sexta-feira, 21 de junho de 2013

Para rezar o pai-nosso: coração em paz com os irmãos
Papa Francisco na homilia: um Deus Pai, 

não um deus cósmico. Oração não é magia.

CIDADE DO VATICANO, 20 de Junho de 2013


Para rezar o pai-nosso, precisamos ter o coração em paz com os nossos irmãos. É o que foi destacado nesta manhã pelo papa Francisco na missa da Casa Santa Marta. O papa ressaltou que acreditamos em um Deus que é Pai, que está muito perto de nós, que não é anónimo, que não é "um Deus cósmico". 
“A oração não é magia”, mas um “confiar-se ao abraço do Pai”. O papa concentrou a homilia na oração do pai-nosso, que Jesus ensinou aos discípulos e da qual fala o evangelho de hoje. Jesus nos dá um conselho na oração: "Não desperdicem palavras, não façam mero barulho", o barulho "do mundano, da vaidade", disse o papa. "A oração não é uma coisa mágica, não se faz magia com a oração. Me disseram que, quando você procura um curandeiro, ele diz um monte de palavras para curar. Mas aquilo é pagão. O que Jesus nos ensina é: não temos que ir até Ele com muitas palavras, porque Ele já sabe tudo”. E completa: “A primeira palavra é pai, esta é a chave da oração. Sem dizer, sem escutar essa palavra, não se pode orar".
"A quem eu devo orar? Ao Deus Todo-Poderoso? Distante demais. A quem devo orar? Ao Deus cósmico? Um tanto comum nos dias de hoje, não é? Orar ao Deus cósmico, não? Essa cultura politeísta, que tem essa cultura light… Nós temos que rezar ao nosso Pai! É uma palavra forte: Pai. Temos que orar àquele que nos gerou, que nos deu a vida. Ele não deu a vida ‘a todos’: todos é muito anônimo. Ele deu a vida a você, a mim. E também orar para aquele que nos acompanha no caminho: que conhece toda a nossa vida. Tudo: o que é bom e o que não é tão bom assim. Ele sabe tudo. Se não começamos a oração com essa palavra, dita não dos lábios para fora, mas de dentro do coração, então não podemos orar ‘em cristão’".

terça-feira, 18 de junho de 2013

Jesus é o "tudo" e é disto que deriva a sua magnanimidade
Homilia do Santo Padre Francisco na missa diária celebrada na capela da Casa Santa Marta

ROMA, 17 de Junho de 2013 - Para os cristãos, Jesus é o "tudo" e é disto que deriva a sua magnanimidade: esta foi a mensagem enfatizada pelo papa Francisco na missa desta manhã na Casa Santa Marta.
O papa reiterou que a justiça trazida por Jesus é superior à dos escribas, ao “olho por olho, dente por dente”. Na missa, que foi concelebrada pelo cardeal Attilio Nicora, estavam presentes, entre outros, os funcionários da Autoridade de Informação Financeira e um grupo de funcionários dos Museus do Vaticano, acompanhados pelo diretor administrativo, dom Paolo Nicolini. Também participou da missa o cardeal arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle.

"Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra". O papa Francisco centrou a homilia nestas palavras perturbadoras de Jesus aos discípulos. Esse tapa, observou o pontífice, já "se tornou um clássico para ridicularizar os cristãos". Na vida, afinal, a "lógica do dia-a-dia" nos diz que "devemos lutar, devemos defender o nosso espaço" e, se nos derem um tapa, "vamos devolver dois, para nos defender". Além disso, prosseguiu Francisco, “quando eu aconselho os pais sobre como repreender seus filhos, sempre alerto: ‘Mas nunca batam na face deles’, porque ‘a face é a dignidade’. Jesus, no entanto, nos surpreende: depois de falar sobre oferecer a outra face, ele nos ensina a entregar também o nosso manto, a despojar-nos de tudo”.
Vamos em busca das 99 ovelhas perdidas
Na abertura do Congresso da Diocese de Roma, 
o Papa Francisco convida a não ceder
à "deusa lamentação"
ROMA, 17 de Junho de 2013

O Papa Francesco abriu hoje o Congresso da Diocese de Roma sobre o tema Eu não tenho vergonha do evangelho. O evento inaugurado na Sala Paulo VI, no Vaticano, continuará terça-feira na Catedral de São João de Latrão e terminará quarta-feira nas diversas paróquias da diocese.
A Sala Paulo VI, que normalmente hospeda a Audiência de quarta-feira, de repente, revelou-se demasiado pequena para a quantidade de ouvintes. Participaram do encontro pelo menos quinze mil pessoas.
Francisco recordou que "alguns cristãos parecem devotos da deusa lamentação" e sublinhou que "o mundo é mundo, o mesmo de cinco séculos" e que é necessário "dar um testemunho forte e ir em frente", mas também "suportar as coisas que não podem mudar". O Santo Padre convidou "com coragem e paciência a sairmos de nós mesmos e ir ao encontro da comunidade para convidar as pessoas”.
E acrescentou: "Seja em todos os lugares portadores da palavra de vida, em seus bairros, onde as pessoas estiverem", e recordou a figura do Bom Pastor, que deixa as noventa e nove ovelhas para procurar a perdida.
"Queridos irmãos, temos uma e noventa e nove estão desaparecidas, vamos buscá-las", peçamos  "a graça de sair para anunciar o Evangelho", porque "é mais fácil ficar em casa com uma ovelha, escová-la, acariciá-la".  Então, exclamou: "Mas o Senhor nos quer, nós sacerdotes, e também vocês, cristãos, pastores, e não ‘escovadores’ de ovelhas ...".

O Papa concluiu dizendo que "Deus nos dá esta graça gratuitamente, e nós gratuitamente devemos dar".

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Missa do Papa em Santa Marta
O nada e o tudo do cristão

«O nada é semente de guerra, sempre; porque é semente de egoísmo. O tudo é Jesus». É na compreensão correcta deste binómio que se fundam a mansidão e a magnanimidade, que distinguem o cristão, disse o Papa Francisco na manhã de 17 de Junho, durante a missa na capela da Domus Sanctae Marthae, concelebrada entre outros pelo cardeal Attilio Nicora, presidente da Agência de informação financeira (Aif); estavam presentes alguns dos seus colaboradores e um grupo de empregados dos Museus do Vaticano.
Comentando as leituras do dia – tiradas da segunda carta de são Paulo aos Coríntios (6, 1-10) e do Evangellho de Mateus (5, 38-42) – o Pontífice meditou sobre o significado de «um clássico» dos ensinamentos evangélicos, ou seja, o sentido do que Jesus diz a propósito da bofetada recebida no rosto, à qual o cristão responde oferecendo a outra face, algo que vai contra a lógica do mundo, disse o Papa, segundo a qual a uma ofensa é preciso responder com uma reacção igual e contrária, porque «devemos defender-nos, devemos lutar, devemos defender o nosso lugar. E se alguém nos dá uma bofetada, nós daremos duas, para nos defender. Esta é a lógica normal, não é?».


Deus leva à vida ao passo que seguir
os ídolos leva à morte
Homilia do Papa Francisco pronunciada na Santa Missa
por ocasião da Jornada pela Vida

CIDADE DO VATICANO, 16 de Junho de 2013 

Às 10:30 de hoje, XI Domingo do Tempo Comum, na Praça de São Pedro, o Santo Padre Francisco celebrou a missa pela Jornada Evangelium Vitae, por ocasião do Ano da Fé. Apresentamos a seguir o texto da homilia pronunciada pelo Papa após a leitura do Santo Evangelho.
Amados irmãos e irmãs!
Esta celebração tem um nome muito belo: o Evangelho da Vida. Com esta Eucaristia, no Ano da Fé, queremos agradecer ao Senhor pelo dom da vida, em todas as suas manifestações, e ao mesmo tempo queremos anunciar o Evangelho da Vida.
Partindo da Palavra de Deus que escutámos, gostava de vos propor simplesmente três pontos de meditação para a nossa fé: primeiro, a Bíblia revela-nos o Deus Vivo, o Deus que é Vida e fonte da vida; segundo, Jesus Cristo dá a vida e o Espírito Santo mantém-nos na vida; terceiro, seguir o caminho de Deus leva à vida, ao passo que seguir os ídolos leva à morte.

1. A primeira leitura, tirada do Segundo Livro de Samuel, fala-nos de vida e de morte. O rei David quer esconder o adultério cometido com a esposa de Urias, o hitita, um soldado do seu exército, e, para o conseguir, manda colocar Urias na linha da frente para ser morto em batalha. A Bíblia mostra-nos o drama humano em toda a sua realidade, o bem e o mal, as paixões, o pecado e as suas consequências. Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear a morte. Exemplo disto mesmo é o adultério do rei David. E o egoísmo leva à mentira, pela qual se procura enganar a si mesmo e ao próximo. Mas, a Deus, não se pode enganar, e ouvimos as palavras que o profeta disse a David: Tu praticaste o mal aos olhos do Senhor (cf. 2 Sam 12, 9). 
O rei vê-se confrontado com as suas obras de morte– na verdade o que ele fez é uma obra de morte, não de vida! –, compreende e pede perdão: «Pequei contra o Senhor» (v. 13); e Deus misericordioso, que quer a vida e sempre nos perdoa, perdoa-lhe, devolve-lhe a vida; diz-lhe o profeta: «O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás». Que imagem temos de Deus? Quem sabe se nos aparece como um juiz severo, como alguém que limita a nossa liberdade de viver?! Mas toda a Escritura nos lembra que Deus é o Vivente, aquele que dá a vida e indica o caminho da vida plena. 
Penso no início do Livro do Génesis: Deus plasma o homem com o pó da terra, insufla nas suas narinas um sopro de vida e o homem torna-se um ser vivente (cf. 2, 7). Deus é a fonte da vida; é devido ao seu sopro que o homem tem vida, e é o seu sopro que sustenta o caminho da nossa existência terrena. Penso também na vocação de Moisés, quando o Senhor Se apresenta como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, como o Deus dos viventes; e, quando enviou Moisés ao Faraó para libertar o seu povo, revela o seu nome: «Eu sou aquele que sou», o Deus que Se torna presente na história, que liberta da escravidão, da morte e traz vida ao povo, porque é o Vivente. Penso também no dom dos Dez Mandamentos: uma estrada que Deus nos indica para uma vida verdadeiramente livre, para uma vida plena; não são um hino ao «não» – não deves fazer isto, não deves fazer aquilo, não deves fazer aqueloutro… Não! – São um hino ao «sim» dito a Deus, ao Amor, à vida. Queridos amigos, a nossa vida só é plena em Deus,porque só Ele é o Vivente!

domingo, 16 de junho de 2013

Papa convida humanidade a acolher Deus que liberta dos ídolos e escravidões
Francisco presidiu a missa conclusiva da jornada mundial «Evangelho da Vida»


Cidade do Vaticano, 16 jun 2013 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje no Vaticano à missa conclusiva da jornada mundial «Evangelho da Vida», que reuniu dezenas de milhares de pessoas, pedindo que a humanidade acolha a mensagem de Deus e renuncie aos “ídolos”.
“Digamos sim ao amor e não ao egoísmo, digamos sim à vida e não à morte, digamos sim à liberdade e não à escravidão dos numerosos ídolos do nosso tempo; numa palavra, digamos sim a Deus, que é amor, vida e liberdade, e jamais desilude”, declarou, na homilia da missa que decorreu na Praça de São Pedro.
Francisco recordou as ideologias e lógicas que “põem obstáculos à vida, que não a respeitam, porque são ditadas pelo egoísmo, o interesse pessoal, o lucro, o poder, o prazer”.
“É a persistente ilusão de querer construir a cidade do homem sem Deus, sem a vida e o amor de Deus: uma nova Torre de Babel; é pensar que a rejeição de Deus, da mensagem de Cristo, do Evangelho da vida leve à liberdade, à plena realização do homem”, observou, perante uma multidão que incluía cerca de 35 mil motards reunidos em Roma para um encontro que celebra o 110.º aniversário da marca Harley-Davidson.
“Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear a morte”, acrescentou.
O Papa frisou que a celebração «Evangelium Vitae», o Evangelho da Vida, inserida no calendário do Ano da Fé (outubro de 2012-novembro de 2013) quis “agradecer ao Senhor pelo dom da vida”.
“Amados irmãos e irmãs, consideremos Deus como o Deus da vida, consideremos a sua lei, a mensagem do Evangelho como um caminho de liberdade e vida. O Deus Vivo faz-nos livres”, pediu Francisco.



sábado, 15 de junho de 2013

Reconhecer-se com sinceridade
Como frágeis e pecadores

Homilia de hoje do papa Francisco na Casa Santa Marta
CIDADE DO VATICANO, 14 de Junho de 2013

A única maneira de receber verdadeiramente o dom da salvação de Cristo é reconhecer-se com sinceridade como frágeis e pecadores, evitando toda forma de autojustificação. Esta foi uma das ideias desenvolvidas na homilia do papa Francisco na missa desta manhã, na capela da Casa Santa Marta.
Com o papa, concelebraram o prefeito e secretário da Congregação para o Clero, cardeal Mauro Piacenza, e o arcebispo Celso Morga, acompanhados pelos presbíteros e pelo pessoal do dicastério. De acordo com a Rádio Vaticano, também estiveram  presentes o cardeal Giuseppe Bertello, o bispo de Humahuaca, na Argentina, dom Pedro Olmedo Rivero, e o bispo emérito de Daet, Filipinas, dom Benjamin Almoneda.
Somos pecadores
Consciente de ser um frágil recipiente de barro, o guardião de um grande tesouro recebido de forma totalmente gratuita: este é o seguidor de Cristo perante o Senhor. Francisco concentra a sua reflexão na Carta de Paulo aos cristãos de Corinto, mediante a qual ele explica que o "poder extraordinário" da fé é obra de Deus, vertida em homens pecadores, como em "vasos de barro". Mas da relação "entre a graça e o poder de Jesus Cristo" e nós, pobres pecadores, brota "o diálogo da salvação." Esse diálogo, acrescenta o papa, deve evitar, no entanto, qualquer "autojustificação; (...) deve ser feito do jeito que nós somos".

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Junho de 1963: A dor e o júbilo na colina do Vaticano

Quando se celebra o cinquentenário da morte de João XXIII e o mesmo número de anos da eleição de Paulo VI, duas palavras atravessam a memória dos cristãos: dor e júbilo. Dois conceitos que marcaram o mundo católico, e não só, no mês de junho de 1963.

Quando se celebra o cinquentenário da morte de João XXIII e o mesmo número de anos da eleição de Paulo VI, duas palavras atravessam a memória dos cristãos: dor e júbilo. Dois conceitos que marcaram o mundo católico, e não só, no mês de junho de 1963.
Com a morte do Papa que convocou o II Concílio do Vaticano, a tristeza invadiu todos os continentes. O homem que escreveu a encíclica «Pacem in Terris» foi “o amigo do homem actual” e deixou uma “carta aberta ao universo” (Urbano Duarte, Elogio fúnebre pronunciado na Sé Nova de Coimbra, durante as exéquias solenes da diocese, na tarde de 11 de Junho de 1963) (In: Revista Estudos – órgão do CADC, Junho de 1963, nº 418).
A «Pacem in Terris» é um diálogo com todos os homens, convidando-os a colaborar no sentido de que se estabeleça a paz entre eles e as nações. “É o código dos direitos do homem, agora sem suspeita subversiva, porque selado pelo anel do pescador”, referiu Urbano Duarte. Antes da referida encíclica de João XXIII, os textos pontifícios situavam-se “dentro da igreja” e a sua “influência nos acontecimentos externos verificava-se por acção indirecta”. A «Pacem in Terris» abre confiadamente a porta da Igreja, para que a voz do Papa seja “escutada” não apenas pelos cristãos, mas por todos os homens. A todos, o Papa que faleceu a 03 de junho de 1963 se dirige com simplicidade, “sem argúcias habilidosas, sem avisos nem anátemas de severo mentor.” (In: Revista Estudos – órgão do CADC, Junho de 1963, nº 418).
Não falem mal uns dos outros
Homilia do Papa Francisco na missa desta manhã na capela da Casa Santa Marta
CIDADE DO VATICANO, 13 de Junho de 2013

Que Deus nos conceda a graça de prestar atenção aos comentários que fazemos sobre os outros: esta foi a ideia central da homilia do papa Francisco na missa desta manhã, na Casa Santa Marta.
O papa fez a homilia em espanhol, com a presença dos funcionários das embaixadas e consulados da Argentina na Itália e junto à FAO. “Desde o dia 26 de fevereiro que eu não celebrava a missa em espanhol", disse o papa. "Estou muito feliz", completou, e agradeceu aos participantes pelo trabalho que fazem em prol do seu país.
"Que a sua justiça seja maior que a dos fariseus": Francisco explicou sua homilia partindo da exortação que Jesus fez aos discípulos. Palavras que vêm depois das bem-aventuranças e depois de Jesus afirmar que não veio para dissolver a lei, mas para levá-la a cumprimento. A reforma de Cristo, destacou o papa, "é uma reforma que não rompe, uma reforma na continuidade: da semente até o fruto". Aquele que "entra na vida cristã tem exigências superiores às dos outros; não tem vantagens superiores", advertiu.
Jesus menciona algumas dessas necessidades e toca em particular "no tema da relação negativa com os irmãos". Quem fala mal dos outros, diz Jesus, "merece o inferno". Se no seu coração existe "algo de negativo" no tocante ao seu irmão, então "existe algo que não funciona. Você tem que se converter, tem que mudar". E mais: "A ira é um insulto contra o irmão, é algo que o mata”. Francisco observou também que, em especial na tradição latina, existe uma certa "criatividade maravilhosa" para inventar qualificativos: "Quando esse apelido é amistoso, tudo bem; o problema é quando existe o outro tipo de apelidos”, quando acontece “o mecanismo do insulto, uma forma de denegrir os outros”.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O QUE QUER DIZER POVO DE DEUS?
Catequese do Papa Francisco na Audiência Geral dessa quarta-feira.

ROMA, 12 de Junho de 2013
Publicamos a seguir a catequese do Papa Francisco durante a Audiência Geral da Quarta-feira, na Praça de São Pedro: 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de concentrar-me brevemente sobre um dos termos com o qual o Concílio Vaticano II definiu a Igreja, aquele do “Povo de Deus” (cfr. Const. Dog. Lumen Gentium, 9; Catecismo da Igreja Católica, 782). E o faço com algumas perguntas, sobre as quais cada um poderá refletir.

1. O que significa dizer ser “Povo de Deus”? Antes de tudo quer dizer que Deus não pertence propriamente a algum povo; porque Ele nos chama, convoca-nos, convida-nos a fazer parte do seu povo, e este convite é dirigido a todos, sem distinção, porque a misericórdia de Deus “quer a salvação para todos” (1 Tm 2, 4). Jesus não diz aos Apóstolos e a nós para formarmos um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: ide e fazei discípulos todos os povos (cfr Mt 28, 19). São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, “não há judeu nem grego… pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3, 28). Gostaria de dizer também a quem se sente distante de Deus e da Igreja, a quem está temeroso ou indiferente, a quem pensa não poder mais mudar: o Senhor chama também você a fazer parte do seu povo e o faz com grande respeito e amor! Ele nos convida a fazer parte deste povo, povo de Deus.

2. Como tornar-se membros deste povo? Não é através do nascimento físico, mas através de um novo nascimento. No Evangelho, Jesus diz a Nicodemos que é preciso nascer do alto, da água e do Espírito para entrar no Reino de Deus (cfr Jo 3, 3-5). É através do Batismo que nós somos introduzidos neste povo, através da fé em Cristo, dom de Deus que deve ser alimentado e crescer em toda a nossa vida. Perguntamo-nos: como faço crescer a fé que recebi no Batismo? Como faço crescer esta fé que eu recebi e que o povo de Deus possui?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Deus é mais forte do que o mal

Papa Francisco convida quem está longe da Igreja a aproximar-se dela e pede «portas abertas»

Cidade do Vaticano, 12 jun 2013 (Ecclesia) – O Papa convidou hoje os católicos a professarem a convicção de que Deus é “mais forte” do que o mal e colocou as dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro a repetirem essa frase.
“À nossa volta, basta abrir um jornal, vemos que há presença do mal, o diabo atua, mas gostaria de dizer em voz alta: Deus é mais forte. Quero acrescentar que a realidade, às vezes sombria, marcada pelo mal, pode mudar, se nós levarmos em primeiro lugar a luz do Evangelho”, declarou Francisco, na catequese da audiência pública semanal.

terça-feira, 11 de junho de 2013



Papa afirma que uma Igreja rica «envelhece» e perde vida

Francisco convida a anunciar mensagem cristã com gratuidade e pobreza

Cidade do Vaticano, 11 jun 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que a Igreja Católica deve evitar as riquezas para se manter fiel à sua missão e não se reduzir a uma ONG como outras.
“Quando encontramos apóstolos que querem fazer uma Igreja rica e uma Igreja sem a gratuidade do louvor, a Igreja envelhece, a Igreja torna-se uma ONG, a Igreja não tem vida”, alertou, na homilia da missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta.
Para Francisco, a Igreja não é uma ONG, mas “outra coisa, mais importante” e a pobreza deve ser um sinal da “gratuidade” que está na sua origem.
“O anúncio do Evangelho deve seguir pela estrada da pobreza”, acrescentou o Papa, frisando que é esta atitude que leva os católicos a evitar a tentação de se tornarem “organizadores, empresários”.
Francisco admitiu que algumas das obras da Igreja são “complexas”, mas disse que é preciso cuidar delas “com coração de pobreza, não com coração de investimento”.
“São Pedro não tinha uma conta no banco e quando teve de pagar os seus impostos, o Senhor mandou ao mar para pescar e encontrar a moeda dentro do peixe”, referiu.
Jesus, prosseguiu, disse aos seus discípulos que não procurassem “ouro nem prata” e pediu que anunciassem a sua mensagem gratuitamente.
“A pregação evangélica nasce da gratuidade, do espanto da salvação que chega e aquilo que recebo gratuitamente devo oferecê-lo gratuitamente”, observou.
O Papa advertiu, por outro lado, para o risco do “proselitismo” quando a Igreja cede à “tentação” de procurar forças fora da gratuidade.
Nesse sentido, a intervenção citou Bento XVI para afirmar que “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”.

Levemos Deus ao mundo 
e o mundo a Deus
Mensagem do papa Francisco no encerramento do congresso eucarístico alemão
ROMA, 10 de Junho de 2013


“Todos nós temos o compromisso de levar Deus ao mundo e o mundo a Deus”, declarou o papa Francisco na mensagem que foi lida ontem pela manhã, antes da missa de encerramento do Congresso Eucarístico Nacional alemão, realizado na cidade de Colônia com o tema “Senhor, a quem iremos?”, do qual participaram tanto católicos alemães quanto fiéis de países vizinhos.
A celebração eucarística foi presidida pelo cardeal Paul Josef Cordes, presidente emérito do Conselho Pontifício “Cor Unum” e enviado especial do santo padre.
“Senhor, a quem iremos?” é a pergunta do apóstolo Pedro, porta-voz dos seguidores fiéis, perante a incompreensão de muitas pessoas que escutavam Jesus e queriam se aproveitar dele por egoísmo. Ao nos fazermos esta pergunta, escreve o papa na mensagem, embora ela “talvez seja mais titubeante em nossa boca do que nos lábios de Pedro, a nossa resposta, como a do apóstolo, só pode ser a pessoa de Jesus”, que “viveu há dois mil anos”, mas a quem “podemos encontrar também no nosso tempo quando escutamos a sua Palavra e quando estamos perto dele, de modo único, na eucaristia”.
Daí o convite de Francisco: “Não vamos deixar a nossa santa missa cair numa rotina superficial! Que ela seja cada vez mais profunda para nós!” O papa explica que é precisamente a sua profundidade o que nos insere na imensa obra de salvação de Cristo, para afinarmos a nossa “visão espiritual” graças ao seu amor. E acrescenta que é preciso “aprender a viver a missa”, como pedia o beato João Paulo II, “recordando que, para isto, contamos com o auxílio da adoração perante o Senhor eucarístico no tabernáculo e com o recebimento do sacramento da reconciliação”.

As bem-aventuranças 
são os novos mandamentos

Papa Francisco: a verdadeira liberdade é a "liberdade do Espírito Santo", que exige "a abertura do coração"

CIDADE DO VATICANO, 10 de Junho de 2013


Mais uma vez, o papa Francisco se concentra no verdadeiro significado da liberdade para os cristãos. Na missa matinal celebrada na Casa Santa Marta, o papa começou a homilia com as palavras de São Paulo, que, na primeira leitura de hoje (2 Cor 1,1-7), fala de "consolação" para os cristãos do seu tempo, chamados a evangelizar em meio a um clima de perseguição.
A consolação, disse o Santo Padre, é "a presença de Deus em nosso coração", onde nosso Senhor só pode entrar se lhe abrirmos a porta, ou seja, mediante a nossa "conversão". Encontrar Jesus e segui-lo implica uma "mudança de vida", que torna "necessária uma força especial de Deus".
Viver "na consolação do Espírito Santo" é uma das condições necessárias para a "salvação", acrescentou o papa, recordando que aqueles que vivem "na consolação do espírito do mundo" se enquadram claramente no "pecado".
Entre o pecado e a salvação é impossível "negociar", frisou. Não por acaso, o evangelho nos recorda que "não se pode servir a dois senhores". A abertura ao "Espírito do Senhor" nos leva às bem-aventuranças, o tema do evangelho de hoje (cf. Mt 5,1-12a).
As bem-aventuranças, disse Francisco, "não podem ser entendida apenas com a inteligência humana": para compreendê-las, é necessário ter "um coração aberto" à "consolação do Espírito Santo". Sem essa predisposição da alma, as bem-aventuranças podem parecer "bobas"; no entanto, elas são "novos mandamentos".

domingo, 9 de junho de 2013


O Senhor nos olha com misericórdia
Palavras do Papa Francisco durante o Angelus
CIDADE DO VATICANO, 09 de Junho de 2013

Publicamos aqui as palavras que o Santo Padre pronunciou às 12h de hoje aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro  antes da habitual oração do Angelus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O mês de junho é tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, a mais alta expressão humana do amor divino. Precisamente sexta-feira passada, de fato, celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Cristo, e esta festa dá o tom para todo o mês. A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte de onde jorrou a salvação para toda a humanidade.
Nos Evangelhos encontramos várias referências ao Coração de Jesus, por exemplo, na passagem onde Cristo mesmo diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração "(Mt 11, 28-29). Chave, então, é a narração da morte de Cristo segundo João. Este evangelista de fato testemunha o que viu no Calvário, ou seja, que um soldado, quando Jesus já estava morto, perfurou o seu lado com a lança e daquela ferida saiu sangue e água (cf. Jo 19, 33-34). João reconheceu naquele sinal, aparentemente aleatório, o cumprimento das profecias: do coração de Jesus, Cordeiro imolado na cruz, jorra para todos os homens o perdão e a vida.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Francisco: "Hipocrisia 
é linguagem de corruptos; 
cristãos falam 
com verdade e amor".

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Os cristãos não usam uma linguagem “socialmente educada”, tendente à hipocrisia, mas são porta-vozes da verdade do Evangelho com a mesma transparência das crianças. Este foi o ensinamento proposto por Francisco na homilia proferida na manhã desta terça-feira, 04, na Capela da Casa Santa Marta. 
A cena evangélica do tributo a César e do questionamento de fariseus a Cristo sobre a legitimidade daquele tributo forneceu ao Papa a ocasião de continuar a reflexão feita já na homilia desta segunda-feira, 03. A intenção com que se aproximam de Jesus é a de “fazê-lo cair na armadilha”. 
“Quando perguntam, com palavras macias, açucaradas, se é lícito ou não pagar impostos a César, eles tentam demonstrar-se amigos, mas é tudo falso!” – prosseguiu o Papa, explicando que “eles não amam a verdade, mas somente a si mesmos e assim, tentam enganar, envolver os outros na mentira. Têm o coração mentiroso, não podem dizer a verdade”. 
“É esta a linguagem da corrupção, da hipocrisia. Quando Jesus diz a seus discípulos, diz que seu modo de falar deve ser ‘sim, sim’ ou ‘não, não’, porque a hipocrisia não fala a verdade, porque a verdade não está nunca sozinha: está sempre com o amor. Não há verdade sem amor”. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013


Papa Francisco: 
"Corruptos fazem muito mal à Igreja. 
Santos são a luz"

“Pecadores, corruptos e santos”: Papa Francisco centrou neste trinômio a homilia da missa celebrada esta segunda-feira, 03, na Casa Santa Marta. O Papa ressaltou que os corruptos fazem muito mal à Igreja porque são adoradores de si mesmos. Os santos, ao contrário, fazem muito bem: são a luz na Igreja. 

A homilia foi inspirada, como sempre, na leitura do Evangelho que narra a parábola dos vinhateiros maldosos, o que deu a ocasião ao Papa para aprofundar a questão dos “três modelos de cristãos que existem na Igreja: pecadores, corruptos e santos”.
“Não precisamos falar muito dos pecadores, porque sabemos bem como são, já que todos nós o somos. Se algum de nós não se sente pecador, procure um bom ‘médico espiritual’, porque alguma coisa está errada”. 
Em seguida, Francisco definiu os corruptos, citando novamente a parábola: “Ela – prosseguiu – nos fala daqueles que querem tomar conta da vinha e perderam o relacionamento com o dono dela, aquele que nos chamou com amor, que zela por nós e nos dá a liberdade. Estas pessoas se sentiram autônomas de Deus. Estes eram pecadores como todos nós, mas deram um passo avante como se fossem acostumados no pecado, que não precisassem de Deus! E como não podem negá-lo, criaram um Deus especial: eles mesmos. São os corruptos”. 


















João XXIII: Papa Francisco
homenageia homem de paz
Missa no Vaticano assinalou 50 anos
da morte de Angelo Roncalli

Cidade do Vaticano, 03 jun 2013 
O Papa disse hoje no Vaticano que João XXIII, falecido há 50 anos, no dia 3 de junho, foi um homem “capaz de transmitir paz” e construir amizades, mesmo em ambientes distantes do catolicismo.
“Precisamente nestes ambientes, ele mostrou-se um eficaz tecedor de relações e um válido promotor da unidade, dentro e fora da comunidade eclesial, aberto ao diálogo com cristãos de outras Igrejas, com representantes do mundo judaico e muçulmano e com muitos outros homens de boa vontade”, declarou Francisco, perante milhares de pessoas reunidas na Basílica de São Pedro, após uma missa que assinalou o 50.º aniversário da morte do Papa italiano.
João XXIII, afirmou, tinha uma “paz natural, serena, cordial”, que após a sua eleição pontifícia se “manifestou ao mundo inteiro e recebeu o nome da bondade”.
O Papa destacou o percurso diplomático de Angelo Roncalli ao longo de quase 30 anos, “muitas vezes em contacto com ambientes e mundos muito distantes do universo católico no qual nasceu e se formou”.
A missa desta tarde foi presidida por D. Francesco Beschi, bispo de Bérgamo, terra natal de Angelo Roncalli, que viria a ser eleito, em 1958, como sucessor de Pio XII, assumindo o nome de João XXIII.
“O mundo inteiro tinha reconhecido no Papa João um pastor e um pai. Pastor porque era pai”, disse Francisco, após a cerimónia, evocando os momentos de “comoção” que antecederam a morte de João XXIII.
O Papa que convocou e iniciou os trabalhos do Concílio Vaticano II foi lembrado como alguém que chegou ao “coração de pessoas muito diferentes, mesmo de muitos não cristãos”.
Para Francisco, o segredo desta ligação esteve no lema episcopal de Angelo Roncalli, “Oboedientia et pax”, obediência e paz.
O Beato João XXIII “transmitia paz porque tinha um espírito profundamente pacificado, fruto de um longo e comprometido trabalho sobre si próprio, do qual ficaram muitos traços no Diário da Alma”, que Roncalli começou a escreve ainda como seminarista.
“Vemo-lo, dia após dia, atento em reconhecer e mortificar os desejos que vinham do próprio egoísmo, a discernir as inspirações do Senhor”, relatou o atual Papa, de 76 anos.

domingo, 2 de junho de 2013

Creio na Eucaristia

Refrão: Creio, Senhor!
Creio, Senhor,
mas aumentai a minha fé!


Creio na Eucaristia,
Sacramento de Cristo Ressuscitado
fonte de um Mundo novo,
alimento pascal de um Povo
a caminho do Reino do Pai,
força dos baptizados
que já não acreditam na fatalidade do mal e da crise.

Creio na Eucaristia,
Sacramento do amor livremente  oferecido,
fonte de toda a vida que se entrega,
alimento da comunidade que aprende a amar
e a crescer sempre no amor,
força das testemunhas do poder escondido do amor
que transforma o mundo.

Creio na Eucaristia,
Sacramento da Unidade,
fonte da fraternidade universal,
alimento de um Povo unido na diversidade,
força dos promotores e testemunhas
de uma Igreja fraterna e solidária.

Creio na Eucaristia,
Sacramento da Libertação,
fonte da nova liberdade do ser humano,
alimento de um Povo que constrói
um Mundo de paz e de justiça,
força das testemunhas que rejeitam toda a alienação
que fere o coração de Deus
e a dignidade do ser humano.