quarta-feira, 11 de julho de 2012


João XXIII faz um convite à penitência

Com data de 1 de julho de 1962, o Papa João XXIII publica a encíclica «Paenitentiam Agere» onde convida os cristãos à penitência pelo II Concílio do Vaticano. Quando faltavam poucos meses para o início da grande assembleia eclesial, o Papa refere no documento que a Igreja “repete sem cessar que sem penitência nenhum dos seus filhos pode fazer progressos, nem o cristianismo florescer”.
Nesta linha, João XXIII convida os “fiéis a disporem-se dignamente para a celebração do Concílio Ecuménico juntando, às orações e práticas das virtudes cristãs, a mortificação voluntária do corpo” e acrescenta: “engana-se quem julgar que a penitência só é necessária ao princípio, para se entrar no Reino”.
Todos os cristãos precisam dela para “moderarem os seus impulsos, para repelirem os assaltos do inimigo, para guardarem a inocência ou recuperarem a graça perdida pelo pecado”.
Os Papas que convocaram os concílios anteriores também incitaram os cristãos à penitência, por isso, João XXIII pede também aos clérigos e aos leigos que se preparem para a assembleia magna pela oração, “especialmente coletiva, pela prática das boas obras, e pela penitência cristã, de tal maneira que os frutos salutares de fé, caridade e integridade moral brilhem tanto na Igreja de Cristo que os cristãos separados se sintam atraídos a entrar no único rebanho do único Pastor”.
Ao nível das sugestões, o Papa que convocou o II Concílio do Vaticano (teve o seu início em outubro de 1962) solicita que se prescreva nas paróquias “uma novena solene de orações ao Espírito Santo, para rogar a Deus a abundância de luzes e o auxílio do Alto para os padres que tomarão parte no concílio”.
João XXIII pede também para que se realize, a nível diocesano, “uma cerimónia pública de expiação; fazendo-a acompanhar de pregações adequadas, levar-se-á o povo cristão à prática mais ardorosa de muitas obras de misericórdia”.
A primeira penitência necessária “é a interior”, isto é, “a detestação dos pecados cometidos e a expiação, o que se realiza sobretudo por uma boa confissão, pela participação na santa missa e pela comunhão”. As obras de misericórdia exterior “de nada serviam sem a purificação da alma e a detestação do pecado”. Entre os atos exteriores de penitência, o papa que convocou o Concílio salienta que deve dar-se “o primeiro lugar à paciente aceitação dos sofrimentos da vida, das arrelias e incómodos que provêm quer do cumprimento exato dos deveres de Estado, quer da prática das virtudes”, lê-se na encíclica.
Como o Concílio quer contribuir para a “dilatação do Cristianismo”, João XXIII pede aos padres e bispos para lançarem “mão de toda a sua energia e autoridade para que os fiéis que lhes estão confiados purifiquem o coração pelos méritos da penitência e a vivam a piedade”.

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