O mesmo garotinho refugia-se num abraço naquele que ele achava que poderia defendê-lo do segurança que, atraindo-o com um doce, ainda tentou tirá-lo dali quando o Papa Francisco iniciou o seu discurso. À direita da imagem, Dom Georg Gäsnwein, Prefeito da Casa Pontifícia e, portanto, supervisor destas ocasiões papais, indica aos seguranças que podem despreocupar-se e deixar tudo como está.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
O QUE É A ESPERANÇA?
O que é a esperança para um cristão? Não é
fácil compreender o que seja realmente a esperança - disse o Santo Padre
procurando responder sua própria pergunta- mas podemos, desde logo, saber
aquilo que não é: Seguramente não é otimismo!
A esperança não é otimismo,
não é aquela capacidade de olhar para as coisas com bom ânimo e andar para a
frente. Não! Aquilo é otimismo, não é esperança. E foi assim que o Papa
Francisco procurou definir o que, segundo ele, seja esperança.
Não é fácil perceber bem o que é a
esperança. Diz-se que é a mais humilde das três virtudes, porque se esconde na
vida. A fé vê-se, sente-se, sabe-se o que é. A caridade faz-se e sabe-se o que
é. Mas o que é a esperança? Para nos aproximarmos um pouco, podemos dizer, em
primeiro lugar, que a esperança é um risco, é uma virtude arriscada, é uma
virtude, como diz S. Paulo ‘de uma ardente expectativa em direção à revelação
do Filho de Deus'. Não é uma ilusão.
A esperança, então, não é otimismo, mas
uma "ardente expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus:
esta foi a mensagem principal do Papa Francisco. A esperança é mais do que
otimismo, mais do que bom ânimo...
Vem-me à mente a pergunta: onde estamos
nós ancorados, cada um de nós? Estamos ancorados precisamente na margem daquele
oceano tão distante ou estamos ancorados num lago artificial que nós
construímos com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários,
os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiásticas e não eclesiais?
Estamos ancorados ali? Tudo cômodo, tudo seguro? Aquilo não é a esperança.
(JSG)
Ter esperança significa ter uma
âncora na margem do Além
Durante a homilia, em Santa Marta, Papa
Francisco adverte contra as falsas certezas do "clericalismo" e das
"nossas regras"
ROMA, 29 de Outubro de 2013
Nada de clericalismo, comodismo e nem mesmo um otimismo
genérico: a esperança cristã é algo maior. Durante a missa celebrada esta manhã
em Santa Marta, Papa Francisco volta a mais um de seus pontos fortes. A
esperança, explicou o Pontífice, é antes de tudo uma "ardente
expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus.
Na trilha de
São Paulo aprendemos que a esperança "nunca desilude", mas, ao mesmo
tempo, não é "fácil de entender ", acrescentou o Papa. E continuamos
a cair no equivoco de que esperança é sinônimo de otimismo.
Falar de
esperança não significa simplesmente "olhar para as coisas com bom ânimo,
e continuar em frente" ou ter uma "atitude positiva diante das
coisas". A esperança é, antes de tudo, “a mais humilde das três virtudes,
porque está escondida na vida". Enquanto a fé "vemos" e
"sentimos" e a caridade "se faz”, a esperança é "uma
virtude arriscada", mas "não é uma ilusão".
A esperança é,
sobretudo, estar “na tensão” para a "revelação do Filho de Deus" e
para "a alegria que enche a nossa boca com sorrisos". Os primeiros
cristãos tomaram a âncora como um símbolo de esperança, "uma âncora na
margem” além da vida.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Conversas fúteis...
Nada
dizia nem queria viver...
Vivemos num mundo, onde a experiência e a palavra ocupam
lugares privilegiados. Quem consegue
expressar sua própria realidade e a realidade que o circunda não só consegue
entender o acontecido, mas também, o consegue dominar. A Bíblia nos diz que o
homem, dando nome às criaturas, ficava senhor delas. Quem é capaz de dar nome às
coisas ou acontecimentos possui uma segurança e um conhecimento maior do que
aqueles que não o fazem.
Não é só em relação às coisas que a palavra ajuda a nos
situar. A palavra é fundamental na
inter-relação com os outros seres humanos. É
pela palavra que nos revelamos ou nos escondemos. Mas expressar-se fielmente na
verdade, não é fácil. Muitas pessoas não conseguem ultrapassar o nível mínimo de
comunicação, usando pouquíssimas expressões para revelar quase nada de si. Vivem
fechadas por medos e bloqueios. E assim passam a vida!
A comunicação se dá através de gestos e de
palavras, que traduzem ou concretizam
algo da vida. Por isso, a verdadeira comunicação deve levar ao crescimento mútuo
dos interlocutores. Isto não é fácil! A separação, quase infinita, que existe
entre um "EU" e um "TU" só pode ser superada pelo gesto e pela
palavra.
Há gestos que ficam incompreensíveis, porque não levam
nenhuma palavra e outros gritam mais do que muitas palavras! Há palavras vazias, perdidas, caladas, quando não vão
acompanhadas do gesto. A palavra viva e significativa é aquela que me revela
e se traduz em gesto concreto.
Outras pessoas ficam apenas nos gestos e não dizem
palavras... Gestos sem palavras e palavras sem gestos é vida fútil, pela
metade
É
preciso correr o risco de se revelar e partilhar, com simplicidade e confiança,
o mais fundo da existência. Quando isto acontece, a palavra converte-se em
conteúdo e em gesto significativo e comprometido. Quantas vezes as palavras se fazem pequenas, para dizer
aquilo que se quer expressar! Ou mentiras para
ocultar aquilo que não se quer dizer! Não é fácil viver em total
transparência.
Conheço pessoas que, apesar dos anos percorridos não têm
nada a dizer. Podem até proferir muitas palavras, mas não expressam nada do
fundo da vida. É como se não tivessem história para contar! É como se tivessem
perdido o fio condutor, o amor de viver e partilhar.
A história pessoal tem sentido se foi vivida com
amor.
E você se revela nas palavras que
diz?
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Oração do Papa Francisco à Sagrada Família
"Jesus, Maria e José a vós com confiança rezamos,
a vós com alegria nos confiamos"
ROMA, 27 de Outubro de 2013Jesus, Maria e Joséa vós, Sagrada Família de Nazaré,
hoje, dirigimos o olhar
com admiração e confiança;
em vós contemplamos
a beleza da comunhão no amor verdadeiro;
a vós confiamos todas as nossas famílias;
para que se renovem nessas maravilhas da graça.
Sagrada Família de Nazaré,
escola atraente do santo Evangelho:
ensina-nos a imitar as tuas virtudes
com uma sábia disciplina espiritual,
doa-nos o olhar claro que sabe reconhecer
a obra da providência nas realidades
cotidianas da vida.
Sagrada Família de Nazaré,
guardiã fiel do mistério da salvação:
faz renascer em nós a estima pelo silêncio,
torna as nossas famílias cenáculo de oração
e transforma-as em pequenas Igrejas domésticas,
renova o desejo de santidade,
sustenta o nobre cansaço do trabalho, da educação,
da escuta, da recíproca compreensão e do perdão.
Sagrada Família de Nazaré,
desperta na nossa sociedade a consciência
do caráter sagrado e inviolável da família,
bem inestimável e insubstituível.
Cada família seja morada acolhedora de bondade e de paz
para as crianças e para os idosos,
para quem está doente e sozinho,
para quem é pobre e necessitado.
Jesus, Maria e José
a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos.
domingo, 27 de outubro de 2013
Missa conclusiva da Jornada Mundial da
Família. Homilia completa do Papa
A família que reza, a família que conserva
a fé e a família que vive a alegria.
ROMA, 27 de
Outubro de 2013
As leituras
deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais
da família cristã.
1. A primeira:
a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de
rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano.
O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus
benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente
justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu
pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é
humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das
próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do
perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do
pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às
nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da
vaidade.
À luz desta
Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em
família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como
o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se
deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família,
como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca
um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também
questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o
publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos!
Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do
seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário
simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo
extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito
bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a
esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar
um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.
sábado, 26 de outubro de 2013
XXX DOMINGO COMUM – ANO C
1ª Leitura: Eclo
35,12-14.16-18
Sl 33
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.16-18
Evangelho: Lc 18, 9-14
Sl 33
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.16-18
Evangelho: Lc 18, 9-14
Deus não faz acepção de
pessoas, é um Deus justo, próximo dos necessitados. Deus não se deixa comprar
pelas coisas que tantas vezes lhe oferecemos. Ele considera-nos amigos Dele
apenas quando somos capazes de Lhe oferecer um coração pobre, arrependido,
humilde e sincero.
Dois homens subiram ao Templo para rezar;…
Se na semana passada eramos
convidados a orar, neste domingo a direcção das palavras de Jesus vão para os
que fingem orar e que são melhores que os outros, fazendo sobressair o seu
orgulho e vaidade e para o convite sério a orar com humildade, reconhecendo que
somos nada, e pecadores necessitados do perdão de Deus. Oremos a partir do nada
que somos, sem fingimento, mas com sinceridade.
O que o fariseu comunica como
Senhor na sua oração evendicia a soberba que é maior do que ele. De uma atitude
farisaica só podem nascer maldades e mentiras, pois vive-se num pedestal
composto de superioridades. Nada mais se sabe fazer do que olhar as pessoas de
cima. A sua oração é só aparencia, os seus sacrifícios, boas obras e tudo
quanto pensa fazer de bom, é apenas formal. Tudo é orgulho e desprezo pelos
outros. Deus justo e bom não lhe agrada esta forma de oração.
Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!
O publicano, que reza de
coração contrito, volta para casa justificado. Que grande lição moral: quem se enaltece, será humilhado; quem se
humilha, será enaltecido.quando nos expomos diante de Deus com sinceridade,
a nossa autenticidade cresce, construimos uma base sólida, somos mais irmãos,
mais próximos. Reconhecemos a nossa pequenez e pobreza e temos em conta o nosso
pecado. Diante de Deus, colocamo-nos de joelhos e declaramos-Lhe a nossa
fragilidade, a nossa miséria. A nossa oração deve brotar do interior de uma
alma humilde, contrita sabedora do seu nada.
A nossa contrição traz-nos
felicidade e voltamos a casa justificados, livres e purificados. Temos que
aprender na vida a não sermos orgulhosos, a não termos a mania de sermos os
melhores condenando sempre os irmãos mais fragilizados. A humildade que sou
chamado a viver é grandiosa virtude.
Ter a coragem de chamar
os pecados
pelo seu nome perante o confessor
Homilia desta
manhã na Missa celebrada pelo
Papa Francisco
na Casa de Santa Marta
ROMA, 25 de
Outubro de 2013
Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor. Esta
a ideia principal da homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco
na Casa de Santa Marta que foi inteiramente dedicada ao Sacramento da
Reconciliação. Segundo o Santo Padre, para muitos adultos confessar os pecados
perante um sacerdote é um esforço insustentável que pode transformar um momento
de verdade num exercício de ficção. O Papa Francisco comentou a Carta de S.
Paulo aos Romanos em que o Apóstolo admite publicamente perante toda a
comunidade que na “sua carne não habita o bem” e ainda admitiu ser um “escravo”
que não faz o bem que quer, mas cumpre o mal que não quer. O Papa diz-nos que
esta é a luta dos cristãos:
“E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem
sempre temos a coragem de falar como fala Paulo sobre esta luta. Sempre
tentamos uma via de justificação: ‘Mas sim, somos todos pecadores. Dizemos
assim, não é? Isto dizêmo-lo dramaticamente: é a nossa luta. E se nós não
reconhecermos isto nunca poderemos ter o perdão de Deus.”
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
O dinheiro
serve, a avidez mata
O dinheiro serve para
realizar muitas obras boas, para fazer progredir a humanidade, mas quando se
torna a única razão de vida, destrói o homem e os seus vínculos com o mundo
externo. Eis o ensinamento que o Papa Francisco tirou do trecho litúrgico do
evangelho de Lucas (12, 13-21) durante a missa celebrada esta manhã,
segunda-feira 21 de Outubro, em Santa Marta.
No início da homilia o
Santo Padre recordou a figura do homem que pede a Jesus que intime ao seu irmão
para dividir com ele a herança. Com efeito, para o Pontífice o Senhor
fala-nos através desta personagem «da nossa relação com as riquezas e com
o dinheiro». Um tema que não é só de há dois mil anos mas que se apresenta
ainda hoje, todos os dias. «Quantas famílias destruídas – comentou – vimos por
problemas de dinheiro: irmão contra irmão; pai contra filhos!». Porque a
primeira consequência do apego ao dinheiro é a destruição do indivíduo e de
quem lhe está próximo. «Quando uma pessoa é apegada ao dinheiro – explicou o
bispo de Roma – destrói-se a si mesma, destrói a família».
Certamente, o dinheiro
não deve ser exorcizado de modo absoluto. «O dinheiro – esclareceu o Papa
Francisco – serve para realizar tantas coisas boas, tantas obras, para
desenvolver a humanidade. O que deve ser condenado, ao contrário, é o seu uso
exagerado. A este propósito o Pontífice repetiu as mesmas palavras pronunciadas
por Jesus na parábola do «homem rico» contida no Evangelho: «Quem acumula
tesouros para si, não se enriquece aos olhos de Deus». Por isso, a admoestação:
«Prestai atenção e mantende-vos distantes de qualquer avidez», porque a avidez
faz adoecer o homem, levando-o a um círculo vicioso no qual cada pensamento
está «em função do dinheiro».
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