Olhar-te?
Não será, Senhor mero exercício de movimento?
Olhar-te! Deixar-me inundar pelo brilho do Teu olhar,
É, Senhor, deixar que penetres no mais íntimo
É escancarar as portadas das minhas janelas,
Para deixar-me iluminar pela claridade da Tua Luz!
Olhar-te?
É descobrir pouco a pouco
A certeza da Luz que teima em brilhar
No meio das trevas tantas vezes bem obscuras!
É deixar que percebas que Tu, és para mim,
Brilho, o brilho que preciso para encontrar a Tua beleza,
Olhar-te?
É unção que oleia as dobradiças do meu coração
Perro, enferrujado, gasto e porque não tantas vezes
Apoquentado porque o desencanto teima em aparecer!
Olhar-te, é unção que torna moldável um coração
Afectuoso e amante, desejoso de se deleitar apenas no Teu amor!