domingo, 5 de fevereiro de 2012

1ª Carta aos Coríntios 9,16-19.22-23.


Irmãos: Anunciar o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!
Se o fizesse por iniciativa própria, mereceria recompensa; mas, não sendo de maneira espontânea, é um encargo que me está confiado.
Qual é, portanto, a minha recompensa? É que, pregando o Evangelho, eu faço-o gratuitamente, sem me fazer valer dos direitos que o seu anúncio me confere.
De facto, embora livre em relação a todos, fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número.
Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo.
E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Cristo Nossa Luz, consagra-nos para o Seu serviço
A Igreja celebra o dia do Consagrado.
Em Benguela teve um particular sabor, pois no Vale do Cavaco, as Servas Franciscanas Reparadoras, viveram um dia diferente, tendo como motivo de uma celebração revestida com muita dignidade e brilho, a comunidade de Santo António, onde fez a sua primeira profissão a Noviça Lídia Sinalã, chegada da sua formação feita em Moçambique.
Porque motivo não se fazia em casa e não na Igreja Paroquial? Lá se acatou a Obediência, fazendo uma celebração mais simples, embora com muitos convidados à mistura. Dos amigos da Congregação ninguém soube, pois então teríamos que abrir mão de muita coisa e não dava.
O Espírito do Senhor, foi transformando os corações e as palavras são poucas para tanto empenho da parte de todas para que tudo estivesse à altura de uma celebração da Congregação, que afinal já foi jubilar!
O coro das irmãs, aspirantes e seminaristas dos pobres Servos, orientados pela Ir. Laurinda Ngueve, tornaram harmoniosa a nossa celebração.
Presidiu a ela o nosso amigo da primeira hora, D. Óscar Lino Braga, Bispo emérito de Benguela, que estreava um lindo paramento vindo de Portugal para estas ocasiões. Este já de estola preparada para concelebrar, fica a saber que D. Eugénio não podia vir, pois estava doente. Não é que na noite anterior a irmã Maria dos Anjos lhe telefona e ele ao saber da presença de D. Eugénio na celebração, afirmou que o lugar dele não lhe retirava a alegria de estar connosco nesse dia em que também ele celebrava 37 anos de episcopado. Mas D. Eugénio ficou doente, sem voz e não pode estar, enviou o seu Vigário Geral. Eram dez os sacerdotes presentes e uma dezena de irmãs vindas de outras Congregações a saber: FMM, Doroteias, Santíssimo Salvador e Filhas da Virgem das Dores. Estavam os Pobres Servos e também os Saletinos.
Consciente, com alegria, serenidade e disponibilidade na entrega, assim se mostrou a jovem Lídia que emitia os seus votos de: Pobreza, Castidade e Obediência, na Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras.
A liturgia do dia era bem própria para a entrega da vida ao Senhor, tendo-O como modelo de entrega, de serviço e realização da Vontade do Pai. Ele a Luz verdadeira que veio ao Mundo para iluminar a nossa vida.
Na homilia, o Prelado, fez uma referência muito forte à vivência dos Votos e mencionou a importância da Obediência como o cerne para podermos viver em pobreza e castidade. Uma obediência por amor e de livre vontade. Quando fazemos a vontade de Deus, deixamos que Ele nos consagre, nada temos a temer. O nosso caminhar tem de ter a marca das Bem- Aventuranças e o amor nunca se questiona, daí que o compromisso assumido em Igreja e em comunidade também não se põe em dúvida, aceita-se, ama-se e vive-se.
Os pais da Lídia, até este momento numa linha de separação conjugal, estavam felizes, mesmo não concordando muito com esta decisão, pois ela remou sempre contra a vontade dos pais e avançou. Na sua ida para Moçambique sempre pensaram que tinha ido fazer estudos, só que nem imaginavam que estudos eram.
O Senhor prega assim umas partidas também à família e depois tudo se vai aceitando, mas com muita calma e sem pressas, nem imposições.
Graças a Deus e às irmãs, foi-nos apresentado um almoço de festa com muito requinte. Não deixando de ter de se pedir à comunidade do Lobito as toalhas brancas e outras coisas necessárias, tudo se tinha em casa. Aos poucos vai-se tendo um bocadinho de tudo. A louça, as toalhas, os talheres, travessas, copos e mais algumas alfaias de mesa, já vieram de Portugal, vamo-nos ajudando desta forma, sendo solidárias nas pequenas coisas.
O bolo foi confeccionado nas Monjas do Mosteiro da Mãe de Deus, aqui muito nossas vizinhas. Estava bom, bem como outras sobremesas bem frescas e apetitosas confeccionadas em casa e vindas de pessoas amigas.
Todos comeram e ficaram saciados. A alegria estava presente no rosto de cada uma das vinte e seis irmãs presentes, nos sacerdotes e familiares da irmã. Mas também se fazia sentir o cansaço físico das que ficaram toda a noite a pé para que tudo estivesse em ordem.
Por todas as irmãs que neste dia celebram a sua entrega ao Senhor, entoei uma prece apenas no íntimo do coração. Por aquelas que continuam a manter viva a sua lâmpada, sendo luz para o mundo, dou graças ao Deus da Luz. Pelas que foram testemunhas desta Luz, Cristo, resta-nos a gratidão. Às que caminhamos nesta Igreja peregrina, basta-nos alimentar a Fé em Jesus Cristo Palavra e Pão. Os caminhos da fidelidade, são os nossos caminhos, Cristo Luz do Mundo ilumine a nossa vida e nos torne fortes, firmes e fiéis ao Carisma que abraçamos.
TEDEUM LAUDAMUS, pelo dom da vocação Eucarística e Franciscana
A todas um abraço de Paz e Bem, do outro lado do Atlântico, com  o calor de cada Serva Franciscana
Ir. Glória

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fala Senhor que o teu servo escuta...
Fazer a vontade de Deus em qualquer situação.
Viver em sentido de escuta no amor constante à Palavra de Deus.
Não ter medo de sentir a minha humanidade.
Viver contrita de minhas faltas e pecados.
O Senhor é Bom, Justo e Misericordioso.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Senhor da Conversão

Preparo interiormente o meu coração para acolher as Tuas fortes investidas ao meu estado dormente constante. Tu o Senhor da conversão, limpa as escamas dos meus olhos, converte-me, faz com que repita do mais fundo da alma: tudo sobra, tudo é lixo, só a Fé em Ti me basta, pois és o Senhor da minha vida.
Cair ou não do cavalo, pode ou não fazer sentido, mas preciso sim, de reverter a minha vida, de cair, mas de voltar a erguer-me sem demora nem desânimo. 
Batiza-me de novo, purifica tudo o que deixa a minha vida meia morta, sem vida.
Senhor da conversão, que eu saiba anunciar a beleza da Tua mensagem, que seja a nova evangelizadora dos meus dias. Que o testemunho seja mais convincente, mais claro e transparente.
Que na estrada das minhas misérias constantes, Te encontre e viva de Ti e só para Ti.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quem são minha mãe e meus irmãos?
são todos os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Rainha do Céu e dos Homens da barragem  de Camacupa
Senhor da fascinação

As Tuas palavras, o Teu olhar são como uma rede de onde não nos podemos livrar. A Tua Palavra é sempre uma Boa Notícia carregada de sinais de alegria e consolação. Fazes o convite à descoberta do lugar maravilhoso onde se experimenta o teu amor e o fascínio da Tua doçura.

A Tua mensagem é carregada de  alternativas para a vida. Como me agrada ao espírito essa Tua interrogação forte: quem buscais? A minha resposta por vezes é negativa e não tão incisiva como a dos que te perguntaram: Rabi, onde moras? Onde reclinas a cabeça? Num rasgo imediato de um convite cheio de coragem, dizes: Vinde! Vede!

Será que isto me basta? será que me deixo contagiar por essa incrível palavra de acolhimento, de aceitação dos meus tantos nadas e misérias? Será que mereço tal convite? 
Há, Senhor da beleza e do fascínio, meu espírito, meu ser, deseja ser Tua discípula, deseja o encontro secreto e afável contigo, a casa, não importa, apenas o coração transborda  ao pressentir que precisa de Ti e que o encontro pode acontecer a cada instante.

A Tua Palavra é a porta da minha Esperança. Nas horas de dor, Tu estás presente, na dúvida, Tu marcas a certeza. Na minha vida ficam os sinais do teu amor. 
Neste fascínio da descoberta deste Cordeiro de Deus que tira o meu pecado, descubro essa necessidade de mudança de vida, de ser diferente, de me deixar transformar por Ti.

Envia-me aos outros, desperta a minha vocação, faz-me acolhedora da Tua mensagem, deixa-me partilhar contigo a beleza da contemplação do Teu Rosto admirável no rosto dos irmãos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



Eis o sinal do Grande Rei!

Ao longo da semana vivendo em espírito natalício ainda, 
fomos ouvindo os maravilhosos ensinamentos de Jesus.

Como foi ternurento o encontro de Jesus com João! " Eis o Cordeiro de Deus!"
Como foi extremamente edificante o convite de Jesus: " Vinde e vede"!
Como são maravilhosos os círculos concêntricos da sedução de Jesus!
Fazer a experiência de Jesus na vida, torna-nos mais capazes de perceber que é na humildade que se fazem as grandes coisas e Ele tem de ser o centro de tudo o que somos e temos!
Ser amigo de Jesus, caminhar com Ele, escutar a Sua Palavra, sentir a Sua presença em nós, é consolador!
Com Jesus damos passos de gigante, mas se o esquecemos, o nosso caminho fica estreito e pedregoso!

Senhor, neste tempo de graça em que me ofereces a oportunidade de experimentar uma nova vida e sentir o perfume de novas irmãs, eu Te deixo o render da minha gratidão por elas.Que a Tua palavra seja para cada uma de nós esse vaso de alabastro derramado em nossos corações, para espalhar com esperança o perfume inebriante da tua exortação, do teu conselho, da tua lei, do teu amor.

Deixo a minha pobre oferta diante de Ti! O ouro mais precioso da minha vida, o incenso mais perfumado do meu desejo de entrega e doação, a mirra da minha iniquidade, da minha fraqueza e da minha tão grande necessidade de experimentar na vida a Tua Omnipotência para que tudo quanto me deres para realizar tenha a marca do amor, do sacrifício e da doação plena.


A missão tem de ser realizada de coração aberto. 
O caminho do anúncio exige entrega sem limites. Conhecer-te e tornar-Te conhecido é a minha missão...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

"Não há missão sem visão"


João vê Jesus que se aproxima dele. Também eu me aproximo de Jesus e tantas vezes Ele passa ao largo e não o vejo. Como vivo a grandeza dos sacramentos? Como celebro a liturgia da minha vida? 

O matiz das cores, mistura-se na beleza da comunidade, da Igreja e dos pobres para quem devo viver na integridade do meu ser. Este deve ser o verdadeiro encontro que Cristo me vai pedindo diariamente. O testemunho de vida que devo dar é a referência séria e concreta do meu amor a Cristo que vem até mim, nos variados expoentes da vida que não é cor-de-rosa, mas real e com um gosto admirável a sacrifício.
João baptiza com água. 

Água que lava, que purifica. João reconhece o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E eu? Que efeito tem em mim o meu ser cristão?

O Espírito desce sobre Jesus. O doce nome de Jesus, que vem para testemunhar a grandeza das maravilhas do Pai. O Mistério de amor tão fecundo, que vem para salvar, para curar, para refazer a vida de um pecado concretizado na pobreza da humanidade de que somos criados..

Onde está o Espírito tudo é possível, tudo se recria e renasce. 


Urge ser testemunhas fecundas Daquele 
que nos baptiza no Espírito Santo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não é fácil responder à pergunta: "Que quereis?"

Quem pode dizer que se conhece a si mesmo?
Somos frequentemente uns desconhecidos para nós mesmos. Definimos-nos sempre a partir de comparações com os demais. Mas a resposta mais óbvia é frequentemente dizer, como João: "não sou eu", "não".
João descobre a sua identidade a partir do texto de Isaías. E nós quando descobrimos a nossa identidade? Será que isto acontece quando Deus nos fala? Será que escutamos a Sua Palavra de exortação, de conselho e de fortaleza?

O que valemos aos olhos do Criador? A Ele nada escapa e é com Ele que temos de nos tornar nas mensageiras do nosso tempo. A nós compete preparar de novo os caminhos do Senhor. Porque não, dizer que somos os novos percursores, capazes de proclamar bem alto a mensagem de paz transmitida no Evangelho?

Actuar com a força do Espírito. Com serenidade perguntar-me quem sou eu? Depois, no silêncio interior, aquele que nos conduz até ao seio do Pai, respondermos: eu sou uma ungida do Senhor, o Espírito de Deus actua em mim e colabora comigo. Tudo na minha vida é útil e faz sentido com a presença do Espírito.

"Eu baptizo-vos com água, mas entre vós há alguém que não conheceis: a esse, eu não sou digno de desatar as correias das sandálias..."

domingo, 1 de janeiro de 2012



" Regressaram dando glória e louvores a Deus 
por tudo o que tinham visto e ouvido..."

Senhor, da-me um coração como o de Maria, aberto para Te escutar, simples para Te amar e realizar em cada instante da minha vida a Tua Vontade. Que como Maria, saiba guardar intacta a minha aliança de amor contigo. Que da minha alma brote o desejo ardente de Te procurar e no silêncio escutar a beleza da Tua Palavra, que é Luz nos meus caminhos.

Que o Teu abraço de paz, hoje venha acompanhado da Tua bênção para a humanidade inteira que geme a ausência da paz, da justiça, da verdade e do amor.


sábado, 31 de dezembro de 2011

SANTA MARIA MÃE DE DEUS...

Paz e Bem a quem está do outro lado do Saara...

O deserto parace nada ter de belo, mas quando os nossos olhos caem em cima dele, não há palavras que possam descrever tal maravilha. Quando descobri os traços, as montanhas e a cor da areia do deserto, perguntei? Porquê tanto medo quando a nossa vida parece um deserto? No meio do nada, tudo tem vida, porque a beleza de Deus é infinita.
Entoar um canto novo, ao Deus que tudo cria e faz de novo é a única coisa que pode brotar dum coração grato.
Perdida por entre nuvens, oceano e deserto, cheguei a Angola! Um calorzinho à mistura sabia bem para tanto frio no avião. Quando chegamos parece estarmos já num outro mundo que dá sinais de novidade e modernidade. Tudo se faz muito rápido, sem comparações com os anos 2006e seguintes... É bom saber que o desejo d emudança está patente no coração dos povos.
Esperava-me a irmã Emiliana e Rosa Félix. Foi rápido que nos piusemos em casa, pois pela noite dentro o trânsito está mais fluído.

Um acolhimento fraterno sabe sempre bem. Estava em casa com a graça de Deus.
O descanso era merecido para todas, daí que um trago de água fresca e uma fruta saciaram a sede e toca a esticar as pernas pois o avião deixa a gente encolhida.
Pela manhã chega a notícia de que a ir. Assunção tinha fraturado o fémur. Terminar o ano em sofrimento e começar o Novo Ano com sofrimento. Deus sabe que presentes oferecer aos Seus amigos!

Tudo vai correndo bem. Prepara-se o novo ano. Hoje dia 31 dia de deserto e retiro.
Rever a vida, agradecer a vida e projetar desejos novos para o ano que viveremos com a graça de Deus.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011



O Senhor se aproxima
Padre Raniero Cantalamessa indica os leigos como novos evangelizadores
Diante do mundo ocidental secularizado e em alguns aspectos pós-cristão, o Pregador da Casa Pontifícia se questionou: “Quem sabe a fé cristã não deva voltar para a Europa, a partir dos países que foram por estes uma vez evangelizados; mas desta vez não a partir do Norte, como depois das invasões bárbaras, mas a partir do Sul.”
Ecoando as palavras que o Santo Padre falou sobre a fé encontrada na África, “mais vibrante e intensa do que aquela encontrada no Ocidente agora”, Pe. Cantalamessa indicou o surgimento de uma nova categoria de anunciantes: “os leigos”.
“Não se trata- ele explicou - da substituição de uma categoria por outra, mas de um novo componente do Povo de Deus que, vem somar aos outros, permanecendo sempre os Bispos, liderados pelo Papa, os guias competentes e responsáveis últimos pela tarefa missionária da Igreja.”
De acordo com o Pregador da Casa Pontifícia, a tarefa principal é ajudar “a humanidade a estabelecer um relacionamento com Jesus."
O Evangelho de Lucas relata que foram 72 os primeiros apóstolos que Jesus enviou em missão.
E São Leão Magno, comentando, escreve que “Jesus enviou os 72 ‘dois a dois’, porque em menos de dois não pode haver amor” e, é a partir do amor que os homens podem reconhecer que somos seus discípulos.
“Isso vale para todos - disse Cantalamessa - mas de maneira especial para os pais”, por isso são determinantes as famílias missionárias.
"A parábola da ovelha perdida - acrescentou – se apresenta atualmente invertida: 99 ovelhas estão longe e uma manteve-se à oliveira. O perigo é passarmos o tempo todo a cuidar daquela única que permaneceu, e não ter tempo, até mesmo pela escassez do clero, de ir à busca das perdidas. Isso revela a contribuição providencial dos leigos”.
E, ainda assim, "Jesus queria que seus apóstolos fossem pastores de ovelhas e pescadores de homens. Para nós, o clero, é mais fácil ser pastores que não pescadores, isto é, nutrir com a palavra e os sacramentos aqueles que vêm à igreja, do que não andar em busca dos distantes, nos mais diferentes ambientes da vida”.
Sobre as razões da eficácia dos leigos e dos movimentos eclesiais, o Pregador da Casa Pontifícia, citou um famoso canto espiritual dos negros, intitulado "There is a balm in Gilead”, que diz: "Se não sabe pregar como Pedro; não sabe pregar como Paulo, vai para sua casa e diga aos seus vizinhos: Jesus morreu por nós!”
“Em dois dias será Natal – comentou Pe. Cantalamessa - É reconfortante aos irmãos leigos, lembrar que ao redor do berço de Jesus, além de Maria e José, estavam seus representantes, os pastores e os reis magos”.
E concluiu – “tudo começou com aquele Menino na manjedoura” e “Cristo nasce hoje, porque ele realmente nasce para mim quando eu reconheço e acredito no mistério. (...) Vem, Senhor, e salva-nos!”

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011



Senhor da manifestação

Surpreendida pela riqueza da Tua Palavra, posso exclamar que me faltam as palavras para me dirigir a Ti. Ontem uma Anunciação tão esperada, hoje, fico desarmada com a Tua presença na família de Zacarias e Isabel. Uma acontece na humilde casa de Nazaré, a Maria uma jovem do povo simples e de uma família com pouca relevância na sociedade. Hoje, Zacarias é o sacerdote do Templo, homem influente e importante no seu tempo.
Que beleza, ímpar! Maria acolhe o anúncio com total disponibilidade e uma fé inquebrantável, Zacarias, com dúvida, com desconfiança pede provas. Será que pode ser mesmo, o Batista nascer de uma mulher de idade avançada e estéril?
Tu, Jesus, nasces de uma Virgem, a Cheia de Graça, a plena do Espírito Santo. Tu revelas-Te donde, quando e como te apraz. O momento da Anunciação vem dizer ao meu coração que Tu, preferes sempre os simples, os pequenos e os humildes. Tu dás a Fé suficiente para acatar a Tua Palavra, o Teu convite.

Nada, mais Te, posso dizer a não ser que aumentes a minha Fé, que me faças ver que só o Amor é capaz de todas as coisas. Com o amor, é possível acreditar e ver mais além do que os nossos olhos possam contemplar.
Na casa do meu coração, vens para fazer morada. Nem sempre respondo com prontidão. Nem sempre abro as janelas da alma para deixar entrar a luz que vem desfazer as minhas trevas. 
A minha língua fica presa porque a Fé não é suficiente para Te proclamar com desenvoltura, mas quero alegrar-me com a Tua vinda, quero saborear a doçura do Teu amor, quero experimentar a alegria do teu ser que me habita. Tu me escolhes para ser Tua testemunha, Tu lanças a cada hora ao meu coração, o desafio admirável para acolher a Tua visita, pedes-me que ponha nela todo o afã contemplativo.

Nada, mais posso mesmo dizer a não ser: obrigada pelos Teus desígnios admiráveis, pela Tua ternura incomparável.
O papel de João é o de preparar os Teus caminhos, de ser a voz que clama no deserto, de Te mostrar ao mundo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Senhor, dá-me a graça de ser uma verdadeira testemunha do teu amor, a fim de que com palavras e obras, Vos leve a todos os povos e nações.



domingo, 18 de dezembro de 2011

Senhor do serviço
Ajuda-me a entender o Teu seguimento, Senhor, na linha do serviço. Não quero privilégios, nem primeiros lugares, nem agradecimentos públicos. Sim, quero apenas destacar-me, no realizar a Tua vontade, no serviço simples e humilde como o Teu e o de Maria. Quero ser servidora da Tua Palavra, quero entender a perfeição do Teu serviço.
Quero estar especialmente atenta para não deixar fugir as ocasiões de serviço. Faz comigo como Te aprouver.

Sou a Escrava do Senhor...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Senhor da luz...

Senhor, com a Tua Encarnação iluminaste a nossa vida. Dá-me luz para que veja as aranhas do meu coração. Ajuda-me a reconhecer  as minhas trevas, essas zonas obscuras, tão minhas, onde resido e resisto à Tua graça. Sê claridade na minha vida, ajuda-me a ser transmissora da Tua luz. Ajuda-me a não esconder essa luz, mas a colocá-la no candelabro, para que todos vejam o  seu intenso e brilho.

A lâmpada tem luz, mas não é luz. Tem uma vida efémera, temporal, vazia. Em contrapartida, Jesus disse que Ele era a Luz do Mundo.
É momento de pensar nas minhas escuridões e dizer a mim mesma que as minhas trevas precisam da luz que vem de Jesus.
Oferece-me a Tua luz, para que viva, para que saiba acolher em mim a Tua luz, a Tua Palavra, a Tua vida, a Tua festa, os Teus sinais de fecundos de amor, a alegria do Teu Reino.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ele veio para dar testemunho...

A testemunha não é o Salvador

6 Apareceu um homem enviado por Deus, 

que se chamava João. 7 Ele veio como testemunha,
para dar testemunho da luz, a fim de que todos
acreditassem por meio dele. 8 Ele não era a luz, 
mas apenas a testemunha da luz.
-* 19 O testemunho de João foi assim. As 
autoridades dos judeus enviaram de Jerusalém 
sacerdotes e levitas para perguntarem a João: 
«Quem é você?» 20 João confessou e não negou.
Ele confessou: «Eu não sou o Messias.»
21 Eles perguntaram: «Então, quem é você? Elias?» João disse: «Não sou.» Eles perguntaram: «Você é o Profeta?» Ele respondeu: «Não.» Então perguntaram: 22 «Quem é você? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. Quem você diz que é?» 23 João declarou: «Eu sou uma voz gritando no deserto: ‘Aplainem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías.»
24 Os que tinham sido enviados eram da parte dos fariseus. 25 E eles continuaram perguntando: «Então, por que é que você batiza, se não é o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26 João respondeu: «Eu batizo com água, mas no meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem, 27 e que vem depois de mim. Eu não mereço nem sequer desamarrar a correia das sandálias dele.»
28 Isso aconteceu em Betânia, na outra margem do Jordão, onde João estava batizando. 

* 1,1-18: O Prólogo de João lembra a introdução do Gênesis (1,1-31; 2,1-4a). No começo, antes da criação, o Filho de Deus já existia em Deus, voltado para o Pai: estava em Deus, como a Expressão de Deus, eterna e invisível. O Filho é a Imagem do Pai, e o Pai se vê totalmente no Filho, ambos num eterno diálogo e mútua comunicação. 

A Palavra é a Sabedoria de Deus vislumbrada nas maravilhas do mundo e no desenrolar da história, de modo que, em todos os tempos, os homens sempre tiveram e têm algum conhecimento dela. 
Jesus, Palavra de Deus, é a luz que ilumina a consciência de todo homem. Mas, para onde nos conduziria essa luz? A Bíblia toda afirma que Deus é amor e fidelidade. Levado pelo seu imenso amor e fiel às suas promessas, Deus quis introduzir os homens onde jamais teriam pensado: partilhar a própria vida e felicidade de Deus. E para isso a Palavra se fez homem e veio à sua própria casa, neste seu mundo.
A humanidade já não está condenada a caminhar cegamente, guiando-se por pequenas luzes no meio das trevas, por pequenas manifestações de Deus, mas pelo próprio Jesus, Manifestação total de Deus. Com efeito, Jesus Cristo, que é a luz, veio para tornar filhos de Deus todos os homens. Um só é o Filho, porém, todos podem tornar-se bem mais do que filhos adotivos: nasceram de Deus.
Deus tinha dado uma lei por meio de Moisés. E todos os judeus achavam que essa lei era o maior presente de Deus. Na realidade, era bem mais o que Deus tinha reservado para todos. Porque Jesus, o Deus Filho, o verdadeiro e total Dom do Pai, é o único que pode falar de Deus Pai, porque comunica o amor e a fidelidade do Deus que dá a vida aos homens.

* 19-28: Quando João Batista começou a pregação, os judeus estavam esperando o Messias, que iria libertá-los da miséria e da dominação estrangeira. João anunciava que a chegada do Messias estava próxima e pedia a adesão do povo, selando-a com o batismo. As autoridades religiosas estavam preocupadas e mandaram investigar se João pretendia ser ele o Messias. João nega ser o Messias, denuncia a culpa das autoridades, e dá uma notícia inquietante: o Messias já está presente a fim de inaugurar uma nova era para o povo. 
Messias é o nome que os judeus davam ao Salvador esperado. Também o chamavam o Profeta. E, conforme se acreditava, antes de sua vinda deveria reaparecer o profeta Elias.
João Batista é a testemunha que tem como função preparar o caminho para os homens chegarem até Jesus. Ora, a testemunha deve ser sincera, e não querer o lugar da pessoa que ela está testemunhando. 

Bíblia Sagrada - Edição Pastoral

As suas palavras eram ardentes...

Livro de Eclesiástico 48,1-4.9-11.
Naqueles dias, o profeta Elias levantou-se impetuoso como o fogo; as suas palavras eram ardentes como um facho. Fez vir sobre eles a fome e, no seu zelo, reduziu-os a poucos.
Com a palavra do Senhor fechou o céu e assim fez cair fogo por três vezes.
Quão glorioso te tornaste, Elias, pelos teus prodígios! Quem pode gloriar-se de ser como tu? Tu foste arrebatado num redemoinho de fogo, num carro puxado por cavalos de fogo; tu foste escolhido, nos decretos dos tempos, para abrandar a ira antes de enfurecer, reconciliar os corações dos pais com os filhos e restabelecer as tribos de Jacob. Felizes os que te viram e os que morreram no amor; pois, nós também viveremos certamente.

Evangelho segundo S. Mateus 17,10-13.
Ao descerem do monte, os discípulos fizeram a Jesus esta pergunta: «Então, porque é que os doutores da Lei dizem que Elias há-de vir primeiro?»
Ele respondeu: «Sim, Elias há-de vir e restabelecerá todas as coisas.
Eu, porém, digo vos: Elias já veio, e não o reconheceram; trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.»
Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista.

domingo, 27 de novembro de 2011

Fala o poeta...

Senhor da novidade...

O início da Tua Boa Notícia é surpreendente! O convite que me fazes para preparar esse caminho plano e pleno condensa-se na expressão: “estai alerta… vigiai…”

Parece que dizes isto como a alguém que anda desorientado, de fé esmorecida. O eco da Tua mensagem é para mim sinal de conversão e nem tenhas dúvida, que é a hora mais certa para me provocares e incentivares a viver na e da Tua Luz.
Descubro-te no encontro, na proximidade, na presença dos mil gestos de amor transformados em sacramento de vida. Tu, vens inaugurar uma nova geração, Tu vens com poucas Palavras, mas a Tua Palavra é força e alento para a vida.
Rezo-te neste dia em que medito com ênfase a Tua atenção desmedida para com os Teus filhos, se assim, não fosse, como soaria a palavra “vigiai” ou o convite a estar “preparado”? É comovedora a figura do Batista, que mexe com o meu interior e me acorda para que sai do marasmo da vida e passe depressa ao anúncio da Tua Palavra com energia, com dedicação, com fôlego, com dinamismo e criatividade. A minha missão, por mais simples e silenciosa, tem de anunciar a Tua grandeza.

Fico maravilhada com a inferioridade de João expressa na metáfora de não ser capaz de desatar as correias das Tuas sandálias! Sabes, Senhor, são laços e nós da vida, que precisam de ser desfeitos para me baixar e descobrir na Tua pequenez e humildade o cerne da pobreza que me imponho viver e não sou capaz! João brinda-me com magnifico exemplo, com orientações válidas para o hoje da minha vida. A Palavra que orienta o meu coração e o meu pensamento e me ajuda a contemplar o caminho de santidade que me apresentas.
No deserto da vida há obstáculos que não consigo transpor, mas devo deixar o antigo e correr em busca do novo, do bom, do perfeito e do belo. Mostra-me a Tua face, salva-me, reveste-me de Fé, de empenho, de ternura e de atenção. Na passagem deste momento, preciso de estar vigilante, iluminada, atenta às Tuas exigências, recordando em cada sopro d e vida a necessidade de ser pobre, humilde, simples, deparando-me apenas com o bem, o bem supremo que me invade por todos os lados.
Rezo-te Senhor da novidade, para que não me deixe invadir pelo protagonismo, pela vontade própria, pelo cenário de uma grandeza que destrói. Completamente às escuras rezo-te com a voz do poeta: No meio da sombra e das feridas, creio em Ti… Sem Ti o sol é luz descolorida… Sem Ti a Paz é cruel castigo… Sem Ti a vida é morte repetida… Contigo o sol é luz enamorada, a Paz é florida, a vida é sangue a jorrar. Se me faltas Tu, não tenho nada…

Neste Advento espero viver a dimensão da alegria e da esperança, num sentido profundo de conversão. Fica o desejo de Te procurar em cada acontecimento, em cada pobre, em cada situação social… Fica a vontade de permanecer sempre atenta e vigilante, activa e serviçal…
Senhor, se me vires dormir, por favor, desperta a minha sonolência. Se me vires esmorecida na Fé, abrasa-me com o fogo para que acolha com dinamismo a Tua Palavra e viva cada vez mais vigilante e preparada para a Tua chegada que não tem tempo nem hora… 
Que tudo o que colocas nas minhas mãos, não permaneça cego, mas iluminado pela Tua Luz fulgurante. 
Que Te procure sempre não lá pelas alturas, mas na pequenez da Tua humildade. 
Que meus braços não se cruzem, mas sempre erguidos para Ti façam o acolhimento mais belo, mais quente e terno. Faz-me voltar de novo e refazer em Ti a minha novidade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Evangelho (Lucas 21,20-28)




Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 20“Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que a sua destruição está próxima. 21Então, os que estiverem na Judeia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. 22Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. 

23Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá uma grande calamidade na terra e ira contra este povo. 24Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete. 25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. 27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. 

Estamos nos últimos dias da vida terrena de Jesus, após a Sua entrada triunfal em Jerusalém. Cristo está completando a catequese dos discípulos e, nesse contexto, anuncia-lhes tempos difíceis de perseguição e de martírio. Avisa-os, também, de que a própria cidade de Jerusalém será, proximamente, sitiada e destruída. Ora, é neste contexto e nesta sequência que aparece o texto do Evangelho de hoje.
A peça fundamental à volta da qual se estrutura o Evangelho de hoje está na referência à vinda do Filho do Homem com grande poder e glória e no convite a cobrar ânimo e a levantar a cabeça porque a libertação está próxima. A palavra libertação é uma palavra característica da teologia paulina (cf. I Cor 1,30; cf. Rom 3,24; 8,23; Col 1,14), na qual é usada para definir o resultado da ação redentora de Jesus em favor dos homens.
O projeto de salvação/libertação da humanidade, concretizado nas palavras e nos gestos de Jesus Cristo, é apresentado como o resgate de uma humanidade prisioneira do egoísmo, do pecado e da morte. Trata-se, portanto, da libertação de tudo o que escraviza os homens e os impede de viver na dignidade de filhos de Deus.
A mensagem proposta aos discípulos é clara: um caminho marcado pelo sofrimento e pela perseguição os espera. No entanto, não devem se deixar afundar no desespero porque Jesus virá. Com a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo (de ontem, de hoje, de amanhã), cessará a escravidão insuportável que os impede de conhecer a vida em plenitude e nascerá um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas.
Os “sinais” catastróficos apresentados não são um quadro do fim do mundo. São imagens utilizadas pelos profetas para falar do “Dia do Senhor”, isto é, o dia em que Deus vai intervir na história para libertar definitivamente o Seu povo da escravidão, inaugurando uma era de vida, de fecundidade e de paz sem fim. O quadro destina-se, portanto, não para amedrontar, mas para abrir os corações à esperança. Quando Jesus vier com a Sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação/libertação sem fim.


Há, ainda, um convite à vigilância: é necessário manter uma atenção constante a fim de que as preocupações terrenas e as cadeias escravizantes não impeçam os discípulos de reconhecer e de acolher o Senhor que vem.
A reflexão acerca do Evangelho de hoje pode tocar, entre outros, o seguinte ponto: a realidade da história humana está marcada pelas nossas limitações, pelo nosso egoísmo, pela destruição do planeta, pela escravidão, pela guerra e pelo ódio, pela prepotência dos senhores do mundo.
Quantos milhões de homens conhecem, dia a dia, um quadro de miséria e de sofrimento que os torna escravos, roubando-lhes a vida e a dignidade. A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre a porta à esperança e grita a todos os que vivem na escravidão: “Alegrai-vos, pois a vossa libertação está próxima!”
Com a vinda próxima de Jesus, o projeto de salvação/libertação de Deus vai tornar-se uma realidade viva. O mundo velho vai converter-se numa nova realidade de vida e de felicidade para todos.
No entanto, a salvação/libertação que há-de transformar as nossas existências não é uma realidade que deva ser esperada de braços cruzados. É preciso “estar atento” a essa salvação que nos é oferecida como dom, e aceitá-la.
Jesus virá. Mas é necessário reconhecê-Lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso, também, ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Cristo e deixar que Ele nos transforme.
É preciso, ainda, ter presente que este mundo novo – que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho – nunca será uma realidade plena nesta terra, mas sim uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, haver destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O perdão é um ato da vontade, não das emoções...

A frase-chave do Evangelho de hoje é: “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, reprende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe”.
Em termos práticos, a palavra “perdão” significa abrir mão do direito de mover uma ação contra o ofensor. É um ato da vontade, não das emoções. O plano de Deus para o perdão a um ofensor dá a ambas as partes um novo começo rumo a uma vida melhor. O perdão de Deus é a remoção da culpa e da penalidade total de nossos pecados sem qualquer merecimento nosso.
O perdão é necessário, porque as ofensas são muitas. Jesus disse: “É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm!” (Lc 17,1). Nós ofendemos e somos ofendidos. Este é um problema comum nas relações humanas. Ofendemos os outros por atos, atitudes ou palavras (cf. Tg 3,2). O cristão sincero deve ser cuidadoso para não ofender nem sentir as ofensas pelos atos dos outros. Isso requer uma vigilância constante: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”, advertiu-nos Jesus.
O perdão é necessário por causa do mandamento de Deus. E Ele é bastante enfático sobre isso. Temos de perdoar cada ofensa repetidas vezes (cf. Lc 17,3-4).
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão e longanimidade. Suportando-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3,12-13).
Quer dizer, tudo que for oposto ao espírito de perdão deve ser abandonado de uma vez por todas, e ser substituído por bondade, simpatia e perdão. Neste capítulo não há meio-termo: ou perdoamos uns aos outros ou nos rebelamos contra Deus.


O perdão é necessário, porque não perdoar é prejudicial. Jesus advertiu de que tal atitude é tão grave que Deus não perdoará a pessoa que não quiser perdoar outra (cf. Mt 6,12-15). É tão grave que se uma pessoa persiste nesta atitude, deve ser excluída da comunhão da Igreja (cf. Mt 18,7-9). Um espírito amargo é algo muito sério diante de Deus, merecendo a mais severa disciplina.
Perdoe todas as ofensas. Se alguém ofendê-lo, quer seja por palavras, obras ou atitude, perdoe. Se o erro se repetir mais vezes, ainda que seja no mesmo dia, perdoe (cf. Lc 17,4). Perdoe verdadeiramente, não deixe que as ofensas se acumulem de modo a resultar num grande fardo. Seu perdão deve remover a ofensa para longe, assim como Deus nos tem perdoado.
Perdoe de uma vez para sempre. Você pode dizer: “Eu posso perdoar, mas não posso esquecer”. Deus não nos ordena a esquecer. Ele está preocupado que o nosso perdão seja tão completo que, se nos lembrarmos da ofensa, será para louvá-Lo pelo perdão e não para sentir mais tarde uma mágoa pela ofensa.
Confie plenamente em Deus. Perdão é um exercício espiritual. Quando Jesus terminou Seu ensino sobre o perdão, os discípulos responderam: “Aumenta-nos a fé” (cf. Lc 17,5). O perdão pode ser estendido às pessoas pela fé em Deus.
Submeta-se totalmente ao Espírito Santo. As virtudes mencionadas em Colossenses 3,12-13, relativas ao que devemos fazer para perdoar, estão intimamente ligadas aos frutos do Espírito Santo, enumerados em Gálatas 5,22-23. O cristão que é cheio do Espírito não O entristecerá com uma atitude amarga que recusa perdoar.
Siga explicitamente o exemplo de Cristo: “Assim como Cristo vos perdoou, assim também fazei vós” (Cl 3,13). “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4,32). Jesus mesmo nos deixou o exemplo do perdão para seguirmos.

Ame abnegamente a pessoa que não merece. “E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor” (Cl 3,14). Este espírito capacitará você a agir bondosa e pacientemente com o ofensor. “O amor é sofredor, é benigno, não se irrita, não suspeita mal, tudo sofre. O amor nunca falha” (I Cor 13,4-8). O amor de Deus é a resposta para toda nossa amargura e sentimentos irreconciliáveis.
Descanse completamente na paz de Deus Pai. Se você permitir que a paz do Senhor domine seu coração, você não terá problema com a falta de perdão (cf. Cl 3,15). Quando você “guarda a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”, não terá problema com o espírito de irreconciliação (cf. Ef 4,3). A amargura e a mágoa que acompanham um espírito irreconciliável destruirão a paz do coração.

Se você pensar: “Não posso viver com a pessoa que agiu errado comigo”, lembre-se de que é a paz de Deus que deve reinar no seu coração. Se não pode amar essa pessoa, peça a Deus para amá-la por você e Ele o fará! Amando com o amor de Deus você será cheio de Sua paz (cf. Ef 4,1-3).

Perdão significa abrir mão para sempre do direito de mover uma questão contra uma pessoa, ou seja, de vingar-se dela. É um ato da vontade, não de emoções. O plano de Deus é que tanto o ofensor como o ofendido tomem um novo começo, rumo a uma vida melhor. Esteja disposto a cultivar a graça do perdão e será feliz para todo o sempre diante do Altíssimo.

Prestai atenção...

Naquele tempo, 1Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! 2Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos.
3Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. 4Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”.
5Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.

Senhor das Núpcias...

Senhor das núpcias

A parábola das dez virgens surpreende-me pela sua beleza, mas deixa-me estupefacta pela dureza das Tuas palavras. Dez virgens… dez lâmpadas cheias… dez lâmpadas vazias… dez esperas para o encontro e surpresas sucessivas… a alegria do encontro cria ansiedade… gera partilha…
Prudência e imprudência, marcam o desafio proposto nesta parábola… Vigilância e Fé são sinais de que a espera do Esposo tem de ser bem preparada.

Eu sei, Senhor, que a salvação é um caminho longo a percorrer e nunca nos salvamos sós, mas sempre em comunhão. Quando oiço e medito esta Palavra, parece que estás a meter medo, pois basta o mais pequeno descuido, o mais pequeno atraso na vida pode por em causa a minha entrada no Reino. Mas, pergunto-me: como pode ser, se és o Esposo mais amável, mais fiel, mais misericordioso, bom e manso?
Preciso de perceber o contexto onde pronuncias estas palavras. Palavras de vigilância, de espevitar a Fé, de tomar consciência da relação contigo, de viver a mais profunda intimidade contigo experimentando o teu amor.
A sabedoria da vida tem de ser calibrada para se saber discernir adequadamente o percurso da caminhada de Fé.

Um simples azeite… uma lâmpada singela… mas um cansaço incontornável…
Tudo parece desmoronar-se no encontro com o Esposo se deixo de estar atenta e desperta para escutar as Tuas pertinentes e exigentes palavras de vida. A minha lâmpada perde tantas vezes o vigor e deixo-me dormir… Deixo de ter luz e Tu és a Luz que tanto preciso para não deixar avançar as trevas das minhas escuridões tão frequentes…

Tu, és o dom do Pai, o Esposo Celeste que me ofertas o diadema e com amor me colocas a aliança de um amor sempre fiel. Quero saborear a doçura das Tuas Palavras, quero estar vigilante e atenta para manter firme e constante a minha fidelidade esponsal.
A minha lâmpada de nada serve estar preparada se não vivo fortalecida e alimentada pela oração e pelo contacto mais profundo com a Tua Palavra que espevita a minha Fé e faz arder em mim a Caridade. Lâmpada acesa, azeite na almotolia, disposição interior para caminhar nas sendas do Teu amor. A luz da minha lâmpada tem de deixar resplandecer o brilho da beleza do teu Rosto.

Senhor das núpcias, não deixes amortecer a minha chama, quando estiver adormecida, espevita-a com o azeite do Teu amor. Não quero esquecer o compasso que marca a música do baile do encontro contigo. Que a ginástica do meu espírito me eleve a alma para a experiência das bodas. Que a vigilância do coração perceba que alguma coisa vai acontecer e que Tu virás a qualquer hora.

Reabre os meus ouvidos à Tua Palavra para adquirir a sabedoria que se deixa encontrar por quem a procura e se dá a conhecer a quem a deseja… que neste percurso eu encontre a Tua humildade e me incline para acolher o Teu perdão e me sente à Tua mesa saciando-me na comunhão de bens contigo.
Aceita Senhor das núpcias, a minha lâmpada acesa com perseverança, com constância e com fidelidade. Que em mim não haja espaço para o esquecimento e o descuido. Que seja sempre prudente e me prepare em cada dia para um encontro transbordante do azeite da Fé.

Quero priorizar na vida o azeite do Espírito Santo. Quero manter acesa a lâmpada da minha Fé. Sem a Fé tudo se apaga e morre. A minha salvação depende da minha Fé, da chama que arde em meu coração....