sexta-feira, 14 de junho de 2013

Junho de 1963: A dor e o júbilo na colina do Vaticano

Quando se celebra o cinquentenário da morte de João XXIII e o mesmo número de anos da eleição de Paulo VI, duas palavras atravessam a memória dos cristãos: dor e júbilo. Dois conceitos que marcaram o mundo católico, e não só, no mês de junho de 1963.

Quando se celebra o cinquentenário da morte de João XXIII e o mesmo número de anos da eleição de Paulo VI, duas palavras atravessam a memória dos cristãos: dor e júbilo. Dois conceitos que marcaram o mundo católico, e não só, no mês de junho de 1963.
Com a morte do Papa que convocou o II Concílio do Vaticano, a tristeza invadiu todos os continentes. O homem que escreveu a encíclica «Pacem in Terris» foi “o amigo do homem actual” e deixou uma “carta aberta ao universo” (Urbano Duarte, Elogio fúnebre pronunciado na Sé Nova de Coimbra, durante as exéquias solenes da diocese, na tarde de 11 de Junho de 1963) (In: Revista Estudos – órgão do CADC, Junho de 1963, nº 418).
A «Pacem in Terris» é um diálogo com todos os homens, convidando-os a colaborar no sentido de que se estabeleça a paz entre eles e as nações. “É o código dos direitos do homem, agora sem suspeita subversiva, porque selado pelo anel do pescador”, referiu Urbano Duarte. Antes da referida encíclica de João XXIII, os textos pontifícios situavam-se “dentro da igreja” e a sua “influência nos acontecimentos externos verificava-se por acção indirecta”. A «Pacem in Terris» abre confiadamente a porta da Igreja, para que a voz do Papa seja “escutada” não apenas pelos cristãos, mas por todos os homens. A todos, o Papa que faleceu a 03 de junho de 1963 se dirige com simplicidade, “sem argúcias habilidosas, sem avisos nem anátemas de severo mentor.” (In: Revista Estudos – órgão do CADC, Junho de 1963, nº 418).


A dor do desaparecimento de João XXIII ficou gravada nos corações dos cristãos, mas a alegria jubilosa apareceu com a eleição do homem que continuou a barca conciliar. Nascido na zona de Bréscia (Itália) a 23 de Setembro de 1897, o cardeal Montini foi eleito Papa após um dia de conclave (21 de junho de 1963) e tomou o nome de Paulo VI. Na oração congratulatória proferida na Sé Nova de Coimbra por ocasião do solene Te Deum, no dia da coroação de Paulo VI (30 de junho de 1963), Eugénio Martins proferiu as seguintes palavras em relação ao trabalho de Montini na arquidiocese de Milão: “O seu sonho era que na sua diocese, coração das indústrias italianas, o ruído das máquinas fosse um hino e que o fumo das chaminés se transformasse em incenso” (In: Revista Estudos – órgão do CADC, Junho de 1963, nº 418, pág 342). No seu discurso, o orador continuou: “Milão, um dos centros comunistas da Itália, está convertida num braseiro cristão”.
Na mesma revista, o poeta Vítor Matos e Sá publica “oito poemas no limiar da eleição do Santo Padre Paulo VI”. Num desses poemas, o autor escreve: “agora que sois o arquitecto dos exemplos / na sábia arrumação das traves / visíveis do destino; / E porque em vosso rosto venham ler / o reacendido texto inesgotável, / e a vossa bondade possa unir / as páginas rasgadas / e as fontes divididas”. Palavras sobre o homem que continuou a rasgar os horizontes conciliares iniciados pelo seu antecessor.





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