sábado, 27 de outubro de 2012


Dom Filippo Santoro: Um bom exemplo de fé, vale mais do que mil palavras

Padre Sinodal, Arcebispo de Taranto, conta sua experiência
 Falta menos de uma semana para a conclusão da XIII assembléia do Sínodo dos Bispos dedicada a Nova Evangelização para a transmissão da fé. Muitas idéias emergiram da assembléia, sobretudo a de dar vida a uma evangelização que envolva todos os âmbitos e aspectos do ser humano, colhendo os desafios da sociedade de hoje. Sobre isto falou a ZENIT, Dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, nomeado Padre Sinodal por Bento XVI.

Do Sínodo emerge uma Igreja viva e confiante no futuro

Cardeal Betori, apresentou aos jornalistas, juntamente com o nomeado cardeal Dom Tagle e o arcebispo Carrè, a mensagem final do Sínodo dos Bispos


Uma mensagem de comunhão que reflete uma Igreja viva, pronta para enfrentar os desafios e problemas do nosso tempo. Assim, o Cardeal Giuseppe Betori, arcebispo de Florença, apresentou hoje pela manhã na Santa Sé, a mensagem final do Sínodo sobre a Nova Evangelização, com o arcebispo de Manila, Mons. Luis Antonio Tagle, rescentemente nomeado cardeal pelo Papa e o arcebispo de Montpellier, secretário-geral do Sínodo, o arcebispo Pierre Marie Carré.

Dar-se as mãos ou levantar os braços durante o Pai Nosso?

Responde o padre Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Muitas pessoas dizem que não devemos dar-nos as mãos quando rezamos a oração do Senhor, porque não é uma oração comunitária, mas uma oração ao “Pai Nosso”. Alguns sacerdotes explicaram que já que a Santa Sé nunca especificou o tema, então estamos livres para fazer como quisermos. Pode-se recitar o Pai Nosso de mãos dadas ou não? Qual é o modo no qual a tradição católica romana convida a recitar a oração do Senhor durante a Missa? - T.P., Milford, Maine.

O Santo Padre nos chamou à desmundanização

Arcebispo de Madri propõe exame de consciência e conversão do coração Cardeal Antonio María Rouco Varela


 Reproduzimos o pronunciamento do Card. Antonio María Rouco Varela, arcebispo de Madri, Presidente da Conferência Episcopal da Espanha, na 11ª congregação geral do Sínodo dos Bispos, em 15 de outubro de 2012.
É imprescindível conhecer o “Sitz im Leben” da Nova Evangelização, se queremos realizá-la de modo correto. O secularismo é, possivelmente, o seu sinal mais característico. A história da secularização, começada no século XVII, culmina no século XX com o postulado da “morte de Deus” e com a exaltação do “super-homem”.

Evangelização: Uma Resposta à "sede" dos homens de todo tempo e lugar

Publicada a Mensagem do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus

A Mensagem final da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã foi apresentada nesta manhã na sala de imprensa do Vaticano. O texto foi dividido em 14 pontos.
O documento abre com uma referência ao encontro de Jesus com a Samaritana junto do poço, trazendo a ânfora vazia (cf. Jo 4:5-42): é uma referência para a "sede" dos homens de todos os tempos, muitos “são os poços”, mas é preciso "discernir " para não correr o risco de ruinosas desilusões.
Reconhecendo Cristo como o único portador da "água que dá a vida verdadeira e eterna" e convertendo-se, a mulher samaritana "tornou-se mensageira da salvação e conduz para Jesus toda a cidade”.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


"Eles consumiram a sua existência na consagração total a Deus"

Homilia de Bento XVI na Missa de canonização de sete novos Santos

O Filho do homem veio para servir e dar a sua vida como resgate para muitos (cf. Mc 10,45)

Venerados irmãos,

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a Igreja escuta mais uma vez estas palavras de Jesus, pronunciadas durante o caminho rumo a Jerusalém, onde devia cumprir-se o seu mistério de paixão, morte e ressurreição. São palavras que manifestam o sentido da missão de Cristo na terra, marcada pela sua imolação, pela sua doação total. Neste terceiro domingo de outubro, no qual se celebrar o Dia Mundial das Missões, a Igreja as escuta com uma intensidade particular e reaviva a consciência de viver totalmente em um perene estado de serviço ao homem e ao Evangelho, como Aquele que se ofereceu a si mesmo até o sacrifício da vida.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012


A nova evangelização como testemunho

O reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, Mons. Dal Covolo, esboça um primeiro informe do Sínodo


 “O diálogo entre a fé e a cultura no ensino". Este é, de acordo com Dom Enrico dal Covolo, a característica distintiva das escolas e das universidades católicas. Um diálogo - confirma o Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense - "inesgotável entre a ciência de Deus e as ciências humanas, junto com uma síntese teológica assimilada essencialmente, e coerentemente testemunhada pelos formadores. Porque este é o ponto realmente crucial: hoje muitos são professores (inclusive eu ...) - admite - mas muito poucos são testemunhas da fé e do encontro verdadeiro com Jesus Cristo".
A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida.

Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira

Publicamos a seguir a catequese realizada por Bento XVI durante a Audiência Geral desta quarta-feira, dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
O Ano da Fé. Introdução.
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje vou apresentar o novo ciclo de catequese, que se desenvolve durante todo o Ano de Fé inaugurado recentemente e que interrompe - por este período - o ciclo dedicado à escola de oração. Com a Carta Apostólica Porta Fidei convoquei este Ano especial, para que a Igreja renove o entusiasmo de crerem Jesus Cristo, o único salvador do mundo, reaviva a alegria de andar no caminho que nos indicou, e testemunhe de maneira concreta a força transformadora da fé.
As nossas paróquias serão as pedras angulares das comunidades eucarísticas do futuro"

Sínodo: arcebispo de Dublin reflete sobre as problemáticas da juventude e da educação

Publicamos abaixo a intervenção de dom Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin, durante a décima quarta congregação geral do Sínodo dos Bispos, ocorrida em 16 de outubro de 2012.

O desafio da linguagem é especialmente percebido em países onde a língua dominante é o inglês, e é caracterizado por filosofias linguísticas com conhecidos desafios epistemológicos. Há também um desafio adicional para a linguagem cotidiana, não apenas da mídia, mas de uma cultura da manipulação da linguagem e da gestão da informação, em que o significado dos termos é alterado e manipulado para fins comerciais, ideológicos e políticos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Momentos importantes do Concílio Vaticano II

Entrevista com Mons Vitaliano Mattioli


Estamos comemorando os 50 anos do Concílio Vaticano II e nos perguntamos: como é que esse evento foi vivido pela geração que o presenciou?
Mons. Vitaliano era seminarista em Roma naquele então. ZENIT o entrevistou para que nos contasse em primeira pessoa a sua experiência desse grande evento que marcou profundamente a história da Igreja contemporânea.
Mons. Vitaliano Mattioli, nasceu em Roma, Itália, em 1938 e realizou estudos clássicos, filosóficos e jurídicos. Foi professor na Universidade Urbaniana e na Escola Clássica Apollinaire de Roma e Redator da revista "Palestra del Clero". Atualmente é missionário Fidei Donum na diocese de Crato, no Brasil.

Bento XVI: "Sempre haverá novos despertares para o cristianismo"

Entrevista inédita com o Santo Padre no filme Bells of Europe, apresentado ontem à noite após a sessão sinodal

Ontem, segunda-feira, 15 de outubro, após a sessão sinodal, foi apresentado a alguns padres sinodais o filme Bells of Europe [Sinos da Europa], sobre a relação entre o cristianismo, a cultura europeia e o futuro do continente.
O filme apresenta trechos de uma série de entrevistas originais exclusivas com as maiores personalidades religiosas cristãs, incluindo o papa Bento XVI, o patriarca ecumênico Bartolomeu I, o patriarca de Moscou, Kirill, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, o ex-presidente da Federação das Igrejas Evangélicas na Alemanha, Wolfgang Huber, e outras personalidades da política e da cultura.
O fio condutor da produção vem do som dos sinos dos diversos cantos do continente e da fusão de um sino na antiga fundição de Agnone. A trilha sonora traz músicas do famoso compositor estoniano Arvo Pärt, que, também entrevistado no filme, explica como se inspirou precisamente no tilintar dos sinos.
Realizado pelo Centro Televisivo Vaticano a partir de uma concepção do pe. Germano Marani e com o apoio de várias outras instituições, entre as quais a Fundação Gregoriana, o filme já está disponível para a RAI Cinema, que detém os direitos de transmissão televisiva e de distribuição doméstica.
Um fascículo com os textos completos das entrevistas realizadas no filme, em italiano e em inglês, foi distribuído a todos os participantes do sínodo. Destaque para a ampla entrevista, até agora inédita, com o Santo Padre Bento XVI, que reproduzimos a seguir.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sínodo 2012: Líder da Igreja Anglicana destaca potencial humanizador da fé cristã

Sínodo 2012: Líder da Igreja Anglicana destaca potencial humanizador da fé cristã

Fidelidade renovada (n.º 158)

Fidelidade renovada (n.º 158)

Vaticano: Papa fala em «nova primavera» do Cristianismo

Vaticano: Papa fala em «nova primavera» do Cristianismo
Entrar na lógica da doação
Durante o Angelus, Bento XVI explica o verdadeiro significado do encontro de Jesus com o jovem rico

Publicamos a seguir as palavras de Bento XVI pronuciadas aos fiéis e peregrinos reunidos nesta manhã, na Praça de São Pedro, para a tradicional oração mariana do Angelus.
Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho deste domingo (Mc 10,17-30) tem como tema principal a riqueza. Jesus ensina que é muito difícil para um rico entrar no reino de Deus, mas não impossível; de fato, Deus pode conquistar o coração de uma pessoa que possui muitos bens e impeli-la à solidariedade e à partilha com quem é necessitado, com os pobres, ou seja, a entrar na lógica da doação. Desta maneira, esse se coloca no caminho de Jesus Cristo, que - como escreve o apóstolo Paulo - "Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza" (2 Cor 8, 9).
A vida na fé
Reflexões de Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

Cinquenta anos já são passados desde a solene abertura do Concílio Vaticano II, que, dois anos antes, foi anunciado com alegria pelo saudoso e bem-aventurado Papa João XXIII. A Igreja toda exultou de alegria pela notícia que ecoou pelos quatro cantos do mundo! Estava iniciando o maior acontecimento da Igreja do século vinte!
Se os pastores se confessam, os fiéis também se confessarão
Sínodo dos Bispos: prelado do Opus Dei pede que os sacerdotes recebam o sacramento da reconciliação regularmente

Dom Javier Echevarría Rodriguez
Transcrevemos a seguir as palavras de dom Javier Echevarría Rodriguez, prelado do Opus Dei e bispo titular de Cilibia. Ele se dirigiu à Sétima Congregação Geral do Sínodo dos Bispos, em 12 de outubro de 2012.

Francisco descobriu o tesouro que é Cristo

Ministro geral dos Frades Menores Capuchinhos indica a conversão de Francisco como exemplo de vida nova

Padre Mauro Jöhri
Oferecemos a seguir as palavras do reverendo pe. Mauro Jöhri, O.F.M. Cap, ministro geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, na Sétima Congregação Geral do Sínodo dos Bispos, realizada nesta sexta-feira, 12 de Outubro.

As ordens mendicantes contribuirão para a nova evangelização na medida em que elas próprias se renovarem no contato com o carisma dos seus fundadores e na escuta atenta das situações complexas do nosso tempo. É necessária, de nossa parte, uma fidelidade criativa, como, no fundo, soube vivê-la de forma exemplar a testemunha que me é mais próxima: São Francisco de Assis. Em que sentido podemos falar de Francisco como "um homem verdadeiramente novo"?

domingo, 14 de outubro de 2012


Cristo como o centro do cosmos e da história

Homilia de Bento XVI na abertura do Ano da Fé

A homilia de Bento XVI realizada na manhã do dia 11, durante a missa celebrada no adro da Basílica de São Pedro para marcar o início do Ano da Fé, no 50 º aniversário da cerimonia de abertura do Concílio Vaticano II.
Venerados Irmãos,
Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, com grande alegria, 50 anos depois da abertura do Concílio Vaticano II, damos início aoAno da fé. Tenho o prazer de saudar a todos vós, especialmente Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, e Sua Graça Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária. Saúdo também, de modo especial, os Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais católicas, e os Presidentes das Conferências Episcopais. Para fazer memória do Concílio, que alguns dos aqui presentes – a quem saúdo com afeto especial - tivemos a graça de viver em primeira pessoa, esta celebração foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, que quis recordar a memorável procissão dos Padres conciliares, quando entraram solenemente nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia daquele que foi utilizado durante o Concílio; e a entrega das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica, que realizarei no termo desta celebração, antes da Bênção Final. Estes sinais, não nos fazem apenas recordar, mas também nos oferecem a possibilidade de ir além da comemoração. Eles nos convidam a entrar mais profundamente no movimento espiritual que caracterizou o Vaticano II, para que se possa assumi-lo e levá-lo adiante no seu verdadeiro sentido. E este sentido foi e ainda é a fé em Cristo, a fé apostólica, animada pelo impulso interior que leva a comunicar Cristo a cada homem e a todos os homens, no peregrinar da Igreja nos caminhos da história.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

«Deserto» espiritual ameaça humanidade

                                                   «Deserto» espiritual ameaça humanidade

Vaticano: Bento XVI pede «convicção e alegria» na vida da Igreja

Vaticano: Bento XVI pede «convicção e alegria» na vida da Igreja

Sínodo 2012: Burocracia e falta de formação dos católicos travam nova evangelização

Sínodo 2012: Burocracia e falta de formação dos católicos travam nova evangelização

"A minha pessoa não conta: é um irmão que fala com vocês"

O Sermão da Lua, do papa João XXIII


ROMA, quinta-feira, 11 de outubro de 2012 (ZENIT.org). É, sem dúvida, o mais famoso e comovedor discurso de todo o pontificado de Angelo Roncalli. Entrou para a história como o "Sermão da Lua": trata-se da saudação do papa João XXIII, na noite de quinta-feira, 11 de outubro de 1962, aos numerosíssimos fiéis e peregrinos que participaram da vigília organizada para a abertura do Concílio Vaticano II.
Hoje, cinquenta anos depois, transcrevemos esse discurso feito de palavras simples e sinceras, que não perderam nada da sua extraordinária autenticidade.

Caros filhinhos, ouço as vossas vozes. A minha é apenas uma, mas condensa a voz do mundo inteiro. Todo o mundo está aqui representado.
Parece que até a lua antecipou-se esta noite – observai-a no alto – para contemplar este espetáculo. É que encerramos uma grande jornada de paz. Sim, de paz: Glória a Deus e paz aos homens de boa vontade.
A minha pessoa não conta para nada, quem vos fala é um irmão, que se tornou pai por vontade de Nosso Senhor, mas tudo junto – paternidade e fraternidade – é graça de Deus, tudo, tudo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

É Cristo a resposta para a "desertificação espiritual dos nossos dias


Inaugurando o Ano da Fé, Bento XVI indica nos documentos do Concílio Vaticano II, a base sobre a qual construir a Nova Evangelização

Uma solene Celebração Eucarística que consagra um evento histórico para a Igreja, coincidindo com dois aniversários importantíssimos: a abertura do Ano da fé, juntamente com o 50 º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e do 20 º da promulgação do atual Catecismo da Igreja Católica.
Esta manhã, na presença de milhares de fiéis, vindos de todo o mundo à Praça de São Pedro, o papa Bento XVI presidiu a Santa Missa, concelebrada por 80 Cardeais, 8 Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas, os Bispos Padres Sinodais, 104 Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo e 15 Bispos que participaram como Padres nos trabalhos do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Ano da Fé: Papa quer renovar ação da Igreja

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Ano da Fé: Paulus Editora lança tradução portuguesa do hino oficial «Credo, Domine»

Ano da Fé: Paulus Editora lança tradução portuguesa do hino oficial «Credo, Domine»

Aos pés da cruz, para aprender a humildade a o amor autêntico


O Prefeito da Congregação para a Educação Católica explica que "a fim de reforçar a própria fé não basta o estudo, mas é necessário um vivo contato pessoal com Deus"

Deve-se colocar seriamente a pergunta: por que o constante aumento do número das nossas instituições educativas está acompanhado por uma crescente crise da fé? O que as torna tão pouco eficazes no despertar a fé e no campo da evangelização? Gostaria de encarar três fatos, que ainda sem terem caráter de novidade, precisam ser de novo apresentados, seriamente pensados e talvez seguidos de um estudo mais aprofundado

Concílio Vaticano II: "uma grande pintura feita pelo Espírito Santo"


Na audiência geral, Bento XVI indica quatro constituições conciliares como pontos cardeais da Igreja

 Uma audiência geral das mais importantes do pontificado de Bento XVI: na manhã de hoje, véspera da abertura do Ano da Fé e do 50º aniversário da abertura do concílio Vaticano II, o tema escolhido pelo Santo Padre para a catequese foi uma reflexão sobre os documentos conciliares.
O concílio Vaticano II nos aparece como "um grande afresco”, propôs o papa, “pintado na sua grande multiplicidade e variedade de elementos sob a orientação do Espírito Santo". Um trabalho de "extraordinária riqueza", do qual ainda é possível "redescobrir passagens particulares, fragmentos, matizes".
O Santo Padre mencionou em seguida o seu antecessor, o beato João Paulo II, que chamava o concílio Vaticano II de "grande graça para a Igreja do século XX", bem como "bússola segura para nos orientar nos caminhos do século que se abre"(Novo millennio ineunte, 57). Uma bússola que permite que "o navio da Igreja avance em mar aberto, tanto em meio a tempestades quanto a ondas calmas e tranquilas, para navegar com segurança e chegar a bom porto".

Nada pode resistir ao poder de cura do Evangelho

Cardeal Giuseppe Betori fala da coragem e da fidelidade no autêntico humanismo

Assim como Jesus foi um profundo conhecedor da vida no seu tempo, a Igreja de hoje também tem que se voltar para a cultura contemporânea, com a certeza de que nada pode resistir ao poder de cura do Evangelho. Isto é mostrado pela história da Igreja no mundo antigo, assim como pela inspiração da fé que animou a renovação da cultura entre o final da Idade Média e o início dos tempos modernos. É questão de ouvir e de compreender o mundo, sem qualquer sujeição: a palavra de Deus julga o mundo.

Existe mais consciência sobre o lugar da Palavra de Deus

Importante discurso do cardeal Marc Ouellet durante o sínodo

 Durante a tarde de ontem, na Quarta Congregação Geral (ou sessão) da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que acontece no Vaticano sobre “A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”, o cardeal Marc Ouellet, PSS, prefeito da Congregação para os Bispos, abordou a aplicação da exortação pós-sinodal Verbum Domini.
O prelado recordou que a Verbum Domini foi assinada pelo papa Bento XVI em 2010, depois de uma reflexão sinodal de 2006. A abertura desta nova assembleia, disse ele, “nos leva a refletir sobre a recepção deste documento pós-sinodal, para fazer um balanço sobre a prática das suas orientações, que querem renovar a fé da Igreja”.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Concilio Vaticano II foi realmente profético

Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero concede entrevista exclusiva


ROMA, terça-feira, 09 de outubro de 2012(ZENIT.org)Apresentamos a parte 2 da entrevista exclusiva concedida à ZENIT pelo Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, em vista do 50° aniversario da abertura do Concilio Vaticano II.
ZENIT: Sabe-se que Vossa Eminência sempre falou com grande entusiasmo do Concílio Vaticano II. O que ele representou para Vossa Eminência?
Card.Piacenza: Como não se entusiasmar com um evento tão extraordinário como um Concílio Ecumênico! Nele, a Igreja refulge em toda a sua beleza: Pedro e todos os Bispos em comunhão com ele, colocam-se em atitude de escuta do Espírito Santo, daquilo que Deus tem a dizer à Sua Esposa, procurando explicitar – segundo os auspícios do Beato João XXIII – no hoje da história, as imutáveis verdades reveladas e lendo os sinais de Deus nos sinais dos tempos, e os sinais dos tempos à luz de Deus! Dizia o mesmo Pontífice na solene alocução de abertura do Concílio, no dia 11 de outubro de 1962: “Transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios [...] esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


"As colunas da Nova Evangelização: a Confessio e a Caritas "

Meditação de Bento XVI na XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 8 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir a síntese da meditação feita por Bento XVI na XIII Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos durante a Hora Tertia de hoje.

As colunas da Nova Evangelização são a Confessio e a Cáritas, partindo do Evangelium, em um caminho que leve ao aparecimento do bom fogo do anúncio a ser oferecido aos outros. Explicou-o o Papa na reflexão durante a Hora Tertia desta manhã, argumentando que somente Deus é a fonte deste caminho, que depois implica o envolvimento humano. Partindo do Evangelium e retornando à oração, sobre a qual está fundada a cooperação com Deus.

domingo, 7 de outubro de 2012

NOTA PASTORAL DE D. MARTO


O Tesouro da Fé, Dom para Todos
O Santo Padre Bento XVI proclamou um “Ano da Fé” para toda a Igreja, precisamente na altura em que nós completamos o percurso do Projeto Pastoral traçado pelo Sínodo Diocesano para um período de seis anos, a que acrescentámos mais um. Assim, para o ano de 2012/2013 decidimos acolher, com grande alegria e plena disponibilidade, a proposta do Santo Padre. Nesta Nota Pastoral apresento à Diocese o horizonte e as linhas de ação para o ano que agora iniciamos.

NOTAS SOBRE NOVA EVANGELIZAÇÃO


O presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização em Portugal disse que o “problema” na transmissão da fé está do lado de quem anuncia, pedindo “fidelidade” à mensagem original de Jesus.
“O problema não estará tanto do lado das pessoas que não querem ouvir, mas no nosso lado, que anunciamos em nome próprio, juntamos as nossas opiniões, damos uns retoques de última novidade”, refere D. António Couto, em entrevista hoje publicada.

ANO DA FÉ...


Ao longo do “Ano da Fé” proclamado pelo Papa Bento XVI, proponho-me escrever uma série de artigos sobre “o dom da fé”. Desejaria ilustrar como a fé é um dom concedido por Deus aos homens e como estes, uma vez que dele beneficiam, o oferecem também aos seus semelhantes com o testemunho pessoal e comunitário e o anúncio do Evangelho. O programa dos artigos não está delineado. Cada um irá saindo conforme a inspiração do momento e a sugestão dos acontecimentos. Espero poder ser útil aos leitores para alimentar a sua fé e, quem sabe, poder ajudar alguém a receber o mesmo dom ou a redescobri-lo na sua vida. Assim o Espírito Santo me inspire.

A Igreja existe para evangelizar

Homilia de Bento XVI pronunciada na Celebração Eucarística por ocasião do Sínodo dos Bispos

Às 9:30 desta manhã, XXVII Domingo do Tempo Comum, no Sagrado da Basílica Vaticana, o Santo Padre Bento XVI proclama “Doutores da Igreja” São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen, e preside a Celebração Eucarística por ocasião da abertura da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cuja homilia apresentamos a seguir:

Vaticano: Papa inaugura Sínodo com maior número de participantes na história

Vaticano: Papa inaugura Sínodo com maior número de participantes na história

Vaticano: Bento XVI pede «convicção e alegria» na vida da Igreja

Vaticano: Bento XVI pede «convicção e alegria» na vida da Igreja

terça-feira, 2 de outubro de 2012

África: Perfil do (novo) evangelizador

África: Perfil do (novo) evangelizador

Grupo de irmãs presentes na celebração Jubilar de Missão em Angola


Adjetivo «nova» pode trair a evangelização

Adjetivo «nova» pode trair a evangelização

É possível evangelizar nas redes sociais da internet

Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações 2013

Por José Antonio Varela Vidal
– Os comunicadores digitais católicos, ou dito de outra forma, “os evangelizadores da Rede”, receberam o apoio do santo Padre Bento XVI pelos seus grandes esforços em entender a linguagem dos meios de hoje – com poucas horas de descanso e não poucas incompreensões -, de modo que a mensagem de Cristo permaneça em vigor nas redes sociais da internet.
Esta boa notícia chegou a cada dispositivo móvel ou fixo que estivesse na rede, quando na sexta-feira foi publicado o tema da 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, com a qual o Papa orientará a Igreja Universal sobre este importante campo, denominado por ele mesmo “um continente digital”. É que a questão escolhida não podia ser mais oportuna e clara: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços para a evangelização".
De acordo com a nota de apresentação do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o tema se enquadra muito bem no contexto do Ano da Fé, dado que o “modo de humanizar e vitalizar um mundo digital impõe hoje uma atitude mais definida: já não se trata de usar a internet como “meio” de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem moderno também se expressa no ambiente digital”.
Em particular, acrescenta o comunicado, "é necessário considerar o desenvolvimento e a grande popularidade das redes sociais, que permitiram o crescimento de um estilo dialógico e interativo na comunicação e nos relacionamentos."

Vivemos bem a liturgia somente se permanecemos em atitude de oração


Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira


Apresentamos a catequese de Bento XVI durante Audiência Geral desta quarta-feira(26) dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
Nestes meses fizemos um caminho à luz da Palavra de Deus, para aprender a rezar de modo sempre mais autêntico, olhando para algumas grandes figuras do Antigo Testamento, dos Salmos, das Cartas de São Paulo e do Apocalipse, mas sobretudo, olhando para a experiência única e fundamental de Jesus, no seu relacionamento com o Pai celeste. Na verdade, somente em Cristo o homem se torna capaz de unir-se a Deus com a profundidade e a intimidade de um filho no confronto de um pai que o ama, somente Nele podemos nos voltar com toda a verdade a Deus chamando-O afetuosamente “Abbá, Pai”. Como os Apóstolos, também nós repetimos nestas semanas e repetimos a Jesus hoje: “Senhor, ensinai-nos a rezar” (Lc 11,1).

Além disso, para aprender a viver ainda mais intensamente a relação pessoal com Deus, aprendemos a invocar o Espírito Santo, primeiro dom do Ressuscitado aos que crêem, porque é Ele que “vem em auxílio à nossa fraqueza: nós não sabemos como rezar de modo conveniente” (Rm 8,26), diz São Paulo, e nós sabemos como ele tem razão.

Nove perguntas sobre o Ano da Fé


No próximo dia 11 de outubro começará o Ano da Fé, convocado por Bento XVI. Mas de que se trata? O que deseja o Santo Padre? O que se pode fazer? A 10 dias do início, respostas às perguntas que surgem.
1. O que é o Ano da Fé?
O Ano da Fé "é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).

2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de outubro de 2012 e terminará a 24 de novembro de 2013.


3. Por que nessas datas? 
Em 11 de outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de novembro, será a solenidade de Cristo Rei.


4. Por que é que o Papa convocou este ano?"
Enquanto que no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas". Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo". O objetivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo".

A qualidade do evangelizador depende da união com Deus

Cardeal Ouellet conversa com jornalistas na assembleia plenária dos bispos europeus


"A qualidade do evangelizador depende da qualidade da sua união com Deus", afirmou o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, no terceiro dia da assembleia plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que aconteceuem St. Gallen, na Suíça, de 27 a30 de setembro.
Da conferência de imprensa deste sábado, 29 de setembro, na qual ZENIT esteve presente, oferecemos a seguir um resumo, ressaltando o intercâmbio entre o cardeal e os jornalistas.
Na sua homilia, o senhor falou de uma Europa afetada por uma crise da esperança. Qual é o papel que este continente pode desempenhar para recuperar os valores, não só no contexto europeu, mas mundial? A Europa ainda tem um papel a desempenhar? Qual é?
Cardeal Ouellet: A Europa é portadora da civilização cristã, é a matriz dela. A Europa sempre terá a responsabilidade de continuar testemunhando as raízes da sua identidade, como continente configurado pelo dom de Cristo e da Igreja. E, neste sentido, a presença da Igreja, o seu esforço neste momento, é ajudar os países europeus a não perderem a consciência da missão universal da Europa como portadora dessa mensagem do Evangelho e da sabedoria que esta mensagem trouxe sobre a dignidade da pessoa, sobre os direitos humanos. Eu acho que a Europa tem uma missão e uma consciência que precisa ser mantida. Por isso, a Igreja procura ajudar também os políticos e aqueles que tomam as decisões econômicas para o futuro. Ajudar na perspectiva de fé, para apoiar o esforço em prol do bem comum e da missão universal da Europa.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Ano da Fé. Entre a narrativa e a poesia

O Ano da Fé. Entre a narrativa e a poesia

O que é a Fé?

O que é a Fé?

Ano da Fé contra o «absurdo» da existência

Ano da Fé contra o «absurdo» da existência

A crise que atinge a Europa: é uma crise espiritual e moral


64° Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana


 O Santo Padre Bento XVI fala aos participantes da 64° Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana.
Venerados e queridos irmãos,
É um momento de graça este vosso encontro anual em Assembleia, no qual vivem uma profunda experiência de confronto, de partilha e de discernimento para o caminho comum, animado pelo Espírito do Senhor Ressuscitado; é um momento de graça que manifesta a natureza da Igreja.
Agradeço o Cardeal Angelo Bagnasco pelas cordiais palavras com as quais me acolheu, fazendo-se interprete dos vossos sentimentos: ao senhor, eminência, dirijo os melhores votos para um novo mandato como presidente da Conferência Episcopal Italiana
O afeto colegiato que vos anima nutre sempre mais a vossa colaboração a serviço da comunhão eclesial e do bem comum da nação italiana, na interlocução frutuosa com as suas instituições civis. Neste novo quinquênio, prossigam juntos com o renovação eclesial que nos foi confiado no Concílio Vaticano II; que o 50º aniversário de seu início, que celebraremos no outono [no hemisfério norte], seja motivo pra aprofundar os textos, condição para uma recepção dinâmica e fiel.

Os nove decretos conciliares do Concílio Vaticano II


História e resumo dos decretos


Nove são os decretos conciliares que o Concílio Vaticano II produziu. Mons. Vitaliano Mattioli explica para os nossos leitores de ZENIT o objetivo de cada um desses documentos.
Para ler os dois artigos anteriores sobre a História do Concílio clique aqui.

Mons. Vitaliano Mattioli*
Os deveres pastorais dos Bispos: Christus Dominus, 28 de outubro de 1965
Este decreto explica primeiramente as aplicações práticas da colegialidade do Episcopado (participação de todos os bispos na responsabilidade da Igreja universal). Fala explicitamente de um problema de fundamental importância, ou seja, o Exercício do poder do Colégio Episcopal. No n. 4 esclarece assim: “Os Bispos, em virtude da sua consagração sacramental e pela comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio, são constituídos membros do corpo episcopal. A ordem dos Bispos, porém, que sucede ao colégio dos Apóstolos no magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo apostólico continua perpetuamente, é também, juntamente com o Romano Pontífice, sua cabeça, e nunca sem a cabeça, sujeito do supremo e pleno poder sobre toda a Igreja, poder este que não pode ser exercido sem o consentimento do Romano Pontífice. Este poder é exercido solenemente no Concílio Ecumênico”. Em seguida analisa as relações do bispo com a Igreja particular. Por fim, o Decreto fala da atividade das Conferências Episcopais.

Quatro Constituições Conciliares (Parte II)


Mons. Vitaliano explica as quatro Constituições do Concílio Vaticano II


 Publicamos a seguir a segunda parte do artigo que Mons. Vitaliano escreveu na sexta-feira, sobre as quatro Constituições do Vaticano II. Para ler a primeira parte clique aqui (http://www.zenit.org/article-31359?l=portuguese)
Constituição Dogmática sobre a Revelação: Dei Verbum, 18 de Novembro de 1965.
Documento de fundamental importância para a compreensão da Palavra de Deus e da relação com o Magistério da Igreja. Deus tem falado aos homens. O Cristo, Palavra (Verbo) de Deus, por quem todas as coisas foram criadas, é a plenitude da Revelação. A Constituição mostra como na Sagrada Escritura se encontra a Palavra de Deus fixada por escrito sob a inspiração do Espírito Santo, enquanto que a Palavra de Deus, confiada por Cristo aos Apóstolos, é transmitida pela Tradição integralmente aos sucessores dos apóstolos. A Hierarquia tem a tarefa de interpretar autenticamente a Palavra de Deus. 

Quatro constituições conciliares (Parte I)


Mons. Vitaliano explica as quatro Constituições do Concílio Vaticano II


- O Papa Bento XVI na Missa celebrada em Frascati (Itália) no dia 15 de julho de 2012 durante a homilia se expressou assim: “Os Documentos do Concílio contém uma riqueza enorme para a formação da nossa consciência”.
Com certeza o Concílio foi uma grande graça para a Igreja, mas ao longo destes 50 anos desde a sua abertura, nem sempre se ouviram vozes de acordo sobre a sua interpretação e atuação. Mais de uma vez o Vaticano foi apresentado como uma linha de demarcação entre o pré e o pós-Concílio, ou seja numa linha de descontinuidade. Nada podia estar mais errado. Por isso Bento XVI poucos meses depois da sua eleição pontifícia considerou oportuno chamar a atenção sobre a correta interpretação com que se deve ler este Concílio. Aproveitou a ocasião de cumprimentos de Natal apresentando-lhes o Sagrado Colégio dos Cardeais, no dia 22 de dezembro de 2005.

domingo, 23 de setembro de 2012



MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2012

«Chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade» (Carta ap. Porta fidei, 6)

Queridos irmãos e irmãs!
Neste ano, a celebração do Dia Mundial das Missões reveste-se dum significado muito particular. A ocorrência do cinquentenário do inicío do Concílio Vaticano II, a abertura do Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos cujo tema é a nova evangelização concorrem para reafirmar a vontade da Igreja se empenhar, com maior coragem e ardor, na missio ad gentes, para que o Evangelho chegue até aos últimos confins da terra.
Com a participação dos Bispos católicos vindos de todos os cantos da terra, o Concílio Ecuménico Vaticano II constituiu um sinal luminoso da universalidade da Igreja pelo número tão elevado de Padres conciliares que nele se congregou, pela primeira vez, provenientes da Ásia, da África, da América Latina e da Oceânia. Tratava-se de Bispos missionários e Bispos autóctones, Pastores de comunidades disseminadas entre populações não-cristãs, que trouxeram para a Assembleia conciliar a imagem duma Igreja presente em todos os continentes e se fizeram intérpretes das complexas realidades do então chamado «Terceiro Mundo». Enriquecidos com a experiência própria de Pastores de Igrejas jovens e em vias de formação, apaixonados pela difusão do Reino de Deus, eles contribuíram de maneira relevante para se reafirmar a necessidade e a urgência da evangelização ad gentes e, consequentemente, colocar no centro da eclesiologia a natureza missionária da Igreja.

sábado, 22 de setembro de 2012


O Frio que veio de dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para poderem receber socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles o sabiam, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo:
- "Aquele negro! Jamais darei a minha lenha para aquecer um negro." E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspeto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou:
- "Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?"
O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensinava. Seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou a sua lenha com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Ele pensou:
- "Esta neve pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos meus gravetos."
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou.
Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipa de Socorro disse:
- "O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro."

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ano da Fé: Bento XVI diz que a Igreja Católica deve recuperar «o entusiasmo de comunicar» o Evangelho

Ano da Fé: Bento XVI diz que a Igreja Católica deve recuperar «o entusiasmo de comunicar» o Evangelho

O mundo de hoje precisa de sinais claros e fortes de diálogo e cooperação


As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira



Caros irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de voltar brevemente, com o pensamento e com o coração, aos extraordinários dias da viagem apostólica que fiz ao Líbano. Uma viagem que eu realmente queria, apesar das circunstâncias difíceis, considerando que um pai deve estar sempre próximo aos seus filhos quando encontram graves problemas. Fui movido pelo desejo verdadeiro de anunciar a paz que o Senhor ressuscitado deixou aos seus discípulos com as palavras: “Vos dou a minha paz - سَلامي أُعطيكُم » (João 14,27). Esta minha Viagem tinha como propósito principal a assinatura e entrega da Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente aos representantes da Comunidades católicas do Oriente Médio, assim como a outras Igrejas e Comunidades eclesiais e também aos Chefes muçulmanos.

Não se pode estar, de fato, a serviço dos homens, sem ser primeiro servo de Deus
Bento XVI recebe em audiência os prelados participantes da conferência organizada pela Congregação para os Bispos e as Igrejas Orientais
 O Ano da Fé, o 50º aniversário de abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II , a 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova evangelização, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica são ocasiões” para reforçar a fé”.
Estas foram palavras do papa Bento XVI durante a audiência com os Bispos de recente nomeação, participantes do congresso promovido pela Congregação para os Bispos e as Igrejas Orientais. “O reunir-se em Roma, no início de vosso serviço episcopal -destacou o Papa- , é um momento propício para fazer uma experiência concreta da comunicação e da comunhão entre vós, e, no encontro com o Sucessor de Pedro, alimentar o senso de responsabilidade por toda a Igreja”.
O Santo Padre convidou os bispos a “promover e sustentar “um compromisso mais determinado da Igreja a favor da nova evangelização para redescobrir a alegria no crer e reencontrar o entusiasmo do comunicar a fé” (Lett. ap. Porta fidei, 7).
O convite é aquele de “favorecer e alimentar a comunhão e a colaboração entre todas as realidades de suas dioceses”. A evangelização, de fato, explicou Bento XVI “não é trabalho de alguns especialistas, mas de todo o Povo de Deus, sob orientação dos Pastores”, por isso, “cada fiel com a comunidade eclesial, deve sentir-se responsável pelo anúncio e pelo testemunho do Evangelho”.
A Nova Evangelização é, definitivamente, um produto do Concílio Vaticano II, tanto é verdade que o beato João XXIII, em seu discurso no encerramento do 1° período do Concilio, via como um “novo Pentecostes que iria florescer a Igreja na sua riqueza interior e no seu estender-se maternalmente a todos os campos da atividade humana”.

domingo, 16 de setembro de 2012

Líbano: Papa deixa mensagem de tolerância e pluralismo para a paz no Médio Oriente

Líbano: Papa deixa mensagem de tolerância e pluralismo para a paz no Médio Oriente

"Uma guia para avançar nos caminhos multiformes e complexos por onde Cristo vos precede"

Discurso de Bento XVI No ato da entrega da Exortação Apostólica Post-Sinodal Ecclesia in Medio Oriente


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) - No ato da entrega da Exortação Apostólica Post-Sinodal ‘Ecclesia in Medio Oriente’, aos Patriarcas católicos do Oriente Médio, aos Presidentes das Conferências Episcopais da Turquia e do Irã, e a uma representação de fiéis, Bento XVI pronunciou o seguinte discurso:

Suas Beatitudes, Senhores Cardeais,
Amados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs em Cristo!

A celebração litúrgica que vivemos permitiu-nos dar graças ao Senhor pelo dom da Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, que teve lugar em Outubro de 2010 sobre o tema: «A Igreja Católica no Médio Oriente, comunhão e testemunho. "A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma" (Act 4, 32)». Quero agradecer a todos os Padres sinodais pela sua contribuição. A minha gratidão vai também para o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, D. Eterović, pelo trabalho realizado e pelas palavras que me dirigiu em vosso nome.

"A vocação da Igreja e do cristão é servir"

Homilia de Bento XVI durante missa no City Center Waterfront de Beirtute


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) – Às 10:00 da manhã de hoje, XXIV Domingo do Tempo Comum, o Papa presidiu à celebração da Santa Missa por ocasião da publicação da Pós-sinodal Ecclesia no Oriente Médio da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos.
Após a proclamação do Santo Evangelho, Bento XVI pronunciou a seguinte homilia:
Amados irmãos e irmãs!
«Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» (Ef 1, 3). Bendito seja Ele neste dia em que tenho a alegria de me encontrar convosco aqui, no Líbano, para entregar aos Bispos da região a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente. Agradeço cordialmente a Sua Beatitude Béchara Boutros Raï as amáveis palavras de boas-vindas. Saúdo os outros Patriarcas e os Bispos das Igrejas orientais, os Bispos latinos das regiões vizinhas bem como os Cardeais e os Bispos vindos doutros países. Com grande afecto, saúdo a todos vós, queridos irmãos e irmãs do Líbano e também dos países de toda esta amada região do Médio Oriente, que viestes celebrar, com o sucessor de Pedro, Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado. Dirijo também a minha deferente saudação ao Presidente da República e às Autoridades libanesas, aos Responsáveis e aos membros das outras tradições religiosas que quiseram estar aqui nesta manhã.

"Oxalá os homens compreendam que são todos irmãos!"

Palavras de Bento XVI ao recitar o Angelus durante Viagem Apostólica ao Líbano


BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org) - Antes de recitar a tradicional oração mariana do Angelus durante Viagem Apostólico ao Líbano, Bento XVI pronunciou as seguinte palavras:
Amados irmãos e irmãs!
Voltemo-nos agora para Maria, Nossa Senhora do Líbano, ao redor da qual se encontram os cristãos e os muçulmanos. Peçamos-Lhe que interceda junto do seu divino Filho por vós e, de modo particular, pelos habitantes da Síria e dos países vizinhos, implorando o dom da paz. Vós conheceis bem a tragédia dos conflitos e da violência, que gera tantos sofrimentos. Infelizmente, o fragor das armas continua a fazer-se ouvir, assim como o grito das viúvas e dos órfãos. 

"A liberdade religiosa tem uma dimensão social e política indispensável para a paz"

Encontro de Bento XVI com as autoridades políticas e religiosas libanesas no Palácio Presidencial de Baadba

BEIRUTE, sábado, 15 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - No segundo dia da sua visita pastoral no Líbano, o Papa Bento XVI passou a maior parte da manhã no Palácio Presidencial de Baadba, onde se reuniu com as principais autoridades políticas e religiosas do país.
Em primeiro lugar, em dois momentos diferentes, na Sala dos Embaixadores do Palácio Presidencial, o Santo Padre conversou com o presidente da República Libanesa, Michel Sleiman, e com o primeiro-ministro Nabih Berri, na presença dos seus respectivos familiares. Cada um dos encontros terminou com o ritual da troca de presentes e com a entrega de uma cópia da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Medio Oriente.
Bento XVI teve outros colóquios com os líderes das Comunidades muçulmanas Sunita, Xiita, Drusa e Alawita, na presença do Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, do Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Béchara Boutros Raï, do Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, e do Núncio Apostólico no Líbano, Mons. Gabriele Giordano Caccia.
Terminado os encontros privados, o Santo Padre e a delegação de autoridades libanesas foram ao Jardim do Palácio Presidencial, onde houve o simbólico plantio de um cedro do Líbano, para depois irem para o Salão “25 de maio” onde, depois da introdução do presidente Sleiman, Bento XVI pronunciou o próprio discurso.

"Jovens libaneses, vós sois a esperança e o futuro do vosso país

Durante a reunião em Bkerké, Bento XVI exorta os jovens libaneses a não desanimarem diante dos desafios do presente, combatendo as tentações e mantendo sólidas a fraternidade e a confiança em Deus

BKERKÉ, sábado, 15 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - "Salami ō-tīkum! – Dou-vos a minha paz!”. Com as palavras de Cristo do Evangelho de João (Jo 14, 27) Bento XVI saudou os jovens do Líbano e do Oriente Médio reunidos na praça que está na frente do Patriarcado Maronita de Bkerké.
Depois de ter encontrado, nesta manhã, as Autoridades políticas, religiosas e do mundo da cultura no Palácio Presidencial de Baadba, o Papa quis concluir o segundo dia da sua viagem no País dos Cedros encontrando quem desde sempre “ocupa um lugar privilegiado no seu coração”: os jovens.
O evento, que contou com a presença de vários milhares de religiosos e seminaristas, realizou-se em forma de Celebração da Palavra e foi introduzido pela saudação do Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Sua Beatitude Béchara Boutros Raï, O.M.M. Imediatamente depois dois jovens deram o próprio testemunho.
"Queridos amigos, vocês vivem hoje nesta parte do mundo que viu o nascimento de Jesus e o desenvolvimento do cristianismo", começou o Santo Padre, depois de ter agradecido pela acolhida recebida. Esta é “uma grande honra”, continuou, além de que “um apelo à fidelidade, ao amor pela vossa terra e por acima de tudo a serem testemunhas e mensageiros da alegria de Cristo”.
Citando o exemplo dos numerosos Santos e Beatos do País, que mesmo vivendo “períodos difíceis”, mantiveram a fé como “fonte da sua coragem e do seu testemunho”, o Papa convidou as novas gerações a não desanimarem diante dos “muitos e sérios desafios” que eles têm que enfrentar “num mundo em contínuo movimento”.

O Senhor conceda ao Oriente Médio servidores da paz e da reconciliação

Bento XVI celebra missa para meio milhão de fiéis em Beirute

BEIRUTE, domingo, 16 de setembro de 2012(ZENIT.org)- Durante a celebração Eucarística desta manhã no City Center Waterfront de Beirute, Bento XVI renovou seu apelo de paz aos líderes do Líbano e de todo o Oriente Médio.
Chegando ao local da celebração, o Santo Padre recebeu do prefeito de Beirute a Chave da Cidade. A missa contou com a presença de 300 bispos e cerca de meio milhão de peregrinos e fiéis provenientes do Líbano e de países vizinhos.
A celebração foi introduzida com a saudação do patriarca de Antioquia dos Maronitas, sua beatitude Bechara Boutros Raï, O.M.M, presidente da A.P.E.C.L e da Assembléia dos Patriarcas católicos do Oriente Médio.
Ao agradecer a presença de Bento XVI, Boutros Raï saudou a sua visita pastoral como um "sinal de paz, uma paz que aspira nosso mundo em geral e o Oriente Médio, em particular."
A viagem do Papa e a assinatura da Exortação apostólica ‘Ecclesia in Médio Oriente’, afirma a presença formal da Cátedra de São Pedro nesta região do mundo, que consagrará uma presença cristã de dois mil anos", acrescentou o Patriarca .

Médio Oriente: Papa reforça apelo pela paz na Síria

Médio Oriente: Papa reforça apelo pela paz na Síria

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Prestar Atenção

"E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe
dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia" (Atos 8:6).

Um homem estava caminhando por uma calçada, em Nova Iorque,
ao lado de um amigo. Ônibus e caminhões passavam a todo
instante, fazendo grande barulho, taxis estavam buzinando, o
som de um martelo era ouvido ao longe. De repente, ele parou
e disse: "Você ouve o grilo?" Seu amigo virou-se para ele,
surpreso. O homem, entretanto, dirigindo-se a um vaso de
plantas, próximo, separou as folhas e encontrou o pequeno
grilo em um dos galhos. Continuando a caminhada, seu amigo
perguntou: "Como pôde você ouvir o grilo com tanto barulho
ao redor?" "Porque eu estava prestando atenção", respondeu o
homem. "Deixe-me demonstrar". Tendo dito isto, ele pegou
algumas moedas no bolso e deixou-as cair na calçada. O som
das moedas caindo e rolando fez todas as cabeças que
passavam no quarteirão se virarem. "Veja", ele disse,
"depende de -- em que você está prestando atenção."

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


A cruz é para os cristãos a árvore da vida, o tálamo, o trono, o altar da nova e eterna aliança. Uma vez que Cristo, novo Adão, adormecido na Cruz, deu à luz o admirável sacramento da Igreja, a cruz se torna o sinal do senhorio de Cristo sobre aqueles que são configurados no Batismo com Ele na morte e na glória. Na Patrística, é o sinal do Filho do Homem que aparecerá no final dos tempos. O amor todo se manifesta na Cruz.
Santa Teresa d’Ávila disse em seus colóquios de amor com Cristo: “a cruz é vida e conforto, o único caminho para o céu”. Assim, a Cruz, antes de ser sinal de tortura e de sofrimento, é sinal de misericórdia, esperança, abrigo, reflexão, inspiração, perdão, paixão, amor, paz e vitória sobre o sofrimento e a dor.
Jesus Cristo se ofereceu livremente à Paixão da Cruz e abriu o sentido e o destino de nossa vida. Com Ele temos na Cruz os braços abertos e o coração aberto a serviço do Pai. Nele conseguimos ver e sentir a esperança, a eternidade.
A Cruz é uma história de amor, o sentido maior do esvaziamento (Kenosis) do Filho, onde Ele demonstra que Seu amor não tem limites, e que mesmo o medo da morte não poderia manchar o seu compromisso maior: fazer a vontade do Pai.
A Sua morte foi, sim, o início de Sua glorificação, pois o próprio Pai O exaltou. O que se exalta não é a cruz/sofrimento. O que se exalta é o amor incondicional de um Deus que partilhou a nossa condição humana e comprometeu-se com a realização do Reino até o fim. Na Cruz, Cristo, hoje Ressuscitado, deu a vida por nós. Por isso “nossa glória é a Cruz onde nos salvou Jesus”.
Temos que exaltar o Cristo que, tendo amado os seus, amou-os até o fim (Jo 13,1). E exaltar a Deus que deu Seu filho unigênito para que todos tenham vida em Seu nome (Jo 3, 16 e Gn 22, 2).
O próprio Deus quis tornar-se um de nós, até mesmo no sofrimento e na tristeza de alma. Um Deus que nos envolve com Seu amor extremado, infinito, demonstrado não em grandes mistérios, mas em verdade e em vida.
Cada vez que fazemos o sinal da cruz invocando a Santíssima Trindade recordamos desse mistério. Por isso trazemos a cruzem nossas Igrejas, casas, locais de trabalho, conosco – acreditamosem um Deusque deu a vida por nós e tornou a cruz um sinal de salvação. O cristão sabe, pela cruz, que a nossa limitação nunca será capaz, nunca será suficiente para contemplarmos toda essa imensidade de amor. Mas, nela, na Cruz, podemos experimentar esse amor. E a única chave de compreensão de nossa existência é certamente pelo amor. Só o amor explica a nossa vida, e nos solicita para a vida. Assim celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz, ou a festa da Exaltação do Supremo Amor.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Líbano: Que cenário vai encontrar o Papa

Líbano: Que cenário vai encontrar o Papa

A aparente onipotência do Maligno colide com a verdadeira onipotência de Deus


A catequese de Bento XVI na Audiência Geral desta quarta-feira


Caros irmãos e irmãs,
Quarta-feira passada falei sobre a oração na primeira parte do Apocalipse, hoje passamos para a segunda parte do livro, enquanto na primeira parte, a oração é orientada para o interior da vida eclesial, a atenção da segunda parte é voltada ao mundo inteiro; a Igreja, de fato, caminha na história, é sua parte segundo o projeto de Deus. A assembleia que, escutando a mensagem de João apresentada pelo narrador, redescobriu a própria missão de colaborar com o desenvolvimento do Reino de Deus como “sacerdotes de Deus e de Cristo” (Ap 20,6; cfr 1,5; 5,10), e se abre ao mundo dos homens. E aqui emergem dois modos de viver em uma relação dialética entre eles: o primeiro podemos definir como o “sistema de Cristo”, ao qual a assembleia é feliz de pertencer, e o segundo é o “sistema terrestre anti-Reino e anti-aliança posto em prática pela influência do Maligno”, o qual, enganando o homem, quer implantar um mundo oposto àquele desejado por Cristo e por Deus (cfr Pontifícia Comissão Bíblica, Bíblia e Moral, raízes do agir cristão, 70). A Assembleia deve então saber ler de forma profunda a história que está vivendo, aprendendo a discernir com a fé os acontecimentos para colaborar, com sua ação, para o desenvolvimento do Reino de Deus. E esta obra de leitura e de discernimento, como também de ação, está ligado à oração.
Primeiro, após o apelo insistente de Cristo que, na primeira parte do Apocalipse, sete vezes disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à Igreja” (cfr Ap 2,7.11.17.29; 3,6.13.22), a assembleia é convidada a subir ao céu para assistir à realidade com os olhos de Deus; e aqui encontramos três símbolos, pontos de referência para a leitura da história: o trono de Deus, o Cordeiro e o livro (cfr Ap 4,1 – 5,14).
O primeiro símbolo é o trono, sobre o qual está sentado um personagem que João não descreve, porque supera qualquer representação humana; pode somente sugerir o sentido de beleza e alegria que se prova encontrando-se diante dele. Este personagem misterioso é Deus, Deus onipotente que não permaneceu fechado no seu Céu, mas se fez próximo ao homem, entrando em aliança com ele; Deus que faz sentir na história, de modo misterioso mas real, a sua voz simbolizada por relâmpagos e trovões. Há vários elementos que aparecem ao redor do trono de Deus, como os vinte e quatro anciãos e quatro seres viventes, que constantemente louvam o único Senhor da história.
Primeiro símbolo, o trono. Segundo símbolo é o livro, que contém o plano de Deus sobre os acontecimentos e sobre os homens; é fechado hermeticamente por sete selos e ninguém é capaz de lê-lo. Diante dessa incapacidade do homem de analisar o projeto de Deus, João sente uma tristeza profunda que o leva às lágrimas. Mas há um remédio para a perda do homem diante do mistério da história: alguém é capaz de abrir o livro e de iluminá-lo.
E aqui aparece o terceiro símbolo: Cristo, o Cordeiro imolado no Sacrifício da Cruz, mas que está em pé, sinal da Ressurreição. É o próprio Cordeiro, o Cristo morto e ressuscitado, que progressivamente abre os selos e revela o plano de Deus, o sentido profundo da história.

sábado, 8 de setembro de 2012


O ano da fé: um dom para criar o espaço da verdade e da liberdade

Entrevista com monsenhor Waclaw Depo, Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, sobre as perspectivas para o ano proclamado pelo Santo Padre


Por Pe. Mariusz Frukacz
CZESTOCHOWA, quinta-feira, 6 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos aqui a entrevista com o Arcebispo Metropolitano de Czestochowa, S.E. mons. Waclaw Depo, Presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polonesa, sobre quais serão os pontos e os dons que o Ano da Fé, proclamado pelo Papa, trará para toda a humanidade.
_ ***
ZENIT: Excelência, o que significa o Ano da Fé para a Igreja e para cada fiel?
Mons. Depo: O Ano da Fé é um dom para a Igreja e para todos os fiéis. Um dom com o qual cada pessoa pode renovar o seu relacionamento com Cristo, assim como o evento por meio do qual os fiéis podem encontrar de novo o seu lugar na Igreja. Podemos dizer que o Ano da Fé será realizado com a adesão de cada pessoa e de cada família a Cristo. Nisto têm grande importância os movimentos católicos em nossas paróquias, cujos membros são as primeiras testemunhas de Cristo na igreja local.
ZENIT: O que entendemos por Nova Evangelização?
Mons. Depo: A Nova Evangelização, como nos ensina Bento XVI, é o dom do Espírito Santo. Penso que ela seja também um dever nosso e não um fardo difícil, mas a cooperação na obra da salvação. A Nova Evangelização também significa uma nova adesão a Cristo, um novo compromisso pessoal da mente e do coração. Toda pessoa recebe o Espírito de Deus para discernir a própria vida e, ao mesmo tempo, obter o desejo de unir-se a Jesus, de falar sobre Ele e testemunhá-lo com a própria vida.
Não estou me referindo apenas às pessoas que já pertencem à Igreja, mas também a todos aqueles que estão à procura de Cristo e da Igreja. O ponto é criar o espaço para a verdade e a liberdade, a liberdade de escolha para todos aqueles que hoje estão distantes da Igreja ou olham-na de modo muito crítico. Tenho certeza de que eles também são abraçados pelo amor de nosso Redentor.
O Credo deve ser a oração diária de um cristão. Todos os dias também temos que perceber em Quem acreditamos: não somente nos artigos de fé, mas em Alguém que é e se revela em cada artigo de fé.
ZENIT: Como presidente do Conselho para as Comunicações Sociais da Conferência Episcopal Polaca, o que vossa Excelência acha do papel dos meios de comunicação na Nova Evangelização?
Mons. Depo: Eu acho que a tarefa dos meios de comunicação é muito importante, mas também muito difícil. Em nossos tempos estamos diante de uma luta dramática pela verdade. Juntos, a Igreja e os meios de comunicação - não apenas os católicos - devem assumir as próprias responsabilidades na pregação da verdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

MÊS DA BÍBLIA...



QUANTO MAIS E MELHOR REZARMOS, MAIS NOS TORNAREMOS SEMELHANTES A ELE

As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, após as férias, retomamos as audiências no Vaticano, continuando a "escola de oração" que estamos vivendo juntos nas catequeses de quarta-feira.
Hoje gostaria de falar sobre a oração no livro de Apocalipse que, como vocês sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza. Nos coloca em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida "no dia do Senhor" (Apocalipse 1:10), que é, de fato, o pano de fundo no qual se desenvolve o texto.
Um leitor apresenta à assembléia a mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia são, por assim dizer, os dois protagonistas no desenvolvimento do livro. Para eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras da profecia" (1,3). Através do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que se desenvolve em uma variedade de formas até a sua conclusão. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa.

A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) tem, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo - único caso no Novo Testamento - que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: "Graça e paz "(1,4). O leitor destaca a origem dessa saudação: vem da Trindade, do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, juntos envolvidos no levar adiante o projeto de criação e de salvação para a humanidade. A assembléia escuta, e quando escuta nomear Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria e responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: "Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém" (1,5b-6). A assembléia, envolvida pelo amor de Cristo, se sente libertada da escravidão do pecado e proclama o "Reino" de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que através do batismo foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de louvor olhando de novo diretamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece Nele "a glória e o poder" para salvar a humanidade. O "Amém" final conclui o hino de louvor a Cristo. Já estes primeiros quatro versos contêm uma riqueza de evidências para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar a Deus que fala. Submersos com tantas palavras, estamos pouco acostumados a ouvir, sobretudo a colocar-nos com disposição interior e exterior em silêncio para estar atentos ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes somente de pedidos, deve ser antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação.