sábado, 6 de abril de 2013


Deus não escolhe de acordo 
com os critérios humanos

Catequese do Papa Francisco
Com a Praça de São Pedro amarrotada de jovens, o Papa Francisco disse nessa manhã, no final da sua catequese de hoje: “Vi que a praça está cheia de jovens. Eis aí! Digo a vocês: Levem adiante esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida.”
Na sua segunda Audiência Geral do Pontificado, Papa Francisco quis retomar as catequeses começadas pelo seu predecessor sobre o Ano da Fé.
O núcleo da nossa esperança é a morte e a Ressurreição de Jesus, disse o Papa. Destacou o artigo do credo onde dizemos: “ressuscitou no terceiro dia segundo as Escrituras”. “Sem essa fé, nem sequer teremos esperança”.
Sem a fé na Ressurreição de Jesus a nossa fé será “aquela fé ‘água com açucar’”, disse o Papa. Não é a “fé forte”. Porém, é essa fé que “nos abre à esperança maior”, à certeza da “felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos.”
O Santo Padre destacou os dois tipos de testemunhos no Novo Testamento: a profissão de fé, que são “fórmulas sintéticas que mostram o núcleo da fé”, e a narração do evento da Ressurreição.
Francisco fixou-se no segundo tipo de testemunho, na narração da Ressurreição. As mulheres foram as primeiras a receber esse anúncio, e “movidas pelo amor sabem acolher este anúncio com fé: crêem, e rapidamente o transmitem, não o guardam para si, transmitem-no”.
A favor da historicidade do fato da ressurreição, destacou o Papa que “de acordo com a lei judaica da época, as mulheres e as crianças não podiam dar um testemunho confiável, credível”, e “se fosse um fato inventado, no contexto daquela época não teria sido ligado – pelos evangelistas - ao testemunho das mulheres”.
Isso mostra como “Deus não escolhe de acordo com os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, gente simples e humilde; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres”, disse o Papa.
“Os Apóstolos e os discípulos têm mais dificuldades para crer. As mulheres não”.  O pontífice refletiu sobre como as mulheres “tenham tido e também hoje o tenham, um papel especial no abrir as portas para o Senhor, no seguí-lo e no comunicar o seu Rosto, porque o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”.
No final da audiência, o Papa se dirigiu aos jovens reunidos em grande quantidade na Praça de São Pedro e disse-lhes: “Levar adiante esta esperança. Estejam ancorados nessa esperança: esta âncora que está no céu; segurem forte a corda, estejam ancorados e levem adiante a esperança.”

Lamentar faz mal ao coração
Papa Francisco celebrou missa, hoje pela manhã, 
para funcionários da Domus Sacerdotalis Romana
ROMA, 03 de Abril de 2013 - "Eles lamentavam”. E por força das lamentações, a vida deles que, pouco  tempo antes, tinha sido iluminada pelo encontro com Jesus Cristo, mergulhava na amargura, na incerteza e no pesar.
Durante a Santa Missa em Santa Marta, na manhã desta quarta-feira, 03 de abril, para funcionários da Domus Sacerdotalis Romana, o Papa Francisco aprofundou a história dos discípulos de Emaús, protagonistas do Evangelho de hoje (Lc 24,13-35).
Esses discípulos, particularmente abalados com a morte violenta do Mestre, “estavam com medo",  mais do que os outros. Não paravam de falar da tragédia apenas ocorrida, mas, não mais vendo perspectivas futuras, se lamentavam, e assim se fechavam cada vez mais em si mesmos.  
"E cozinhavam a vida deles - por assim dizer - no caldo de suas lamentações, e assim continuavam caminhando”, disse o Santo Padre, comparando a atitude dos discípulos de Emaús à de muitos homens e cristãos de todos os tempos.
Na dificuldade, quando “a Cruz nos visita", o risco imediato que corremos é o de "nos fecharmos em nossas lamentações", disse o Papa. Embora, o Senhor esteja ao nosso lado e caminhando conosco, “não o reconhecemos".
E ainda, quando Jesus nos fala e nos transmite a beleza da sua vida e da sua ressurreição "dentro de nós, no fundo, continuamos com medo" e o lamento se torna um tipo de "segurança": a segurança da  “minha verdade, o fracasso ", a ausência de esperança.

segunda-feira, 1 de abril de 2013


O amor de Deus transforma e faz florescer o 
deserto do nosso coração
Mensagem Pascal do Papa Francisco e benção "Urbi et Orbi"
CIDADE DO VATICANO, 31 de Março de 2013  
Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!
Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...
Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! Sempre vence a misericórdia de Deus!
Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. Isso pode realizar o amor de Deus!
Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.
Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

domingo, 31 de março de 2013




Não há pecado que Deus não possa perdoar
Na Vigília Pascal Papa Francisco convida a não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida!  
30 de Março de 2013 
Às 20h30 o Santo Padre Francisco presidiu na Basílica Vaticana, a solene Vigília Pascal na Noite Santa.
O rito começou no átrio da Basílica de São Pedro com a bênção do fogo e a preparação do círio pascal. Após  a procissão para o altar com o círio pascal aceso e o canto Exsullet, seguiu-se a Liturgia da Palavra e a Liturgia do Batismo - durante a qual o Papa administrou os sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Confirmação e Primeira comunhão) para quatro neófitos, vindos da Itália, Albânia, Rússia e um vietnamita, que vive nos Estados Unidos – e a Liturgia Eucarística, concelebrada com os cardeais.
Publicamos abaixo a homilia  pronunciada pelo Papa Francisco  após a proclamação do Santo Evangelho:

Amados irmãos e irmãs!
1. No Evangelho desta noite luminosa da Vigília Pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo d’Ele (cf. Lc 24, 1-3). Vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como fazemos nós também. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-No, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-No até ao fim no Calvário e ao momento da descida do seu corpo da cruz. Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara; morreu, a sua história terminou. Agora se tornava à vida que levavam antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a irem ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transtorna o coração e os seus programas e subverterá a sua vida: vêem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor. O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: «Que aconteceu?», «Que sentido tem tudo isto?» (cf.Lc 24, 4). Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diária das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente mete-nos medo a novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no Evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo com o pensamento num defunto que, no fim de contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus; temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender!

Olhar que não procura os nossos olhos, mas o nosso coração
CIDADE DO VATICANO, 30 de Março de 2013 
Apresentamos o texto da mensagem em vídeo do Papa Francisco por ocasião da exposição extraordinária do Sudário, realizada nesta tarde, na Catedral de Turim no âmbito do Ano da fé.
Amados irmãos e irmãs,
Juntamente convosco coloco-me também eu diante do Santo Sudário, e agradeço ao Senhor por esta possibilidade que nos oferecem os instrumentos de hoje.
Embora realizado desta forma, o nosso ato de presença não é uma simples visão, mas uma veneração: é um olhar de oração. Diria mais: é um deixar-se olhar. Este Rosto tem os olhos fechados – é o rosto de um defunto – e todavia, misteriosamente, olha-nos e, no silêncio, falanos. Como é possível? Por que motivo quer o povo fiel, como vós, deter-se diante deste Ícone de um Homem flagelado e crucificado? Porque o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazaré. Esta imagem – impressa no lençol – fala ao nosso coração e impele-nos a subir o Monte do Calvário, a olhar o madeiro da Cruz, a mergulhar-nos no silêncio eloquente do amor.

sexta-feira, 1 de março de 2013


Papa Bento promete "incondicional reverência 
e obediência" ao sucessor
O Santo Padre se despede definitivamente do colégio dos cardeais
Na manhã de hoje, 28 de fevereiro, às 11 horas, a Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano abrigou o último encontro do papa Bento XVI com os cardeais presentes em Roma, para a saudação de despedida.
Em nome de todos, o cardeal Angelo Sodano, decano do colégio de cardeais, manifestou a "profunda gratidão" de todos os purpurados pelo "testemunho de abnegado serviço apostólico" demonstrado pelo papa "para o bem da Igreja de Cristo e de toda a humanidade".
Sodano concluiu o discurso comparando a experiência do colégio dos cardeais ao lado do papa Ratzinger com a dos discípulos de Emaús, que, "depois de caminhar com Jesus durante um bom trecho de estrada, disseram um para o outro: Não é que ardia o nosso coração enquanto ele nos falava ao longo do caminho? (Lc 24,32)".

Igreja: a razão e a paixão da vida
As palavras de Bento XVI aos cardeais no último dia do seu pontificado

Venerados e queridos Irmãos!
Com grande alegria vos recebo e ofereço a cada um de vós a minha mais cordial saudação. Agradeço ao Cardeal Angelo Sodano que, como sempre, foi capaz de transmitir os sentimentos do Colégio: Cor ad cor loquitur. Obrigado Eminência, de coração. Gostaria de dizer – tendo com referência a experiência dos discípulos de Emaús - que também para mim foi uma alegria caminhar convosco nos últimos anos, na luz da presença do Senhor ressuscitado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


"A Palavra de verdade do Evangelho 
é a força da Igreja, é a sua vida"
As palavras de Bento XVI na última Audiência Geral do seu pontificado
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!

Ilustres Autoridades!

Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço-vos por terem vindo em tão grande número para esta minha última Audiência geral.
Obrigado de coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo tempo belo que nos doa agora ainda no inverno.
Como o apóstolo Paulo no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto no meu coração o dever de agradecer sobretudo a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo. Neste momento a minha alma se expande para abraçar toda a Igreja espalhada no mundo; e dou graças a Deus pelas “notícias” que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor, e da esperança que nos abre e nos orienta para a vida em plenitude, rumo à pátria do Céu.

Sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é de Cristo
Na sua última audiência o Papa Bento XVI lembra que é Deus que guia a Igreja e o mundo

“Também eu sinto no meu coração o dever de principalmente agradecer a Deus” disse Bento XVI. “Sinto de levar todos na oração, num presente que é aquele de Deus, onde coloco cada encontro, viagem, cada visita pastoral”.
Lembrando o 19 de abril de 2005, momento da sua eleição, elevou aos céus essa oração “Senhor, por que me pede isso e o que me pede? É um peso grande que me coloca nas costas, mas se o senhor me pede, nas suas palavras lançarei as redes, com a certeza de que me guiará, ainda com todas as minhas debilidades”.
A barca da igreja, nesses oito anos, passou por “momentos de alegria e luz, mas também momentos não fáceis”, porém, continuou Bento XVI “sempre soube que naquela barca está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é sua”, e disse “O Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, sem dúvida também por meio dos homens que escolheu, porque assim o quis”.
Convidou todos a “renovar a firme confiança no Senhor, a confiar-nos como crianças nos braços de Deus, certos de que aqueles braços nos sustentam sempre e é o que nos permite caminhar a cada dia, também no cansaço”. Que cada um de nós “sinta a alegria de ser cristão”.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



— Francisco Tostón de la Calle — www.religiondigital.com

Dá-nos um Papa santo


Senhor Jesus, modelo de Deus
e modelo para o homem,
dá-nos um papa santo.
Não importa que não possua
um carisma que arraste multidões.
Não importa que não seja a imagem predileta
dos paparazzi
,
que não beije o duro cimento
de todos os aeroportos do mundo,
que não saiba abençoar em 50 idiomas.

Não importa que não seja, talvez,
um grande teólogo,
capaz de discutir ou aprofundar
elevados problemas teológicos
ou gravíssimas questões de moral.

Basta-nos que seja santo,
que olhe para o mundo com bondade de coração,
com esperança e compaixão,
com o amor com que Tu olhavas
as multidões de famintos,
doentes e desorientados.

Que seja capaz de olhar nos olhos,
como Tu olhaste a samaritana
,
todas as mulheres do mundo
e dizer-lhes também: «Dá-me de beber.»

Que olhe as crianças
com o infinito amor e respeito
com que Tu os abraçavas,
vendo neles a esperança do mundo,
sempre renovada em cada criança,
a melhor imagem de Ti mesmo.

Que seja livre como Tu,
para fazer o que o Espírito lhe ditar
,
silenciando corvos e agoireiros.

Finalmente, que encare a sua missão
como o verdadeiro serviço
que enobrece o cristão,
como fez contigo na cruz
e na ressurreição.

© Francisco Tostón de la Calle
© tradução de Lopes Morgado
© Laboratório da fé, 2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013


II Domingo da Quaresma: um êxodo diferente

I. INTRODUÇÃO GERAL


No segundo domingo da Quaresma também se encontra, todos os anos, o episódio da transfiguração, cada vez à luz de um dos evangelhos sinóticos. Ainda no início, é bom olhar um pouco melhor para o caminho e para a chegada. Para quem se prepara para o batismo ou para renovar os compromissos do seu batismo e vivê-lo melhor, será bom também ver o que se pode aprender do episódio.
Este ano a versão é a de Lucas, que nem fala de transfiguração, mas apenas do rosto de Jesus transformado pela oração e da brancura e brilho de suas roupas.
Fala da morte de Jesus como um êxodo, uma saída semelhante à dos hebreus da escravidão do Egito. Jerusalém é o ponto central para Lucas, tanto no evangelho quanto no livro dos Atos dos Apóstolos. Se a rede de comunidades cristãs fundada por Paulo era acusada de negar sua origem judaica, Lucas contesta, colocando Jerusalém sempre no centro. O êxodo ou a saída de Jesus que se dá em Jerusalém pode ter, então, vários significados.
Jerusalém e tudo o que ela significa ter-se-ão transformado em outro Egito, nova “casa da escravidão”? A saída de Jesus da cidade explica-se pela necessidade de ele ser crucificado fora dela – o que era normal e exigido pela Lei, pois a crucifixão torna impuro o lugar – ou também significa uma saída que ele abriu para a humanidade? A morte de cruz é um êxodo, uma saída, porque escapa totalmente a uma leitura e interpretação de Dt 21,23 (quem morre pendurado é maldito por Deus)?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


Lectio Divina do Papa Bento XVI

Eminência,
Queridos Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio
queridos amigos!
É para mim a cada ano uma grande alegria estar aqui com vocês, e ver tantos jovens que caminham para o sacerdócio, que estão atentos à voz do Senhor, que querem seguir esta voz e procuram o caminho para servir ao Senhor em nosso tempo.
Ouvimos três versículos da Primeira Carta de São Pedro (cf. 1:3-5). Antes de entrar neste texto, eu acho que é importante prestar atenção para o fato de que é Pedro quem fala. As duas primeiras palavras da carta são “apostolus Petrus” (cf. v 1.): Ele fala, e fala com as Igrejas na Ásia e chama os fiéis de “eleitos e estrangeiros dispersos”. Reflitamos sobre isso. Pedro fala, e fala – como aparece no final da carta – de Roma, que ele chamou de “Babilônia” (cf. 5:13). Pedro fala: quase uma primeira encíclica, em que o primeiro apóstolo, o Vigário de Cristo, fala à Igreja de todos os tempos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Palavras do secretário de Estado ao papa Bento XVI 
 na Basílica de São Pedro
Ao final da liturgia da Quarta-feira de Cinza, na Basílica de São Pedro, presidida por Bento XVI, o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Santo Padre.
Beatíssimo Padre:
Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito não somente a Igreja, mas todo o mundo, soube da notícia de Sua decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro.
Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.
Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse ato, revelando aquela pureza de ânimo, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.
Santo Padre, poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, o senhor nos deu uma lição especial, disse que sendo cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja se renova sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que o senhor, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.
A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde nós queremos agradecer o Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afeto, comoção e admiração: obrigado por ter-nos dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!

Tudo aquilo que ainda se gostaria de saber sobre 
a renúncia de Bento XVI
Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, 
 responde as perguntas e as dúvidas dos jornalistas sobre o que acontecerá depois do fatídico 28 de fevereiro

Um Papa que renuncia é um evento que não acontece todos os dias, de fato, para ser mais preciso, não acontecia há 600 anos. Ainda são muitas, portanto, as curiosidades e perguntas que animam a imprensa e as pessoas comuns. No briefing de hoje com os jornalistas, no qual se apresentou o calendáro dos últimos eventos do Pontificado de Bento XVI, padre Federico Lombardi respondeu a várias questões sobre o que acontecerá antes e depois do fatídico 28 de fevereiro.
De particular importância são as informações fornecidas pelo porta-voz vaticano sobre o início do Conclave. De acordo com o previsto pela Constituição – explicou – a partir do começo da sede vacante abre-se espaço para as congregações dos cardeais.
Esses momentos serão muito importantes, mas também delicados, durante os quais, além das várias obrigações legais, se prevém conversações e intercâmbios entre cardeais sobre os problemas a serem resolvidos e a situação da Igreja, “de modo a amadurecer também para os membros do colégio, critérios e informações uteis sobre as eleições”.
"Há um trabalho que não leva às eleições rapidamente – sublinhou Lombardi – um discernimento que deve ser feito pelo colégio que chega até os dias chaves do conclave e eleição com uma preparação”. Por isso, a normativa prevê que o começo do conclave tenha que ser estabelecido entre 15 e 20 dias desde o começo da sede vacante.
Portanto – continuou o diretor da Sala de Imprensa vaticana – “se tudo correr normalmente, espera-se que o conclave possa começar entre o 15 e o 19 de Março", embora se ainda "não seja possível dar uma data exata porque são os cardeais que estabelecerão exatamente o calendário”.
Com relação às perguntas do nome e da vestimenta de Bento XVI depois do 28 de fevereiro, padre Lombardi declarou que, "ainda que essas questões possam parecer secundárias e formais”, exigem “importantes aspectos de caráter jurídico e implicações sobre as quais refletir, nas quais o Papa mesmo está envolvido”. Portanto, atualmente, não existem informações confiáveis.
Não haverá também um momento especialmente significativo ou juridicamente relevante que identificará o final do Pontificado do Papa Ratzinger. As normas do código de direito canônico – explicou Lombardi – prevém a opção de que o Papa possa renunciar ao seu ministério, com a condição de que a decisão seja “tomada livremente e manifestada devidamente”. "Isso o Papa fez - disse ele -. Então, não há nada mais a ser feito, a renúncia é válida na sua forma, dado que segunda-feira foi feita em latim, assinada pelo Papa e pronunciada na frente dos cardeais”.
Os mesmos cardeais que, diante das palavras do Papa mostraram vivamente a sua admiração, Sua Eminência Sodano em primeiro lugar... Mas agora, depois de três dias do shock inicial da notícia, qual é o espírito que paira no vaticano? A questão é curiosa e Pe. Lombardi responde que “para muitos o estado de ânimo fundamental ainda é de surpresa, e portanto de reflexão sobre o significado que esta decisão comporta para a Igreja e para a Cúria romana que está envolvida”.
"De minha parte - acrescentou - tenho um sentimento de grande admiração por esta decisão livre, humilde, responsável, lúcida do Santo Padre, com as motivações claríssimas que o levou à avaliação das suas forças que diminuem e do bem da Igreja”.
"Todos nós o vimos tornar-se mais frágil – continuou – ainda que esta avaliação competia só à ele avaliar a gravidade ou seriedade. Estou admirado pelo fato de que o Papa tenha feito este exame tendo vivido plenamente o seu ministério até hoje, e é admirável que ele analise “Cumpri o meu ministério até hoje, agora para que seja levado adiante adequadamente no mundo atual, precisa-se de mais forças”.
A renúncia de um Papa ao seu próprio ministério, reiterou o porta-voz da Santa Sé, “não foi inventada por Bento XVI”, ele “somente a colocou em prática, mostrando uma grande coragem para utilizá-la primeiro desta forma, com um espírito de fé e de amor à Igreja”.
E justamente por causa desta forte ligação com a Igreja e pela grande discrição e sabedoria que desde sempre caracteriza a sua personalidade, Bento XVI, apesar de que a partir do 1 º de março estará livre para mover-se dentro do Estado da Cidade do Vaticano, irá abster-se de toda forma de comunicação ou interferência.
Tanto a nível pessoal com os cardeais ou outros homens da Cúria, para deixar claro a sua plena liberdade e autonomia (isso justifica também a escolha de ir por um tempo para Castel Gandolfo). Seja a nível público, evitando declarações que poderiam “dar origem a um sentido de interferência ou de tomadas de posição influenciantes”. Porém, destacou Lombardi, “se trata-se de escrever um texto teológico espiritual, alimento útil para o Povo de Deus, é bem possível que isso aconteça”.
Por este motivo, o padre Lombardi disse, "não há nenhuma preocupação por parte do colégio cardenalício de que o Papa continue a residir no Vaticano”. Na verdade, “é uma sábia decisão permanecer dentro dos muros vaticanos, com a sua possibilidade de estudar e rezar. E também os cardeais estarão felizes de ter muito próximo uma pessoa que mais do que todas pode compreender quais são as necessidades espirituais da Igreja e do sucessor de Pedro”.
Escolhe, pois, a vida, para que vivas. (Dt 30,15-20)

As escolhas para a vida são amar, partilhar, perdoar, recomeçar, ter alegria, etc... As escolhas de morte são o ódio, a falta de perdão, o vício, etc... Tudo isso você já sabe. Fazemos escolhas o tempo todo através de atitudes, respostas, aceitações e negações. A vida verdadeira é expressão de amor. Durante o dia se pergunte diante de pequenas ou grandes escolhas: “Isso é demonstração de amor ou não?”. Muitas vezes uma única palavra, ou um pequeno gesto no amor, renova em você e no outro a alegria de viver.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Gestos simbólicos: Bento XVI já dava mostras da decisão divulgada hoje?
Papa visitou duas vezes lugares ligados a São Celestino V, 
papa que também renunciou

 A renúncia de Bento XVI ao papado foi comparada na Itália a “um raio em pleno céu sereno”.
“O papa continuará na plenitude das suas funções até o dia 28 de janeiro, às 20 horas [de Roma]. Desse momento em diante, teremos sede vacante”, disse o porta-voz vaticano, pe. Federico Lombardi, que ressalta que a renúncia foi feita “de modo válido, previsto pelo direito canônico”, e “é coerente com o que o papa tinha dito no livro-entrevista ‘Luz do Mundo’ sobre a hipótese de renunciar”.

Em 28 de abril de 2009, o papa visitou a cidade italiana de L’Aquila para orar pelas vítimas do terremoto que tinha recém-atingido a Itália central. Na basílica de Nossa Senhora de Collemaggio, onde a relíquia do papa São Celestino V (1209-1296) tinha ficado a salvo dos tremores e da destruição, o papa depositou o pálio que lhe fora entregue no dia de sua entronização, entre salvas de palmas.
Aquele gesto simbólico parece ganhar uma força extraordinária neste dia 11 de fevereiro, quando Bento XVI anunciou que renuncia ao pontificado: Celestino V também se vira obrigado a renunciar, em 13 de dezembro de 1294, cerca de cinco meses depois da sua eleição à sé de Pedro.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


"Ainda teremos oportunidades para vos expressar melhor os nossos sentimentos"

Renúncia do Santo Padre: palavras do cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício


Apresentamos as palavras do Cardeal Ângelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, após a declaração de Bento XVI.

Ouvimos a declaração de Vossa Santidade atônitos, quase incrédulos. Sentimos nas vossas palavras o grande afeto que sempre tivestes pela Santa Igreja de Deus, por esta Igreja que tanto amais. Permiti-me dizer-vos, em nome deste cenáculo apostólico, o colégio cardinalício, em nome destes vossos caros colaboradores, que nós estamos ao vosso lado, como estivemos durante esses oito anos luminosos do vosso pontificado.
Em 19 de abril de 2005, se bem me lembro, no fim do conclave, eu vos perguntei com voz trêmula: "Aceitais a vossa eleição canônica a Sumo Pontífice?", e não tardastes a responder, ainda com trepidação, que aceitáveis, confiando na graça de Nosso Senhor e na intercessão materna de Maria, Mãe da Igreja.
Como Maria, destes naquele dia o vosso "sim" e começastes o vosso luminoso pontificado na estela da continuidade, daquela continuidade de que tanto nos falastes na história da Igreja, na estela da continuidade dos vossos 265 predecessores na Cátedra de Pedro, no curso de dois mil anos de história, do apóstolo Pedro, o pescador humilde da Galileia, até os grandes papas do século passado, de São Pio X ao beato João Paulo II.
Santo Padre, antes do próximo dia 28 de fevereiro, como dissestes, antes do dia em que desejais inscrever a palavra "fim" neste vosso serviço pontifical, feito com tanto amor, com tanta humildade, antes daquele 28 de fevereiro ainda teremos oportunidades para vos expressar melhor os nossos sentimentos. Assim farão os muitos pastores e fiéis espalhados pelo mundo, os muitos homens de boa vontade, junto com as autoridades de muitos países. Ainda neste mês, teremos a alegria de ouvir a vossa voz de pastor nesta quarta-feira de cinzas, na quinta-feira com o clero de Roma, no ângelus dos próximos domingos, nas audiências das quartas-feiras; serão muitas ocasiões ainda para ouvirmos a vossa voz paterna.
A vossa missão, porém, continuará: dissestes que estareis sempre próximo, com o vosso testemunho e com a vossa oração. As estrelas no céu continuam sempre a brilhar; assim, brilhará sempre em meio a nós a estrela do vosso pontificado. Estamos convosco, Santo Padre. A vossa bênção!

A composição do Conclave

Os cardeais eleitores serão 117 

em 28 de fevereiro


O próximo conclave que irá eleger o sucessor do Papa Bento XVI será regido pelo "Ordo Rituum Conclavis", estabelecido pela Constituição Apostólica do Papa João Paulo II, "Universi Dominici Gregis", parágrafo 27. Explica a nota enviada pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS).

O Camerlengo, que desempenha um papel fundamental no período de vacância, é o cardeal Tarcisio Bertone, nomeado pelo Papa Bento XVI em 4 de abril de 2007.
Os cardeais eleitores, de acordo com o continente de origem, serão 61 europeus, 19 latino-americanos, 14 norte americanos, 11 africanos, 11 asiáticos e 1 da Oceania.
Estes números podem variar, dependendo da data de início do conclave, o cardeal Walter Kasper, por exemplo, completa 80 anos em 5 de março. O país com o maior número de cardeais, 21, é a Itália. Sessenta e sete eleitores foram criados por Bento XVI, e os restantes 50 por João Paulo II.
Uma das inovações de João Paulo II sobre o período do conclave é que os cardeais eleitores que serão 117 em 28 de fevereiro, devem permanecer na residência do Vaticano, Casa Santa Marta, num local independente daquele em que votam, a Capela Sistina.
Os cardeais eleitores devem permanecer no Vaticano durante todo o tempo do conclave. Ninguém pode se aproximar deles quando se deslocam da Capela Sistina ao local de hospedagem e vice-versa, e todos os meios de comunicação com o mundo exterior são proibidos.
Como já acontecia no passado, um fogareiro na Capela Sistina será usado para queimar o boletim depois de cada votação.

Padre Lombardi: uma decisão de grande coragem e sinceridade

Entrevista coletiva sobre renúncia do papa: decisão coerente com o livro 'Luz do Mundo


No próximo dia 28 de fevereiro, às 20 horas de Roma, o papado entrará em sede vacante. A notícia oficializada hoje durante o consistório surpreendeu o planeta: Bento XVI anunciou que, “por não ter mais a força necessária”, renuncia ao pontificado.


A inesperada declaração, feita em latim e lida pelo papa entre 11h30 e 11h40 desta manhã, foi ouvida com grande atenção pelos cardeais reunidos no consistório. O texto está disponível na página do Vaticano.
Bento XVI se transferirá inicialmente para Castel Gandolfo e, depois, durante o conclave, passará a residir em um convento na Colina Vaticana, dentro dos muros do pequeno país. Bento XVI não participará no conclave que se realizará em março e que elegerá o próximo papa.

Os católicos do mundo todo foram surpreendidos nesta segunda-feira, 11, como a notícia de que o Papa Bento XVI renunciará ao pontificado. O anúncio foi feito durante um consistório com cardeais em Roma. Em sua mensagem, Bento XVI informou que a partir do dia 28 de fevereiro ele deixará o ministério petrino e após essa data será convocado um conclave para a eleição de um novo papa.

Leia a mensagem de Bento XVI na íntegra.
Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Reflexão - Mc 5, 1-20
O que nós queremos fazer a partir do momento em que fazemos uma experiência mais profunda do amor de Deus em nossas vidas? Em muitos casos, o que acontece é que a pessoa adota uma postura intimista e individualista de vivência religiosa. O Evangelho de hoje nos mostra essa tendência, mas nos mostra também a vontade de Deus. Jesus não permitiu que o homem que tinha sido endemoninhado ficasse com ele, mas o enviou para ser evangelizador através do testemunho da misericórdia de Deus, mostrando-nos, assim, que a verdadeira resposta ao amor de Deus é o compromisso evangelizador.

domingo, 3 de fevereiro de 2013


"O amor tem a sua verdade"
As palavras do Papa Bento XVI durante o Angelus
CIDADE DO VATICANO, 03 de Fevereiro de 2013

Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho de hoje - retirado do quarto capítulo de São Lucas - é a continuação daquele do domingo passado. Estamos ainda na sinagoga de Nazaré, a cidade onde Jesus cresceu e onde todos o conhecem e à sua família. Agora, depois de um período de ausência, Ele voltou diferente: durante a liturgia do sábado lê uma profecia de Isaías sobre o Messias e anuncia o seu cumprimento, dando a entender que aquela palavra se refere à Ele, que Isaias falou dele. Este fato chocou os nazarenos: por um lado, “todos estavam maravilhados das palavras cheias de graça que saiam da sua boca” (Lc 4:22); São Marcos relata que muitos diziam: “De onde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é essa que lhe foi dada?" (6,2). Por outro lado, no entanto, os seus vizinhos o conhecem muito bem: é um como nós – dizem -. A sua pretensão só pode ser uma presunção (cf. A infância de Jesus, 11). "Não é este o filho de José?" (Lc 4, 22), como se dissesse: um carpinteiro de Nazaré, que aspirações pode ter?

Medico cura-te a ti mesmo


Meditação da Palavra de Deus - IV Domingo do Tempo Comum

Frei Patrício Sciadini


É preciso caminhar. A obra iniciada não pode parar. A libertação anunciada deve ser levada a cumprimento. Os pobres, os presos, os cegos e todos os excluídos da sociedade são chamados à salvação. Ninguém pode ser marginalizado no projeto do amor de Deus. Excluir uma única pessoa do anúncio do Evangelho, do anúncio da mensagem de Cristo é antievangélico. Jesus era muito conhecido na pequena aldeia de Nazaré. Ele passou 30 anos com o povo. Todos os dias o viam sair de casa, trabalhar, ir à sinagoga, visitar as pessoas necessitadas, estar sempre pronto no seu serviço. Era um profissional capacitado e honesto no que fazia. São Justino diz: “Jesus deve ter feito muita relha de arado, consertado jugos de boi e feito charretes”.
“Não é este o filho de José...”

sábado, 2 de fevereiro de 2013


Reflexão - Lc 2, 22-40
Deus está sempre vindo ao nosso encontro, mas precisamos estar abertos à sua presença, precisamos querer vê-lo. Simeão e Ana queriam ver o Messias e estavam abertos à ação do Espírito Santo. Por isso, tiveram a oportunidade de reconhecer o salvador da humanidade naquele menino que, juntamente com tantos outros de sua época, eram apresentados em cumprimento da Lei do Senhor. Quem quer ver Jesus hoje também deve estar aberto ao Espírito Santo que nos move constantemente para a caridade e nos leva a reconhecer a presença do divino Mestre nos pobres e necessitados que precisam na nossa caridade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PRESENÇA EVANGELIZADORA NO BRASIL



«La vida consagrada quiere ser signo de esperanza para una sociedad en crisis»
Entrevista a Elías Rayón, presidente de CONFER España, en el Día de la Vida Consagrada . El jesuita cordobés, Elías Rayón Lara (7937) preside la Conferencia Española de Religiosos y Religiosas, la CONFER, desde hace tres años y tres meses. Es la segunda vez que ocupa este cargo, pues ya lo hizo de 1994 a 1995. El padre Royón ha sido provincial de la Compañía de Jesús, consejero general y asistente territorial.
-PREGUNTA: ¿Qué es la CONFER? Una definición, una descripción 
-RESPUESTA: CONFER es un organismo de derecho pontificio constituido por los superiores y superioras mayores de los Institutos Religiosos establecidos en España, que hayan querido inscribirse en ella. Su misión institucional se resume en la tarea de promover y animar la vida religiosa apostólica dentro de la misión de la Iglesia; por tanto, establecer y fomentar la cooperación y coordinación con la Conferencia Episcopal y con cada uno de los obispos en sus diócesis. 
Para conseguir estos fines, CONFER promueve reuniones de estudio, congresos, asambleas, jornadas, cursos de formación, publicaciones etc. Y establece delegaciones regionales y diocesanas. 
-P: En noviembre de 2013 concluye su mandato. ¿Es posible la reelección? -R: No. No es posible; según nuestros estatutos solo pueden ser elegidos los superiores mayores; y yo ya no lo soy.

Reflexão - Mc 4, 26-34
Muitas vezes tentamos explicar a realidade do Reino de Deus de uma forma muito complicada, repleta de elaborações doutrinais e de palavras com significados bem específicos que exigem dicionários e conhecimentos específicos em várias ciências para a sua compreensão. Jesus não age assim. Ele procura revelar as verdades do Reino de forma muito simples, compreensível para todas as pessoas, para que os simples e humildes possam acolher a proposta divina e dar a sua adesão a esta proposta sem desanimar diante de dificuldades teóricas e científicas.

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013
Começa hoje nas comunidades da Congregação o tempo de oração pelo bom fruto do XVI Capítulo Geral, Intermédio


A fé como encontro com Cristo


                                                                                     Armindo dos Santos Vaz

A razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre». Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé [1].

A fé viva é um olhar que transfigura as coisas, as pessoas, os acontecimentos, sob o prisma do sentido absoluto da vida, que é Deus. É o acto de colorir a vida com a cor do transcendente, vendo-a à luz de Deus. Para a pessoa de fé, as coisas da vida não são originalmente profanas ou sagradas. São sacramentais: velam e revelam Deus, evocam Deus, podem ser mediadoras de um encontro com Deus. A fé cristã implica uma atitude contemplativa da vida humana e do mundo como lugar onde Deus se dá. É interpretação. Mas é ainda mais do que isso. Sobretudo, é adesão à pessoa de Jesus vendo-o como Filho de Deus. É um encontro com ele, seja em que grau for.
Os cristãos, na Europa como em Macau, educados na fé, com algum conhecimento da Bíblia e considerando Jesus como importante para ir ao encontro de Deus, deveriam desejar encontrá-lo. Que deve significar Jesus para nós?
Idealmente, a resposta seria dada pelos místicos, aqueles que fizeram a experiência da presença de Jesus neles. De facto, saber é experiência: o resto é só informação. Nesta reflexão – que não é senão um balbuciar – sobre a fé enquanto encontro com Cristo, daremos frequentemente a palavra aos experientes, aos que o viveram, pois esse encontro é mais do que falar bem de Deus ou fazer propostas pastoralmente interessantes para O conhecer. Esta reflexão é pelo menos o sincero desejo desse encontro com Jesus.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Incentivar a caridade e as boas obras." (Hb 10, 19-25)
Reflexão - Mc 4, 21-25
A nossa vida não pode ser como a dos fariseus, que aparentam ser uma coisa quando na verdade são outra. Somos chamados a ser filhos da luz e a viver como filhos da luz, testemunhando o amor e a presença de Deus para todas as pessoas. Os nossos pecados se opõem a esse chamado, dificultando o nosso testemunho e obscurecendo a presença de Deus. Mas Deus age com misericórdia para connosco  se procuramos nos reconhecer pecadores e buscamos a nossa conversão juntamente com a conversão dos nossos irmãos e irmãs. Mas se agimos como fariseus, demonstrando uma santidade que não temos e condenando os pecados das outras pessoas, Deus nos pagará com a mesma moeda.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37)

Amados irmãos e irmãs!
1. No dia 11 de Fevereiro de 2013, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, celebrar-se-á de forma solene, no Santuário mariano de Altötting, o XXI Dia Mundial do Doente. Este dia constitui, para os doentes, os operadores sanitários, os fiéis cristãos e todas as pessoas de boa vontade, «um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade» (João Paulo II, Carta de instituição do Dia Mundial do Doente, 13 de Maio de 1992, 3). Nesta circunstância, sinto-me particularmente unido a cada um de vós, amados doentes, que, nos locais de assistência e tratamento ou mesmo em casa, viveis um tempo difícil de provação por causa da doença e do sofrimento. Que cheguem a todos estas palavras tranquilizadoras dos Padres do Concílio Ecuménico Vaticano II: «Sabei que não estais (…) abandonados, nem sois inúteis: vós sois chamados por Cristo, a sua imagem viva e transparente» (Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos os que sofrem).

Reflexão - Mc 3, 31-35
Somos convidados pelo evangelho de hoje a descobrir a verdadeira família à qual nós pertencemos: a família dos filhos e filhas de Deus, que procura conhecer e por em prática a vontade do Pai e participar do seu projeto de construção do mundo novo, da civilização do amor, sinal do Reino definitivo. Participar dessa verdadeira família não significa negar a nossa família terrena, nem os nossos relacionamentos sociais e afetivos, mas subordinar essas duas realidades à realidade maior, que é a família dos filhos  de Deus, fazendo, assim, com que haja uma verdadeira hierarquia de valores na nossa vida, que subordina o temporal ao eterno.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Enviadas a testemunhar 
o Evangelho da Caridade…

Cristo pede-nos para percorrer os caminhos da missão, abrindo a porta da nossa vida à Fé. A nós compete-nos abrir o coração para aceitarmos o Evangelho. Pela Fé alimentada pela Palavra, entramos em comunhão com o Deus da Vida.
O mistério da Palavra de Deus revela-se na abertura e na conversão de vida. A Palavra fez-se Carne e faz em nossas vidas a Sua morada permanente. A Palavra faz-se Vida e Vida em abundância. Olhar a Palavra, contemplar a Palavra, rezar a Palavra, testemunhar a Palavra, eis a nossa missão!
A graça que nos abre à Fé tem a sua fonte no mistério do amor infinito de Deus, que é Pai e Mãe. Como podemos medir a dimensão deste amor? Não há medida capaz! A sobriedade do coração amável do nosso Deus tem de se experimentar na vida quotidiana. Por isso no nosso coração a novidade de Cristo tem um sabor diferente, Ele é sempre o Menino terno e doce nascido na pobreza de Belém. Mas qual Belém? A do meu e do teu coração, que é o espaço onde a Palavra germina, onde a Caridade fraterna se vive e onde o amor gera amor.
Deus, Pai, dá-nos torrentes de água Viva para saciar a sede que parece matar-nos. Deus, Pai oferece-nos o Pão da Vida e todavia, buscamos outros alimentos que não apagam nunca a nossa fome. Deus, Pai oferece-nos o banquete do Reino e não aceitamos o convite à mudança, à conversão, à novidade da Sua Palavra, depreciamos com facilidade tantos presentes eternos e deixamos que o mundo desabe sobre nós e nos remeta apenas para o facilitismo da vida…
A nossa vida tem de voltar-se para o Deus que nos ama infinitamente. A nossa vida tem de estar grávida de Esperança, porque também somos seios onde se gera o Verbo Divino que em qualquer ápice da nossa vida, se quer apresentar ao mundo onde vivemos e onde urge dar testemunho da Luz que veio para dissipar as trevas que envolvem todo o nosso ser.
Testemunhar a Verdade que é Cristo, é a nossa missão! Ver com olhos límpidos da alma a beleza do Rosto adorável do Pai, é a tarefa mais urgente que temos pela frente. Fazer caminho de humildade, é necessário, pois sem ela não conseguimos atingir o coração do Senhor.
Ninguém pense que já fez muito, que já vive pobre, humilde e submisso… A nossa vida é um longo caminho que atinge a sua plenitude quando aparecermos na Jerusalém Celeste, diante do trono de Deus para com Ele gozar das núpcias eternas. Para que a nossa vida seja plena de humildade, procuremos saber em primeiro lugar que nada sou, só Deus é tudo no meu nada, que Nele me apoio, Nele encontro a expressão mais clara do amor que me impulsiona para fazer a experiência simples, humilde e pobre como Ele. Há um caminho de pequenez e humildade a percorrer; um caminho de Encarnação da Palavra Eterna do Deus feito Menino, que toma a nossa pobre condição…
Aprendamos a ler o Evangelho com sensibilidade, para aí encontrarmos a nossa pobreza e descobrirmos que é um coração pobre, aquele que Deus acolhe e oferece um lugar privilegiado em Seu Coração Misericordioso.
Aprendamos a viver nesta hora que é nossa, as Bem- Aventuranças e tenhamo-las como norma de vida. Voltemos o nosso coração para os pobres e rasguemo – lo para que nele se encontrem pacificados os que anseiam paz, que descubram a liberdade os aprisionados, os que não têm amor. Que brote como torrente de água viva a caridade evangélica que somos desafiadas a viver com coerência de uma vida empenhada no anúncio alegre o Evangelho. Entremos no Mistério de Deus, conheçamo-Lo, amemo-Lo e testemunhemo-Lo com Fé, com Esperança e com profundo amor.
Bafejadas pelo Espírito que nos unge e nos envia a sermos mulheres novas, embebidas pelo Verbo feito Carne, cumpramos o mandato do Senhor e vamos, já, agora, com a via testemunhar o Evangelho da caridade, pois Deus é o amor que nos habita e nos convoca para a missão… 

sábado, 22 de dezembro de 2012

OLHO-TE JESUS...

Olho-te Jesus de Nazaré
Porque és o único que me olhas sempre com amor.
Olho-Te porque não compreendo a magnitude do Teu amor por mim.
Olho- Te porque me sinto pobre, e imploro que sejas rico no meu nada.
Olho-Te porque as minhas ausências, as minhas obscuridades anseiam
A luz e suspiram por Ti, para que Te faças Vida na minha pobre vida…
Olho-Te Jesus, mas o meu coração sabe que não poderia nunca contemplar-Te
Se não me sentisse olhada e amada por Ti…
Sobe às alturas… Contempla com alegria o Deus que te envia…
É o convite a descobrir a alegria da Tua face que tantas vezes procuro!
Olho-Te no precioso mistério do advento que vivo
Na espectativa da Tua vinda ao meu nada,
Para que essa vinda se faça novidade no mundo em que habito…
Olho-Te sem véu e fico inundada da Tua beleza, meus olhos não podem mais…
Olho-Te novidade suprema que me traz a chama da Fé,
A corrente da Esperança e a chama do Amor!
O Teu olhar cruza-se com o meu e sinto um frio gélido a trespassar
Todo o meu ser, porque vens, porque me olhas com ternura e paixão…
Espero-Te Senhor na Eucaristia, no presépio, no coração dos pobres,
Espero-Te na libertação tão desejada, espero-Te no mistério do
Encontro que tenho marcado a sós contigo nas artérias da minha vida…
Olho-Te Senhor e sei que sacias de bens a minha alma, alargas o horizonte
Da minha visão e contigo, meu olhar se coloca no futuro e por ele
Trabalho, oro e abraço com Fé os sinais da Tua presença em cada ser criado.
Olho-Te e com o cálculo da mente e do coração e aprendo que és Trindade,
Que és o maior, que és infinito, que és caminho e deserto, que és abundância
Que és peso e medida do meu amor, que quando  dou tudo ganho,
Quando não dou nada perco, pois Tu és o bem único
que me resta e preenche a minha vida…
olho-Te Senhor e ouso declarar-Te o meu amor, com ardor e verdade…
És o meu Deus, quero contemplar-Te no santuário do meu coração
E não ficar nunca confundida com o Teu doce olhar….
Benguela, 7 de Dezembro de 2012