, perto do lugar onde tinha se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fieis ao projeto de Deus.

Do céu desceu, para o céu subiu.

Solenidade da Ascensão do Senhor
Atos 1, 1-11; Efésios 1, 17-23; Lucas 24, 46-53


A nossa reflexão de hoje  é - nos oferecida por  Santo Agostinho:
Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu;  suba também com ele o nosso coração.
Ouçamos as palavras do Apóstolo:  “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está  Cristo sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3, 1-2).  E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também  nós subimos com ele, embora ainda não tenha se realizado em nosso corpo o que nos está prometido.

sábado, 11 de maio de 2013


A felicidade é uma "virtude peregrina" que caminha com Jesus
Papa Francisco: a felicidade é uma graça para pedir a Deus, maior e mais profunda do que a simples alegria
A felicidade cristã, já presente em vários discursos dos dois primeiros meses do pontificado do papa Francisco, foi o foco da homilia do Santo Padre nesta manhã.
A costumeira missa na Casa Santa Marta foi concelebrada com o arcebispo de Mérida, Baltazar Enrique Cardozo, e com o abade primaz dos beneditinos, Notker Wolf. Também participaram da missa alguns funcionários da Rádio Vaticano, acompanhados pelo diretor, pe. Federico Lombardi.
"O cristão é um homem feliz, é uma mulher feliz", disse Francisco na homilia. A felicidade é diferente e maior que a alegria: "Alegrar-nos é bom", observou o papa, mas a felicidade é "algo mais profundo", que "não vem de razões conjunturais" nem "do momento" .
A alegria, quando se torna um estereótipo que queremos viver o tempo todo, "se transforma em superficialidade" ou até em “leviandade”, eliminando a "sabedoria cristã" e nos tornando um pouco "bobos" e "ingênuos" .
Já a felicidade é um "dom de Deus" que "nos enche por dentro". É uma "unção do Espírito" e reside na "certeza de que Jesus está conosco e com o Pai".
Mas como manter sempre essa felicidade, como “armazená-la”? Esta questão já nasce falha, argumentou o papa, porque “se quisermos manter a felicidade só para nós, ela vai acabar adoecendo e o nosso coração ficará murcho”. Não transmitiremos mais a felicidade, mas apenas uma "melancolia que não é saudável".

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Da esterilidade vocacional à castidade frutífera
Exortação do papa Francisco às superioras gerais evoca as palavras de São Jerônimo em sua carta sobre a virgindade
Em seu discurso às religiosas participantes da Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, o papa Francisco as instou a viver uma "castidade frutífera", que gere filhos espirituais na Igreja. “A religiosa consagrada é mãe, deve ser mãe e não ‘tia’! Desculpem-me por falar assim, mas é importante essa maternidade da vida consagrada, essa fecundidade! Esta alegria da fecundidade espiritual deve animar a sua existência. Sejam mães, sejam a figura de Maria Mãe e da Igreja Mãe. Não podemos entender Maria sem a sua maternidade, nem a Igreja sem a sua maternidade. E vocês são ícones de Maria e da Igreja”.
A exortação do papa lembra o que São Jerônimo identificou, no ano de 383, em sua XXII Carta sobre a Virgindade, como causa da "esterilidade vocacional", indicando também as maneiras de superá-la:
"Se entre as tuas companheiras há algumas de condição servil, não as menosprezes, não te portes como patroa. Não pertenceis todas ao mesmo Esposo? Não cantais em coro os salmos a Cristo? Não comeis juntas do seu Corpo? Por que, então, vos sentais em mesas diferentes? Em vez disto, suscitai novas vocações! É uma honra para as virgens atraírem outras companheiras para a sua vida".

quarta-feira, 8 de maio de 2013



Papa reitera às religiosas: "O verdadeiro poder é o serviço"



Delegações de religiosas de todo o mundo foram recebidas pelo Papa na manhã desta quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano. As 800 irmãs, delegadas de 1900 diferentes Congregações, se reuniram nos últimos dias na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, em Roma. Com elas, estava também o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, a quem Papa Francisco agradeceu logo no início de seu discurso. Dom João esteve domingo, 05, na Assembléia, participando de um debate e celebrando uma missa para as irmãs.

“Centralidade de Cristo, autoridade como serviço de amor, e ouvir a Mãe-Igreja”. Estas foram as três principais indicações sugeridas pelo Papa às religiosas, ao se dirigir a elas. 

“O que seria da Igreja sem vocês? Faltaria o carinho, a maternidade, a ternura, a intuição das mães. Queridas irmãs, disse Francisco, fiquem certas de que eu as acompanho de perto, rezo por vocês, mas por favor, rezem também por mim!”, pediu. 

Em sua fala, o Papa também lembrou que “adorar e servir são dois comportamentos que não se separam, mas caminham sempre juntos; e disse que obediência é ouvir a vontade de Deus e aceitar que a obediência passe através das mediações humanas”. 

“Lembrem-se que a relação autoridade/obediência se insere no contexto maior do mistério da Igreja e constitui uma atuação especial de sua função mediadora”. 



Outra questão recomendada para a reflexão das religiosas foi a pobreza, que – disse – não è a pobreza teórica:

“A pobreza teórica não nos interessa, a pobreza se aprende tocando a carne de Cristo pobre”; e insistiu na necessidade de que as religiosas sejam espiritualmente fecundas e neste sentido, ‘sejam mães’ e não ‘solteironas’. 

Na íntegra o discurso do Papa Francisco na Audiência Geral desta semana


O Santo Padre Francisco, na manhã desta quarta-feira, com a Praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos de todo o mundo, deu a sua catequese semanal. Retomando o tema das catequeses sobre o Ano da fé, hoje o Papa falou sobre o Espírito Santo. Publicamos a seguir o texto integral das suas palavras: 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! 

O tempo Pascal que estamos vivendo com alegria, guiados pela liturgia da Igreja, é por excelência o tempo do Espírito Santo dado "sem medida" (cf. Jo 3:34) por Jesus crucificado e ressuscitado. Este tempo de graça acaba com a festa de Pentecostes, quando a Igreja revive a efusão do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração no Cenáculo. 

Mas quem é o Espírito Santo? No Credo professamos com fé: "Creio no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida". A primeira verdade a qual aderimos no Credo é que o Espírito Santo é Kyrios, Senhor. Isto significa que Ele é verdadeiramente Deus, como o é o Pai e o Filho, objeto, de nossa parte, do mesmo ato de adoração e de glorificação que dirigimos ao Pai e ao Filho. O Espírito Santo, de fato, é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade; é o grande dom do Cristo Ressuscitado que abre a nossa mente e o nosso coração à fé em Jesus como o Filho enviado do Pai e que nos guia à amizade, à comunhão com Deus. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Anunciar, testemunhar, adorar"

Homilia do Papa Francisco pronunciada na Celebração Eucarística do III Domingo de Páscoa


Apresentamos a Homilia do Papa Francisco pronunciada na Celebração Eucarística do III Domingo de Páscoa, 14 de abril, na Basílica de São Paulo Fora de Muros.

Amados irmãos e irmãs!
É uma alegria para mim celebrar a Eucaristia convosco nesta Basílica. Saúdo o Arcipreste, Cardeal James Harvey, e agradeço-lhe as palavras que me dirigiu; juntamente com ele, saúdo e agradeço às várias Instituições, que fazem parte desta Basílica, e a todos vós. Encontramo-nos sobre o túmulo de São Paulo, um Apóstolo humilde e grande do Senhor, que O anunciou com a palavra, testemunhou com o martírio e adorou com todo o coração. É precisamente sobre estes três verbos que queria reflectir à luz da Palavra de Deus que escutámos: anunciar, testemunhar, adorar.
1. Na primeira Leitura, impressiona a força de Pedro e dos outros Apóstolos. À ordem de não falar nem ensinar no nome de Jesus, de não anunciar mais a sua Mensagem, respondem com clareza: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens». E nem o facto de serem flagelados, ultrajados, encarcerados os deteve. Pedro e os Apóstolos anunciam, com coragem e desassombro, aquilo que receberam: o Evangelho de Jesus. E nós? Somos nós capazes de levar a Palavra de Deus aos nossos ambientes de vida? Sabemos falar de Cristo, do que Ele significa para nós, em família, com as pessoas que fazem parte da nossa vida diária? A fé nasce da escuta, e fortalece-se no anúncio.


Reflexão - Jo 6, 35-40
A fé em Jesus Cristo é fundamental para a compreensão da eucaristia e para que se possa desfrutar deste sacramento, fundamental para a nossa vida espiritual, uma vez que ele é fonte de vida eterna. A vontade do Pai, ao enviar Jesus, é que todas as pessoas acreditem que Jesus é o seu enviado, o seu Filho amado, para que possam ser salvos por ele, e assim não se perca nenhum dentre os seus filhos e filhas. E, para que ninguém se perca, o Pai concede a quem vê e crê no seu Filho a vida eterna. É preciso que as pessoas vejam Jesus, creiam nele, participem da eucaristia, o sacramento do penhor da vida eterna, para que Jesus as ressuscite no último dia.

quinta-feira, 11 de abril de 2013


O significado da ressurreição 
para as nossas vidas
Catequese do Papa Francisco 
na Audiência Geral 
da quarta-feira
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na última catequese falamos sobre o evento da Ressurreição de Jesus, no qual as mulheres tiveram um papel especial. Hoje gostaria de refletir sobre o seu significado salvífico. O que significa para as nossas vidas a Ressurreição? E por que a nossa fé é vã sem ela? A nossa fé se fundamenta na Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa que se apoia nos seus alicerces: se desabarem os alicerces, toda a casa cai. Na cruz, Jesus ofereceu a si mesmo tomando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte, e na Ressurreição os venceu, os tirou e nos abriu o caminho para renascer a uma vida nova. São Pedro o expressa resumidamente no começo da sua Primeira Carta, como já ouvimos: “Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, em sua grande misericórdia, nos gerou de novo, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para a esperança viva, para a herança incorruptível, imaculada e imarcescível” (1,3-4).

segunda-feira, 8 de abril de 2013


ROMA, 07 de Abril de 2013 - Às 12 horas de hoje, o Papa Francisco apareceu na janela do escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o Regina Coeli com os fiéis e os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Apresentamos aqui a tradução em português das palavras do Papa antes da oração mariana do tempo pascal.

Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo que conclui a oitava da Páscoa, renovo a todos os votos pascais com as mesmas palavras do Jesus Ressuscitado: "A paz esteja convosco" (Jo 20,19.21.26). Não é uma saudação, e nem sequer um simples voto: é um dom, mais ainda, um dom precioso que Cristo oferece aos seus discípulos depois de ter atravessado a morte e os infernos. Dá a paz como tinha prometido: “Deixo-vos a paz, minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá”. (Jo 14, 27). Essa paz é o fruto da vitória do amor de Deus sobre o mal, é o fruto do perdão. E assim é: a verdadeira paz, aquela profunda, vem de fazer a experiência da misericóridia de Deus. Hoje é o Domingo da Divina Misericórdia por vontade do beato João Paulo II, que fechou os olhos a este mundo, justamente na vigília desta data.

domingo, 7 de abril de 2013


CONHECEM A ORAÇÃO DOS CINCO DEDOS?

É MUITO CONHECIDA, PRÁTICA, SIMPLES E CHEIA DE AMOR.

O SEU AUTOR É O PAPA FRANCISCO (quando era Bispo da Argentina)
1.     O dedo polegar é o que está mais perto de ti. Assim, começa por orar por aqueles que estão mais próximos de ti. São os mais fáceis de recordar. Rezar por aqueles que amamos é “uma doce tarefa”.
2.    O dedo seguinte é o indicador: reza pelos que ensinam, instroem e curam. Eles precisam de apoio e sabedoria ao conduzir outros na direção correta. Mantem-nos nas tuas orações.
3.    A seguir é o maior. Recorda-nos os nossos chefes, os governantes, os que têm autoridade. Eles necessitam de orientação divina.
4.     O próximo dedo é o anelar. Surpreendentemente, este é o nosso dedo mais débil. Ele lembra-nos que rezemos pelos débeis, doentes ou pelos atormentados por problemas. Todos eles necessitam das tuas orações.
5.    E finalmente, temos o nosso dedo pequeno, o mais pequeno de todos. Ele deveria lembrar-te de rezar por ti mesmo.
Quando terminares de rezar pelos primeiros quatro grupos, as tuas próprias necessidades aparecer-te-ão numa perspectiva correta e estarás preparado para orar por ti mesmo de uma maneira mais efetiva.

DEUS TE ABENÇOE.


sábado, 6 de abril de 2013


O coração da nossa esperança é a
Morte e a ressurreição de Jesus
Catequese do Papa Francisco na segunda
Audiência Geral do pontificado
ROMA, 03 de Abril de 2013 - Na sua segunda Audiência geral, com uma Praça de São Pedro amarrotada de fieis, o santo padre Francisco retomou as catequeses do Ano da Fé, começadas pelo seu predecessor Bento XVI. A ocasião foi propícia para explicar a força da mensagem que contém o artigo de fé sobre a ressurreição de Cristo. Oferecemos aos nossos leitores a tradução de ZENIT do original italiano do Papa.
Queridos irmãos e irmãs,
Bom dia,
hoje voltamos às catequeses sobre o Ano da fé. No Credo repetimos esta expressão: “ressuscitou no terceiro dia segundo as Escrituras”. E é este o evento que estamos celebrando: a Ressurreição de Jesus, centro da mensagem cristã, ecoado desde o princípio e transmitido para que chegasse até nós. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi; Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos Doze” (1 Cor 15, 3-5). Esta breve confissão de fé anuncia justamente o Mistério Pascal, com as primeiras aparições do Ressuscitado a Pedro e aos Doze: a Morte e a Ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus a nossa esperança será fraca, mas não será nem sequer esperança, e o coração da nossa esperança é a morte e a ressurreição de Jesus. O Apóstolo afirma: “Se Cristo não ressuscitou, vã é vossa fé; ainda estais nos vossos pecados” (v. 17). Infelizmente, muitas vezes procurou-se obscurecer a fé na Ressurreição de Jesus, e também entre os mesmos crentes insinuaram-se dúvidas. Um pouco aquela fé “água com açucar”, como dizemos; não é a fé forte. E isso por superficialidade, às vezes por indiferença, ocupados por várias coisas que são consideradas mais importantes do que a fé, ou também por uma visão só horizontal da vida. Mas, é justamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isto leva a viver com mais confiança as realidades cotidianas, enfrentá-las com coragem e com compromisso. A Ressurreição de Cristo ilumina com uma nova luz estas realidades cotidianas. A Ressurreição de Cristo é a nossa força!

Deus não escolhe de acordo 
com os critérios humanos

Catequese do Papa Francisco
Com a Praça de São Pedro amarrotada de jovens, o Papa Francisco disse nessa manhã, no final da sua catequese de hoje: “Vi que a praça está cheia de jovens. Eis aí! Digo a vocês: Levem adiante esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida.”
Na sua segunda Audiência Geral do Pontificado, Papa Francisco quis retomar as catequeses começadas pelo seu predecessor sobre o Ano da Fé.
O núcleo da nossa esperança é a morte e a Ressurreição de Jesus, disse o Papa. Destacou o artigo do credo onde dizemos: “ressuscitou no terceiro dia segundo as Escrituras”. “Sem essa fé, nem sequer teremos esperança”.
Sem a fé na Ressurreição de Jesus a nossa fé será “aquela fé ‘água com açucar’”, disse o Papa. Não é a “fé forte”. Porém, é essa fé que “nos abre à esperança maior”, à certeza da “felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos.”
O Santo Padre destacou os dois tipos de testemunhos no Novo Testamento: a profissão de fé, que são “fórmulas sintéticas que mostram o núcleo da fé”, e a narração do evento da Ressurreição.
Francisco fixou-se no segundo tipo de testemunho, na narração da Ressurreição. As mulheres foram as primeiras a receber esse anúncio, e “movidas pelo amor sabem acolher este anúncio com fé: crêem, e rapidamente o transmitem, não o guardam para si, transmitem-no”.
A favor da historicidade do fato da ressurreição, destacou o Papa que “de acordo com a lei judaica da época, as mulheres e as crianças não podiam dar um testemunho confiável, credível”, e “se fosse um fato inventado, no contexto daquela época não teria sido ligado – pelos evangelistas - ao testemunho das mulheres”.
Isso mostra como “Deus não escolhe de acordo com os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, gente simples e humilde; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres”, disse o Papa.
“Os Apóstolos e os discípulos têm mais dificuldades para crer. As mulheres não”.  O pontífice refletiu sobre como as mulheres “tenham tido e também hoje o tenham, um papel especial no abrir as portas para o Senhor, no seguí-lo e no comunicar o seu Rosto, porque o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”.
No final da audiência, o Papa se dirigiu aos jovens reunidos em grande quantidade na Praça de São Pedro e disse-lhes: “Levar adiante esta esperança. Estejam ancorados nessa esperança: esta âncora que está no céu; segurem forte a corda, estejam ancorados e levem adiante a esperança.”

Lamentar faz mal ao coração
Papa Francisco celebrou missa, hoje pela manhã, 
para funcionários da Domus Sacerdotalis Romana
ROMA, 03 de Abril de 2013 - "Eles lamentavam”. E por força das lamentações, a vida deles que, pouco  tempo antes, tinha sido iluminada pelo encontro com Jesus Cristo, mergulhava na amargura, na incerteza e no pesar.
Durante a Santa Missa em Santa Marta, na manhã desta quarta-feira, 03 de abril, para funcionários da Domus Sacerdotalis Romana, o Papa Francisco aprofundou a história dos discípulos de Emaús, protagonistas do Evangelho de hoje (Lc 24,13-35).
Esses discípulos, particularmente abalados com a morte violenta do Mestre, “estavam com medo",  mais do que os outros. Não paravam de falar da tragédia apenas ocorrida, mas, não mais vendo perspectivas futuras, se lamentavam, e assim se fechavam cada vez mais em si mesmos.  
"E cozinhavam a vida deles - por assim dizer - no caldo de suas lamentações, e assim continuavam caminhando”, disse o Santo Padre, comparando a atitude dos discípulos de Emaús à de muitos homens e cristãos de todos os tempos.
Na dificuldade, quando “a Cruz nos visita", o risco imediato que corremos é o de "nos fecharmos em nossas lamentações", disse o Papa. Embora, o Senhor esteja ao nosso lado e caminhando conosco, “não o reconhecemos".
E ainda, quando Jesus nos fala e nos transmite a beleza da sua vida e da sua ressurreição "dentro de nós, no fundo, continuamos com medo" e o lamento se torna um tipo de "segurança": a segurança da  “minha verdade, o fracasso ", a ausência de esperança.

segunda-feira, 1 de abril de 2013


O amor de Deus transforma e faz florescer o 
deserto do nosso coração
Mensagem Pascal do Papa Francisco e benção "Urbi et Orbi"
CIDADE DO VATICANO, 31 de Março de 2013  
Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!
Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...
Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! Sempre vence a misericórdia de Deus!
Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. Isso pode realizar o amor de Deus!
Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.
Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

domingo, 31 de março de 2013




Não há pecado que Deus não possa perdoar
Na Vigília Pascal Papa Francisco convida a não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida!  
30 de Março de 2013 
Às 20h30 o Santo Padre Francisco presidiu na Basílica Vaticana, a solene Vigília Pascal na Noite Santa.
O rito começou no átrio da Basílica de São Pedro com a bênção do fogo e a preparação do círio pascal. Após  a procissão para o altar com o círio pascal aceso e o canto Exsullet, seguiu-se a Liturgia da Palavra e a Liturgia do Batismo - durante a qual o Papa administrou os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Confirmação e Primeira comunhão) para quatro neófitos, vindos da Itália, Albânia, Rússia e um vietnamita, que vive nos Estados Unidos – e a Liturgia Eucarística, concelebrada com os cardeais.
Publicamos abaixo a homilia  pronunciada pelo Papa Francisco  após a proclamação do Santo Evangelho:

Amados irmãos e irmãs!
1. No Evangelho desta noite luminosa da Vigília Pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo d’Ele (cf. Lc 24, 1-3). Vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como fazemos nós também. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-No, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-No até ao fim no Calvário e ao momento da descida do seu corpo da cruz. Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara; morreu, a sua história terminou. Agora se tornava à vida que levavam antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a irem ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transtorna o coração e os seus programas e subverterá a sua vida: vêem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor. O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: «Que aconteceu?», «Que sentido tem tudo isto?» (cf.Lc 24, 4). Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diária das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente mete-nos medo a novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no Evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo com o pensamento num defunto que, no fim de contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus; temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender!

Olhar que não procura os nossos olhos, mas o nosso coração
CIDADE DO VATICANO, 30 de Março de 2013 
Apresentamos o texto da mensagem em vídeo do Papa Francisco por ocasião da exposição extraordinária do Sudário, realizada nesta tarde, na Catedral de Turim no âmbito do Ano da fé.
Amados irmãos e irmãs,
Juntamente convosco coloco-me também eu diante do Santo Sudário, e agradeço ao Senhor por esta possibilidade que nos oferecem os instrumentos de hoje.
Embora realizado desta forma, o nosso ato de presença não é uma simples visão, mas uma veneração: é um olhar de oração. Diria mais: é um deixar-se olhar. Este Rosto tem os olhos fechados – é o rosto de um defunto – e todavia, misteriosamente, olha-nos e, no silêncio, falanos. Como é possível? Por que motivo quer o povo fiel, como vós, deter-se diante deste Ícone de um Homem flagelado e crucificado? Porque o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazaré. Esta imagem – impressa no lençol – fala ao nosso coração e impele-nos a subir o Monte do Calvário, a olhar o madeiro da Cruz, a mergulhar-nos no silêncio eloquente do amor.