domingo, 20 de maio de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Evangelho segundo S. João 16,20-23a.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e
lamentar-vos, ao passo que o mundo há-de gozar. Vós haveis de estar tristes,
mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria!
A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora;
mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria
de ter vindo um homem ao mundo.
Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o
vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.
Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se
pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará.
Comentário ao Evangelho do dia feito por :
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona e doutor da Igreja
Sermão 171, sobre a Carta aos Filipenses
«Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria»
«Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo:
alegrai-vos» (Fl 4,4). O apóstolo Paulo ordena-nos que sejamos felizes, mas no
Senhor, e não segundo o mundo. Como está dito nas Escrituras: «Quem quiser ser
amigo deste mundo torna-se inimigo de Deus!» (Tg 4,4). Tal como não podemos
servir a dois senhores (Mt 6,24), também não podemos ser felizes,
simultaneamente, no mundo e no Senhor. Que a alegria no Senhor prevaleça,
portanto, até que desapareça a alegria pelas coisas do mundo; que a alegria no
Senhor aumente sempre. Não digo isto significando que, porque vivemos no
mundo, nunca nos devamos alegrar; mas para que, mesmo vivendo no mundo, sejamos
felizes no Senhor.
Haverá quem diga, porém: «Estou neste mundo; se sou feliz, sou feliz aqui, onde
estou.» E então? Porque estás no mundo, não estás no Senhor? Escuta ainda São
Paulo acerca de Deus e do Senhor, nosso Criador: «É n'Ele, realmente, que
vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17,28). Porque Ele está em todo o lado;
haverá lugar onde não esteja? Não era sobre isto que ele nos exortava? «O
Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar» (Fl 4,5-6).
Grande mistério, este: Ele subiu aos céus, e está próximo dos que habitam a
Terra. Quem, portanto, poderá estar simultaneamente longe e tão perto, a não
ser Aquele que, por misericórdia, se aproximou tanto de nós?
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Evangelho segundo S. João 16,12-15.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois
capazes de as compreender por agora.
Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade
completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir
e anunciar-vos o que há-de vir.
Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará
a conhecer.
Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e
vo-lo dará a conhecer'.»
Simeão, o
Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego, santo das Igrejas Ortodoxas Catequeses, 33; SC 113
«Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de
guiar-vos para a Verdade completa»
A «chave do conhecimento» (Lc 11,52) não é senão a
graça do Espírito Santo, que é dada pela fé. Pela iluminação, ela produz um
conhecimento muito real, e mesmo o conhecimento completo. Ela abre o nosso
espírito fechado na obscuridade, muitas vezes com parábolas e símbolos, mas
também com declarações mais claras. Prestai pois muita atenção ao sentido
espiritual da palavra. Se a chave não for adequada, a porta não se abrirá.
Porque, disse o Bom Pastor, «é a ele que o porteiro abre» (Jo 10,3). Mas, se a
porta não se abrir, ninguém entra na casa do Pai, porque Cristo disse: «Ninguém
vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6).
Ora, é o Espírito Santo Quem primeiro abre o nosso espírito e nos ensina o que
se refere ao Pai e ao Filho. Cristo disse-nos: «O Espírito da Verdade, que
procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, dará testemunho a
Meu favor, e guiar-vos-á a toda a verdade» (Jo 15,26; 16,13). Vede como, pelo Espírito,
ou melhor, no Espírito, o Pai e o Filho Se dão a conhecer inseparavelmente.
Se chamamos ao Espírito Santo uma chave, é porque é primeiramente por Ele e
n'Ele que o nosso espírito é iluminado. Uma vez purificados, somos iluminados
pela luz do conhecimento. Somos baptizados do alto, recebemos um novo
nascimento e tornamo-nos filhos de Deus, como disse São Paulo: «O Espírito
Santo intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8,26). E ainda: «Deus
enviou aos nossos corações o Espírito que clama: 'Abba, Pai'» (Gal 4,6). É por
conseguinte Ele que nos mostra a porta, porta que é luz, e a porta ensina-nos
que Aquele que habita esta casa é também luz inacessível.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Evangelho segundo S. João 16,5-11.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me
pergunta: 'Para onde vais?'
Mas, por vos ter anunciado estas coisas, o vosso coração ficou cheio de tristeza.
Contudo, digo-vos a verdade: é melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei.
Mas, por vos ter anunciado estas coisas, o vosso coração ficou cheio de tristeza.
Contudo, digo-vos a verdade: é melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei.
E, quando Ele vier, dará ao mundo provas irrefutáveis de uma culpa, de uma inocência e de um julgamento:
de uma culpa, pois não creram em mim; de uma inocência, pois Eu vou para o Pai, e já não me vereis; de um julgamento, pois o dominador deste mundo ficou condenado.»
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
3º sermão para o Pentecostes
«É melhor para vós que Eu vá»
O Espírito Santo estendeu sobre a Virgem Maria a Sua
sombra (Lc 1,35) e, no dia de Pentecostes, fortificou os apóstolos; a Ela,
fê-lo para suavizar o efeito da vinda da divindade ao seu corpo virginal e a
eles, para os revestir com a força do alto (cf. Lc 24,49), isto é, com a mais
ardente caridade. Como teriam eles, na sua fraqueza, podido cumprir a sua
missão de triunfar sobre a morte sem «esse amor, mais forte que a morte», e de
não permitir que «as portas do abismo prevalecessem sobre eles» sem esse amor
mais inflexível que o abismo? (cf. Mt 16,18; Ct 8,6)
Ora, ao ver esse zelo,
alguns julgavam-nos ébrios (cf. Act 2,13). Efectivamente, estavam ébrios, mas
de um vinho novo, aquele que a «verdadeira videira» deixara derramar do
alto do céu, aquele que «alegra o coração do homem» (cf. Jo 15,1; Sl 103,15). Era um vinho novo para os habitantes da terra mas, no céu, encontrava-se
em abundância [...], jorrava em golfadas pelas ruas e pelas praças da cidade
santa, por onde espalhava a alegria do coração.
Assim, havia no céu um vinho especial que a terra desconhecia. Mas a terra
tinha também qualquer coisa que lhe era própria e que era a sua glória — a
carne de Cristo — e os céus tinham uma grande sede da presença dessa carne.
Quem poderia impedir essa troca tão certa e tão rica em graça entre o céu e a
terra, entre os anjos e os apóstolos, de forma que a terra possuísse o Espírito
Santo e o céu a carne de Cristo? «Se Eu não for, o Paráclito não virá a
vós», disse Jesus. Quer dizer, se não deixais partir aquilo que amais, não
obtereis o que desejais. «É melhor para vós que Eu vá» e que vos transporte da
terra ao céu, da carne ao espírito; pois o Pai é espírito, o Filho é espírito e
o Espírito Santo é também espírito. E o Pai «é espírito; por isso, os que
O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4,23-24).
segunda-feira, 14 de maio de 2012
S. João 15,9-17.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós.
Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu,
que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor.
Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa
alegria seja completa.
É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.
Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o
seu senhor; mas a vós chamei- -vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que
ouvi ao meu Pai.
Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei
a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai
em meu nome Ele vo-lo concederá.
É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.»
São João
Crisóstomo (c.345-407), presbítero em Antioquia, depois bispo de
Constantinopla, doutor da Igreja
3.ª Homilia sobre os Actos dos Apóstolos (trad. do breviário)
3.ª Homilia sobre os Actos dos Apóstolos (trad. do breviário)
São Matias, testemunha da Ressurreição, escolhido por
Deus
«Naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos
discípulos» (Act 1,15ss.), Pedro, a quem Cristo tinha confiado o rebanho,
movido pelo fervor do seu zelo e dado que era o primeiro dentro do grupo, foi o
primeiro a tomar a palavra [e] «disse: Irmãos, é necessário escolher de entre os homens que andaram connosco».
Reparai como se empenha em que tenham
sido testemunhas oculares; embora o Espírito Santo houvesse de vir depois sobre
eles, dá a isso grande importância. «De entre os homens que andaram connosco,
todo o tempo que o Senhor Jesus passou no meio de nós». Refere-se àqueles que
viveram com Jesus e não aos que eram apenas discípulos. De facto, eram muitos
os que O seguiam desde o princípio «até ao dia em que nos foi levado para
o alto; é necessário, pois, que um deles se torne connosco testemunha da Sua
Ressurreição».
Não disse: testemunha de tudo o mais; mas só: «testemunha da Ressurreição». Na verdade, seria mais digno de fé quem pudesse testemunhar: Aquele que vimos comer e beber e que foi crucificado, foi Esse que ressuscitou. Não interessava ser testemunha do tempo anterior nem do seguinte, nem dos milagres, mas simplesmente da Ressurreição. Porque todos os outros factos eram manifestos e públicos; só a Ressurreição se tinha realizado secretamente e só eles a conheciam.
Não disse: testemunha de tudo o mais; mas só: «testemunha da Ressurreição». Na verdade, seria mais digno de fé quem pudesse testemunhar: Aquele que vimos comer e beber e que foi crucificado, foi Esse que ressuscitou. Não interessava ser testemunha do tempo anterior nem do seguinte, nem dos milagres, mas simplesmente da Ressurreição. Porque todos os outros factos eram manifestos e públicos; só a Ressurreição se tinha realizado secretamente e só eles a conheciam.
domingo, 13 de maio de 2012
Conhecer-te
é deixar que me envolvas intimamente,
É permanecer
num dinamismo imparável do amor que
Me leva
a descansar na verdura dos Teus prados,
Na veracidade
das tuas doces Palavras,
Na certeza
de que estás presente na Tua Igreja
E que
palpitas no coração dos irmãos…
Pedras
preciosas são as sílabas harmoniosas do amor
Que
procuro viver e experimentar no riacho que transborda
Da Ressurreição
que é Vida e plena abundância do Teu amor por mim…
A efusão
do Teu Espírito desce sobre todos sem distinção…
Urge
um novo Pentecostes, para que ardamos no fogo do Teu amor…
É preciso
um renovar a escuta da Tua Palavra como coração ardente…
É necessário
deixar que a brisa do teu Espírito inunde de paz o meu ser…
A aridez
da minha secura, as friestas do meu deserto, as trevas da minha vida, se façam luz a iluminar tanta cegueira!
Tudo se refaz com amor, com a vivência dum permanecer unida a Ti como os ramos à videira…
Preciso
com afincado amor, de renovar o sim da primeira hora,
Preciso
de medir a temperatura escaldante da minha permanente disponibilidade
Para
Te acolher em mim como o Dom maravilhoso e misericordioso do teu amor…
Devo
sentir-me humilde instrumento nas Tuas mãos e só assim compreenderei a missão
Que
me convida a permanecer firme, fiel e feliz no Teu amor…
É a
Tua vida que corre na minha vida, é o Teu amor que faz brotar em mim gestos de
amor
Livres, gratuitos, sem nada esperar em troca… Verdadeiros
dons do teu imenso amor…
Olho o Céu! Ignoro a dor e a luta! Sei que caminhas a meu
lado
e me reafirmas o teu
amor…
Tu, és amor, Tu és seiva que vibra nos vasos do meu corpo,
Tu és minha liberdade interior, Tu, me escolhes, me
fazes discípula…
Tu marcas a vida dos que convidas a fazer este percurso de
amor sem limites nem condições…
Tu me convidas a
contemplar e a tirar as mil conclusões sobre a fecundidade do amor
daqueles que
permanecem em Ti e contigo querem dar fruto abundante.
Quantas torrentes de afetos se
experimentam quando se ama aquele
que continua a dar a vida e a
amar-nos até ao fim!
13 de maio de 2012
Paulo VI,
papa de 1963-1978
Exortação apostólica «Gaudete in domino» sobre a alegria cristã, § 4
«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a
Minha alegria»
Durante vinte séculos, a fonte da alegria espiritual
não deixou de fluir na Igreja, e em especial no coração dos santos. Na
vida dos membros da Igreja, a sua participação na alegria do Senhor é
inseparável da celebração do mistério eucarístico, onde são alimentados e
saciados pelo Seu corpo e pelo Seu sangue. Porque neste sacramento, sustentados
como viajantes no caminho da eternidade, recebem já os primeiros frutos da
alegria do fim dos tempos.
A partir desta perspectiva, a alegria ampla e profunda que é derramada já neste
mundo no coração dos verdadeiros crentes revela-se «transbordante», como a vida
e o amor do qual é justamente sinal. A alegria é o resultado de uma comunhão
entre o homem e Deus, e aspira a uma comunhão cada vez mais universal; a alegria
não pode incitar aqueles que a experimentam a uma atitude de auto-absorção. Ela
dá ao coração uma abertura universal ao mundo, ao mesmo tempo que o alimenta
com o desejo de experimentar os bens eternos.
A alegria faz com que os cristãos se orientem fervorosamente para a consumação
celeste das núpcias do Cordeiro (Ap 19.7), permanecendo serenamente distendida
entre o tempo das fadigas da terra e a paz da morada eterna, de acordo com a
lei da gravitação do Espírito: «Se já agora, tendo recebido essa garantia dos
dons do Espírito (2Cor 5,5), clamamos 'Abba, Pai' (Gal 4,6), o que não será
quando, ressuscitados, O virmos face a face (1Cor 13,12), quando todos os
membros do Corpo de Cristo irromperem num hino de alegria, glorificando Aquele
que os ressuscitou de entre os mortos e lhes deu o dom da vida eterna? O
que não fará toda a graça do Espírito, finalmente dada aos homens por Deus?
Tornar-nos-á semelhantes a Ele e dará efeito à vontade do Pai, porque tornará o
homem à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26)» (Ireneu de Lião). Neste mundo,
os santos oferecem-nos já um vislumbre dessa semelhança.
Evangelho segundo S. João 15,9-17.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós.
Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu,
que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor.
Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa
alegria seja completa.
É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.
Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o
seu senhor; mas a vós chamei- -vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que
ouvi ao meu Pai.
Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei
a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai
em meu nome Ele vo-lo concederá.
É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.»
sábado, 12 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Cardeal
Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]
Meditationen zur Karwoche, 1969
Meditationen zur Karwoche, 1969
«Eu vou, mas voltarei a vós»
O evangelista João faz remontar ao momento da cruz os
dois sacramentos [do baptismo e da eucaristia]: vê-os jorrar do lado aberto do
Senhor (19,34) e aí descobre o cumprimento de certas palavras de Jesus no Seu
discurso de despedida: «Eu vou, mas voltarei a vós» (grego). «Partindo, venho;
sim, a Minha partida – a morte na cruz – é também a Minha vinda.»
Enquanto estamos vivos, o corpo não é apenas a ponte que nos liga uns aos outros, é também a barreira que nos separa, que nos encerra no reduto intransponível do nosso eu. [...] O Seu lado aberto torna-se o símbolo da nova abertura que o Senhor adquiriu na morte. Desde então, a barreira do Seu corpo desapareceu: o sangue e a água correm do Seu flanco, através da história, numa imensa onda; enquanto Ressuscitado, Ele é o espaço aberto que a todos nos convida.
O Seu regresso não é um acontecimento longínquo situado no fim dos tempos; iniciou-se já à hora da Sua morte quando, ao partir, Ele veio de forma completamente nova para o meio de nós. Assim, na morte do Senhor, cumpriu-se o destino do grão de trigo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dará muito fruto (Jo 12, 24). Todos nós vivemos ainda do fruto deste grão que morreu. No pão da eucaristia, recebemos a inesgotável multiplicação dos pães do amor de Jesus Cristo, rico o bastante para saciar a fome por todos os séculos.
Enquanto estamos vivos, o corpo não é apenas a ponte que nos liga uns aos outros, é também a barreira que nos separa, que nos encerra no reduto intransponível do nosso eu. [...] O Seu lado aberto torna-se o símbolo da nova abertura que o Senhor adquiriu na morte. Desde então, a barreira do Seu corpo desapareceu: o sangue e a água correm do Seu flanco, através da história, numa imensa onda; enquanto Ressuscitado, Ele é o espaço aberto que a todos nos convida.
O Seu regresso não é um acontecimento longínquo situado no fim dos tempos; iniciou-se já à hora da Sua morte quando, ao partir, Ele veio de forma completamente nova para o meio de nós. Assim, na morte do Senhor, cumpriu-se o destino do grão de trigo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dará muito fruto (Jo 12, 24). Todos nós vivemos ainda do fruto deste grão que morreu. No pão da eucaristia, recebemos a inesgotável multiplicação dos pães do amor de Jesus Cristo, rico o bastante para saciar a fome por todos os séculos.
Evangelho S. João 14,27-31a.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o
mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde.
Ouvistes o que Eu vos disse: 'Eu vou, mas voltarei a vós.' Se me tivésseis
amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu.
Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer.
Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele
nada pode contra mim, mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou.
Levantai-vos, vamo-nos daqui!»
segunda-feira, 7 de maio de 2012
"É indispensável permanecer sempre
unidos a Jesus"
Regina Coeli de Bento XVI no 5° Domingo
do Tempo Pascal
Queridos irmãos
e irmãs!
O Evangelho de hoje, 5º domingo do
Tempo Pascal, se abre com a imagem da vinha. Jesus disse aos seus discípulos:
“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (Jo 15,1). Muitas
vezes, na Bíblia, Israel é comparada com a fecunda vinha quando é fiel a Deus;
mas, se afasta-se Dele, torna-se estéril, incapaz de produzir aquele “vinho que
alegra o coração do homem”, como canta o Salmo 104 (v.15).
A verdadeira vinha de Deus, a videira
verdadeira, é Jesus, que com Seu sacrifício de amor nos doa a salvação, nos
abre o caminho para ser parte desta vinha. E como Cristo permanece no amor de
Deus Pai, assim, os discípulos, cuidadosamente podados pela palavra do Mestre
(cfr Jo 15,2-4), são unidos de modo profundo a Ele, tornando-se ramos fecundos,
que produzem abundante colheita.
São Francisco de Sales escreve: “O ramo
unido e em conjunto com o tronco porta fruto não por virtude própria, mas em
virtude da estirpe: agora, fomos unidos pela caridade ao nosso Redentor, como
membros à cabeça; eis porque... boas obras, tendo o seu valor com Ele, merecem
a vida eterna” (Tratado do Amor de Deus, XI, 6, Roma 2011, 601).
No dia de nosso Batismo, a Igreja nos
envolve como ramos no mistério pascal de Jesus, em sua própria pessoa. Desta
raiz recebemos a seiva preciosa para participar na vida divina. Como
discípulos, também nós, com a ajuda dos Pastores da Igreja, crescemos na vinha do
Senhor ligado pelo Seu amor.
São
Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
Homilias sobre os Evangelhos, nº 30, 3.5
Homilias sobre os Evangelhos, nº 30, 3.5
«O Espírito Santo vos ensinará tudo, e há-de
recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»
O Senhor promete justamente que o Espírito «há-de
recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» Porque, se este Espírito não tocar o
coração dos que escutam, vã é a palavra dos que ensinam.
Portanto, que ninguém atribua àquele que ensina o que a boca do professor lhe fez compreender: se não houver Alguém que nos ensine por dentro, a língua do que ensina trabalha no vazio. Vós todos os que aqui estais, escutais a minha voz da mesma maneira; e, no entanto, não entendeis da mesma maneira o que escutais. Quer dizer que a voz não instruí, se a alma não receber a unção do Espírito.
Portanto, que ninguém atribua àquele que ensina o que a boca do professor lhe fez compreender: se não houver Alguém que nos ensine por dentro, a língua do que ensina trabalha no vazio. Vós todos os que aqui estais, escutais a minha voz da mesma maneira; e, no entanto, não entendeis da mesma maneira o que escutais. Quer dizer que a voz não instruí, se a alma não receber a unção do Espírito.
A palavra do
pregador é vã se não for capaz de acender o fogo do amor nos corações. Os
discípulos que diziam: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo
caminho e nos explicava as Escrituras?» (Lc 24,32) tinham recebido esse fogo da
própria boca da Verdade.
Quando se ouvem tais palavras, o coração abrasa-se, o
torpor frio abandona-o, o espírito já não consegue encontrar repouso e dá por
si a desejar os bens do Reino dos céus. O amor verdadeiro que o preenche
arranca-lhe lágrimas.
Como fica feliz por escutar esse ensinamento que vem
do alto e esses mandamentos que, em nós, se transformam numa tocha que nos
inflama. de amor interior. A palavra chega ao nosso ouvido e o nosso
espírito, transformado, consome-se numa doce chama interior.
Evangelho segundo S. João 14,21-26.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que
Me tem amor; e quem Me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e
hei-de manifestar-Me a ele.»
Perguntou-lhe Judas, não o Iscariotes: «Porque te hás-de manifestar a nós e não
te manifestarás ao mundo?»
Respondeu-lhe Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o
meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.
Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é
minha, mas é do Pai, que me enviou».
«Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco;
mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos
ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»
domingo, 6 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Evangelho segundo S. João 14,7-14.
Naquele tempo, disse Jesus
aos seus discípulos: «Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai.
E já O conheceis, pois estais a vê-lO.»
Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»
Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a
conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos
o Pai'?
Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não
as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas
obras.
Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa
dessas mesmas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu
realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai,
e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a
glória do Pai.
Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»
terça-feira, 1 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Evangelho segundo S. João 10,1-10.
Naquele tempo, disse Jesus:
«Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das
ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador. Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair.
Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz.
Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.»
Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.
Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção.
Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem.
O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
domingo, 29 de abril de 2012
João 10,11-18.
Naquele tempo, disse Jesus:
«Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o
lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.
Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas
ovelhas.
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de
as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a
retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer
e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»
percorre as ravinas
para chegar até à ovelha perdida. Mesmo que a encontre em mau estado, não Se
encoleriza mas, tocado pela compaixão, põe-na aos ombros e, com a Sua própria
fadiga, cura a ovelha fatigada (cf. Lc 15,4ss).
É com razão que Cristo proclama: Eu Sou o Bom Pastor, «procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente (Ez 34,16). Eu vi o rebanho dos homens acabrunhado pela doença; vi os meus cordeiros irem para onde moram os demónios; vi o Meu rebanho despedaçado pelos lobos. Vi tudo isto e não foi do alto. Foi por isso que tomei a mão dissecada pelo mal como se tivesse sido mordida por um lobo; libertei aqueles que a febre tinha aprisionado; ensinei a ver aquele que tinha os olhos fechados desde o seio da sua mãe; retirei Lázaro do túmulo onde jazia já há quatro dias (Mc 3,5; 1,31; Jo 9; 11). «Porque Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas».
Os profetas conheceram este pastor visto que, bem antes da Sua Paixão, já Ele anunciava o que estaria para vir: «Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). Como uma ovelha, o pastor expôs a sua garganta pelas suas ovelhas. [...] Pela Sua morte, remediou a morte; pelo Seu túmulo, esvaziou os túmulos. [...]
Os túmulos estão tristes e a prisão está fechada enquanto o pastor, descido da cruz, não vem trazer às Suas ovelhas encarceradas a alegre notícia da libertação. Vemo-Lo nos infernos, onde dá a ordem de libertação (1Pe 3,19); vemo-Lo chamar de novo as Suas ovelhas, chamá-las como as chamou da morada dos mortos para a vida. «O bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas.» É assim que Ele Se propõe ganhar a afeição das Suas ovelhas e aquelas que sabem ouvir a Sua voz amam a Cristo.
Comentário
ao Evangelho do dia feito por : Basílio de Seleuceia - Oratio 26
«Eu sou o bom pastor; conheço as Minhas ovelhas e as
Minhas ovelhas conhecem-Me»
Olhemos para o nosso pastor: Cristo. [...] Ele
alegra-Se com as Suas ovelhas que estão perto de Si e vai à procura das que se
perderam. Não Lhe fazem medo as montanhas nem as florestas;
percorre as ravinas
para chegar até à ovelha perdida. Mesmo que a encontre em mau estado, não Se
encoleriza mas, tocado pela compaixão, põe-na aos ombros e, com a Sua própria
fadiga, cura a ovelha fatigada (cf. Lc 15,4ss).É com razão que Cristo proclama: Eu Sou o Bom Pastor, «procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente (Ez 34,16). Eu vi o rebanho dos homens acabrunhado pela doença; vi os meus cordeiros irem para onde moram os demónios; vi o Meu rebanho despedaçado pelos lobos. Vi tudo isto e não foi do alto. Foi por isso que tomei a mão dissecada pelo mal como se tivesse sido mordida por um lobo; libertei aqueles que a febre tinha aprisionado; ensinei a ver aquele que tinha os olhos fechados desde o seio da sua mãe; retirei Lázaro do túmulo onde jazia já há quatro dias (Mc 3,5; 1,31; Jo 9; 11). «Porque Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas».
Os profetas conheceram este pastor visto que, bem antes da Sua Paixão, já Ele anunciava o que estaria para vir: «Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). Como uma ovelha, o pastor expôs a sua garganta pelas suas ovelhas. [...] Pela Sua morte, remediou a morte; pelo Seu túmulo, esvaziou os túmulos. [...]
Os túmulos estão tristes e a prisão está fechada enquanto o pastor, descido da cruz, não vem trazer às Suas ovelhas encarceradas a alegre notícia da libertação. Vemo-Lo nos infernos, onde dá a ordem de libertação (1Pe 3,19); vemo-Lo chamar de novo as Suas ovelhas, chamá-las como as chamou da morada dos mortos para a vida. «O bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas.» É assim que Ele Se propõe ganhar a afeição das Suas ovelhas e aquelas que sabem ouvir a Sua voz amam a Cristo.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
S. João 6,44-51.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Ninguém pode
vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no
último dia.
Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que
escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em
Deus: esse é que viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram.
Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá
eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.
Comentário ao Evangelho do dia feito por :
Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, Doutora da Igreja
Caminho de Perfeição, cap. 33-34 (Obras completas, Edições Carmelo, 2000)
«Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele,
não morrerá»
Vendo o bom Jesus a necessidade, buscou um meio
admirável por onde nos mostrou o máximo de amor que nos tem, e em Seu nome e no
de Seus irmãos fez esta petição: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje» (Mt
6,11). [...] Era mister vermos o Seu [amor] para despertarmos, e isto não uma
vez, mas cada dia; por isso Se deve ter determinado a ficar connosco. [...]
Tenho reparado que só nesta petição duplica as palavras, porque diz primeiro e
pede que Lhe deis este pão de cada dia, e torna a dizer: «dai-no-lo hoje,
Senhor». Põe-Se diante de Seu Pai, como a dizer-Lhe: já que uma vez no-Lo deu
para que morresse por nós, já que é «nosso», não no-Lo torne a tirar, mas O
deixe servir cada dia, até se acabar o mundo. [...] O Ele ser nosso cada dia é
porque O possuímos aqui na terra e O possuiremos também no céu, se nos
aproveitarmos bem da Sua companhia. [...]
O dizer «hoje» me parece que é para um dia, isto é, enquanto durar o mundo, e
não mais. E é bem verdade que é um só dia! [...] E assim Lhe diz Seu Filho que,
pois não é mais que um dia, Lho deixe passar em servidão; e que Sua Majestade
já no-Lo deu e enviou ao mundo só por Sua vontade, que Ele quer agora por Sua
própria vontade não nos desamparar, mas ficar-Se aqui connosco para maior
glória de Seus amigos e pena de Seus inimigos.
Que agora novamente não pede mais que «hoje» ao dar-nos este Pão sacratíssimo; Sua Majestade no-Lo deu para sempre, como já disse, este mantimento e maná da humanidade, que O achamos como queremos; e, a não ser por nossa culpa, não morreremos de fome, pois de todos os modos e maneiras que a alma quiser comer, achará no Santíssimo Sacramento sabor e consolação.
Que agora novamente não pede mais que «hoje» ao dar-nos este Pão sacratíssimo; Sua Majestade no-Lo deu para sempre, como já disse, este mantimento e maná da humanidade, que O achamos como queremos; e, a não ser por nossa culpa, não morreremos de fome, pois de todos os modos e maneiras que a alma quiser comer, achará no Santíssimo Sacramento sabor e consolação.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
São
Nersès Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho único do Pai, §§ 150-161
Jesus, Filho único do Pai, §§ 150-161
«É Meu Pai que vos dá o verdadeiro pão vindo do céu»
Para os Hebreus, abriste o mar em dois, bem visível
(Ex 14);
E, para mim, trevas profundas.
Nessa altura, engoliste o Faraó;
Agora, o príncipe deste mundo, autor da morte (Jo 12,31; 8,44).
Para eles, foste uma nuvem protectora durante o dia
E de noite, uma coluna de fogo (cf. Ex 13,21).
Para mim, a luz é o conhecimento do Teu Filho, o Verbo,
E a minha protecção é o Espírito Santo.
Nesse tempo, deste o maná perecível,
E os que o comeram estão mortos;
Hoje, é o Teu corpo celeste
Que dá a vida aos que O comem.
Eles beberam a água que jorrou do rochedo (Ex 17),
E eu bebi o sangue do Teu lado, meu rochedo (Jo 16,34; Sl 18,3).
Eles viram suspensa a serpente de bronze (Nm 21,9),
E eu vi-Te na cruz, a Ti que és a vida.
A eles, deste-lhes a lei de Moisés,
Escrita em tábuas de pedra;
E a mim, a sabedoria do Teu Espírito,
O Teu divino Evangelho.
É por isso que será exigido de mim,
Para o bem, muito mais do que será exigido deles. [...]
Mas Tu, que Te tornaste o seu expiador,
Oh meu Senhor, cheio de piedade, Filho único do Pai. [...]
Não me impeças, como à maior parte deles,
De entrar na Tua Terra Prometida,
Mas, com os dois que nela entraram (Dt 1,36; 31,3),
Introduz-me na Tua pátria celeste.
E, para mim, trevas profundas.
Nessa altura, engoliste o Faraó;
Agora, o príncipe deste mundo, autor da morte (Jo 12,31; 8,44).
Para eles, foste uma nuvem protectora durante o dia
E de noite, uma coluna de fogo (cf. Ex 13,21).
Para mim, a luz é o conhecimento do Teu Filho, o Verbo,
E a minha protecção é o Espírito Santo.
Nesse tempo, deste o maná perecível,
E os que o comeram estão mortos;
Hoje, é o Teu corpo celeste
Que dá a vida aos que O comem.
Eles beberam a água que jorrou do rochedo (Ex 17),
E eu bebi o sangue do Teu lado, meu rochedo (Jo 16,34; Sl 18,3).
Eles viram suspensa a serpente de bronze (Nm 21,9),
E eu vi-Te na cruz, a Ti que és a vida.
A eles, deste-lhes a lei de Moisés,
Escrita em tábuas de pedra;
E a mim, a sabedoria do Teu Espírito,
O Teu divino Evangelho.
É por isso que será exigido de mim,
Para o bem, muito mais do que será exigido deles. [...]
Mas Tu, que Te tornaste o seu expiador,
Oh meu Senhor, cheio de piedade, Filho único do Pai. [...]
Não me impeças, como à maior parte deles,
De entrar na Tua Terra Prometida,
Mas, com os dois que nela entraram (Dt 1,36; 31,3),
Introduz-me na Tua pátria celeste.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Evangelho segundo S. João 6,22-29.
Depois de Jesus ter saciado os cinco mil homens, os
seus discípulos viram-n'O a caminhar sobre as águas. No dia seguinte, a
multidão que ficara do outro lado do lago reparou que ali não estivera mais do
que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos,
mas que estes tinham partido sozinhos.
Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades até ao lugar onde tinham
comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu
para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus.
Ao encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste
cá?»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não
por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos
saciastes.
Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá
a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai,
confirma com o seu selo.»
Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?»
Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.»
domingo, 22 de abril de 2012
«Porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?»
Esta passagem do Evangelho
[...] mostra-nos, verdadeiramente, Quem é Cristo e, verdadeiramente, quem é a
Igreja [...], para que compreendamos bem que Esposa o Divino Esposo escolheu e
Quem é o Esposo desta santa Esposa. [...] Nesta página podemos ler a sua
certidão de casamento. [...]
Aprendestes que Cristo era o Verbo, a Palavra de Deus, unida a uma alma humana e a um corpo humano. [...] Aqui, os discípulos julgaram ver um espírito; não acreditavam que o Senhor tivesse um corpo verdadeiro. Mas, como o Senhor conhecia o perigo de tais pensamentos, apressou-Se a arrancá-los dos seus corações [...]: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? Vede as Minhas mãos e os Meus pés: sou Eu mesmo.
Tocai-Me e
olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» E
tu, a esses mesmos pensamentos loucos, contrapõe, com firmeza, a regra da fé
que recebeste. [...] Cristo é verdadeiramente o Verbo, o Filho único, igual ao
Pai, unido a uma alma verdadeiramente humana e a um corpo livre de todo o
pecado. Foi esse corpo que morreu, esse corpo que ressuscitou, esse corpo que
foi pregado na cruz, esse corpo que foi deposto no túmulo, esse corpo que está
sentado nos céus.
Nosso Senhor queria persuadir os discípulos de que Aquilo que
viam era verdadeiramente osso e carne. [...] Porque me quis Ele convencer desta
verdade? Porque sabia até que ponto me é benéfico acreditar e quanto tenho a
perder se não acreditar. Acreditai, pois, vós também: Ele é o Esposo!
Escutemos agora o que se diz a respeito da Esposa [...]: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar de entre os mortos ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em Seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém.» Eis a Esposa [...]: A Igreja espalhou-se por toda a terra e tomou no seu seio todos os povos. [...] Os Apóstolos viram a Cristo e acreditaram na Igreja que não viram. Nós, no entanto, vemos a Igreja; acreditemos, portanto, em Jesus Cristo, que não vemos: ligando-nos, assim, ao que vemos, chegaremos Àquele que ainda não vemos.
Evangelho segundo S. Lucas 24,35-4
Naquele
tempo, os discípulos de Emaús contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho
e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Enquanto isto diziam,
Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dominados pelo espanto e
cheios de temor, julgavam ver um espírito.
Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?
Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.»
Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?»
Deram-lhe um bocado de peixe assado;e, tomando-o, comeu diante deles.
Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.»
Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras
e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







