domingo, 22 de julho de 2012


"O maligno semeia guerra; Deus cria paz"


As palavras de Bento XVI durante o Angelus em Castel Gandolfo


Queridos irmãos e irmãs!
A palavra de Deus deste domingo nos propõe novamente um tema fundamental e sempre fascinante da Bíblia: recorda-nos que Deus é o Pastor da humanidade. Isto significa que Deus quer para nós a vida, quer guiar-nos para bons prados, onde poderemos nos alimentar e repousar; não quer que nos percamos e morramos, mas que cheguemos à meta de nosso caminho, que é exatamente a plenitude da vida. É isto que deseja todo pai e mãe para os próprios filhos: o bem, a felicidade, a realização. No Evangelho de hoje Jesus se apresenta como Pastor das ovelhas perdidas da casa de Israel. O seu olhar para as pessoas é um olhar como se fosse ‘pastoral’. Por exemplo, o Evangelho deste domingo, diz que ‘Ele desembarcou, viu uma grande multidão e ficou tomado de compaixão por eles, pois estavam como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas’(Mc 6,34). Jesus encarna Deus Pastor em seu modo de pregar e com as suas obras, cuidando dos doentes e dos pecadores, daqueles que estão ‘perdidos’ (cfr Lc 19, 10), para reconduzi-los em segurança, na misericórdia do Pai.

Entre as ‘ovelhas perdidas’ que Jesus trouxe em seguro, está uma mulher de nome Maria, originária do vilarejo de Magdala, no Mar da Galileia, e por isso Madalena. Hoje é sua memória litúrgica no calendário da Igreja. Diz o Evangelista Lucas que dela Jesus fez sair sete demônios (cfr Lc8,2), ou seja, a salvou de uma total escravatura do mal. Em que consiste esta cura profunda que Deus realiza através de Jesus? Consiste em uma paz verdadeira, completa, fruto da reconciliação da pessoa consigo mesma e em todas as suas relações: com Deus, com os outros, com o mundo. De fato, o maligno procura sempre destruir a obra de Deus, semeando divisão no coração do homem, entre o corpo e a alma, entre o homem e Deus, nas relações interpessoais, sociais, internacionais, e também entre o homem e a criação. O maligno semeia guerra; Deus cria paz. Com efeito, como afirma São Paulo, Cristo ‘é a nossa paz: de ambos os povos fez um só, tendo derrubado o muro de separação e suprimido em sua carne a inimizade’( Ef 2, 14). Para realizar esta obra de reconciliação radical Jesus, o Bom Pastor precisou tornar-se Cordeiro, ‘o Cordeiro de Deus... que tira o pecado do mundo’(Jo1, 29). Somente assim pode realizar a maravilhosa promessa do Salmo: ‘Sim, felicidade e amor me seguirão todos os dias da minha vida;minha morada é a casa de Iahweh por dias sem fim’ (22/23, 6).

Queridos amigos, estas palavras faz vibrar o coração, porque exprimem nosso desejo mais profundo, dizem para o que fomos feitos: a vida, a vida eterna! São palavras daqueles que, como Maria Madalena, experimentaram Deus na própria vida e conhecem a sua paz. Palavras mais verdadeiras do que nunca na boca da Virgem Maria, que já vive para sempre nos prados do céu, onde a conduziu o Cordeiro Pastor. Maria, Mãe de Cristo nossa paz, rogai por nós!

sábado, 21 de julho de 2012

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado.
31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer.
32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles.
34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

quarta-feira, 18 de julho de 2012


A elegância de uma alma que se desprende no louvor a Deus

Carta de Bento XVI por ocasião do 'Ano Clariano'

Apresentamos a seguir a carta do Papa Bento XVI ao Bispo de Assis-Nogera Umbra-Gualdo Tadino por ocasião do Ano Clariano.

Ao Venerado irmão Domenico Sorrentino Bispo de Assis



Foi com alegria que tomei conhecimento de que nessa Diocese, assim como entre os Franciscanos e as Clarissas do mundo inteiro, se está a recordar santa Clara com um «Ano Clariano», por ocasião do VIII centenário da sua «conversão» e consagração. Tal evento, cuja datação oscila entre 1211 e 1212, completava, por assim dizer, «o feminino» a graça que tinha alcançado poucos anos antes a comunidade de Assis com a conversão do filho de Pietro de Bernardone. E, como acontecera para Francisco, também na decisão de Clara se escondia o rebento de uma nova fraternidade, a Ordem clariana que, tornando-se uma árvore frondosa, no silêncio fecundo dos claustros continua a espalhar a boa semente do Evangelho e a servir a causa do Reino de Deus.
Esta feliz circunstância impele-me a voltar idealmente a Assis, para meditar com Vossa Excelência, venerado Irmão, com a comunidade que lhe foi confiada e, igualmente, com os filhos de são Francisco e as filhas de santa Clara, sobre o sentido deste acontecimento. Com efeito, ele fala também à nossa geração, e tem um fascínio sobretudo para os jovens, aos quais dirijo o meu pensamento carinhoso por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, celebrada este ano, segundo a tradição, nas Igrejas particulares precisamente neste dia do Domingo de Ramos.
É a própria Santa que fala, no seu Testamento, da sua escolha radical de Cristo em termos de «conversão» (cf. FF 2825). É a partir deste aspecto que me apraz começar, quase retomando o discurso feito em referência à conversão de Francisco no dia 17 de Junho de 2007, quando tive a alegria de visitar esta Diocese. A história da conversão de Clara centra-se na festa litúrgica do Domingo de Ramos. Com efeito, o seu biógrafo escreve: «Estava próximo o dia solene dos Ramos, quando a jovem foi ter com o homem de Deus para lhe perguntar sobre a sua conversão, quando e de que modo devia agir. Padre Francisco ordena que no dia da festa, elegante e ornamentada, vá aos Ramos no meio da multidão do povo, e depois na noite seguinte, saindo da cidade, transforme a alegria mundana no luto do domingo da Paixão. Portanto, quando chegou o dia de domingo, no meio das outras mulheres, a jovem, resplandecente de luz festiva, entra com as outras na igreja. Ali, com prenúncio digno, aconteceu que, enquanto os outros corriam para receber os ramos, Clara, por pudor, permaneceu imóvel e então o Bispo, descendo os degraus, chegou até ela e depôs o ramo na suas mãos» (Legenda Sanctae Clarae virginis, 7: FF 3168).

Tinha passado cerca de seis anos desde que o jovem Francisco empreendera o caminho da santidade. Nas palavras do Crucifixo de São Damião — «Vai, Francisco, repara a minha casa» — e no abraço aos leprosos, Rosto sofredor de Cristo, ele tinha encontrado a sua vocação. Disto brotara o gesto libertador do «despojamento» na presença do Bispo Guido. Entre o ídolo do dinheiro que lhe fora proposto pelo pai terreno, e o amor de Deus que prometia encher o seu coração, não teve dúvidas, e com ímpeto exclamara: «De agora em diante poderei dizer livremente:Pai nosso, que estais no Céu, e não já pai Pietro de Bernardone» (Segunda Vida, 12: FF 597). A decisão de Francisco tinha desconcertado a Cidade. Os primeiros anos da sua nova vida foram caracterizados por dificuldades, amarguras e incompreensões. Mas muitos começaram a meditar. Também a jovem Clara, então adolescente, foi sensibilizada por este testemunho. Dotada de um acentuada sentido religioso, foi conquistada pela «mudança» existencial daquele que tinha sido o «rei das festas». Achou o modo de o encontrar e deixou-se envolver pelo seu fervor por Cristo. O biógrafo faz um esboço do jovem convertido, enquanto instrui a nova discípula: «Padre Francisco exortava-a ao desprezo pelo mundo, demonstrando-lhe com uma palavra viva que a esperança deste mundo é árida e traz desilusão, e instilava nos seus ouvidos a dócil união de Cristo» (Vita Sanctae Clarae Virginis, 5: FF 3164).~

Segundo o Testamento de Santa Clara, ainda antes de receber outros companheiros, Francisco tinha profetizado o caminho da sua primeira filha espiritual e das suas irmãs de hábito. Com efeito, enquanto trabalhava pela restauração da igreja de São Damião, onde o Crucifixo lhe tinha falado, anunciara que aquele lugar teria sido habitado por mulheres que glorificariam Deus com o seu santo teor de vida (cf. FF 2826; cf. Tomás de Celano, Segunda Vida, 13: FF 599). O Crucifixo original encontra-se agora na Basílica de Santa Clara. Aqueles grandes olhos de Cristo, que tinham fascinado Francisco, tornaram-se o «espelho» de Clara. Não é por acaso que o tema do espelho lhe será tão querido e, na iv carta a Inês de Praga, escreverá: «Fixa todos os dias este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nele perscruta continuamente o teu rosto» (FF 2902). Nos anos em que se encontrava com Francisco para aprender dele o caminho de Deus, Clara era uma jovem atraente. O Pobrezinho de Assis mostrou-lhe uma beleza superior, que não se mede com o espelho da vaidade, mas desenvolve-se numa vida de amor autêntico, nas pegadas de Cristo Crucificado. Deus é a beleza verdadeira! O coração de Clara iluminou-se com este esplendor e isto incutiu-lhe a coragem de deixar que lhe cortassem os cabelos e de começar uma vida penitente. Para ela, como para Francisco, esta decisão foi marcada por muitas dificuldades. Se alguns familiares a compreenderam sem dificuldade, e a mãe Ortolana e duas irmãs até a seguiram na sua escolha de vida, outros reagiram violentamente. A sua fuga de casa, na noite entre o Domingo de Ramos e a Segunda-Feira Santa, teve aspectos aventurosos. Nos dias seguintes foi perseguida nos lugares onde Francisco lhe tinha preparado um refúgio e tentaram em vão, até com a força, fazê-la renunciar ao seu propósito.
Clara preparara-se para esta luta. E se Francisco era o seu guia, um apoio paterno vinha-lhe também do Bispo Guido, como vários indícios sugerem. Explica-se assim o gesto do Prelado que se aproximou dela para lhe oferecer o ramo, como que para abençoar a sua escolha corajosa. Sem o apoio do Bispo, dificilmente teria sido possível realizar o projecto idealizado por Francisco e levado a cabo por Clara, quer na consagração que ela fez de si mesma na igreja da Porciúncula na presença de Francisco e dos seus frades, quer na hospitalidade que recebeu nos dias seguintes no mosteiro de São Paulo das Abadessas e na comunidade de «Sant’Angelo in Panzo», antes da chegada definitiva a São Damião. A vicissitude de Clara, como a de Francisco, demonstra assim uma característica eclesial particular. Nela encontram-se um Pastor iluminado e dois filhos da Igreja que se confiam ao seu discernimento. Instituição e carisma interagem maravilhosamente. O amor e a obediência à Igreja, tão acentuados na espiritualidade franciscano-clariana, afundam as raízes nesta bonita experiência da comunidade cristã de Assis, que não só gerou para a fé Francisco e a sua «plantinha», mas também os acompanhou com a mão pelo caminho da santidade.

Francisco tinha visto bem a razão para sugerir a Clara a fuga de casa, no início da Semana Santa. Toda a vida cristã, e portanto também a vida de consagração especial, constituem um fruto do Mistério pascal e uma participação na morte e na ressurreição de Cristo. Na liturgia do Domingo de Ramos, dor e glória entrelaçam-se, como um tema que depois se desenvolve nos dias seguintes, através da obscuridade da Paixão, até à luz da Páscoa. Com a sua escolha, Clara revive este mistério. No dia dos Ramos recebe, por assim dizer, o seu programa. Depois, entra no drama da Paixão, cortando os seus cabelos e com eles renunciando inteiramente a si mesma para ser esposa de Cristo na humildade e na pobreza. Francisco e os seus companheiros já são a sua família. Depressa chegarão irmãs de hábito também de terras distantes, mas os primeiros rebentos, como no caso de Francisco, despontarão precisamente em Assis. Ea Santa permanecerá para sempre vinculada à sua Cidade, demonstrando-o especialmente em certas circunstâncias difíceis, quando a sua oração poupou a Assis violência e devastação. Então, disse às irmãs de hábito: «Caríssimas filhas, desta cidade recebemos todos os dias muitos bens; seria muito ímpio se não lhe prestássemos socorro, como podermos no tempo oportuno» (Legenda Sanctae Clarae Virginis23: FF 3203).

A obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas sempre progride

Angelus de Bento XVI em Castel Gandolfo

CASTEL GANDOLFO, domingo, 15 de julho de 2012(ZENIT.org) – Bento XVI após Visita Pastoral à cidade de Frascati retornou a Castel Gandolfo de onde conduziu ao meio dia a tradicional oração mariana do Angelus.
Apresentamos as palavras dirigidas aos fiéis e peregrinos reunidos no pátio interno da residência pontifícia de Castel Gandolfo :
Queridos irmãos e irmãs!
No calendário litúrgico o dia 15 de julho faz memória a São Boaventura de Bagnoregio, franciscano, doutor da Igreja, sucessor de São Francisco de Assis na condução da Ordem dos Frades Menores.
Ele escreveu a primeira biografia oficial do Poverell’, e no final da vida foi Bispo desta Diocese de Albano. Numa carta, Boaventura escreve: “Confesso diante de Deus que a razão que mais me fez amar a vida do beato Francisco é que ela se assemelha ao início e ao crescimento da Igreja”(Epistula de tribus quaestionibus, na Obra de São Boaventura, Introdução Geral, Roma 1990, p.29).
Estas palavras nos remetem diretamente ao Evangelho deste domingo, que apresenta o primeiro envio em missão dos Doze Apóstolos por parte de Jesus “Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos;
E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas. (Mc 6, 7-9).
Francisco de Assis, depois de sua conversão, praticou ao ‘pé da letra’ este Evangelho, tornando-se uma fidelíssima testemunha de Jesus ; e associado de maneira singular ao mistério da Cruz, foi transformado num ‘outro Cristo’, como o próprio São Boaventura o apresente.”.
Toda a vida de São Boaventura, assim como sua teologia têm como centro inspirador Jesus Cristo. Esta centralidade de Cristo reencontramos na segunda Leitura da Missa de hoje (Ef 1, 3-14), o célebre hino da Carta de São Paulo aos Efésios, que inicia assim: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”.O apóstolo mostra então como se realizou este designo em quatro passagens que começam com a mesma expressão ‘Nele’, referindo à Jesus Cristo. ‘Nele’ o Pai nos escolheu antes da fundação do mundo; ‘Nele’ fomos redimidos mediante o seu sangue; ‘Nele’ nos tornamo herdeiros, predestinados a ser ‘louvor de sua glória’; ‘Nele’aqueles que crêem no Evangelho recebem o sigilo do Espírito Santo.
Este hino paulino contém a visão da história que São Boaventura contribuiu para difundir na Igreja: toda a história tem como centro Cristo, o qual assegura também novidade e renovação a todo tempo. Em Jesus, Deus disse e deu tudo, mas como Ele é um tesouro inexorável, o Espírito Santo jamais deixa de revelar e de atualizar o seu mistério. Por isso a obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas sempre progride
Querido amigos, invoquemos Maria Santíssima, que celebramos amanhã como Virgem do Monte Carmelo, para que nos ajude, como São Francisco e São Boaventura, a responder generosamente a chamada do Senhor, para anunciar o seu Evangelho de salvação com as palavras e antes de tudo com a vida.
Após o Ângelus Bento XVI dirigiu aos presentes a seguinte saudação em português:
Dirijo agora uma saudação especial para os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente para os fiéis da Paróquia São José, de Bragança Paulista e para o grupo de Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, acompanhadas de professores de escolas brasileiras. Agradecido pela amizade e orações, sobre todos invoco os dons do Espírito Santo para serem verdadeiras testemunhas de Cristo no meio das respectivas famílias e comunidades, que de coração abençôo.
(Tradução:MEM)


Quando o silêncio é comunicação
Frei Patrício Sciadini, ocd, religioso, Carmelita Descalço; escreveu mais de 60 livros, publicados no Brasil e no exterior e atualmente é o delegado geral no Egito.
Hoje assistimos a um silêncio que oprime e que deve ser rompido com a coragem profética para que a cadeia das injustiças institucionalizadas não continue a silenciar milhões de pessoas que gritam no deserto.
Este silêncio de morte que vemos por ai desde o silêncio do medo que a máfia de todas as matizes espalham ao seu redor e o “não sei não vi, não escutei”, ao silêncio dos trabalhadores que diante de salários injustos não podem reclamar pelo medo de ficar sem trabalho e ter uma vida pior. Do silêncio das crianças abortadas que não podem nem gritar e nem defender-se ao silêncio dos presos e torturados que devem calar para que outros não sofram injustamente. Estes silêncios invadem os meios de comunicação que, a serviço de poderosos, falsificam a verdade e se colocam do lado do poder para ter cada vez mais um posto mais alto.
Há o silêncio do diabo que está ao lado dos justos e dos santos e com sua presença silenciosa invade o temor e insegurança, gerando o medo coletivo. Não é este o silêncio que deve ser mantido. Este silêncio deve ser rompido para que a voz da verdade possa ser ouvida em todos os lados e que nasça no coração das pessoas o silêncio da esperança que está para nascer. O silêncio é útero da sabedoria a verdade. É no mais profundo de si mesmo que o ser humano necessita descer não para escutar a si mesmo, as suas lamúrias e fracassos ou sonhos idealizados, mas sim para escutar a voz de Deus que o chama a assumir corajosamente a sua identidade de pessoa de cristão sem ter medo de nada e de ninguém.

O Papa, na sua catequese sobre o silêncio, nos recorda citando Santo Agostinho, “que na medida que o Verbo crescer, a palavra do homem diminui”. Aliás diante de Cristo verdade caminho e vida somente tem espaço para o silêncio. O caminho que deve ser percorrido é fugir do “barulho”, seja qual for, quer seja visivo com as imagens que as TV, internet e outros meios jogam com abundância dentro de nós e que nos impedem de refletir, de avaliar, não nos dão o tempo de avaliar os fatos porque quando você começa a pensar é outra imagem que vem e leva longe a primeira. O barulho auditivo que nos persegue todos os dias e sentimos que sempre mais é necessário gritar mais forte para que possa ouvir o barulho distante do outro, mas não escutá-lo.
É um burburinho que chega até nós, sons convulsivos, mas não inteligíveis. São músicas, são palavras que impedem o ser humano de saber “escutar-se e escutar aos demais”; recuperar o silêncio exterior é fundamental. Criar pelo menos uma vez por semana um “oásis de silêncio exterior”, onde possamos permanecer “a sós” duas ou três horas para ouvir a doce brisa que chega até nós e na qual o Deus da vida está escondido( 1 Rs 19, 12) Quando o silêncio é fuga se torna não comunicação, nervosismo, mal estar e espalha ao seu redor um clima de desconfiança e de tristeza.
Quando o silêncio é comunicação é como o perfume que faz sentir sua presença embora não seja palpável. É neste silêncio que devemos entrar novamente para compreender o que diz o místico João da Cruz Uma palavra falou o Pai, que foi seu Filho, e a fala sempre em eterno silêncio e, em silêncio, há de ser ouvida pela alma. Os místicos não são pessoas anti-sociais, mas exemplos de comunicação. Cada palavra que eles pronunciam é palavra de vida, de esperança, de alegria e de amor. E quando a palavra “é como espada a dois gumes que penetra até o miolo dos ossos” é para que seja operadora de conversão e de salvação. Somente quando o ser humano redescobrir a necessidade do silêncio para se medir consigo, com os outros e com Deus, saberá que a força do testemunho não é palavra, mas o silêncio, o doce silêncio. Dando a palavra ainda a João da Cruz:
A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada,
A solidão sonora,
A ceia que recreia e que enamora.(C 15)
É o momento de praticar o que Jesus nos ensina se queremos rezar, falar com Deus e escutar seu Filho bem amado: “desce em você, fecha a porta e fala ao Pai.” (Mt 6)

quarta-feira, 11 de julho de 2012


João XXIII faz um convite à penitência

Com data de 1 de julho de 1962, o Papa João XXIII publica a encíclica «Paenitentiam Agere» onde convida os cristãos à penitência pelo II Concílio do Vaticano. Quando faltavam poucos meses para o início da grande assembleia eclesial, o Papa refere no documento que a Igreja “repete sem cessar que sem penitência nenhum dos seus filhos pode fazer progressos, nem o cristianismo florescer”.
Nesta linha, João XXIII convida os “fiéis a disporem-se dignamente para a celebração do Concílio Ecuménico juntando, às orações e práticas das virtudes cristãs, a mortificação voluntária do corpo” e acrescenta: “engana-se quem julgar que a penitência só é necessária ao princípio, para se entrar no Reino”.
Todos os cristãos precisam dela para “moderarem os seus impulsos, para repelirem os assaltos do inimigo, para guardarem a inocência ou recuperarem a graça perdida pelo pecado”.
Os Papas que convocaram os concílios anteriores também incitaram os cristãos à penitência, por isso, João XXIII pede também aos clérigos e aos leigos que se preparem para a assembleia magna pela oração, “especialmente coletiva, pela prática das boas obras, e pela penitência cristã, de tal maneira que os frutos salutares de fé, caridade e integridade moral brilhem tanto na Igreja de Cristo que os cristãos separados se sintam atraídos a entrar no único rebanho do único Pastor”.
Ao nível das sugestões, o Papa que convocou o II Concílio do Vaticano (teve o seu início em outubro de 1962) solicita que se prescreva nas paróquias “uma novena solene de orações ao Espírito Santo, para rogar a Deus a abundância de luzes e o auxílio do Alto para os padres que tomarão parte no concílio”.
João XXIII pede também para que se realize, a nível diocesano, “uma cerimónia pública de expiação; fazendo-a acompanhar de pregações adequadas, levar-se-á o povo cristão à prática mais ardorosa de muitas obras de misericórdia”.
A primeira penitência necessária “é a interior”, isto é, “a detestação dos pecados cometidos e a expiação, o que se realiza sobretudo por uma boa confissão, pela participação na santa missa e pela comunhão”. As obras de misericórdia exterior “de nada serviam sem a purificação da alma e a detestação do pecado”. Entre os atos exteriores de penitência, o papa que convocou o Concílio salienta que deve dar-se “o primeiro lugar à paciente aceitação dos sofrimentos da vida, das arrelias e incómodos que provêm quer do cumprimento exato dos deveres de Estado, quer da prática das virtudes”, lê-se na encíclica.
Como o Concílio quer contribuir para a “dilatação do Cristianismo”, João XXIII pede aos padres e bispos para lançarem “mão de toda a sua energia e autoridade para que os fiéis que lhes estão confiados purifiquem o coração pelos méritos da penitência e a vivam a piedade”.

domingo, 8 de julho de 2012


Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos seguiam-no.
Chegado o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: «De onde é que isto lhe vem e que sabedoria é esta que lhe foi dada? Como se operam tão grandes milagres por suas mãos?
Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?» E isto parecia-lhes escandaloso.
Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa.» E não pôde fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente. Jesus percorria as aldeias vizinhas a ensinar.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Pedro: Comemoramos hoje o dia dedicado ao príncipe dos Apóstolos e primeiro Papa da Igreja, São Pedro. Esta festa foi instituída por volta do século IV, antes mesmo de ser definida a data actual da festa do Natal.
Ele era um pescador e o seu nome originalmente era Simão, filho de Jonas e irmão de André. Mas Jesus mudou-lhe o nome para Pedro que significa pedra, pois ele seria a rocha forte sobre a qual Jesus edificaria a sua Igreja. Por isso comprovadamente ele foi o primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana.
Uma parte importante da sua vida está documentada nos Evangelhos e nos Actos do Apóstolos; sobre a sua vida em Roma existem muitas e belas narrativas passadas de geração em geração, algumas delas contadas em diferentes romances inspirados nos primeiros tempos da Igreja.
Morreu crucificado como Jesus, mas de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer de maneira igual ao mestre.
São Paulo: Judeu, da tribo de Benjamim, originário de Tarso, chamava-se Saulo. Converteu-se ao cristianismo e tornou-se o grande e insuperável missionário, o apóstolo dos gentios. Foi ele quem lançou as bases da evangelização no mundo helénico, fundando numerosas comunidades e percorrendo toda a Ásia Menor, a Grécia e Roma, anunciando o Evangelho de Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado pelo poder de Deus.
São Paulo foi o primeiro a elaborar uma teologia cristã. Ao lado dos Evangelhos, as suas epístolas são as fontes de todo o pensamento e de toda a vida mística cristã. Isto coloca-o num lugar de destaque entre os maiores pensadores da história do cristianismo.
São Paulo era um homem de fortes paixões e de grande poder de liderança e de organização. É a figura mais cosmopolita de toda a Bíblia. Segundo os estudiosos, Paulo era um homem da cidade, e em nenhum lugar de seus escritos mostra qualquer mentalidade ou interesse pela vida rural ou pela vila.
Nunca houve conversão mais ruidosa do que a sua, tão pouco houve mais sincera, pois o mais furioso perseguidor de Jesus Cristo passou, de repente, a ser um dos seus mais fervorosos apóstolos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Ano da fé, especial contribuição ao atual momento histórico


A conferência de imprensa aconteceu na sala João Paulo II da Santa Sé, conduzida por monsenhor Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.
Fisichella respondeu a ZENIT que é muito importante a participação dos leigos no Ano da Fé e recordou que “o último foi em 1968, com o desejo de recordar o martírio do apóstolo Pedro de acordo com a tradição. Não nos esqueçamos de que 1968 traz à mente de todos um momento particular da história. Naquelas circunstâncias, Paulo VI quis encerrar o Ano da Fé com a profissão de fé recordada em nossos dias como o Credo do Povo de Deus”.

“Portanto, existem momentos extraordinários para circunstâncias peculiares. Neste caso, são os cinquenta anos do Concílio Vaticano II e os vinte da publicação do Catecismo da Igreja católica. Quisemos fazer um momento de reflexão num contexto de crise generalizada”.
“Não escondemos que existe uma crise de fé, mas só quando tomarmos plena consciência da crise é que encontraremos as formas de resolver este momento crítico”.
“O Ano da Fé quer oferecer às pessoas que já creem um apoio para a fé cotidiana, e, para quem ainda está procurando a Deus, um sinal concreto de que Deus está presente e vivo no meio de nós. É a experiência de Jesus Cristo que tem que ser comunicada, também para aqueles que estão buscando a Deus ou, infelizmente, nem sequer se colocam a questão da ausência de Deus. É um modo de indicar que pensar e viver como se Deus não existisse não nos levará muito longe. Achamos que será uma contribuição particular para o atual momento histórico que estamos vivendo”.

Na roda de imprensa, Fisichella apresentou o amplo calendário e lançou o site  www.annusfidei.va, que trará informações sobre os eventos locais e estará disponível em vários idiomas dentro em breve.
O logotipo do evento “reapresenta uma barca, imagem da Igreja navegando sobre as águas. O mastro maior é uma cruz que iça velas com símbolos como o trigrama de Cristo (IHS). No fundo das velas está representado o sol, que, associado ao trigrama, nos leva à eucaristia”.

“O hino oficial do Ano da Fé é o Credo, Domine, adauge nobis fidem,estribilho que invoca o Senhor pedindo que ele nos aumente a fé, sempre frágil e necessitada da sua graça”, prosseguiu Fisichella. “Depois, em setembro, sairá em diversos idiomas o subsídio pastoral Viver o Ano da Fé, preparado para as comunidades paroquiais e para quem quiser conhecer os conteúdos do credo”.
Monsenhor Fisichella quis ressaltar principalmente as motivações indicadas por Bento XVI na carta apostólica Porta Fidei: “Como sucessor de Pedro, recordo a exigência de descobrir o caminho da fé para trazer à luz, sempre com mais evidência, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”.
O Ano da Fé servirá para fortalecer o testemunho de tantos crentes “que nas fadigas cotidianas não deixam de confiar com convicção e coragem a própria existência ao Senhor Jesus”, destacou o promotor da Nova Evangelização.

“Este ano está sendo marcado por uma crise generalizada que atinge também a fé. Submetido há décadas às correrias de um secularismo que em nome da autonomia individual pedia a independência de cada autoridade revelada e assumia o programa de viver no mundo como se Deus não existisse, os nossos contemporâneos se encontram muitas vezes sem saber sequer onde estão. A crise de fé é uma expressão dramática de uma crise antropológica, que abandonou o homem a si mesmo. Por isso, ele se encontra hoje confuso, sozinho, à mercê de forças que ele não conhece e sem uma meta à qual dedicar a sua existência”.
Para encerrar, monsenhor Fisichella agradeceu ao papa por “ter querido este Ano”. “A espera é grande, assim como o desejo de corresponder de modo pleno e coerente”. O religioso se mostrou particularmente agradecido “porque o papa decidiu dedicar as catequeses das quartas-feiras ao tema da fé”.

Ano da fé

Eventos com a presença do Papa

A Santa Sé divulgou ontem durante uma conferência de imprensa o calendário de eventos do Ano da Fé, a partir de 11 de outubro deste ano até 24 de novembro de 2013. Apresentamos aqui aqueles em que o Papa Bento XVI estará presente.
A abertura solene do Ano da Fé, na Praça de São Pedro em 11 de outubro de 2012, e por ocasião do 50 anos do início do Concílio Vaticano II: será uma missa concelebrada por todos os Padres Sinodais, os Presidentes das Conferências Episcopais do mundo e os Padres do Concílio ainda vivos quem puderem participar.
Em 21 de outubro de 2012, será a canonização de seis mártires e confessores da fé: Jacques Barthieu, padre jesuíta, missionário martirizado em Madagascar (1896); Pedro Calungsod, catequista leigo, mártir nas Filipinas (1672); Giovanni Battista Piamarta, sacerdote testemunho de fé na educação da juventude (1913); madre Marianne (Barbara Cope) testemunha de fé na colônia de leprosos de Molokai (1918); Maria do Monte Carmelo, religiosa na Espanha (1911); Catalina Tekakwitha, leiga indígena mohawk do Canadá, primeira santa pele vermelha, convertida ao catolicismo (1680); e Anna Schäffer, leiga da Baviera, testemunha do amor de Cristo a partir de seu leito de sofrimento (1925).
25 de janeiro de 2013: celebração ecumênica na basílica de São Paulo Fora dos Muros em caráter solene.
Sábado, 2 de fevereiro: celebração para os consagrados ao Senhor na religião, na Basílica de São Pedro.
Domingo de Ramos, 24 de março, dedicado aos jovens que se preparam para a Jornada Mundial da Juventude.
Domingo 28 de abril, dedicado aos jovens que receberão a Confirmação. O Santo Padre conferirá a um pequeno grupo de jovens.
Domingo, 5 de maio. Será dedicado à fé e à piedade popular; uma forma peculiar da fé do povo e a vida das confrarias.
A Vigília de Pentecostes, 18 de maio, é dedicada a todos os movimentos, antigos e novos, com peregrinação ao túmulo de São Pedro. "Na praça de São Pedro pediremos ao Senhor que envie-nos ainda, e em tal abundância, o seu Espírito para que se renovem os prodígios como nos primeiros dias da Igreja primitiva."
Festa de Corpus Christi, domingo 02 de junho, com uma solene adoração eucarística simultânea em todo o mundo.
No domingo, 16 de junho: testemunha do 'Evangelho da vida’ em defesa da dignidade da pessoa humana desde a concepção à morte natural.
Domingo 7 de julho.Em São Pedro: conclusão da peregrinação de seminaristas, dos noviços e noviças e daqueles que estão a caminho.
De 23 a28 de Julho: Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.
29 de setembro, dedicado aos catequistas. Recordará também os vinte anos desde a publicação do Catecismo da Igreja Católica.
Domingo, 13 de Outubro, na presença de todas as realidades marianas, para indicar que a Virgem Maria, Mãe de Deus pode realizar autênticas maravilhas.
Domingo, 24 de Novembro. Será realizada a jornada conclusiva do Ano da Fé.
Haverá muitas outras iniciativas, como as dos Dicastérios que celebrarão os 50 anos do Concílio, com várias conferências e atividades culturais.
Não faltarão grandes eventos de caráter cultural, arte, literatura e música, onde tantos homens e mulheres manifestaram genialidade e fé. Dentre estes a exposição no Castel Sant'Angelo de 7 de Fevereiro a 1 de maio com obras particulares sobre a figura do apóstolo Pedro e um grande concerto na Praça de São Pedro no sábado, 22 de Junho.
(Tradução:MEM)

sexta-feira, 15 de junho de 2012


Evangelho segundo S. João 19,31-37.
Por ser a Preparação da Páscoa, e para evitar que no sábado ficassem os corpos na cruz, porque aquele sábado era um dia muito solene, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.

Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e também ao outro que tinha sido crucificado juntamente.

Mas, ao chegarem a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.

Porém, um dos soldados traspassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água.
Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também.
É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: Não se lhe quebrará nenhum osso.
E também outro passo da Escritura diz: Hão-de olhar para aquele que trespassaram.

São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros
Instruções de S. Columbano, n° 13

«Um dos soldados trespassou-Lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água»
Irmãos, sigamos o nosso chamamento: somos chamados pela Vida à fonte da vida; esta fonte não é apenas fonte «de água viva» (Jo 4,10), mas da vida eterna, fonte de luz e de claridade. Com efeito, dela vêm todas as coisas: sabedoria, vida e luz eterna. Senhor, és Tu mesmo esta fonte, sempre e para sempre desejável, e da qual nos é sempre permitido e sempre necessário aurir. «Dá-nos sempre, Senhor Jesus, desta água» para que, também em nós, ela se torne uma fonte de água «a jorrar para a vida eterna» (Jo 4,15.14). É verdade: peço-Te demasiado, como negá-lo? Mas Tu, Rei da glória, sabes dar grandes coisas e Tu mesmo as prometeste. Nada é maior do que Tu e é a Ti próprio que nos dás, foste Tu que Te deste por nós.

É por isso que é a Ti que pedimos porque não queremos receber senão a Ti mesmo. Tu és o nosso tudo: a nossa vida, a nossa luz e a nossa salvação, a nossa comida e a nossa bebida, o nosso Deus. Inspira os nossos corações, suplico-Te, ó Jesus nosso; pelo sopro do Teu Espírito, abençoa as nossas almas com o Teu amor, para que cada um de nós possa dizer com verdade: «Vistes Aquele que o meu coração ama?» (Ct 3,3), porque foi com o Teu amor que fui ferido.

Desejo que essas feridas estejam em mim Senhor. Feliz da alma a quem o amor assim fere ─ a alma que procura a fonte, a que bebe e que, no entanto, não cessa de ter sempre sede, mesmo bebendo, nem de ir sempre em busca dela pelo seu desejo, nem de sempre beber, na sua sede. É assim que ela sempre busca amando, pois encontra a cura na sua própria ferida.

domingo, 10 de junho de 2012

Bem-Aventurado João Paulo II
Encíclica «Dominum et vivificantem», § 46

O pecado contra o Espírito Santo

Por que razão é a «blasfémia» contra o Espírito Santo imperdoável? Em que sentido devemos entender esta «blasfémia»? São Tomás de Aquino responde que se trata de um pecado «imperdoável pela sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados». Segundo tal exegese, a «blasfémia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem mediante o mesmo Espírito Santo, que age em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita este deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo, o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».

Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical desta remissão de que Ele é o dispensador íntimo, e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado, nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical da conversão.
A blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou.
Evangelho segundo S. Marcos 3,20-35.

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo a multidão acorreu, de tal maneira que nem podiam comer.
E quando os seus familiares ouviram isto, saíram a ter mão nele, pois diziam: «Está fora de si!»
E os doutores da Lei, que tinham descido de Jerusalém, afirmavam: «Ele tem Belzebu!» E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios.»
Então, Jesus chamou-os e disse-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás?
Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar;
e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir.
Se, portanto, Satanás se levanta contra si próprio, está dividido e não poderá subsistir; é o seu fim.
Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa.

Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado;
mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno.»
Disse-lhes isto porque eles afirmavam: «Tem um espírito maligno.»
Nisto chegam sua mãe e seus irmãos que, ficando do lado de fora, o mandam chamar.
A multidão estava sentada em volta dele, quando lhe disseram: «Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram.»
Ele respondeu: «Quem são minha mãe e meus irmãos?»
E, percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: «Aí estão minha mãe e meus irmãos.
Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Evangelho segundo S. Lucas 1,39-56.


Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?
Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio.
Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»
Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia.
como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.»
Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.
Bem-aventurado Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara
Considerações sobre as festas do ano
«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa»
Maria, minha mãe, hoje é, ao mesmo tempo, uma festa vossa e uma das festas de Jesus: tal como a Purificação, que é sobretudo a Apresentação de Jesus, também a Visitação é uma das vossas festas tão doces mas é, acima de tudo, uma festa de Nosso Senhor, pois é Ele que age em vós e através de vós. A Visitação é «o amor de Cristo [que] nos urge» (2Co 5,14), é Jesus que, mal entrou em vós, teve sede de fazer outros santos e outras pessoas felizes. Pela Anunciação, Ele manifestou-Se e deu-Se a vós, santificou-vos maravilhosamente. Mas isso não Lhe bastou: no Seu amor pelos homens, quis de imediato manifestar-Se e dar-Se, através de vós, aos outros homens, quis santificar outros homens, e fez com que o transportásseis a casa de São João Baptista. [...]

O que a Virgem santa vai fazer na Visitação não é uma visita à sua prima para se consolarem e se edificarem mutuamente pela narrativa das maravilhas que Deus fez nelas; menos ainda é uma visita de caridade material para a ajudar nos últimos meses da gravidez e no parto. É muito mais do que isso: ela vai santificar São João, anunciar-lhe a Boa Nova [...], não através de palavras suas, mas levando-lhe o silêncio de Jesus. [...]

Assim fazem as religiosas e os religiosos votados à contemplação nos países de missão. [...] Ó minha Mãe, fazei com que sejamos fiéis à nossa missão, à nossa missão tão bela. Que levemos fielmente até junto dessas pobres almas, mergulhadas «na sombra da morte» (Lc 1,79), o divino Jesus.


sábado, 26 de maio de 2012

Evangelho  S. João 21,20-25.
Naquele tempo, Pedro voltou-se e viu que o seguia o discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se tinha apoiado sobre o seu peito e lhe tinha perguntado: 'Senhor, quem é que te vai entregar?'
Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: «Senhor, e que vai ser deste?»
Jesus respondeu-lhe: «E se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me!»


Foi assim que, entre os irmãos, correu este rumor de que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse que ele não havia de morrer, mas sim: «Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso?»
Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu. E nós sabemos bem que o seu testemunho é verdadeiro.
Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever.


Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cistercense
A amizade espiritual, III, 115ss.
Pedro e João: a unidade na diversidade

Algumas pessoas a quem não é concedida uma promoção deduzem daí que não são amadas; se não são envolvidas nos negócios e nas actividades, lastimam-se por terem sido postas de lado. E isto é, sabemo-lo bem, uma fonte de grave desentendimento entre pessoas que passavam por amigas; no cúmulo da indignação, estas pessoas chegam a separar-se e a maldizer-se.

Que ninguém diga que foi posto de lado porque não lhe foi atribuída uma promoção. A este respeito, o Senhor Jesus preferiu Pedro a João; no entanto, não foi por conferir a primazia a Pedro que retirou a sua afeição a João. Confiou a Sua Igreja a Pedro; a João entregou a Sua Mãe muito amada (Jo 19,27). Deu a Pedro as chaves do Seu reino (Mt 16,19); a João mostrou os segredos do Seu coração (Jo 13,25). Por conseguinte, Pedro ocupa um posto elevado, mas o lugar de João é mais seguro.


Embora tivesse recebido o poder, quando Jesus disse: «um de vós há-de entregar-me» (Jo 13,21), Pedro treme e assusta-se como os outros; João, instigado por Pedro e encorajado pela sua proximidade ao Senhor, interroga-O para saber de quem fala. Pedro entrega-se à acção; João é posto à parte, para testemunhar a sua afeição, de acordo com a palavra: «Quero que fique até Eu voltar». Ele deu-nos o exemplo para que também nós façamos o mesmo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012


Evangelho  S. Jo 21,15-19.
Quando Jesus se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de terem comido, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.»

Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.»


E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.
Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.»
E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

Comentário ao Evangelho do dia feito por :
Bem-Aventurado João Paulo II
Encíclica «Ut unum sint» §§ 90-93 
«Apascenta as Minhas ovelhas»
O Bispo de Roma é o Bispo da Igreja que conserva o testemunho do martírio de Pedro e de Paulo. O Evangelho de Mateus traça e especifica a missão pastoral de Pedro na Igreja. «Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja» (16,18). Lucas põe em evidência que Cristo recomenda a Pedro que confirme os irmãos, mas ao mesmo tempo dá-lhe a conhecer a sua fraqueza humana e a sua necessidade de conversão (22,32). É como se, sobre o horizonte da fraqueza humana de Pedro, se manifestasse plenamente que o seu particular ministério na Igreja provém totalmente da graça.

Logo a seguir à sua investidura, Pedro é repreendido com rara severidade por Cristo, que lhe diz: «Tu és para Mim um estorvo» (Mt 16, 23). Como não ver, na misericórdia de que Pedro tem necessidade, uma relação com o ministério daquela misericórdia que ele foi o primeiro a experimentar?Também o Evangelho de João sublinha que Pedro recebe o encargo de apascentar o rebanho com uma tríplice profissão de amor, que corresponde à sua tríplice negação.Quanto a Paulo, conclui a descrição do seu ministério com a surpreendente afirmação que lhe foi concedido ouvir dos lábios do Senhor: «Basta-te a Minha graça, porque é na fraqueza que a Minha força se revela totalmente», podendo em seguida exclamar: «Quando me sinto fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 9-10).

Herdeiro da missão de Pedro [...], o Bispo de Roma exerce um ministério que tem a sua origem na misericórdia multiforme de Deus, a qual converte os corações e infunde a força da graça onde o discípulo sente o sabor amargo da sua fraqueza e miséria. A autoridade própria deste ministério está posta totalmente ao serviço do desígnio misericordioso de Deus e há-de ser vista sempre nesta perspectiva. É nela que se explica o seu poder. Ligado como está à tríplice profissão de amor de Pedro, que corresponde à tríplice negação, o seu sucessor sabe que deve ser sinal de misericórdia. O seu ministério é um ministério de misericórdia, nascido de um acto de misericórdia de Cristo. Toda esta lição do Evangelho deve ser constantemente relida, para que o exercício do ministério petrino nada perca da sua autenticidade e transparência.

terça-feira, 22 de maio de 2012


Evangelho segundo S. João 17,1-11a.
Naquele tempo, Jesus, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste.

Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste. Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar.

E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.

Dei-te a conhecer aos homens que, do meio do mundo, me deste. Eles eram teus e Tu mos entregaste e têm guardado a tua palavra.
Agora ficaram a saber que tudo quanto me deste vem de ti, pois as palavras que me transmitiste Eu lhas tenho transmitido. Eles receberam-nas e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste. É por eles que Eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me confiaste, porque são teus.
Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu; e neles se manifesta a minha glória.
Doravante já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos!

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja. Sermões sobre o Evangelho de João, nos. 104-105


«Pai, glorifica o Teu Filho, a fim de que o Filho Te glorifique»
Há pessoas que pensam que o Filho foi glorificado pelo Pai na medida em que Ele não O poupou, mas O entregou por todos nós (Rom. 8,32). Mas, se Ele foi glorificado na Sua Paixão, quanto mais o não foi na Sua ressurreição! Na Paixão, a Sua humildade aparece mais do que o Seu esplendor. A fim de que «o mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo» (1 Tm 2,5), fosse glorificado na Sua ressurreição, foi humilhado na Sua Paixão. Nenhum cristão duvida: é evidente que o Filho foi glorificado sob a forma de servo, que o Pai ressuscitou e fez sentar à Sua direita (Fil 2,7; Ac 2,34).

Mas o Senhor não diz apenas: «Pai, glorifica o Teu Filho»; acrescenta: «para que o Teu Filho Te glorifique». Pergunta-se, e com razão, como é que o Filho glorificou o Pai. Na verdade, a glória do Pai, em si mesma, não pode aumentar nem diminuir. No entanto, era menor entre os homens quando Deus só era conhecido «na Judeia» e «os Seus servos não louvavam o nome do Senhor desde o nascer ao pôr do sol» (Sl 75,2; 112,1-3). Isto foi consequência do Evangelho de Cristo, que deu a conhecer às nações o Pai através do Filho: e foi assim que o Filho glorificou o Pai.

Se o Filho tivesse apenas morrido e não tivesse ressuscitado, não teria sido glorificado pelo Pai nem o Pai por Ele. Agora, glorificado pelo Pai na Sua ressurreição, glorifica o Pai pela pregação da Sua ressurreição. Isto vê-se na própria ordem das palavras: «Pai, glorifica o Teu Filho, para que o Teu Filho Te glorifique», como se dissesse: «Ressuscita-Me, para que, por Mim, sejas conhecido em todo o universo». Nesta vida, Deus é glorificado quando a pregação O dá a conhecer aos homens; e é pregado pela fé dos que crêem n'Ele.

sexta-feira, 18 de maio de 2012


Evangelho segundo S. João 16,20-23a.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria!

A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo.

Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.

Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona e doutor da Igreja

Sermão 171, sobre a Carta aos Filipenses

«Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria»
«Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos» (Fl 4,4). O apóstolo Paulo ordena-nos que sejamos felizes, mas no Senhor, e não segundo o mundo. Como está dito nas Escrituras: «Quem quiser ser amigo deste mundo torna-se inimigo de Deus!» (Tg 4,4). Tal como não podemos servir a dois senhores (Mt 6,24), também não podemos ser felizes, simultaneamente, no mundo e no Senhor. Que a alegria no Senhor prevaleça, portanto, até que desapareça a alegria pelas coisas do mundo; que a alegria no Senhor aumente sempre. Não digo isto significando que, porque vivemos no mundo, nunca nos devamos alegrar; mas para que, mesmo vivendo no mundo, sejamos felizes no Senhor.


Haverá quem diga, porém: «Estou neste mundo; se sou feliz, sou feliz aqui, onde estou.» E então? Porque estás no mundo, não estás no Senhor? Escuta ainda São Paulo acerca de Deus e do Senhor, nosso Criador: «É n'Ele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17,28). Porque Ele está em todo o lado; haverá lugar onde não esteja? Não era sobre isto que ele nos exortava? «O Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar» (Fl 4,5-6).

Grande mistério, este: Ele subiu aos céus, e está próximo dos que habitam a Terra. Quem, portanto, poderá estar simultaneamente longe e tão perto, a não ser Aquele que, por misericórdia, se aproximou tanto de nós?





quarta-feira, 16 de maio de 2012


Evangelho segundo S. João 16,12-15.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora.
Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir.


Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer.
Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.»


Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego, santo das Igrejas Ortodoxas Catequeses, 33; SC 113
«Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa»

A «chave do conhecimento» (Lc 11,52) não é senão a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé. Pela iluminação, ela produz um conhecimento muito real, e mesmo o conhecimento completo. Ela abre o nosso espírito fechado na obscuridade, muitas vezes com parábolas e símbolos, mas também com declarações mais claras.  Prestai pois muita atenção ao sentido espiritual da palavra. Se a chave não for adequada, a porta não se abrirá. Porque, disse o Bom Pastor, «é a ele que o porteiro abre» (Jo 10,3). Mas, se a porta não se abrir, ninguém entra na casa do Pai, porque Cristo disse: «Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6).

Ora, é o Espírito Santo Quem primeiro abre o nosso espírito e nos ensina o que se refere ao Pai e ao Filho. Cristo disse-nos: «O Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, dará testemunho a Meu favor, e guiar-vos-á a toda a verdade» (Jo 15,26; 16,13). Vede como, pelo Espírito, ou melhor, no Espírito, o Pai e o Filho Se dão a conhecer inseparavelmente. 

Se chamamos ao Espírito Santo uma chave, é porque é primeiramente por Ele e n'Ele que o nosso espírito é iluminado. Uma vez purificados, somos iluminados pela luz do conhecimento. Somos baptizados do alto, recebemos um novo nascimento e tornamo-nos filhos de Deus, como disse São Paulo: «O Espírito Santo intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8,26). E ainda: «Deus enviou aos nossos corações o Espírito que clama: 'Abba, Pai'» (Gal 4,6). É por conseguinte Ele que nos mostra a porta, porta que é luz, e a porta ensina-nos que Aquele que habita esta casa é também luz inacessível.