sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A alegria e a "fraqueza" de Deus para com os pecadores reencontrados
 Papa Francisco recorda a solicitude do Bom Pastor para com a ovelha perdida que triunfa sobre a "murmuração hipócrita" dos homens

- Jesus, os fariseus e os publicanos, o pecado e a hipocrisia, a ovelha perdida. Esta manhã, durante a homilia na Santa Marta, Papa Francisco voltou com uma das ‘chaves de leitura’ de sua pregação: a misericórdia de Deus que triunfa sobre o mal e a mesquinhez dos homens.
O Evangelho de hoje (cf. Lc 15,1-10), explicou o Papa, mostra o espanto dos escribas e fariseus em relação a Jesus, percebido como uma "ameaça" por sua proximidade com os pecadores e que, por essa razão, "ofende a Deus" e "contamina o ministério do profeta".
Mas Jesus tacha a "música da hipocrisia" de seus adversários e a “murmuração hipócrita” deles, e responde com uma "alegre parábola" em que destaca a "alegria de Deus” diante da ação de seu Filho que perdoa os pecadores.  
De fato, Deus "não gosta de perder”, então, vai em busca “daqueles que estão longe dEle. Como o pastor que vai em busca da ovelha perdida". Seu "trabalho" é buscar qualquer criatura e "convidar para a festa de todos, bons e maus”.
Deus não quer perder nenhum dos seus, assim como Jesus revela na oração da Quinta-feira Santa: “Pai, que não se perda nenhum daqueles que tu me deste”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Vaticano: Papa pede às comunidades católicas que rejeitem «frieza» e «egoísmo» nas suas relações

Vaticano: Papa pede às comunidades católicas que rejeitem «frieza» e «egoísmo» nas suas relações
O convite para a  festa não tem preço
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«A existência cristã é um convite» gratuito para a  festa; um convite que não se pode comprar, porque vem de Deus, e ao qual é preciso responder com a participação e a partilha. Foi a reflexão sugerida pelo Papa Francisco na missa celebrada na manhã de terça-feira, 5 de Novembro, em Santa Marta,  inspirada nas leituras litúrgicas (Romanos 12, 5-16a; Lucas 14, 15-24). Leituras – explicou – que «nos mostram como é o bilhete de identidade do cristão; como é um cristão». E das quais se  compreende «antes de tudo» que «a existência cristã é um convite:  só nos tornamos cristãos  se formos convidados».
O Papa Francisco esclareceu o que significa concretamente o convite do Senhor para cada cristão: não um convite «para dar um passeio» mas «para uma festa; para a alegria:  alegria de ser salvo,  alegria de ser redimido», a alegria de partilhar a vida com Jesus. E sugeriu também o que devemos entender com o termo «festa»: «uma reunião de pessoas que falam, riem, festejam, são felizes», disse. Mas o elemento principal é exactamente a «reunião» de muitos indivíduos. «Entre as pessoas mentalmente normais nunca vi alguém que festeja sozinho: seria um pouco tedioso!», explicou, evocando a triste imagem de quem «abre uma garrafa de vinho» para brindar em solidão. Portanto, a festa exige que se esteja em companhia, «com os outros, em família, com os amigos». Resumindo, a festa «partilha-se». Por isso, ser cristão implica «pertença. Pertencemos a este corpo», feito de «pessoas que foram convidadas para a festa»; uma festa que «nos une a todos», uma «festa de unidade».
Um ulterior aspecto analisado pelo Pontífice refere-se à misericórdia de Deus, que alcança até quantos declinam o convite ou fingem que o aceitam mas não participam plenamente na festa. O trecho de Lucas enumera as desculpas dadas por alguns convidados muito ocupados, os quais «participam na festa só de nome: não aceitam o convite, dizem sim» mas na verdade é um não. Para o Papa Francisco são os precursores daqueles «cristãos que  se limitam a estar na lista dos convidados. Cristãos “na lista”». Contudo, infelizmente ser «classificado como cristão» não «é suficiente. Se não entramos na festa, não somos cristãos; estamos na lista mas isto não serve para a nossa salvação», advertiu  o Papa.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

 Não há pecado que possa cancelar da memória 
e do coração de Deus um filho
Papa Francisco recorda que Jesus é misericordioso 
e nunca se cansa de perdoar

- Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho de Lucas deste domingo nos mostra Jesus que, em seu caminho rumo a Jerusalém, entra na cidade de Jericó. Esta é a última etapa de uma viagem que resume em si o sentido de toda a vida de Jesus, dedicada a procurar e salvar as ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas quanto mais no caminho aproxima-se da meta, mais em torno de Jesus forma-se um círculo de hostilidade.
No entanto, em Jericó, acontece um dos eventos mais alegres narrados por São Lucas: a conversão de Zaqueu. Este homem é uma ovelha perdida, é desprezado, é um “excomungado”, porque é um publicano, antes, é o chefe dos cobradores de impostos da cidade, amigo dos odiados ocupantes romanos, é um ladrão e um explorador. Bela figura, não é? É assim.
Impedido de aproximar-se de Jesus, provavelmente por motivo de sua má fama, e sendo baixo de estatura, Zaqueu sobe em uma árvore para poder ver o Mestre que passa. Este gesto exterior, um pouco ridículo, exprime, porém, o ato interior do homem que procura colocar-se sobre a multidão para ter um contato com Jesus. O próprio Zaqueu não sabe o sentido profundo de seu gesto; não sabe por que faz isto, mas o faz; nem sequer ousa esperar que possa ser superada a distância que o separa do Senhor; conforma-se em vê-Lo somente de passagem. Mas Jesus, quando chega próximo àquela árvore, chama-o pelo nome: “Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa” (Lc 19, 5). Aquele homem baixo de estatura, rejeitado por todos e distante de Jesus é como perdido no anonimato; mas Jesus chama-o, e aquele nome Zaqueu, naquelas línguas daquele tempo, tem um belo significado cheio de alusões: “Zaqueu” de fato quer dizer “Deus recorda”. É belo: “Deus recorda”.
E Jesus vai àquela casa de Zaqueu, suscitando as críticas de todo o povo de Jericó. Porque também naquele tempo se fofoca muito, né? E o povo dizia: “Mas como? Com todas as bravas pessoas que há na cidade, vai hospedar-se justamente na casa de um publicano?” Sim, porque ele estava perdido; e Jesus diz: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão” (Lc 19, 9). Na casa de Zaqueu, a partir daquele dia, entrou a alegria, entrou a paz, entrou a salvação, entrou Jesus.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

REZAR É ACREDITAR

Esta semana com Zaqueu e com os discípulos de Jesus foi rica em encontros: Simão e Judas; Zaqueu, claro; Jesus Cristo; o ambiente; Todos os Santos; os mortos; mas também aqueles e aquelas com quem vivemos, nossos contemporâneos, toda a humanidade. 
Estamos unidos a todos eles, através do tempo e do espaço, em grande comunhão. Com Zaqueu, humilde servo (embora funcionário rico!), podemos encontrar Cristo Ressuscitado que nos precede e nos congrega diariamente em nossa casa: «Hoje, devo ficar em tua casa». 
Na eucaristia deste domingo, entoemos estas palavras como um refrão; e deixemo-nos invadir pela presença de Cristo e pela alegria que transborda do nosso coração.

OS DEFUNTOS

No dia 2 de novembro, a Igreja Católica coloca os defuntos no coração da sua oração litúrgica; e, assim, recorda-nos que há em Cristo morto e ressuscitado uma mútua ligação e solidariedade entre os vivos e os mortos de todos os tempos. Escutemos, nesta perspetiva, o que Jesus diz a Zaqueu: ««Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido». Em união com toda a Igreja, hoje, rezo «para Glória de Deus e Salvação do Mundo».

 TODOS OS SANTOS

Hoje, solenidade de Todos os Santos. Tomemos o exemplo de Zaqueu que aponta claramente o seu caminho de santidade ao dizer: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Podemos pensar que não interfere connosco: outro tempo, outros costumes, outras realidades, outro mundo... Que tolice! Tomo tempo para perceber o que representa esta forma de relacionamento e dom de si. Depois, pergunto-me qual é, ou qual pode ser, hoje, para mim, o caminho da santidade.
S. Paulo, exemplo de amor a Cristo

Papa Francisco celebrou uma Santa Missa, na manhã desta quinta-feira, na Capela São Sebastião, no interior da Basílica Vaticana, onde está sepultado o bem-aventurado João Paulo II.
Todas as quintas-feiras, um grupo de fiéis poloneses participa da celebração Eucarística, na Capela São Sebastião, onde descansam os restos mortais de seu compatriota Karol Wojtyla. Mas, hoje, a celebração foi presidida pelo Papa Francisco, que pronunciou uma homilia, partindo das leituras da Liturgia do dia.
Em sua reflexão, o Santo Padre destacou dois aspectos principais: a “segurança de São Paulo”, em relação ao amor a Cristo, e a “tristeza de Jesus” em relação a Jerusalém.
A respeito da “segurança de Paulo”, o Bispo de Roma citou as palavras do próprio Apóstolo: “Ninguém poderá me separar do amor de Cristo”, Com efeito, Paulo amava tanto o Senhor, porque o havia visto, encontrado e mudado a sua vida por ele, a ponto de declarar este seu amor inseparável a Cristo. 
Por causa deste amor, o Senhor tornou-se o centro da sua vida; nada o separou do amor a Cristo: nem as perseguições, as enfermidades, as traições, todas as vicissitudes da sua vida. O amor a Cristo era seu ponto de referência. E o Papa acrescentou:
“Sem o amor de Cristo, sem viver este amor, sem reconhecê-lo, nutrir-nos deste amor, não podemos ser cristãos. O cristão é aquele que se sente atraído pelo olhar do Senhor, se sente amado e salvo pelo Senhor até o fim”.
Depois desta relação de amor de Paulo com Cristo, o Pontífice citou um segundo aspecto, extraído da Liturgia da Palavra de hoje: a “tristeza de Jesus” ao olhar Jerusalém e ao chorar por ela. Jerusalém não havia entendido o amor e a ternura de Deus. Ela não soube ser fiel a Jesus, não se deixou amar e tampouco amou o Senhor. Aliás, o rejeitou. E o Papa explicou:
“Estes dois ícones de hoje: por um lado, Paulo, que permaneceu fiel ao amor de Jesus, até o fim, suportando tudo por amor. Não obstante, sentia-se pecador, mas, ao mesmo tempo amado pelo Senhor. Por outro, a cidade e o povo infiel, que não aceita o amor de Jesus ou o aceita à metade, segundo a própria conveniência”.
Por isso, o Bispo de Roma exortou os fiéis presentes na celebração Eucarística, a imitarem a figura de São Paulo, a sua coragem, que vem do amor a Jesus; a contemplarem a fidelidade do Apóstolo e a infidelidade de Jerusalém. E concluiu: que o bem-aventurado João Paulo II nos ajude a imitar o amor que o Apóstolo Paulo nutria por Jesus. (Sedoc-MT)




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O QUE É A ESPERANÇA?

O que é a esperança para um cristão? Não é fácil compreender o que seja realmente a esperança - disse o Santo Padre procurando responder sua própria pergunta- mas podemos, desde logo, saber aquilo que não é: Seguramente não é otimismo!
A esperança não é otimismo, não é aquela capacidade de olhar para as coisas com bom ânimo e andar para a frente. Não! Aquilo é otimismo, não é esperança. E foi assim que o Papa Francisco procurou definir o que, segundo ele, seja esperança. 
Não é fácil perceber bem o que é a esperança. Diz-se que é a mais humilde das três virtudes, porque se esconde na vida. A fé vê-se, sente-se, sabe-se o que é. A caridade faz-se e sabe-se o que é. Mas o que é a esperança? Para nos aproximarmos um pouco, podemos dizer, em primeiro lugar, que a esperança é um risco, é uma virtude arriscada, é uma virtude, como diz S. Paulo ‘de uma ardente expectativa em direção à revelação do Filho de Deus'. Não é uma ilusão.
A esperança, então, não é otimismo, mas uma "ardente expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus: esta foi a mensagem principal do Papa Francisco. A esperança é mais do que otimismo, mais do que bom ânimo...
Vem-me à mente a pergunta: onde estamos nós ancorados, cada um de nós? Estamos ancorados precisamente na margem daquele oceano tão distante ou estamos ancorados num lago artificial que nós construímos com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários, os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiásticas e não eclesiais? Estamos ancorados ali? Tudo cômodo, tudo seguro? Aquilo não é a esperança. (JSG)

Ter esperança significa ter uma 
âncora na margem do Além
Durante a homilia, em Santa Marta, Papa Francisco adverte contra as falsas certezas do "clericalismo" e das "nossas regras"
ROMA, 29 de Outubro de 2013
Nada de clericalismo, comodismo e nem mesmo um otimismo genérico: a esperança cristã é algo maior. Durante a missa celebrada esta manhã em Santa Marta, Papa Francisco volta a mais um de seus pontos fortes. A esperança, explicou o Pontífice, é antes de tudo uma "ardente expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus.
Na trilha de São Paulo aprendemos que a esperança "nunca desilude", mas, ao mesmo tempo, não é "fácil de entender ", acrescentou o Papa. E continuamos a cair no equivoco de que esperança é sinônimo de otimismo.
Falar de esperança não significa simplesmente "olhar para as coisas com bom ânimo, e continuar em frente" ou ter uma "atitude positiva diante das coisas". A esperança é, antes de tudo, “a mais humilde das três virtudes, porque está escondida na vida". Enquanto a fé "vemos" e "sentimos" e a caridade "se faz”, a esperança é "uma virtude arriscada", mas "não é uma ilusão".
A esperança é, sobretudo, estar “na tensão” para a "revelação do Filho de Deus" e para "a alegria que enche a nossa boca com sorrisos". Os primeiros cristãos tomaram a âncora como um símbolo de esperança, "uma âncora na margem” além da vida.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Conversas fúteis...

Nada dizia nem queria viver...

Vivemos num mundo, onde a experiência e a palavra ocupam lugares privilegiados. Quem consegue expressar sua própria realidade e a realidade que o circunda não só consegue entender o acontecido, mas também, o consegue dominar. A Bíblia nos diz que o homem, dando nome às criaturas, ficava senhor delas. Quem é capaz de dar nome às coisas ou acontecimentos possui uma segurança e um conhecimento maior do que aqueles que não o fazem.

Não é só em relação às coisas que a palavra ajuda a nos situar. A palavra é fundamental na inter-relação com os outros seres humanos. É pela palavra que nos revelamos ou nos escondemos. Mas expressar-se fielmente na verdade, não é fácil. Muitas pessoas não conseguem ultrapassar o nível mínimo de comunicação, usando pouquíssimas expressões para revelar quase nada de si. Vivem fechadas por medos e bloqueios. E assim passam a vida!

A comunicação se dá através de gestos e de palavras, que traduzem ou concretizam algo da vida. Por isso, a verdadeira comunicação deve levar ao crescimento mútuo dos interlocutores. Isto não é fácil! A separação, quase infinita, que existe entre um "EU" e um "TU" só pode ser superada pelo gesto e pela palavra.

Há gestos que ficam incompreensíveis, porque não levam nenhuma palavra e outros gritam mais do que muitas palavras! Há palavras vazias, perdidas, caladas, quando não vão acompanhadas do gesto. A palavra viva e significativa é aquela que me revela e se traduz em gesto concreto.

Outras pessoas ficam apenas nos gestos e não dizem palavras... Gestos sem palavras e palavras sem gestos é vida fútil, pela metade

É preciso correr o risco de se revelar e partilhar, com simplicidade e confiança, o mais fundo da existência. Quando isto acontece, a palavra converte-se em conteúdo e em gesto significativo e comprometido. Quantas vezes as palavras se fazem pequenas, para dizer aquilo que se quer expressar! Ou mentiras para ocultar aquilo que não se quer dizer! Não é fácil viver em total transparência. 

Conheço pessoas que, apesar dos anos percorridos não têm nada a dizer. Podem até proferir muitas palavras, mas não expressam nada do fundo da vida. É como se não tivessem história para contar! É como se tivessem perdido o fio condutor, o amor de viver e partilhar. 

A história pessoal tem sentido se foi vivida com amor. 

E você se revela nas palavras que diz? 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Jesus continua a rezar por nós mostrando ao Pai as suas chagas – o Papa na missa desta segunda-feira

Jesus continua a rezar por nós mostrando ao Pai as suas chagas – o Papa na missa desta segunda-feira

Um dia especial

Um dia especial
  1. O mesmo garotinho refugia-se num abraço naquele que ele achava que poderia defendê-lo do segurança que, atraindo-o com um doce, ainda tentou tirá-lo dali quando o Papa Francisco iniciou o seu discurso. À direita da imagem, Dom Georg Gäsnwein, Prefeito da Casa Pontifícia e, portanto, supervisor destas ocasiões papais, indica aos seguranças que podem despreocupar-se e deixar tudo como está.


  1. Aquele mesmo garoto, que inocentemente roubou por instantes a atenção do Papa Francisco durante os relatos de pessoas no primeiro dos 2 Dias das Famílias, tomou ele mesmo entre as mãos a cruz peitoral do Pontífice e a beijou.


Oração do Papa Francisco à Sagrada Família
"Jesus, Maria e José a vós com confiança rezamos, 
a vós com alegria nos confiamos"
ROMA, 27 de Outubro de 2013
Jesus, Maria e Joséa vós, Sagrada Família de Nazaré,
hoje, dirigimos o olhar
com admiração e confiança;
em vós contemplamos
a beleza da comunhão no amor verdadeiro;
a vós confiamos todas as nossas famílias;
para que se renovem nessas maravilhas da graça.
Sagrada Família de Nazaré,
escola atraente do santo Evangelho:
ensina-nos a imitar as tuas virtudes
com uma sábia disciplina espiritual,
doa-nos o olhar claro que sabe reconhecer
a obra da providência nas realidades
 cotidianas da vida.

Sagrada Família de Nazaré,
guardiã fiel do mistério da salvação:
faz renascer em nós a estima pelo silêncio,
torna as nossas famílias cenáculo de oração
e transforma-as em pequenas Igrejas domésticas,
renova o desejo de santidade,
sustenta o nobre cansaço do trabalho, da educação,
da escuta, da recíproca compreensão e do perdão.
Sagrada Família de Nazaré,
desperta na nossa sociedade a consciência
do caráter sagrado e inviolável da família,
bem inestimável e insubstituível.
Cada família seja morada acolhedora de bondade e de paz
para as crianças e para os idosos,
para quem está doente e sozinho,
para quem é pobre e necessitado.
Jesus, Maria e José
a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos.

domingo, 27 de outubro de 2013

Missa conclusiva da Jornada Mundial da Família. Homilia completa do Papa
A família que reza, a família que conserva a fé e a família que vive a alegria.

ROMA, 27 de Outubro de 2013
As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.
1. A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.
À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

Vaticano: Papa desafia família a viver na alegria e na harmonia

Vaticano: Papa desafia família a viver na alegria e na harmonia

sábado, 26 de outubro de 2013

XXX DOMINGO COMUM – ANO C
1ª Leitura: Eclo 35,12-14.16-18
Sl 33
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.16-18
Evangelho: Lc 18, 9-14

Deus faz justiça aos humildes…
Deus não faz acepção de pessoas, é um Deus justo, próximo dos necessitados. Deus não se deixa comprar pelas coisas que tantas vezes lhe oferecemos. Ele considera-nos amigos Dele apenas quando somos capazes de Lhe oferecer um coração pobre, arrependido, humilde e sincero.

Dois homens subiram ao Templo para rezar;…
Se na semana passada eramos convidados a orar, neste domingo a direcção das palavras de Jesus vão para os que fingem orar e que são melhores que os outros, fazendo sobressair o seu orgulho e vaidade e para o convite sério a orar com humildade, reconhecendo que somos nada, e pecadores necessitados do perdão de Deus. Oremos a partir do nada que somos, sem fingimento, mas com sinceridade.
O que o fariseu comunica como Senhor na sua oração evendicia a soberba que é maior do que ele. De uma atitude farisaica só podem nascer maldades e mentiras, pois vive-se num pedestal composto de superioridades. Nada mais se sabe fazer do que olhar as pessoas de cima. A sua oração é só aparencia, os seus sacrifícios, boas obras e tudo quanto pensa fazer de bom, é apenas formal. Tudo é orgulho e desprezo pelos outros. Deus justo e bom não lhe agrada esta forma de oração.
Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!

O publicano, que reza de coração contrito, volta para casa justificado. Que grande lição moral: quem se enaltece, será humilhado; quem se humilha, será enaltecido.quando nos expomos diante de Deus com sinceridade, a nossa autenticidade cresce, construimos uma base sólida, somos mais irmãos, mais próximos. Reconhecemos a nossa pequenez e pobreza e temos em conta o nosso pecado. Diante de Deus, colocamo-nos de joelhos e declaramos-Lhe a nossa fragilidade, a nossa miséria. A nossa oração deve brotar do interior de uma alma humilde, contrita sabedora do seu nada.
A nossa contrição traz-nos felicidade e voltamos a casa justificados, livres e purificados. Temos que aprender na vida a não sermos orgulhosos, a não termos a mania de sermos os melhores condenando sempre os irmãos mais fragilizados. A humildade que sou chamado a viver é grandiosa virtude.

JORNADA MUNDIAL DA FAMÍLIA


Ter a coragem de chamar 
os pecados
 pelo seu nome perante o confessor
Homilia desta manhã na Missa celebrada pelo
Papa Francisco na Casa de Santa Marta

ROMA, 25 de Outubro de 2013
Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor. Esta a ideia principal da homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta que foi inteiramente dedicada ao Sacramento da Reconciliação. Segundo o Santo Padre, para muitos adultos confessar os pecados perante um sacerdote é um esforço insustentável que pode transformar um momento de verdade num exercício de ficção. O Papa Francisco comentou a Carta de S. Paulo aos Romanos em que o Apóstolo admite publicamente perante toda a comunidade que na “sua carne não habita o bem” e ainda admitiu ser um “escravo” que não faz o bem que quer, mas cumpre o mal que não quer. O Papa diz-nos que esta é a luta dos cristãos:
“E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem sempre temos a coragem de falar como fala Paulo sobre esta luta. Sempre tentamos uma via de justificação: ‘Mas sim, somos todos pecadores. Dizemos assim, não é? Isto dizêmo-lo dramaticamente: é a nossa luta. E se nós não reconhecermos isto nunca poderemos ter o perdão de Deus.”

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Francisco na missa matutina: "A ganância destrói as relações. O dinheiro é importante para ajudar os outros"

Francisco na missa matutina: "A ganância destrói as relações. O dinheiro é importante para ajudar os outros"
O dinheiro serve, a avidez mata

O dinheiro serve para realizar muitas obras boas, para fazer progredir a humanidade, mas quando se torna a única razão de vida, destrói o homem e os seus vínculos com o mundo externo. Eis o ensinamento que o Papa Francisco tirou do trecho litúrgico do evangelho de Lucas (12, 13-21) durante a missa celebrada esta manhã, segunda-feira 21 de Outubro, em Santa Marta.
No início da homilia o Santo Padre recordou a figura do homem que pede a Jesus que intime ao seu irmão para dividir com ele a herança. Com efeito, para o Pontífice  o Senhor fala-nos através  desta personagem «da nossa relação com as riquezas e com o dinheiro». Um tema que não é só de há dois mil anos mas que se apresenta ainda hoje, todos os dias. «Quantas famílias destruídas – comentou – vimos por problemas de dinheiro: irmão contra irmão; pai contra filhos!». Porque a primeira consequência do apego ao dinheiro é a destruição do indivíduo e de quem lhe está próximo. «Quando uma pessoa é apegada ao dinheiro – explicou o bispo de Roma – destrói-se a si mesma, destrói a família».
Certamente, o dinheiro não deve ser exorcizado de modo absoluto. «O dinheiro – esclareceu o Papa Francisco – serve para realizar tantas coisas boas, tantas obras, para desenvolver a humanidade. O que deve ser condenado, ao contrário, é o seu uso exagerado. A este propósito o Pontífice repetiu as mesmas palavras pronunciadas por Jesus na parábola do «homem rico» contida no Evangelho: «Quem acumula tesouros para si, não se enriquece aos olhos de Deus». Por isso, a admoestação: «Prestai atenção e mantende-vos distantes de qualquer avidez», porque a avidez faz adoecer o homem, levando-o a um círculo vicioso no qual cada pensamento está «em função do dinheiro».
Para vencer os pecados da idolatria 
e da hipocrisia

Hipocrisia e idolatria «são pecados graves» que têm origens históricas, mas que ainda hoje se repetem com frequência, inclusive entre os cristãos. Superá-los é «muito difícil»: para o fazer «temos necessidade da graça de Deus». Foi a reflexão do Papa Francisco depois das leituras da missa celebrada na manhã de terça-feira, 15 de Outubro.

Os idólatras «não têm motivo algum de desculpa. Mesmo tendo conhecido Deus — realçou o bispo de Roma — não o glorificaram, nem lhe agradeceram como se fosse Deus». Mas qual é a estrada dos idólatras? São Paulo fala disto muito claramente aos romanos. É um caminho que desorienta: «perderam-se nos seus vãos raciocínios e a sua mente obtusa escureceu-se». A isto leva «o egoísmo do próprio pensamento, o pensamento omnipotente» que diz «o que eu penso é verdadeiro, eu penso a verdade, pratico a verdade com o meu pensamento». E precisamente enquanto se declaravam sábios, os homens dos quais são Paulo fala «tornaram-se insensatos. Trocaram a glória do Deus incorruptível por uma imagem e uma figura de homem corruptível, de pássaros, de quadrúpedes, de répteis».

sábado, 19 de outubro de 2013

DOMINGO XXIX COMUM  Ano C

"E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite…?” Lc 18, 7

Sem desfalecer

Há alguns anos um anúncio publicitário elogiava a duração de determinadas pilhas com um coelhito a tocar bateria, que no meio de outros láparos com o mesmo instrumento, se mantinha activo enquanto todos iam desistindo por falta de energia. “E dura, e dura, e dura…” era o slogan que ficava no ouvido. É curioso como em tantas coisas da vida, e algumas a que chamamos importantes, o comum é gastar-se a energia com o tempo, perder-se o encanto e o entusiasmo inicial. O certo é que é preciso recarregar as “pilhas”, renovar os compromissos, apontar para o essencial e assumir que há causas que não se podem abandonar, sob o risco de perdermos o mais importante. É aí que, como diz o meu amigo padre e desenhador José Luís Cortés, que os amigos são importantes: “As pilhas recarregam-se com uma “pilha” de amigos”!

“Orar sem desfalecer” é um tema muito querido a São Lucas que o refere várias vezes. Mas a parábola de Jesus que hoje nos oferece aponta, sobretudo, a fome e sede de justiça que uma viúva (pobre ente os mais pobres) não se cansa de pedir a um juíz (“que não temia a Deus nem respeitava os homens”). E o tema da justiça é repetido quatro vezes no pequeníssimo relato. Não é um manual de oração o que Jesus oferece. Bem diferente de várias publicações “pseudo-religiosas”, que circulam pelos escaparates ou na internet, com orações para todas as circunstâncias, Jesus ensina a clamar pela justiça, a sintonizar com Deus por um projecto mais digno de sociedade. A oração de súplica encontra paralelo no clamor dos pobres, na perseverança em favor de quem é oprimido, e essa é uma causa que nenhum cristão pode abandonar. Daí que toda a oração tenha uma componente de transformação: da realidade, que desejamos mais justa e mais coerente com o próprio desejo de Deus; e de quem reza, que ao abrir-se a Deus reorienta as suas prioridades segundo o critério substancial do amor. Dizia o filósofo Platão: “Não há vento favorável para aquele que não sabe para onde vai”, e assim acontece para muitas realidades da sociedade, e também para quem faz da oração um auto-consolo ou uma alienação das responsabilidades, em vez de um diálogo que abre caminhos.

A perseverança é uma virtude que se cultiva. Muito diferente do fanatismo ou da intolerância, defeitos que endurecem e atrofiam o coração e a mente, a perseverança tem a sua força nas motivações. E quando o valor maior é a felicidade dos outros vale a pena lutar por ela. Revestida de sabedoria, apresentando objectivos realizáveis, e reconhecendo os pequenos progressos, ela lembra-nos que “o muito é sempre feito de pequenos poucos” (J.Luís Cortés).
Nestes dias de grande sofrimento económico e social é duro constatar que a perseverança parece ser exclusivamente da austeridade. Em que justiça poderemos encontrar motivações? Que perseverança nos é pedida? Que fé quer o Filho do Homem encontrar quando voltar, se não uma fé como a da viúva, comprometida na justiça e na verdade?
Padre Victor Gonçalves

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C
1ª Leitura: Ex 17, 8-13
Sl 120
2ª Leitura: 2Tm 3,14-4,2
Evangelho: Lc 18, 1-8

Segurando o bastão da vitória…
A força divina dá a vitória. O desânimo traz-nos derrota. A força do Senhor está presente na nossa vida, nos nossos combates. Erguer as mãos para o alto, fixar o olhar e o coração em Deus, é salutar, eis a lição da primeira leitura. Deus é justo, parcial, sempre presente na vida do seu povo, não cruza os braços, condu-lo, dá-lhe sempre força.
Deus é o nosso libertador Ele está vivo, actuante na história de cada um. Ele age no coração dos que são justos, e lutam pela verdade, pela paz e pela justiça de uma humanidade nova.

Insistir no anúncio da Palavra…
Paulo oferece-nos soluções para não perdermos a fé. A nossa oração deve ser persistente; Devemos não só guardar a fé, mas anunciar a Palavra oportuna e inoportunamente.Ter uma identificação cristã valorosa e exigente. Não andar com rodeios, ser claro na mensagem a transmitir. Nada de disfarces, insegurança, respeitos humanos e falsos pudores, mais que a exteriorização, vale a clareza, a paciência  e a convicção.  Aquele que evangeliza, deve amar profundamente a Palavra e anunciá-la com uma adqueda pedagogia pastoral, a Escritura é a fonte para toda a formação e educação cristã
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Rezar sempre…sempre…
Insistir, pedir com determinação, sem cansar. É isto que devemos fazer diante do Senhor, pois Ele gosta de nos atender e encoraja-nos a não desistir, a ter fé. Hoje a nossa fé parece esmorecer, fraqueja com facilidade. As tentações da “civilização” abafam-nos e imperam em nós. Daí o evangelista acrescentar: “quando vier o Filho do Homem encontrará fé sobre a terra?” O Senhor pede-nos uma oração constante, sem nunca desistir, adverte o nosso coração pedagogicamente para insistir na necessidade de guardar intacta a nossa fé até que venha o Filho do Homem.
Por detraz da oração percebemos quem é Deus para nós, que planos tem para cada um. Precisamos de manter com Ele uma relação dialogante, intíma e de comunhão plena. Quando se ama não se corta a relação por um dez reis de nada. Esperamos que a ausência se torne presença e o amor se intensifique cada vez mais.

Palavra para a vida...
Ao longo desta semana procura rezar algumas frases da Palavra de Deus: “o Senhor vela pela tua vida…”; “proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina”; “…necessidade de orar sempre sem desanimar…”. Procurar transformá-las em atitudes e gestos de verdadeiro encontro com Deus.


“O Papa da liberdade de espírito e da razão cordial”, de Leonardo Boff

Uma das maiores conquistas da pessoa humana em seu processo de individuação é a liberdade de espírito. Liberdade de espírito é a capacidade de ser ser duplamente livre: livre das injunções, regras, normas e protocolos que foram inventados pela sociedade e pelas instituições para uniformalizar comportamentos e moldar personalidades segundo tais determinações. E significa, fundamentalmente, ser livre para ser autêntico, pensar com sua própria cabeça e agir consoante sua norma interior, amadurecida ao largo de toda vida, na resistência e na tensão com aqueles injunções.
E essa é uma luta titânica . Pois todos nascemos dentro de certas determinações que independem de nossa vontade seja na  família, na escola, na roda de amigos, na religião e na cultura que moldam nossos hábitos. Todas estas instâncias funcionam como superegos que podem ser limitadores e em alguns casos até castradores. Logicamente, estes limites desempenham uma função reguladora importante. Pelo fato de o rio possuir margens e limites é que ele chega ao mar. Mas estes podem também represar as águas que deveriam fluir. Então se esparram pelos lados e se transformam em charcos.
As atitudes e comportamentos surpreendentes do atual bispo de Roma, como gosta de se apresentar, comumente chamado  de Papa, Francisco, nos evocam esta categoria tão determinante da liberdade de espírito.

“O Reino de Deus está próximo de vós!” (Lc 10,9) 

Festa de São Lucas Evangelista 1ª Leitura: 2Tm 4, 10-17b Salmo: 144 (145) Evangelho: Lc 10, 1-9

É esta a afirmação que Jesus pede para que seus discípulos anunciem nas andanças. E a conhecemos graças a São Lucas, que hoje recordamos e agradecemos a Deus pelo seu importante papel na composição da Sagrada Escritura. O convite de Jesus estende-se a todos nós: quem quiser ser discípulo deve renunciar as comodidades e tomar a cruz. Entretanto, isso deve ser motivo de alegria para quem se propõe a tal missão. Esta felicidade leva à evangelização pelo testemunho. 
Percebamos que, segundo o Evangelho, somente duas frases devem ser anunciadas: “A paz esteja nesta casa” (v. 5) e “O Reino de Deus está próximo de vós” (v. 9). Por outro lado, há grandes ações: rezar, despojar-se e curar. É essa a missão cristã: assumir um compromisso por amor a Jesus, sem medo de servir, ser verdadeiro orante e, pelas obras e testemunho, conseguir curar as doenças do mundo. 
Levar amor onde há ódio, levar paz onde há guerra… O cristão deve ser como uma lâmpada de emergência: fica à disposição e quando se ausentar a luz, ele socorre os que estão na escuridão. - 
PREPARAR O DOMINGO VIGÉSIMO NONO
Evangelho segundo Lucas 18, 1-8

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».


Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos?

Antes de chegar a Jerusalém, Jesus conta aos seus discípulos a parábola do juiz e da viúva (Lucas 18, 1-8), uma pequena história tipicamente bíblica: a prova de força entre um juiz sem consciência e uma pobre viúva, arquétipo da pessoa indefesa e desamparada, que tem razão e, por isso, esgrime a sua única arma, a incansável inoportunidade. Com esta parábola, Lucas quer ilustrar um dos seus temas teológicos prediletos (a oração), ao mesmo tempo que faz o elogio da paciência ativa ou fidelidade perseverante, força invencível dos débeis que não se refugiam no desalento ou na resignação. O relato pode-se dividir em quatro partes: uma introdução; a parábola; a sua aplicação; e, por último, uma reflexão final. 

A introdução resume o tema fundamental deste ensinamento de Jesus, a perseverança na oração, com duas expressões: «orar sempre, sem desanimar» (versículo 1). A parábola põe em cena duas personagens: o juiz e a viúva que reclama justiça. Um é varão poderoso, iníquo e sem escrúpulos; ela é uma mulher pobre, indefesa e totalmente desprotegida. Graças unicamente à sua infatigável e inoportuna insistência, consegue que o juiz lhe faça justiça (versículos 2-5). Jesus utiliza esta história para fazer refletir sobre a eficácia da oração dirigida a Deus através de um argumento «a fortiori»: se um juiz iníquo e injusto está disposto a ceder perante a insistência de uma pobre viúva, quanto mais o fará o juiz justo e perfeito que é Deus (versículos 6-8a). Por outras palavras, o crente pode ter a certeza de que Deus escuta sempre a sua prece. A reflexão final convida a um exame de consciência (versículo 8b).
Os cristãos "discípulos da ideologia":
Uma doença grave. A cura é a oração
ROMA, 17 de Outubro

 No ‘caderno médico’ onde o Papa Francisco, através das homilias matutinas em Santa Marta, identifica a cada dia as ‘doenças’ que poderiam contagiar cada cristão, acrescenta hoje um novo vocábulo: ideologia. Se um cristão “se torna discípulo da ideologia, perdeu a fé” afirmou o Santo Padre na Missa de hoje. A ‘cura’ é a oração, acrescentou, e quando um cristão a abandona corre o risco de cair no moralismo e em uma atitude de isolamento.
Como sempre, uma frase do Evangelho é o ponto de partida para a homilia do Papa: "Ai de vós, legistas, porque tomastes a chave da ciência!”. A advertência de Cristo no Evangelho de Lucas (11, 47-54) vale muito bem, de acordo com o Papa, para o contexto atual: “Quando caminhamos pela rua e nos encontramos com uma igreja fechada, sentimos algo estranho”, porque “uma igreja fechada não se entende”, disse.
Às vezes, disse ele, "nos dão explicações” que nada mais são do que "desculpas" e "justificativas" que escondem a verdade, ou seja, de “que a igreja está fechada e as pessoas que passam na frente não podem entrar". Ou pior, que "o Senhor que está dentro não pode sair". "A imagem de encerramento" que Jesus retrata é, portanto, "a imagem daqueles cristãos que têm em mãos a chave, mas a levam embora, não abrem a porta” e que, não deixando entrar, “nem sequer eles entram”.
"Como é possível que um cristão caia nessa atitude de chave no bolso e porta fechada?", perguntou-se o Santo Padre. É a “falta de testemunho cristão” que faz isso. Um fato – observou – que se torna ainda mais grave “quando aquele cristão é um sacerdote, um bispo ou um Papa”.

domingo, 13 de outubro de 2013

Homilia do Papa na Santa missa 
da Jornada Mariana no Ano da Fé
ROMA, 13 de Outubro de 2013 - Publicamos a seguir o texto da homilia que o Papa Francisco pronunciou hoje na Santa Missa celebrada na praça de São Pedro por ocasião da Jornada Mariana no Ano da Fé.
Recitamos no salmo: «Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele fez maravilhas» (Sl 97, 1).
Encontramo-nos hoje diante duma das maravilhas do Senhor: Maria! Uma criatura humilde e frágil como nós, escolhida para ser Mãe de Deus, Mãe do seu Criador.

Precisamente olhando Maria à luz das Leituras que acabámos de escutar, queria reflectir convosco sobre três realidades: a primeira, Deus surpreende-nos; a segunda, Deus pede-nos fidelidade; a terceira, Deus é a nossa força.
1. A primeira: Deus surpreende-nos. O caso de Naamã, comandante do exército do rei da Síria, é notável: para se curar da lepra, vai ter com o profeta de Deus, Eliseu, que não realiza ritos mágicos, nem lhe pede nada de extraordinário. Pede-lhe apenas para confiar em Deus e mergulhar na água do rio; e não dos grandes rios de Damasco, mas de um rio pequeno como o Jordão. É uma exigência que deixa Naamã perplexo e também surpreendido: Que Deus poderá ser este que pede uma coisa tão simples? A vontade primeira dele é retornar ao País, mas depois decide-se a fazê-lo, mergulha no Jordão e imediatamente fica curado (cf. 2Re 5,1-14). Vedes!? Deus surpreende-nos; é precisamente na pobreza, na fraqueza, na humildade que Ele Se manifesta e nos dá o seu amor que nos salva, cura, dá força. Pede somente que sigamos a sua palavra e tenhamos confiança n’Ele.
“Beata Maria Virgem de Fátima

com renovada gratidão pela tua presença materna
unimos a nossa voz àquela de todas as gerações
que te chamam beata.
Celebramos em ti as grandes obras de Deus,
que jamais se cansa de prostrar-se com misericórdia
sobre a humanidade, afligida pelo mal e ferida pelo pecado,
para curá-la e para salvá-la.

Acolhe com benevolência de Mãe
O ato de consagração que hoje fazemos com confiança,
diante desta tua imagem tão querida a nós.
Estamos certos de que cada um de nós é precioso aos teus olhos
e que nada é a ti estranho de tudo aquilo que habita em nossos corações.
Nos deixamos alcançar pelo teu dulcíssimo olhar
e recebemos o afago consolador do teu sorriso.

Protege a nossa vida entre os teus braços:
abençoa e reforça todo desejo de bem;
reaviva e alimenta a fé;
ampara e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia todos nós no caminho da santidade.

Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção
Pelos pequenos e pelos pobres,
pelos excluídos e os sofredores,
pelos pecadores e os dispersos de coração:
reúne todos sob tua proteção
e os entrega ao teu Filho amado, o Senhor nosso Jesus.
Amém.